Versículo em destaque
Mateus 4:12 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Quando, pois, Jesus ouviu que João havia sido preso, retirou-se para a Galileia. "
Mateus 4:12
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
10 Jesus lhe respondeu: “Para trás, Satanás, pois está escrito: Adore o Senhor, seu Deus, e sirva somente a ele”.
11 Em seguida, o demônio o deixou, e os anjos aproximaram-se dele para servi-lo.
12 Quando, pois, Jesus ouviu que João havia sido preso, retirou-se para a Galileia.
13 Deixando a cidade de Nazaré, foi morar em Cafarnaum, à margem do lago, nos confins de Zabulon e Neftali,
14 para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías:
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Aqui temos o relato de Cristo pregando nas sinagogas da Galileia, pois ele veio ao mundo como pregador. A grande salvação que ele realizou, ele mesmo começou a anunciar (Hebreus 2:3), mostrando como o seu coração estava inteiramente voltado para isso, e como o nosso também deveria estar. Na narrativa da vida de Cristo, vários acontecimentos dos outros Evangelhos, especialmente de João, provavelmente se encaixam entre a sua tentação e a sua pregação na Galileia.
Sua primeira aparição pública depois da tentação foi quando João Batista declarou: “Eis o Cordeiro de Deus” (João 1:29). Depois disso, Jesus subiu a Jerusalém para a Páscoa (João 2), falou com Nicodemos (João 3) e com a mulher samaritana (João 4). Então voltou para a Galileia e ali pregou. Mateus, porém, por ter vivido na Galileia, começa a história do ministério público de Cristo a partir da sua pregação naquela região.
Observe, em primeiro lugar, o tempo: “Jesus, porém, ouvindo que João estava preso, voltou para a Galiléia” (Mateus 4:12). Os clamores dos santos em sofrimento chegam aos ouvidos do Senhor Jesus. Quando João é lançado na prisão, Jesus ouve, percebe o que aconteceu e orienta seus passos de acordo com isso. Ele se lembra dos grilhões e das aflições que ainda permanecem sobre o seu povo.
Cristo não entrou na região antes de ouvir sobre o encarceramento de João, porque João precisava de tempo para preparar o caminho do Senhor antes que o próprio Senhor se manifestasse. Deus ordenou sabiamente as coisas de modo que João diminuísse quando Cristo começasse a brilhar. Caso contrário, as mentes do povo poderiam ficar divididas entre os dois, com alguns dizendo: “Eu sigo João”, e outros: “Eu sigo Jesus”. João era o precursor de Cristo, não seu concorrente. A lua e as estrelas desaparecem quando o sol nasce. João havia concluído sua obra de batismo para arrependimento, e então foi afastado. As testemunhas são mortas depois de terminarem o seu testemunho, não antes (Apocalipse 11:7).
Ao ouvir que João estava preso, ele foi para a Galileia não apenas para se proteger, pois os fariseus na Judeia eram tão hostis a ele quanto Herodes era a João, mas também para ocupar o lugar de João e edificar sobre o bom fundamento que João havia lançado. Deus não deixará a si mesmo sem testemunho, nem sua igreja sem direção. Quando ele remove um servo útil, pode levantar outro, pois ainda tem mais do seu Espírito para dar, e o fará sempre que houver trabalho a ser realizado. Moisés, meu servo, é morto; João está na prisão; agora, Josué, levanta-te; Jesus, levanta-te.
Observe, em segundo lugar, o lugar onde ele pregou: a Galileia, uma parte do país mais distante de Jerusalém e desprezada como rústica e inculta. O povo dali era tido como gente forte, própria para a guerra, mas não refinada ou preparada para o estudo. Cristo foi justamente ali e ergueu o estandarte do seu evangelho. Nisso, como em tantas outras coisas, ele se humilhou.
