Versículo em destaque

Lucas 3:15 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" Ora, como o povo estava na expectativa, e todos perguntavam em seus corações se talvez João fosse o Cristo, "

Lucas 3:15

menu_book Versículo no contexto

13 Ele lhes respondeu: “Não exijam mais do que foi ordenado a vocês”.

14 Do mesmo modo, os soldados lhe perguntavam: “E nós, que devemos fazer?”. Ele lhes respondeu: “Não pratiquem violência nem defraudem ninguém, e contentem-se com o soldo de vocês”.

15 Ora, como o povo estava na expectativa, e todos perguntavam em seus corações se talvez João fosse o Cristo,

16 ele tomou a palavra e disse a todos: “Eu batizo vocês na água, mas eis que vem outro mais poderoso do que eu, a quem não sou digno de lhe desatar a correia das sandálias; ele batizará vocês no Espírito Santo e no fogo.

17 Ele tem a pá na mão e limpará a sua eira; recolherá o trigo ao seu celeiro, mas queimará as palhas num fogo inextinguível”.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Agora estamos chegando perto da aparição pública de nosso Senhor Jesus. A estrela da manhã já se levantou, e em breve o sol surgirá. Aqui vemos como o povo, por meio do ministério e do batismo de João, começou a pensar no Messias e a perceber que sua vinda era próxima.

Dessa maneira, João preparou o caminho do Senhor, e o povo foi preparado para receber a Cristo. Quando as pessoas esperam algo, muitas vezes isso parece ainda melhor quando finalmente chega. Ao verem o excelente ensino de João Batista, o poder que o acompanhava e o efeito que produzia na mudança de vidas, começaram a pensar que o tempo do Messias havia chegado. A linhagem real já não governava com plena força, pois não tinham outro rei senão César. Até mesmo o legislador já tinha partido de entre os pés de Judá, porque Herodes havia destruído recentemente o Sinédrio, o conselho governante dos judeus. As setenta semanas de Daniel estavam quase cumpridas; por isso, apenas alguns anos depois, esperavam que o reino dos céus fosse aparecer de imediato (Lucas 19:11).

Eles também começaram a perguntar: “Será que o próprio João é o Cristo?” Pessoas sérias ficavam ponderando em seus corações se João não seria o Messias. Ele não apresentava o brilho exterior e o esplendor real que normalmente esperavam no Messias. Mas sua vida era santa e severa, e sua pregação era poderosa e cheia de autoridade. Assim, raciocinavam: “Por que não podemos pensar que ele é o Messias, e que em breve deixará esse disfarce e aparecerá em glória maior?” Quando as pessoas são levadas a refletir com seriedade e a raciocinar dentro de si, isso muitas vezes prepara o caminho para Cristo.

João não permitiu, de forma alguma, que se alimentasse o pensamento de que ele mesmo fosse o Messias, mas confirmou a esperança do povo naquele que realmente era o Messias (Lucas 3:16-17). A obra de João, como a de um arauto, era anunciar que o reino de Deus e seu Rei estavam próximos. Depois de dizer a cada tipo de pessoa o que deviam fazer, ele acrescenta uma coisa que todos, sem exceção, precisavam fazer: esperar o Messias, que em breve se manifestaria. Com isso, ele também respondia aos pensamentos que tinham a seu respeito, ainda que não os escutasse diretamente.

Ele declara que tudo o que podia fazer era batizar com água. Não tinha poder para conceder o Espírito, nem para ordenar que o Espírito viesse. Podia chamar as pessoas ao arrependimento e prometer perdão se se arrependessem, mas não podia criar nelas o arrependimento, nem conceder ele mesmo o perdão. Em seguida, por assim dizer, entrega-as a Jesus Cristo, para quem fora enviado a fim de preparar o caminho. Estava pronto para entregar toda a influência que tinha sobre o povo, desejando que deixassem de debater se João era ou não o Messias, para que passassem a olhar para aquele que de fato o era.

João afirma que o Messias é maior e melhor do que ele em todos os aspectos. Não é digno sequer de desatar a correia de suas sandálias. Não se julga apto para ser o servo mais humilde de Cristo, ajudando-o a calçar ou tirar os sapatos. João era profeta, mais do que profeta, e maior do que todos os profetas do Antigo Testamento. No entanto, Cristo era maior do que João, pois todos os profetas, incluindo João, falaram pelo Espírito de Cristo e pela graça de Cristo (1 Pedro 1:10-11). João estava dizendo uma grande verdade, mas a forma como a exprimiu revelava sua humildade. Ele honrou o Senhor Jesus e se rebaixou de modo adequado. É correto falarmos altamente de Cristo e humildemente de nós mesmos.

