Versículo em destaque
Mateus 8:23 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Ele subiu a uma barca com seus discípulos. "
Mateus 8:23
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
21 Outra vez, um dos seus discípulos lhe disse: “Senhor, deixa-me ir primeiro enterrar meu pai”.
22 Jesus, porém, lhe respondeu: “Siga-me e deixe que os mortos enterrem seus mortos”.
23 Ele subiu a uma barca com seus discípulos.
24 De repente, desencadeou-se sobre o mar uma tempestade tão grande que as ondas cobriam a barca. Ele, no entanto, dormia.
25 Os discípulos se aproximaram dele e o acordaram, dizendo: “Senhor, salva-nos, nós perecemos!”.
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Cristo havia dado ordem a seus discípulos para que navegassem para o outro lado do mar de Tiberíades, isto é, o mar da Galileia, para a região de Gadara, a leste do Jordão. Ele ia ali para libertar um pobre homem possesso por uma legião de demônios, ainda que soubesse que seria rejeitado naquele lugar. Escolheu ir por água, embora o caminho por terra fosse mais fácil, para mostrar-se Senhor tanto do mar quanto da terra seca. Isso consola todos os que viajam pelo mar e enfrentam perigos ali, pois podem confiar e clamar a um Salvador que sabe o que é estar sobre as águas e no meio de uma tempestade.
Quando foi ao mar, não tinha um belo barco próprio; usou os barcos de pesca de seus discípulos. Era pobremente provido em todas as coisas. Seus discípulos o seguiram, e os doze permaneceram perto dele, enquanto outros ficaram em terra firme, onde havia segurança. Somente são verdadeiros discípulos de Cristo aqueles dispostos a acompanhá-lo em meio ao perigo e à dificuldade. Muitos estão dispostos a seguir o “caminho por terra” para o céu, mas preferem parar ou voltar atrás a enfrentar um “mar perigoso”. Porém, os que desejam descansar com Cristo depois precisam segui-lo agora, para onde quer que ele conduza, seja para um barco, seja para uma prisão, bem como para um palácio.
Nessa travessia, os discípulos enfrentaram perigo real e grande confusão, e isso confirmou o aviso anterior de Cristo de que seus seguidores devem esperar aflições (Mateus 8:20). Levantou-se uma grande tempestade. Cristo poderia tê-la impedido e dado a eles uma travessia fácil, mas isso não mostraria tanto a sua glória nem fortaleceria tanto a fé deles quanto o fez o seu livramento. A tempestade veio por causa deles, como em (João 11:4). Eles talvez esperassem bonança com Jesus no barco, mas aconteceu o contrário. Ele quis mostrar que os que o acompanham na travessia do mar deste mundo até a outra margem devem esperar tempestades pelo caminho. A igreja é açoitada por tempestades (Isaías 54:11), e somente os céus superiores desfrutam de calma duradoura.
Jesus dormia durante a tempestade. Não se lê em outro momento que ele tenha dormido. Ele orava com frequência e passava noites inteiras em oração. Esse sono não foi descuido, como o de Jonas em meio à tormenta, mas um repouso pacífico que revelava confiança em seu Pai. Ele dormiu para mostrar que era verdadeiramente humano e participava das fraquezas inocentes da nossa natureza. Seu trabalho o deixava cansado e sonolento, e ele não tinha culpa nem medo interior que perturbasse seu descanso. Quem pode deitar-se com a consciência limpa pode dormir em paz até no meio de uma tempestade (Salmo 4:8), como Pedro na prisão (Atos 12:6). Ele também dormiu para provar a fé de seus discípulos, para ver se confiariam nele quando parecesse não se importar com eles. Não dormia principalmente para se recompor, mas para ser despertado.
Os discípulos, embora acostumados ao mar, ficaram tomados de medo. No seu temor, recorreram ao seu Mestre; e a quem mais poderiam recorrer? Era bom que ele estivesse tão perto. Acordaram-no com a sua oração: “Senhor, salva-nos, perecemos.” As pessoas aprendem a orar bem em situações assim. Um perigo claro e imediato leva as pessoas a buscarem aquele que, sozinho, pode socorrê-las em tempo de angústia. A oração deles era cheia de vida: “Senhor, salva-nos, perecemos.” Criam que ele podia salvá-los e pediram que o fizesse. Cristo veio ao mundo para salvar, mas somente serão salvos os que invocarem o nome do Senhor (Atos 2:21). Os que confiam na sua salvação eterna também podem ir a ele, com humilde confiança, em busca de ajuda nas tribulações presentes. Eles o chamam de Senhor e depois pedem que os salve. Cristo não salvará aqueles que não querem recebê-lo como Senhor, pois ele é ao mesmo tempo Príncipe e Salvador.
O clamor “perecemos” era linguagem de medo e urgência. Eles julgavam o caso sem esperança e davam tudo por perdido. Sentiam como se já tivessem recebido em si mesmos a sentença de morte, e foi isso que colocaram diante dele: “Estamos perecendo, se tu não nos salvares; por isso, olha para nós com compaixão.” Era também linguagem de oração fervorosa. Oraram como quem luta pela própria vida. É assim, com tamanha seriedade, que se deve orar. Cristo dormiu para despertar esse tipo de súplica urgente.