Ele escolheu uma cidade específica para habitar, não Nazaré, onde havia sido criado. Mateus faz questão de registrar que ele deixou Nazaré (Mateus 4:13), e com boa razão. Os homens daquela cidade o haviam expulsado (Lucas 4:29). Primeiro ele lhes ofereceu seu serviço de modo justo, mas eles o rejeitaram, a ele e à sua doutrina, e encheram-se de ira contra ele e contra sua palavra. Por isso, deixou Nazaré e sacudiu o pó dos pés em testemunho contra os que se recusaram a ouvi-lo. Nazaré foi o primeiro lugar a rejeitar Cristo, e por isso foi rejeitada por ele. É justo que Deus retire o evangelho e os meios de graça daqueles que os desprezam e os afastam. Cristo não permanece por muito tempo onde não é bem-vindo.
Pobre Nazaré, se em teu dia tivesses conhecido as coisas que pertencem à tua paz, quanto melhor teria sido para ti. Mas agora estão ocultas aos teus olhos. Em vez disso, ele foi e habitou em Cafarnaum, cidade da Galileia, a muitos quilômetros de Nazaré, um grande centro, com muito movimento. Diz-se que ficava “junto ao mar”, não o grande mar, mas o mar de Tiberíades, um lago interior também chamado lago de Genesaré. Cafarnaum ficava perto de onde o Jordão deságua nesse lago, na tribo de Naftali, embora próximo de Zebulom. Ali Cristo foi e ali morou.
Alguns pensam que seu pai José tinha casa ali. Outros, que ele alugou uma casa ou ao menos um quarto. Há ainda quem considere provável que ele tenha vivido na casa de Simão Pedro. De todo modo, não permaneceu ali de forma fixa, pois andava por toda parte fazendo o bem. Ainda assim, por algum tempo, foi o seu ponto de referência. Qualquer descanso que tivesse, tinha ali. Tinha ali um lugar, embora não fosse seu, para reclinar a cabeça. E em Cafarnaum, ao que tudo indica, foi bem recebido e tratado melhor do que em Nazaré. Se alguns rejeitam Cristo, outros o receberão e o acolherão com alegria. Cafarnaum se alegra em possuir aquilo que Nazaré desprezou e deixou. Ainda que os seus não sejam reunidos, Cristo será glorificado. “E tu, Cafarnaum, já tiveste o teu dia. Foste exaltada até ao céu; sê sábia para contigo mesma e reconhece o tempo da tua visitação.”
Observe, em terceiro lugar, a profecia que se cumpriu aqui (Mateus 4:14-16). Ela é citada de Isaías 9:1-2, ainda que com algumas variações. Naquele texto, o profeta anuncia uma escuridão ainda maior de aflição para aqueles que desprezaram Emanuel, o Deus conosco prometido, do que a que havia caído sobre as regiões ali mencionadas, quer no primeiro cativeiro sob Ben-Hadade, que foi relativamente leve (1 Reis 15:20), quer no segundo cativeiro sob o rei da Assíria, bem mais pesado (2 Reis 15:29). O castigo da nação judaica por rejeitar o evangelho seria pior que ambos (veja Isaías 8:21-22), porque aquelas terras cativas tiveram algum alívio em seu cativeiro e, mais tarde, voltaram a ver grande luz (Isaías 9:2).
Esse é o sentido primeiro em Isaías, mas a Escritura pode se cumprir de mais de uma forma. Aqui o evangelista toma apenas a última parte, a promessa de que luz, liberdade e prosperidade voltariam a terras que estiveram em trevas e em cativeiro, e aplica isso à vinda do evangelho entre elas. Os lugares são nomeados em Mateus 4:15. É com acerto que se diz que Zebulom ficava “junto ao mar”, porque Zebulom era porto de navios e “se alegrava nas suas saídas” (Gênesis 49:13; Deuteronômio 33:18). Sobre Naftali fora dito que daria “palavras formosas” (Gênesis 49:21) e seria “farto de favores” (Deuteronômio 33:23), porque dele o evangelho começou a se espalhar, verdadeiras palavras agradáveis, e palavras que trazem à alma o favor satisfatório de Deus.
