Versículo em destaque

Mateus 2:19 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" Depois da morte de Herodes, o anjo do Senhor apareceu em sonhos a José, no Egito, e disse: "

Mateus 2:19

menu_book Versículo no contexto

17 Cumpriu-se, então, o que foi dito pelo profeta Jeremias:

18 Em Ramá ouviu-se uma voz, choro e grandes lamentos: é Raquel chorando seus filhos; não quer consolação, porque eles já não existem!

19 Depois da morte de Herodes, o anjo do Senhor apareceu em sonhos a José, no Egito, e disse:

20 “Levante-se, pegue o menino e sua mãe e retorne à terra de Israel, porque morreram os que atentavam contra a vida do menino”.

21 José levantou-se, pegou o menino e sua mãe e foi para a terra de Israel.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui vemos Cristo voltando do Egito para a terra de Israel. O Egito podia servir como lugar de permanência temporária, refúgio e abrigo, mas não como lar definitivo. Cristo foi enviado às ovelhas perdidas da casa de Israel, por isso precisava voltar para elas.

Note primeiro o que abriu o caminho para esse retorno: a morte de Herodes. Isso aconteceu não muito tempo depois da matança dos meninos; alguns pensam que não mais do que três meses depois. O juízo de Deus se moveu rapidamente. Herodes precisava morrer. Tirano orgulhoso, que, enquanto vive, amedronta os fortes e oprime os piedosos, também acaba no túmulo. Por que deveríamos temer um homem que é mortal? (Isaías 51:12, 13) Na morte, sua inveja e ódio cessam (Eclesiastes 9:6), eles já não perturbam os outros (Jó 3:17) e enfrentam o castigo.

Entre os pecados, a culpa de sangue inocente é uma das que mais depressa se enchem diante de Deus. Josefo descreve de modo terrível a morte de Herodes, dizendo que ele foi acometido de uma doença que o queimava por dentro com dores insuportáveis. Tornou-se voraz por comida, sofria de cólicas, gota e hidropisia, e exalava um mau cheiro tão forte que ninguém conseguia se aproximar. Estava tão irado e impaciente que atormentava a si mesmo e apavorava todos ao redor. Sua crueldade até aumentou: depois de mandar matar o próprio filho, ele prendeu muitos nobres e principais da terra e ordenou que, quando morresse, fossem mortos também. Essa execução acabou sendo impedida. Veja que tipo de gente muitas vezes tem sido inimiga e perseguidora de Cristo e dos seus. Poucos têm se levantado contra o cristianismo sem primeiro desprezar até a humanidade comum, como Nero e Domiciano.

Em segundo lugar, vemos as ordens do céu quanto ao retorno, e a obediência de José a essas ordens (Mateus 2:19-21). Deus havia enviado José ao Egito, e José permaneceu lá até que o mesmo Deus que o levou ordenou que saísse. Em todos os nossos deslocamentos, é bom enxergar claramente o caminho e ter o Senhor à nossa frente. Não deveríamos ir nem voltar sem a sua direção. Essas ordens chegaram a José por meio de um anjo. Se preservarmos a comunhão com Deus do nosso lado, ele a preservará do lado dele, onde quer que estejamos. Nenhum lugar pode impedir as visitas graciosas de Deus. Anjos vieram a José no Egito, a Ezequiel na Babilônia e a João em Patmos.

O anjo primeiro informa a José que Herodes e seus auxiliares estão mortos, aqueles que procuravam tirar a vida do menino. Eles morreram, mas o menino vive. Crentes perseguidos às vezes sobrevivem para ficar de pé sobre os túmulos de seus perseguidores. Assim o Rei da igreja passou pela tempestade, e muitas vezes a igreja tem passado do mesmo modo. O anjo provavelmente se refere a Herodes e a seu filho Antípatro, que, embora desconfiassem um do outro, provavelmente cooperaram no propósito de destruir esse novo Rei. Se Herodes mata Antípatro e depois ele mesmo morre, o caminho fica livre. O Senhor se dá a conhecer pelos juízos que executa, quando um perverso serve de instrumento para destruir outro.

Depois o anjo diz a José o que fazer. Ele deve voltar à terra de Israel, e José obedece de imediato. Não discute dizendo que o Egito era um lugar razoavelmente bom para viver, nem reclama da dificuldade da viagem, especialmente se Herodes morreu no começo do inverno. O povo de Deus segue a direção do Senhor para onde quer que ele os conduza e onde quer que os estabeleça. Se víssemos o mundo como o nosso Egito, lugar de escravidão e exílio, e o céu como a nossa Canaã, o nosso lar e descanso, estaríamos tão prontos a nos levantar e ir quando chamados quanto José esteve pronto a deixar o Egito.

