Versículo em destaque
Lucas 5:27 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Depois disso, ele saiu e viu um coletor de impostos, de nome Levi, sentado ao balcão, e lhe disse: “Siga-me.” "
Lucas 5:27
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
25 No mesmo instante, ele se levantou à vista deles, pegou o leito e foi para casa, glorificando a Deus.
26 Todos ficaram tomados de entusiasmo e glorificavam a Deus; e, tomados de temor, diziam: “Hoje vimos coisas maravilhosas”.
27 Depois disso, ele saiu e viu um coletor de impostos, de nome Levi, sentado ao balcão, e lhe disse: “Siga-me.”
28 Deixando tudo, ele se levantou e o seguiu.
29 Levi lhe ofereceu um grande banquete em sua casa; vários desses fiscais e outras pessoas estavam sentados à mesa com eles.
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Tudo aqui, exceto o último versículo, já aparece em Mateus e Marcos. Não se trata de um relato de milagre na natureza realizado por Jesus. É um registro das maravilhas da sua graça e, para quem entende corretamente, elas não são prova menos forte de que Cristo foi enviado por Deus.
Foi uma maravilha da sua graça que ele chamasse um publicano, um homem sentado na coletoria de impostos, para ser seu discípulo e seguidor (Lucas 5:27). Já era surpreendente o bastante que ele honrasse pobres pescadores, homens de baixa posição social. Mas foi ainda mais marcante que recebesse publicanos, homens de péssima reputação e vergonha pública. Nisso, Cristo se humilhou e apareceu em semelhança de carne humana pecadora. Ao fazer isso, expôs-se à crítica e recebeu a acusação de ser amigo de publicanos e pecadores.
Também foi uma maravilha da sua graça o fato de que esse chamado teve efeito imediato (Lucas 5:28). Levi, um publicano, embora os que trabalhavam nessa função geralmente tivessem pouco interesse em religião, deixou seu bom cargo na coletoria por amor a Cristo e à sua alma. Ali ele tinha muito a ganhar, provavelmente tirava dali o seu sustento e talvez até estivesse a caminho de um posto ainda melhor. Mesmo assim, levantou-se e seguiu a Cristo. Nenhum coração é duro demais para que o Espírito e a graça de Cristo operem nele, e nenhum obstáculo à conversão de um pecador está além do seu poder.
Foi outra maravilha da sua graça o fato de não apenas receber um publicano convertido entre os seus seguidores mais próximos, mas também de se juntar a publicanos ainda não convertidos para lhes fazer bem espiritual. Ele defendeu isso mostrando que se ajustava perfeitamente ao propósito de sua vinda ao mundo. Cristo veio como médico das almas enfermas pelo pecado e prestes a morrer dessa doença. Ele tem cuidado especial dos enfermos, isto é, dos pecadores que sabem que precisam de um médico. Veio chamar pecadores, até os piores pecadores, ao arrependimento, e assegurar-lhes o perdão quando se arrependem (Lucas 5:31-32). Isso é de fato boas novas de grande alegria.
Também foi uma maravilha da sua graça o fato de suportar com paciência as discussões dos pecadores contra ele e seus discípulos (Lucas 5:30). Ele não respondeu às críticas dos escribas e fariseus com ira, embora tivesse pleno direito para isso. Em vez disso, respondeu com razão e mansidão. Em vez de usar aquele momento para mostrar indignação contra os fariseus, como faria depois, ou para revidar, usou-o para demonstrar misericórdia a pobres publicanos, outro tipo de pecador, e para animá-los.
Foi ainda uma maravilha da sua graça que, ao treinar seus discípulos, ele considerasse a condição em que estavam e ajustasse os deveres à força e ao estágio de crescimento deles. As pessoas objetavam que seus discípulos não jejuavam tanto quanto os fariseus e os discípulos de João Batista (Lucas 5:33). Mas ele insistiu principalmente no verdadeiro sentido do jejum: fazer morrer o pecado, crucificar a carne e viver uma vida de autonegação. Isso é muito melhor do que jejum e atos externos de abnegação, assim como a misericórdia é melhor do que o sacrifício.