A região além do Jordão também é mencionada, porque Cristo às vezes pregou ali. A Galileia dos gentios, especialmente a alta Galileia, era lugar onde gentios vinham para o comércio e se misturavam com os judeus. Isso aponta para uma misericórdia ainda reservada para os pobres gentios. Quando Cristo veio a Cafarnaum, o evangelho se espalhou por todos os lugares ao redor. Tão amplo foi o alcance dos raios lançados pelo Sol da justiça.
Quanto ao povo dessas regiões, observe a condição em que se encontravam antes da chegada do evangelho: estavam em trevas.
Quem está sem Cristo está em trevas, ou melhor, é trevas, como o abismo antes da criação. E pior ainda: encontravam-se na região e sombra da morte. Isso significa não só escuridão profunda, como a do sepulcro, mas também grande perigo. Uma pessoa gravemente enferma, cuja recuperação parece improvável, já está no vale da sombra da morte, embora ainda não esteja morta. Do mesmo modo, aquelas pessoas estavam à beira da ruína, embora ainda não irremediavelmente perdidas.
O que torna tudo ainda pior é que estavam assentadas nessa condição. Assentar-se em trevas significa permanecer ali, acomodado, sem vontade de se mover. Sugere também certa satisfação com as trevas. Estavam no escuro, e amavam o escuro. Preferiam as trevas à luz e se dispunham a permanecer na ignorância. Essa era uma condição triste, e ainda hoje é a condição de muitas nações grandes e poderosas, pelas quais se deve sentir compaixão e interceder. Mas é ainda mais triste quando pessoas se sentam em trevas bem no meio da luz do evangelho.
Quem está no escuro porque é noite pode estar certo de que em breve o sol nascerá. Mas quem está no escuro porque é cego não terá seus olhos abertos tão depressa. Temos a luz, mas de que adianta, se não somos luz no Senhor? (2 Coríntios 5:7).
Quando Cristo e o seu evangelho chegaram àquelas regiões, o privilégio que receberam foi tão grande quanto a luz para um viajante perdido na noite. Quando o evangelho chega, chega a luz. Quando ele alcança um lugar ou uma alma, faz nascer o dia ali (João 3:19; Lucas 1:78-79). A luz mostra o que está ali e indica o caminho. Assim é o evangelho: uma grande luz, que revela com clareza a verdade da revelação de Deus.
Não é como uma vela fraca, mas como o sol brilhando em toda a sua força. É maior do que a luz da lei, cujas sombras agora estavam passando. É uma grande luz porque revela grandes coisas, de grande importância, e porque durará muito tempo e se espalhará amplamente. Também é uma luz crescente, sugerida nas palavras “raiu” ou “nasceu”. O dia deles estava apenas começando. A madrugada havia chegado, e depois brilharia mais e mais. O reino do evangelho, como um grão de mostarda ou como a luz da manhã, começou pequeno, cresceu devagar e chegou à grandeza na sua plenitude. E repare que a luz “nasceu” sobre eles: eles não a foram buscar. Foram alcançados pelas bênçãos da bondade de Deus. Ela veio até eles antes que soubessem, na hora determinada, pela ordem daquele que manda à manhã que se levante e diz à alva o seu lugar, para que alcance as extremidades da terra (Jó 38:12-13).
Daquele tempo em diante, isto é, desde que ele veio para a Galileia, para a terra de Zebulom e Naftali, Jesus começou a pregar (Mateus 4:17). Ele já havia pregado antes na Judeia e feito e batizado muitos discípulos (João 4:1), mas sua pregação ainda não era tão pública nem tão constante como se tornou agora. A obra do ministério é tão grande e séria que é apropriado entrar nela por etapas e com progresso gradual.
