Versículo em destaque
Mateus 2:1 - Significado e aplicação
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Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Depois que Jesus nasceu em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que magos vieram do Oriente a Jerusalém. "
Mateus 2:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Depois que Jesus nasceu em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que magos vieram do Oriente a Jerusalém.
2 Eles perguntaram: “Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”.
3 Ao ouvir essa notícia, o rei Herodes ficou perturbado, e toda Jerusalém com ele.
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Foi um sinal de humilhação para o Senhor Jesus que, mesmo sendo o Desejado de todas as nações, a sua vinda ao mundo tenha sido quase despercebida. Seu nascimento foi silencioso e sem importância aos olhos da maioria. Nisso, ele esvaziou a si mesmo e não buscou reputação. Se o Filho de Deus iria entrar no mundo, poderíamos imaginar uma grande cerimônia, com coroas e poder real colocados a seus pés. Mas os judeus esperavam um Messias assim, e o evangelho nos mostra algo bem diferente.
Ele veio ao mundo, e o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Ao assumir a natureza humana e vir salvar pecadores, ele voluntariamente abriu mão da honra pública que, como Deus feito carne, lhe era devida. Ainda assim, em meio à sua humilde vinda, algum brilho de sua glória apareceu. Embora seu poder estivesse oculto, foram dados sinais suficientes para mostrar sua grandeza e deixar os judeus, mais do que todos, sem desculpa pela sua cegueira (Habacuque 3:4).
Os primeiros a notar Cristo depois do seu nascimento foram os pastores (Lucas 2:15), que ouviram coisas gloriosas a seu respeito e divulgaram o que lhes fora dito, para espanto de todos os que ouviram (Lucas 2:17, Lucas 2:18). Depois, Simeão e Ana, movidos pelo Espírito Santo, falaram dele a todos os que estavam dispostos a ouvir (Lucas 2:38). Poderíamos imaginar que esses sinais teriam despertado o povo de Judá e de Jerusalém para acolher o tão esperado Messias com alegria. Mas, pelo que podemos entender, ele permaneceu em Belém quase dois anos, sem receber mais atenção pública até a chegada desses magos. Nada desperta aqueles que decidiram permanecer descuidados. Grande era a cegueira espiritual daqueles judeus, e grande é a de muitos que se chamam cristãos.
Essa busca por Cristo aconteceu nos dias de Herodes, o rei. Esse Herodes era edomita, feito rei da Judeia por Augusto e Antônio, os principais governantes romanos da época. Era conhecido por suas mentiras e crueldade, embora lhe dessem o título de Herodes, o Grande. Cristo nasceu no 35º ano do reinado de Herodes. Isso é importante porque mostra que o cetro já havia se afastado de Judá e o bastão do legislador saído de entre seus pés. Era chegado o tempo de vir Siló, e a ele se reuniriam os povos (Gênesis 49:10).
Os magos são chamados de Magos, ou magos/feiticeiros. Alguns tomam esse nome em bom sentido, porque entre os persas os magos eram seus filósofos e sacerdotes. Outros pensam que esses homens se ocupavam de artes ilícitas, já que a mesma palavra é usada para Simão, o mágico (Atos 8:9, Atos 8:11), e para Elimas, o mágico (Atos 13:6). Se for assim, a vinda deles a Cristo foi um sinal precoce da vitória dele sobre Satanás, pois pessoas que antes serviam ao diabo foram das primeiras a adorar o menino Jesus. Sua vitória sobre os poderes das trevas foi mostrada bem cedo.
Seja como for o que foram antes, começaram a ser realmente sábios quando passaram a buscar a Cristo. Sabemos três coisas sobre eles. Primeiro, eram gentios, não faziam parte da comunidade de Israel. Os judeus não se importaram com Cristo, mas esses gentios o procuraram. Muitas vezes, aqueles que têm maior acesso aos meios de graça são os mais distantes do próprio alvo (Mateus 8:11, Mateus 8:12). A honra que esses gentios deram a Cristo foi um sinal promissor do que aconteceria quando aqueles que estavam longe seriam aproximados por ele.