Então Jesus mostrou seu poder e sua misericórdia ao livrá-los. O Senhor Jesus despertou como alguém revigorado (Salmo 78:65). Cristo pode parecer dormir quando sua igreja está em tempestade, mas não dormirá demais. O tempo determinado para socorrer a sua igreja atribulada certamente chegará (Salmo 102:13). Primeiro, ele repreendeu os discípulos: “Por que temeis, homens de pouca fé?” Não os censurou por o acordarem com oração, mas por se perturbarem com o medo. Repreendeu-os antes de os livrar, porque esse é muitas vezes o seu modo de agir: preparar-nos para a misericórdia e então concedê-la.
Ele mostrou seu desagrado diante do medo deles. “Por que temeis? Vós, meus discípulos?” Que os pecadores em Sião tenham medo, que marinheiros pagãos tremam na tempestade, mas seus seguidores não deveriam ser governados pelo temor. Ele também indicou a causa daquele medo: pouca fé. Muitos têm fé verdadeira, mas fraca, que produz pouco. Os discípulos de Cristo frequentemente são atormentados por temores em tempos difíceis. Preocupam-se achando que sua situação está ruim e imaginam que só vai piorar. Quando o medo domina, muitas vezes é sinal de fé enfraquecida. A fé deveria ser como âncora da alma e nos ajudaria a perseverar em oração. Pela fé, poderíamos olhar através da tempestade para a praia tranquila e esperar que chegaremos lá. Cristo se desagrada quando seus discípulos são medrosos e incrédulos, porque isso o desonra e lhes causa angústia.
Em seguida, ele repreendeu o vento. Havia repreendido os discípulos como Deus de graça, que governa o coração e faz em nós o que lhe agrada. Agora repreendia o vento como Deus da natureza, que governa o mundo e faz por nós o que lhe agrada. É o mesmo poder que acalma o rugido do mar e o barulho do medo (Salmo 65:7). Isso foi feito com grande facilidade, apenas por sua palavra. Moisés ordenou às águas com uma vara, Josué com a arca da aliança, e Eliseu com o manto do profeta; mas Cristo o fez com uma palavra. Isso mostra seu domínio completo sobre toda a criação, o que o glorifica e alegra todos os que estão ao seu lado.
É impressionante o quão total foi esse feito. Houve grande bonança imediatamente. Normalmente, depois de uma tempestade, as águas continuam agitadas por muito tempo até se acalmarem, mas quando Cristo fala, ele põe fim não apenas à tempestade em si, mas também a todos os seus efeitos. Da mesma maneira, grandes tempestades de dúvida e medo na alma, debaixo do peso de uma consciência culpada e do temor do juízo, às vezes terminam em uma calma maravilhosa, criada e pronunciada pelo Espírito de adoção, isto é, o Espírito que assegura aos crentes que eles são filhos de Deus.
Isso os deixou admirados, como se lê em (Mateus 8:27). Os homens ficaram estupefatos. Tinham convivido muito tempo com o mar e nunca haviam visto em toda a vida uma tempestade virar perfeita calmaria tão de repente. Tudo naquele acontecimento trazia as marcas de um milagre. Foi obra do Senhor, e maravilhosa aos olhos deles.
Note-se a admiração deles por Cristo: “Que homem é este?” Cristo é singular. Tudo nele é digno de admiração. Ninguém é mais sábio, mais forte ou mais formoso do que ele. A razão do espanto deles era evidente: até os ventos e o mar lhe obedecem.
Por isso, Cristo é digno de nossa admiração. Ele tem poder de comando até sobre ventos e mares. Outros podiam alegar que curavam doenças, mas só ele tomou autoridade sobre os ventos. Nós não sabemos como o vento se move (João 3:8), muito menos podemos controlá-lo. Mas Deus faz sair o vento dos seus tesouros (Salmo 135:7) e, quando está solto, ele o ajunta nos punhos (Provérbios 30:4). Aquele que pode fazer isso pode fazer qualquer coisa, e isso basta para nos dar confiança e consolo nele, mesmo no dia mais tempestuoso, seja exterior, seja interiormente (Isaías 26:4).
O Senhor está entronizado sobre o dilúvio e é mais forte do que o bramido de muitas águas. Ao ordenar ao mar, Cristo mostrou ser o mesmo que fez o mundo. Ao seu repreender, as águas fugiram (Salmo 104:7-8); agora, ao seu repreender, elas se aquietaram.
Deste capítulo
Mateus 8:1
"Depois que Jesus desceu da montanha, uma grande multidão o seguiu."
Mateus 8:2
"Eis que um leproso se aproximou e se prostrou diante dele, dizendo: “Senhor, se queres, podes curar-me”."
Mateus 8:3
"Jesus estendeu a mão, tocou-o e disse: “Eu quero, seja curado”. No mesmo instante, a lepra desapareceu."
Mateus 8:4
"Jesus então lhe disse: “Veja que não diga isso a ninguém. Vá, porém, mostrar-se ao sacerdote e ofereça o dom prescrito por Moisés como testemunho de sua cura”."
Mateus 8:5
"Jesus entrou em Cafarnaum. Um centurião veio até ele e lhe fez esta súplica:"
Mateus 8:6
"“Senhor, meu servo está em casa, de cama, paralítico, e sofre muito”."
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