A mensagem que Cristo passou a pregar, e que na verdade era o centro de toda a sua pregação, era a mesma que João havia pregado antes dele (Mateus 3:2): “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus”. O evangelho é o mesmo em substância, ainda que Deus o disponha em diferentes formas ao longo da história. Os mandamentos são os mesmos, e as razões para obedecê-los também. Nem mesmo um anjo do céu ousaria anunciar um evangelho diferente (Gálatas 1:8). Ele pregaria este, porque é o evangelho eterno: “Temei a Deus e, pelo arrependimento, dai-lhe glória” (Apocalipse 14:6-7). Cristo honrou grandemente o ministério de João ao pregar a mesma mensagem que ele. Dessa forma mostrou que João era seu mensageiro e embaixador. Quando Cristo trouxe a mensagem pessoalmente, era exatamente a mesma que havia enviado por meio de João. Assim Deus confirmou a palavra do seu mensageiro (Isaías 44:26). O Filho veio com a mesma missão que os servos: buscar fruto, fruto digno de arrependimento (Mateus 21:37).
Cristo estivera na presença íntima do Pai e poderia ter pregado verdades profundas e sublimes sobre o céu, que maravilhariam os sábios deste mundo. Em vez disso, escolheu essa antiga e simples mensagem: “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus”. Ele começou por aí. Os ministros não devem ter sede de lançar opiniões novas, novos sistemas ou novas expressões. Devem contentar-se com a verdade simples e prática, com a palavra que está perto de nós, na nossa boca e no nosso coração. Não precisamos subir ao céu nem descer ao abismo para descobrir o que pregar. Assim como João preparou o caminho para Cristo, Cristo preparou o caminho para o ensino mais pleno começando pelo arrependimento. Se alguém estiver disposto a fazer a vontade de Deus nesta questão, conhecerá mais plenamente a doutrina de Cristo (João 7:17).
Ele também pregou essa mensagem com frequência. Onde quer que fosse, este era o seu tema, e nem ele nem os seus seguidores achavam que estivesse “gasta”, como pensariam aqueles que têm “coceira nos ouvidos”, sempre desejando novidades e variedade mais do que aquilo que de fato lhes aproveita. O que já foi pregado e ouvido pode ainda ser pregado e ouvido com grande proveito. Só deve ser ouvido melhor, com coração renovado e desejo fresco. Paulo repetiu as mesmas coisas, até com lágrimas (Filipenses 3:1,18).
Cristo pregou o arrependimento como evangelho. Em outras palavras: “Arrependei-vos, reconsiderem os seus caminhos e voltem em si.” A doutrina do arrependimento é verdadeiro ensino evangélico. Não apenas João Batista, que alguns julgavam severo e sombrio, mas também o meigo e gracioso Jesus, cujas palavras eram como mel, pregou o arrependimento. É uma grande misericórdia que ainda haja espaço para arrependimento.
O motivo continuava o mesmo: “É chegado o reino dos céus.” Ainda não havia vindo em sua plenitude até que o Espírito fosse derramado após a ascensão de Cristo. João já havia anunciado que o reino dos céus estava próximo mais de um ano antes, mas agora estava ainda mais perto. Agora a nossa salvação está mais próxima do que quando no princípio cremos (Romanos 13:11). Devemos sentir maior urgência em cumprir o nosso dever à medida que vemos o dia se aproximar (Hebreus 10:25).
Deste capítulo
Mateus 4:1
"Em seguida, Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo demônio."
Mateus 4:2
"Jejuou durante quarenta dias e quarenta noites. Depois, teve fome."
Mateus 4:3
"O tentador aproximou-se dele e lhe disse: “Se você é Filho de Deus, ordene que estas pedras se tornem pães”."
Mateus 4:4
"Jesus respondeu: “Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus”."
Mateus 4:5
"O demônio o transportou à Cidade Santa, colocou-o no ponto mais alto do templo e lhe disse:"
Mateus 4:6
"“Se você é Filho de Deus, lance-se abaixo, pois está escrito: Ele deu a seus anjos ordens a seu respeito; eles protegerão você com as mãos, com cuidado, para que você não machuque o seu pé em alguma pedra”."
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