Segundo, eram homens instruídos. Eram estudiosos de artes curiosas, e bons estudantes deveriam tornar-se bons cristãos. O saber atinge seu verdadeiro propósito quando leva a pessoa a Cristo. Terceiro, eram homens do oriente, região conhecida por práticas de adivinhação (Isaías 2:6). A Arábia é chamada de terra do oriente (Gênesis 25:6), e os árabes são chamados homens do oriente (Juízes 6:3). Os presentes que trouxeram eram produtos daquela terra. Os árabes já haviam prestado honra a Davi e a Salomão, que eram figuras de Cristo. Jetro e Jó também vieram daquela região. Além disso, não devemos ir. As tradições posteriores que afirmam, por exemplo, que eram três, que eram reis, e que estão sepultados em Colônia, sendo por isso chamados de três reis de Colônia, são vãs. Não devemos tentar saber mais do que a Escritura revela.
O que os levou a procurar Cristo foi o aparecimento de uma estrela extraordinária em seu país oriental. Nunca tinham visto nada parecido. Tomaram-na como sinal de que uma pessoa extraordinária havia nascido na Judeia, sobre cujo território a estrela parecia pairar, como um cometa ou um meteoro na região mais baixa do céu. Por ser tão diferente das estrelas comuns, entenderam que significava algo fora do comum. Quando Deus mostra sinais incomuns na criação, devemos perguntar o que ele quer dizer por meio deles. Cristo havia predito sinais nos céus.
O nascimento de Cristo foi anunciado aos pastores judeus por um anjo, e aos filósofos gentios por uma estrela. Em ambos os casos, Deus falou de modo adequado a eles e em linguagem que podiam entender. Alguns pensam que a luz que os pastores viram brilhando ao redor deles na noite do nascimento de Cristo era a mesma que depois apareceu aos magos sob a forma de estrela. Mas isso é difícil de admitir, porque a estrela que tinham visto no oriente tornou a aparecer bem mais tarde e os guiou até a casa onde Cristo estava. Era como uma lâmpada colocada de propósito para conduzi-los até ele.
Os idólatras adoravam os astros como o exército do céu, sobretudo nas terras do oriente, onde alguns planetas receberam até nomes de falsos deuses. A Escritura fala de uma estrela especial que eles cultuavam (Amós 5:26). Assim, os astros que haviam sido mal-usados foram trazidos ao seu uso correto, conduzindo pessoas a Cristo. Os deuses das nações tornaram-se seus servos. Alguns pensam que essa estrela fez com que os magos se lembrassem da profecia de Balaão sobre a estrela que sairia de Jacó, associada ao cetro que se levantaria de Israel (Números 24:17). Balaão vinha das montanhas do oriente e era contado entre os sábios daquela região. Outros pensam que a busca deles foi despertada pela expectativa geral, difundida no oriente, de que algum grande príncipe estava prestes a aparecer.
Os magos prosseguiram então em sua busca vindo do oriente a Jerusalém, para investigar mais detalhadamente o nascimento desse Príncipe. Não pensaram: “Se tal príncipe nasceu, logo ouviremos falar dele em nosso próprio país.” Pelo contrário, viajaram longa distância apenas para encontrá-lo. Quem realmente deseja conhecer a Cristo e achá-lo não recua diante de esforço ou perigo em buscá-lo. Aprendemos do Senhor à medida que prosseguimos em conhecê-lo.
A pergunta deles foi: “Onde está aquele que é nascido Rei dos judeus?” Eles não perguntavam se tal criança havia nascido, pois disso estavam certos. O que queriam saber era onde ele estava. Os que sabem alguma coisa sobre Cristo sempre desejam saber mais dele. Chamaram-no de Rei dos judeus porque esse era o título esperado para o Messias, o Salvador prometido. Ele nasce Rei, o Governante e Protetor de todo o verdadeiro Israel.
