Versículo em destaque
Mateus 2:16 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Então Herodes, vendo que havia sido enganado pelos magos, ficou muito irritado e mandou massacrar, em Belém e em seus arredores, todos os meninos de dois anos para baixo, conforme o tempo exato que havia apurado com os magos. "
Mateus 2:16
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
14 José levantou-se durante a noite, pegou o menino e sua mãe e partiu para o Egito.
15 Ali permaneceu até a morte de Herodes, para que se cumprisse o que o Senhor havia dito pelo profeta: Do Egito chamei meu filho.
16 Então Herodes, vendo que havia sido enganado pelos magos, ficou muito irritado e mandou massacrar, em Belém e em seus arredores, todos os meninos de dois anos para baixo, conforme o tempo exato que havia apurado com os magos.
17 Cumpriu-se, então, o que foi dito pelo profeta Jeremias:
18 Em Ramá ouviu-se uma voz, choro e grandes lamentos: é Raquel chorando seus filhos; não quer consolação, porque eles já não existem!
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Aqui vemos, em primeiro lugar, a ira de Herodes por causa da partida dos magos. Ele esperou bastante tempo que voltassem, pensando que, ainda que demorassem, certamente retornariam, e então ele poderia esmagar de uma vez esse rival. Mas, ao saber que tinham voltado por outro caminho, seu ciúme se agravou. Provavelmente suspeitou que eles tinham se aliado a esse novo Rei, e isso o deixou furioso. Desejos pecaminosos costumam se fortalecer quando são contrariados.
Em segundo lugar, vemos o plano de Herodes para destruir aquele que nascera Rei dos judeus. Se não conseguia alcançar Jesus matando apenas uma criança, imaginou que o pegaria numa matança mais ampla, como uma espada de guerra que golpeia tudo o que encontra. Quem quer destruir um único inimigo muitas vezes destrói muitos no mesmo movimento. Herodes era edomita, e a inimizade contra Israel estava profundamente enraizada nele. Doeg, outro edomita, já havia matado os sacerdotes do Senhor por causa de Davi. É terrível, mas gente ímpia raramente carece de ajudantes igualmente ímpios.
Crianças pequenas costumam ser protegidas tanto pela lei humana quanto pela compaixão natural, mas esse tirano as sacrificou. Como Nero mais tarde, Herodes mostrou que a inocência não é defesa segura quando o governante é cruel. Já há anos ele era um homem sanguinário, a ponto de ter destruído todo o Sinédrio, o conselho de juízes dos judeus, pouco tempo antes. Porém sangue, para um homem sedento de sangue, é como bebida para quem sofre de hidropisia: quanto mais tem, mais deseja.
Herodes tinha cerca de setenta anos, de modo que uma criança com menos de dois dificilmente o incomodaria no futuro. Ele também não tinha afeição por sua própria família. Já havia mandado matar dois de seus filhos, Alexandre e Aristóbulo, e mais tarde mandou matar Antípatro, outro filho, apenas cinco dias antes de morrer. Assim, essa matança brotou de puro orgulho e crueldade. Ele queria alcançar qualquer criança que pudesse ser o Menino anunciado, e por isso ordenou a morte de todos os meninos de dois anos para baixo. Jesus provavelmente ainda não tinha um ano, mas Herodes incluiu todos os meninos até dois anos para que nenhum escapasse. Não se importava com quantas cabeças inocentes cairiam, contanto que aquele de quem ele tinha medo não escapasse.
Ele ampliou a matança também quanto ao lugar, mandando matar os meninos não só em Belém, mas em todas as aldeias ao redor. Isso foi extrema perversidade (Eclesiastes 7:17). Ira desenfreada, apoiada por um poder sem lei, costuma levar a crueldades terríveis. Mesmo assim, não foi injusto da parte de Deus permitir esse fato. Toda vida humana já está perdida diante da justiça de Deus por causa do pecado. A morte entrou no mundo pela desobediência de Adão, e não devemos supor que essas crianças sofreram por serem piores pecadoras do que o restante de Israel. Os juízos de Deus são profundos demais para serem medidos por nós. Até a doença e a morte de criancinhas mostram que o pecado original é real.
Ainda assim, essa matança também deve ser vista como martírio. A perseguição contra Cristo e seu reino começou muito cedo. Jesus disse que não viera trazer paz à terra, mas espada, inclusive esse tipo de espada (Mateus 10:34-35). Essas crianças deram um testemunho silencioso ao Senhor Jesus. Assim como, antes, ele fora honrado ainda no ventre materno por uma criança que saltou de alegria com a sua vinda, agora crianças da mesma idade testemunham dele com a própria morte. Elas derramaram o sangue por ele, e depois ele derramaria o seu sangue por elas. Foram os soldados mais jovens do grande exército de mártires. Se foram batizadas com sangue na igreja triunfante, então aquilo que ganharam no céu compensou infinitamente o que perderam na terra.
Algumas tradições dizem que as crianças mortas foram 14.000, mas isso é muito improvável. O ponto principal é mostrar como a tradição humana pode ser frágil. Causa estranheza que Josefo, o historiador judeu, não mencione esse acontecimento, mas ele escreveu muito tempo depois de Mateus e dificilmente daria apoio à história cristã. Se o fato não fosse verdadeiro e bem conhecido, provavelmente ele teria negado de forma explícita. Um escritor pagão, Macróbio, conta que, quando o imperador Augusto ouviu dizer que Herodes tinha ordenado a morte dos meninos de até dois anos e que um de seus próprios filhos estava entre eles, Augusto comentou com ironia: “É melhor ser porco de Herodes do que filho dele.” A frase combina com o caráter de Herodes, pois o costume judaico o impedia de matar um porco, mas nada o impedia de matar um filho. Alguns pensam que ele tinha um filhinho de peito em Belém. Outros acham que dois acontecimentos foram confundidos: a matança dos inocentes e a morte de Antípatro.