Foi também uma maravilha da sua graça o fato de Cristo reservar provações mais difíceis para os anos posteriores da vida de seus discípulos, quando sua graça já os tivesse preparado melhor para essas provas do que no início. Por enquanto, eram como crianças na câmara nupcial, enquanto o noivo estava com elas, cheias de alegria, celebrando cada dia como um banquete. Cristo era bem recebido onde quer que fosse, e eles eram recebidos por causa dele também. Até então, quase não enfrentavam oposição. Mas isso não duraria para sempre. Viriam dias em que o noivo lhes seria tirado (Lucas 5:35). Então Cristo os deixaria com tristeza no coração, trabalho nas mãos e um mundo cheio de hostilidade e fúria contra eles. Aí sim jejuariam, porque já não seriam tão bem supridos como naquele momento. “Tanto temos fome como sede, e estamos nus” (1 Coríntios 4:11). Então guardariam muito mais jejuns religiosos do que agora, porque a providência os chamaria a isso, e serviriam ao Senhor com jejum (Atos 13:2).
Foi outra maravilha da sua graça que ele medisse os deveres segundo a força deles. Não colocaria remendo de pano novo em roupa velha, nem deitaria vinho novo em odres velhos (Lucas 5:36-38). Não iria, logo depois de chamá-los para fora do mundo, carregar sobre eles de uma vez todo o rigor e dureza do discipulado, para que não voltassem atrás. Quando Deus tirou Israel do Egito, não os conduziu pelo caminho da terra dos filisteus, porque, se vissem a guerra cedo demais, poderiam arrepender-se e voltar ao Egito (Êxodo 13:17). Do mesmo modo, Cristo treinou seus seguidores pouco a pouco na disciplina da sua casa. Ninguém que bebe o vinho velho deseja logo o novo ou passa a apreciá-lo de imediato, mas diz: “O velho é melhor” (Lucas 5:39), porque está acostumado a ele. Assim, os discípulos seriam tentados a pensar que sua vida antiga era melhor, até que fossem gradualmente exercitados no novo caminho ao qual foram chamados.
Ou podemos entender de outra forma: deixem-nos se acostumar aos deveres religiosos, e então os praticarão com tanta plenitude quanto vocês, mas não devemos apressá-los demais. Calvino entende isso como uma advertência aos fariseus para que não se gloriassem no seu jejum nem no espetáculo que faziam dele, e para que não desprezassem os discípulos de Cristo porque estes não faziam a mesma exibição. A religião dos fariseus era exterior e aparente, como vinho novo que espuma e é agitado. Mas as pessoas sensatas dizem que o vinho velho é melhor, porque, embora não dê tanta cor à taça, aquece mais o estômago e é mais saudável. Os discípulos de Cristo, embora tivessem menos aparência exterior de religião, possuíam mais do seu verdadeiro poder.
Deste capítulo
Lucas 5:1
"Certo dia, estando Jesus à margem do lago de Genesaré, o povo se comprimia ao redor dele para ouvir a Palavra de Deus."
Lucas 5:2
"Vendo duas barcas paradas à beira do lago — pois os pescadores haviam descido delas para consertar as redes —,"
Lucas 5:3
"subiu em uma das barcas, que pertencia a Simão, e pediu-lhe que a afastasse um pouco da terra; e, sentado, ensinava o povo a partir da barca."
Lucas 5:4
"Quando terminou de falar, disse a Simão: “Faça-se ao largo, e lancem as redes de vocês para pescar”."
Lucas 5:5
"Simão lhe respondeu: “Mestre, trabalhamos a noite inteira e não apanhamos nada; mas, por causa de tua palavra, lançarei a rede”."
Lucas 5:6
"Feito isso, apanharam tantos peixes que a rede deles se rompia."
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