Eles esperavam uma resposta fácil e imaginavam que toda Jerusalém estaria honrando esse novo Rei. Em vez disso, foram de lugar em lugar e não acharam ninguém que pudesse informá-los. Há muito mais ignorância profunda no mundo, e mesmo na igreja, do que costumamos notar. Muitos daqueles de quem esperaríamos que nos indicassem Cristo são, eles mesmos, estranhos a ele. Perguntam como a noiva em Cantares: “Viste aquele a quem ama a minha alma?”, e ainda assim não obtêm ajuda.
Eles também disseram que tinham visto a sua estrela no oriente, e foi por isso que vieram. Se alguém perguntasse: “Por que o buscais?”, a resposta estava pronta: “Viemos para adorá-lo.” Criam que, em tempo oportuno, ele seria o seu Rei, por isso quiseram honrá-lo desde cedo, junto com os que o cercavam. Se Deus nos deu ainda que pouca luz a respeito de Cristo, então devemos ocupar-nos em adorá-lo. Se vimos a estrela de Cristo, devemos empenhar-nos em honrá-lo.
A notícia dessa busca por fim chegou ao palácio, e Herodes, ao ouvir isso, perturbou-se (Mateus 2:3). Ele conhecia as profecias do Antigo Testamento sobre o Messias e o tempo fixado para a sua vinda nas setenta semanas de Daniel. Mas, por ter reinado tanto tempo e com tanto poder, alimentava a esperança de que essas promessas jamais se cumpririam e de que seu próprio reino duraria para sempre. Assim, a notícia de que esse Rei havia nascido justamente no tempo prometido o abalou profundamente. Corações ímpios, apegados ao mundo, nada temem tanto quanto ver a Escritura cumprir-se.
Herodes, um edomita, ficou perturbado, mas Jerusalém também deveria ter se alegrado, pois o seu Rei havia chegado. Em vez disso, a maior parte da cidade se agitou junto com Herodes. Apenas alguns poucos que aguardavam a consolação de Israel provavelmente se alegraram. Os demais temeram que o nascimento desse novo Rei trouxesse guerra ou abalasse o seu conforto pecaminoso. Preferiam Herodes ao Messias. Muitos escolhem insensatamente a escravidão do pecado em vez da gloriosa liberdade dos filhos de Deus, porque temem a mudança que o verdadeiro governo de Cristo na alma traria.
Herodes e Jerusalém se perturbaram porque imaginaram, de forma errada, que o reino do Messias entraria em choque com o poder terreno. Mas a estrela que o anunciava como Rei mostrava que seu reino era celestial, não deste mundo. Os reis da terra, e o povo com eles, se opõem ao reino de Cristo porque não o compreendem e se enganam a seu respeito.
Então Herodes buscou ajuda dos principais sacerdotes e dos escribas (Mateus 2:4-6). Os principais sacerdotes eram mestres por ofício, e os escribas eram estudiosos da lei. Os seus lábios deveriam guardar o conhecimento, e o povo deveria buscar a lei na boca deles (Malaquias 2:7). Era fato conhecido que o Cristo nasceria em Belém (João 7:42), mas Herodes queria uma resposta formal das pessoas certas. Ele reuniu todos os principais sacerdotes e escribas e perguntou onde, segundo o Antigo Testamento, o Cristo deveria nascer.
A pergunta, em sua forma, era honesta, mas Herodes a fez com um propósito perverso. Os sacerdotes e escribas não tiveram dificuldade em responder. Todos concordaram que o Messias deveria nascer em Belém da Judeia, cidade de Davi, para distingui-la de outra Belém, em Zebulom (Josué 19:15). Belém significa “casa de pão”, lugar apropriado para aquele que é o verdadeiro maná, o pão que desceu do céu e foi dado pela vida do mundo.
Eles apoiaram sua resposta em Miqueias 5:2. Belém era pequena entre as famílias de Judá, um lugar de pouca importância em certo sentido, mas não seria a menor em honra. A sua grandeza não consistia em grande número de habitantes, como em outras cidades, mas na grandeza do governante que dela sairia. Embora fosse pequena em alguns aspectos, tinha esta honra acima de todas as cidades de Israel: nela nasceu Cristo Jesus, o único homem que o Senhor registrou de modo especial em seu livro (Salmo 87:6).