Chama atenção também que a igreja de Roma inclua os Santos Inocentes em seu calendário e reserve um dia à sua memória, embora muitas vezes tenha se justificado a si mesma por massacres violentos. Isso lembra as pessoas que edificavam os túmulos dos profetas enquanto repetiam os mesmos pecados de seus pais. Mesmo assim, havia outro propósito de Deus nessa matança. O Antigo Testamento já mostrara que Belém seria o lugar do nascimento do Messias, e essa era a época certa. Quando todos os meninos nascidos ali nesse tempo foram mortos, e apenas Jesus escapou, ficou evidente que só ele podia reivindicar o título de Messias. Herodes pensou ter vencido as profecias, a estrela e a adoração dos magos. Imaginou que, queimando a colmeia, tivesse matado a abelha. Mas Deus, no céu, zombou dele. Por mais cruéis que sejam os planos humanos, o propósito do Senhor permanece firme.
Em terceiro lugar, em tudo isso a Escritura se cumpriu (Mateus 2:17-18), especialmente a palavra de Jeremias 31:15: “Uma voz se ouviu em Ramá.”
Percebe-se aqui como a Escritura se cumpre plenamente. Essa profecia já havia tido um cumprimento nos dias de Jeremias, quando Nebuzaradã, comandante do exército de Babilônia, depois de destruir Jerusalém, reuniu os cativos em Ramá e os tratou como quis, seja para morte, seja para exílio (Jeremias 40:1). Naquela ocasião, o clamor em Ramá pôde ser ouvido até Belém, pois as duas cidades, uma em território de Judá e outra em Benjamim, ficavam próximas uma da outra. Agora, a profecia se cumpre novamente no grande lamento pela morte desses pequeninos.
A Escritura se cumpriu, primeiro, quanto ao lugar desse lamento. O som do choro se espalhou de Belém até Ramá, porque a crueldade de Herodes alcançou toda a região em torno de Belém, inclusive o território de Benjamim, entre os filhos de Raquel. Alguns entendem que a região em torno de Belém era chamada de terra de Raquel porque ela morreu e foi sepultada ali. O túmulo de Raquel ficava perto de Belém (Gênesis 35:16, Gênesis 35:19; comparar com 1 Samuel 10:2). Raquel tinha profundo amor por filhos; o filho que perdeu no parto ela chamou Benoni, “filho da minha dor”. Essas mães se pareciam com Raquel. Moravam perto do túmulo dela, e muitas pertenciam à sua linhagem. Assim, seus gritos são belamente descritos como o próprio choro de Raquel.
Em segundo lugar, a Escritura se cumpriu na intensidade desse lamento. Era “pranto e grande lamentação”, e ainda assim tais palavras mal davam conta de descrever tamanho prejuízo. Houve grande clamor no Egito quando os primogênitos foram mortos, e houve grande clamor aqui quando os mais novos foram mortos, justamente aqueles a quem, por instinto natural, temos mais ternura. Isso nos mostra o mundo em que vivemos. Ouvimos pranto, choros e lamentação ao nosso redor, e vemos lágrimas daqueles que são oprimidos por muitos motivos. Nosso caminho passa por um vale de lágrimas.
Essa dor foi tão profunda que elas não quiseram ser consoladas. Apegaram-se ao seu luto e encontraram certo consolo na própria tristeza. Bendito seja Deus, nenhuma perda neste mundo, nem sequer as que são consequências do pecado, nos dá motivo para recusar o consolo. Elas não quiseram ser consoladas “porque já não existem”, isto é, porque os filhos já não estavam na terra dos viventes, nem nos braços de suas mães como antes. Se de fato eles deixassem de existir, talvez houvesse alguma desculpa para um pranto sem esperança. Mas sabemos que não foram destruídos, apenas nos precederam. Se esquecermos que eles ainda existem diante de Deus, perdemos o melhor fundamento de consolo (1 Tessalonicenses 4:13).
Alguns veem esse luto em Belém como juízo sobre o povo por sua rejeição a Cristo. Aqueles que não quiseram se alegrar com o nascimento do Filho de Deus foram justamente levados a chorar pela morte de seus próprios filhos. Eles apenas se admiraram com o que os pastores tinham contado, mas não acolheram a mensagem. A citação dessa profecia pode também responder a uma objeção que alguns levantariam contra Cristo por causa desse fato tão triste: “Pode o Messias, que deveria ser o Consolador de Israel, vir ao mundo em meio a tanto pranto?” Sim, porque isso havia sido anunciado, e a Escritura precisava se cumprir. Mais ainda: se olharmos adiante na profecia, veremos que o amargo choro em Ramá era apenas o início de uma alegria maior. Ali se promete: “O teu trabalho será recompensado, e há esperança para o teu futuro.” Quanto piores as coisas parecem, mais perto está o tempo de melhora. Um Menino lhes foi dado, suficiente para compensar a perda.
Deste capítulo
Mateus 2:1
"Depois que Jesus nasceu em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que magos vieram do Oriente a Jerusalém."
Mateus 2:2
"Eles perguntaram: “Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”."
Mateus 2:3
"Ao ouvir essa notícia, o rei Herodes ficou perturbado, e toda Jerusalém com ele."
Mateus 2:4
"Ele convocou os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo e lhes perguntou onde o Cristo havia de nascer."
Mateus 2:5
"Eles lhe disseram: “Em Belém, na Judeia, pois assim foi escrito pelo profeta:"
Mateus 2:6
"E você, Belém, terra de Judá, de modo algum é a menor entre as cidades de Judá, porque de você sairá o chefe que governará Israel, meu povo”."
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