João também diz que Cristo tem mais poder do que ele. “É mais poderoso do que eu”, e faz o que João não pode fazer, tanto para consolar os verdadeiros crentes quanto para atemorizar hipócritas e falsos. As pessoas julgavam que o ministério de João mostrava grande poder, mas isso não era nada comparado ao poder que Jesus traria. João só pode batizar com água, como sinal de que as pessoas devem purificar-se. Cristo pode e irá batizar com o Espírito Santo. Ele pode conceder o Espírito para limpar o coração, não apenas lavando a sujeira exterior, como faz a água, mas queimando a corrupção interior como fogo, derretendo e refazendo o metal numa nova forma.

João apenas pode pregar uma mensagem que divide, usando palavras e atos para separar o precioso do que não tem valor. Mas Cristo tem a pá em sua mão, e ele separará perfeitamente o trigo da palha. Limpará totalmente sua eira. Ela pertence a ele, portanto ele a purificará. Expulsará de sua igreja os judeus incrédulos e impenitentes, e confirmará em sua igreja todos os que verdadeiramente o seguem.

João só pode falar consolo àqueles que recebem o evangelho, dizendo, como os outros profetas, que bem lhes irá. Mas Jesus Cristo realmente lhes dará esse consolo. João pode apenas prometer que estarão seguros, mas Cristo é quem os torna seguros. Ele ajuntará o trigo em seu celeiro. Pessoas sérias, firmes e piedosas ele reunirá agora em sua igreja na terra, que é formada por gente assim. E em breve as reunirá em sua igreja no céu, onde estarão seguras para sempre.

João só pode advertir os hipócritas e dizer às árvores infrutíferas que serão cortadas e lançadas ao fogo. Mas Cristo pode cumprir essa advertência. Aqueles que são como palha, levianos, vazios e sem valor, ele os queimará em fogo que nunca se apaga. João faz aqui referência a (Malaquias 3:18; Malaquias 4:1-2). Então, quando a eira estiver limpa, se verá a diferença entre o justo e o ímpio, pois vem o dia que arderá como forno.

O evangelista encerra o relato da pregação de João com um breve resumo: João anunciou muitas outras coisas ao povo que não foram registradas (Lucas 3:18). Primeiro, João era um pregador ardente. Exortava e suplicava ao povo, pressionando sua mensagem como alguém que realmente a levava a sério. Segundo, era um pregador prático. Grande parte do que dizia chamava o povo ao dever e lhe mostrava como viver, em vez de arrastá-lo para discussões sutis. Terceiro, era um pregador voltado para o povo comum. Embora escribas e fariseus, homens instruídos, e saduceus, que se diziam de pensamento livre, viessem ouvi-lo, ele falava principalmente às multidões em geral e adequava seu ensino à compreensão delas, porque esperava entre elas o melhor resultado.

Quarto, João era um pregador evangelista, pois é isso que a palavra indica aqui. Ele anunciava as boas novas ao povo. Em todas as suas exortações, apontava as pessoas para Cristo e despertava nelas a esperança nele. Quando insistimos na prática do dever, também precisamos direcionar as pessoas a Cristo, tanto para serem aceitas por Deus como para receberem força para obedecer.

Quinto, ele era um pregador rico e variado. Ensinava muitas outras coisas, muitos tipos de verdade. Pregou bastante e não deixou de anunciar todo o conselho de Deus, isto é, tudo o que Deus queria que o povo ouvisse. E variava seu ensino, para que aqueles que não eram tocados por uma verdade pudessem ser alcançados por outra.

Em seguida, há uma interrupção súbita na pregação de João. Quando ele estava no auge de sua utilidade e tinha tanto êxito, o ódio de Herodes o lançou na prisão (Lucas 3:19-20). Herodes, o tetrarca, um governante sob Roma, foi repreendido por João não só por viver em incesto com a mulher de seu irmão Filipe, mas também por muitas outras maldades que havia praticado. Os que são perversos em um ponto costumam sê-lo em muitos outros. Herodes não suportou a franqueza de João; assim, acrescentou esse pecado a tantos outros, encerrando João na prisão e pondo aquela luz ardente e brilhante debaixo de um cesto.

Por Herodes não suportar as repreensões de João, muitos foram impedidos de receber o benefício de seu ensino e de seus sábios conselhos. Talvez ainda tenha feito algum bem àqueles que puderam ter acesso a ele na prisão, mas nada comparado ao que poderia ter feito se estivesse livre para percorrer todo o país, como antes. Devemos considerar o ato de Herodes com profunda compaixão e tristeza, e também reverenciar a sabedoria oculta de Deus em permitir isso, embora não possamos explicá-la plenamente.

Era necessário que o homem que foi a voz que clamava no deserto ficasse em silêncio? Precisava um pregador assim ser trancado na prisão quando deveria estar de pé nos átrios do templo? Contudo, foi assim que a fé de seus discípulos seria provada e a incredulidade dos que o rejeitaram seria castigada. Desse modo, também, João se tornou precursor de Cristo no sofrimento, assim como o fora na pregação. Depois de cerca de um ano e meio preparando o povo para Cristo, agora precisava dar lugar a ele. Quando o Sol se levanta, a estrela da manhã deve desaparecer.

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