De Belém sairia um governante, o Rei dos judeus. Cristo será Salvador apenas para aqueles que estão dispostos a recebê‑lo também como seu governante.
Belém era a cidade de Davi, e Davi era a maior honra de Belém. Portanto, era adequado que o Filho de Davi, seu herdeiro, nascesse ali. Belém também tinha um poço famoso junto à porta, daquele mesmo de que Davi um dia teve grande desejo de beber (2 Samuel 23:15). Em Cristo, não temos apenas pão em suficiência, e mais que suficiente, mas podemos também chegar e tomar livremente da água da vida.
Observa‑se aqui como judeus e gentios repartem o que sabiam a respeito de Jesus Cristo. Os gentios souberam o tempo de seu nascimento por meio de uma estrela, e os judeus souberam o lugar de seu nascimento por meio das Escrituras. Assim, um pôde ajudar o outro. Também nós adquiriríamos muito mais conhecimento se procedêssemos da mesma forma e repartíssemos livremente o que sabemos. As pessoas se enriquecem trocando bens; do mesmo modo, quando partilhamos conhecimento, outros também repartem conosco. Então muitos falarão, irão de uma parte a outra, e o conhecimento se multiplicará.
O plano sangrento de Herodes foi despertado por essa consulta (Mateus 2:7-8). Herodes já era um homem idoso e governava havia trinta e cinco anos. Este Rei recém‑nascido parecia improvável de fazer qualquer coisa importante por muitos anos, ainda assim Herodes ficou com ciúmes dele. Reis coroados não suportam a ideia de sucessores, muito menos de rivais. Assim, nada menos que o sangue desse Rei menino o satisfaria. Ele não se permitiu pensar que, se essa criança recém‑nascida fosse de fato o Messias, então se opor a ele seria lutar contra Deus, o que é ao mesmo tempo insensato e perigoso. A sua paixão havia dominado sua razão e sua consciência.
Veja, primeiro, a sutileza com que ele armou sua cilada (Mateus 2:7-8). Ele chamou secretamente os magos e falou com eles sobre o assunto. Não declarou abertamente seus temores e ciúmes. Seria vergonhoso deixar que os magos soubessem, e perigoso permitir que o povo soubesse. Os pecadores muitas vezes são atormentados por medos secretos que guardam para si. Herodes perguntou aos magos quando a estrela havia aparecido pela primeira vez, para assim planejar o próximo passo. Em seguida, enviou‑os para buscar com mais precisão e ordenou que voltassem com notícias. Tudo isso poderia parecer inofensivo se ele não o tivesse escondido sob aparência de religião, dizendo que também queria ir adorá‑lo. As maiores perversidades frequentemente se ocultam sob uma máscara de piedade. Absalão, o filho rebelde de Davi, encobriu seu plano com um voto.
Veja também quão estranhamente ele foi enganado e reduzido à insensatez nisso tudo. Confiou nos magos e não escolheu outros agentes que lhe seriam leais. Jerusalém ficava a apenas uns poucos quilômetros. Com que facilidade ele poderia ter enviado espiões para vigiar os magos, que teriam chegado lá com a mesma rapidez que eles, prontos para destruir a criança! Deus pode ocultar dos olhos dos inimigos da igreja justamente os meios pelos quais eles poderiam facilmente destruí‑la. Quando ele deseja levar os governantes ao fracasso, torna insensatos os juízes.
Deste capítulo
Mateus 2:2
"Eles perguntaram: “Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”."
Mateus 2:3
"Ao ouvir essa notícia, o rei Herodes ficou perturbado, e toda Jerusalém com ele."
Mateus 2:4
"Ele convocou os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo e lhes perguntou onde o Cristo havia de nascer."
Mateus 2:5
"Eles lhe disseram: “Em Belém, na Judeia, pois assim foi escrito pelo profeta:"
Mateus 2:6
"E você, Belém, terra de Judá, de modo algum é a menor entre as cidades de Judá, porque de você sairá o chefe que governará Israel, meu povo”."
Mateus 2:7
"Então Herodes chamou secretamente os magos e lhes perguntou sobre a época exata em que o astro lhes havia aparecido."
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