Em terceiro lugar, José recebe mais instruções de Deus sobre onde se estabelecer na terra de Israel (Mateus 2:22-23). Deus poderia ter dado todas as orientações de uma vez, mas muitas vezes revela a sua vontade por etapas. Isso mantém o seu povo em atitude de espera e de prontidão para ouvir mais. José provavelmente recebeu essas palavras em sonho, como antes, também por meio de um anjo.

Deus poderia ter manifestado sua vontade por meio do próprio menino Jesus, mas não lemos que Jesus falasse ou agisse de modo especial nessas mudanças. Certamente porque ele devia ser feito semelhante a seus irmãos em todas as coisas. Sendo criança, falou como criança, agiu como criança e encobriu o seu conhecimento e poder infinitos. Como criança, crescia em sabedoria.

A orientação dada a essa santa família real foi, em primeiro lugar, não se estabelecer na Judeia (Mateus 2:22). José poderia pensar que, como Jesus nascera em Belém, deveria ser criado ali. Mas, com razão, temeu pelo menino ao saber que Arquelau reinava em lugar de Herodes. Ele não dominava todo o reino como o pai, apenas a Judeia, enquanto outras regiões foram entregues a outros. Veja quantos inimigos se levantam contra Cristo e a sua igreja. Se um sai de cena, logo outro surge para manter viva a antiga inimizade. Por isso José não deve levar o menino para a Judeia. Deus não empurra seus filhos para o perigo, a menos que isso sirva à sua própria glória e à provação deles. A vida e a morte de seus santos são preciosas para ele, assim como o seu sangue.

Em segundo lugar, a família deve se estabelecer na Galileia (Mateus 2:22). Filipe governava ali, e era um homem brando e tranquilo. A providência de Deus costuma ordenar as coisas de modo que seu povo não fique sem um lugar mais sereno para fugir do calor e da tempestade. Quando uma região se torna mais quente e rigorosa, outra é mantida mais fresca e amena. A Galileia ficava ao norte, com a Samaria entre ela e a Judeia. Eles são enviados a Nazaré, uma cidade sobre um monte, no centro da tribo de Zebulom. Lá morava a mãe do Senhor quando concebeu o santo Menino, e provavelmente José também vivia ali (Lucas 1:26-27). Ali estavam entre pessoas que os conheciam bem, entre seus parentes, o que fazia daquele o lugar adequado para eles.

Eles permaneceram ali, e a partir de então nosso Salvador foi chamado Jesus de Nazaré, o que foi motivo de tropeço para os judeus, que diziam: “Pode vir alguma coisa boa de Nazaré?”. Assim se cumpriu o que os profetas haviam anunciado: “Ele será chamado Nazareno”. Isso pode ser entendido, em primeiro lugar, como um título de honra e dignidade, embora, no sentido simples, signifique apenas um homem de Nazaré. Há, porém, um toque de mistério na expressão, porque aponta para Cristo como o Homem, o Renovo de que fala (Isaías 11:1). A palavra ali, Netzar, pode significar tanto um ramo quanto o nome que se relaciona com Nazaré. Ao ser chamado por esse nome, ele é apresentado como esse Renovo.

Isso aponta para Cristo como o grande nazireu, aquele para quem os nazireus do Antigo Testamento apontavam como figura e sombra. Sansão, o juiz levantado para livrar Israel, é um exemplo (Juízes 13:5), e José é chamado de nazireu entre seus irmãos (Gênesis 49:26). A lei sobre o nazireado também olhava para ele (Números 6:2 e seguintes). Cristo não foi nazireu no sentido estrito legal, pois bebeu vinho e tocou em mortos, mas foi realmente e plenamente consagrado a Deus.

Ele foi separado num sentido muito mais elevado, pois era santo de maneira única e designado por Deus para a obra da nossa salvação. Como Sansão, separado para salvar Israel, Cristo foi totalmente dedicado à honra de Deus na obra da redenção. Esse é um nome que deveríamos valorizar e pelo qual deveríamos conhecê-lo.

Ou o nome pode ser tomado como título de vergonha e insulto. Ser chamado nazareno era ser tratado como alguém baixo e sem valor, de quem nada de bom se poderia esperar e a quem pouco respeito se devia. O diabo usou primeiro esse nome para diminuir Cristo aos olhos dos homens e afastar as pessoas dele, e o rótulo permaneceu com ele e com seus seguidores como motivo de zombaria.

Nenhum profeta disse isso com essas exatas palavras, mas os profetas afirmaram essa verdade muitas vezes em termos gerais. Disseram que ele seria desprezado e rejeitado pelos homens (Isaías 53:2-3), um verme e não um homem (Salmo 22:6-7), estranho até para seus irmãos (Salmo 69:7-8). Assim, nenhum insulto por causa da fé deveria nos parecer pesado demais, quando o próprio Mestre foi chamado Nazareno.

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