Versículo em destaque
Lucas 18:9 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Jesus também lhes contou esta parábola a respeito de alguns que se vangloriavam como se fossem justos e desprezavam os outros: "
Lucas 18:9
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
7 Por acaso Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que estão clamando por ele dia e noite? Porventura tardará em socorrê-los?
8 Eu declaro a vocês que em breve lhes fará justiça. Mas, quando vier o Filho do Homem, acaso encontrará fé sobre a terra?”
9 Jesus também lhes contou esta parábola a respeito de alguns que se vangloriavam como se fossem justos e desprezavam os outros:
10 “Dois homens subiram ao templo para orar. Um era fariseu; o outro, publicano.
11 O fariseu, em pé, orava no seu interior desta maneira: Dou-te graças, ó Deus, porque não sou como os demais homens: ladrões, injustos e adúlteros; nem como o publicano que está ali.
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Esta parábola é apresentada já com a sua finalidade declarada. Em (Lucas 18:9) somos informados a quem Jesus a dirigiu e por que a contou. Ele queria desmascarar pessoas que confiavam em si mesmas, achando-se justas, e que desprezavam os outros. Tinham uma opinião muito elevada da própria bondade, estavam certos da sua posição diante de Deus e tratavam os demais com desprezo.
Jesus mostra quão insensata é essa atitude e como ela acaba afastando as pessoas do favor de Deus. O texto fala de uma parábola, mas, na prática, é o retrato de dois corações e duas orações completamente diferentes. Um homem se justifica orgulhosamente, o outro reconhece humildemente a sua necessidade. O que Jesus descreve é algo que se vê todos os dias.
Ambos os homens vão ao mesmo lugar e, ao que tudo indica, na mesma ocasião, para orar: o templo, que ficava num monte (Lucas 18:10). Não era a hora costumeira da oração pública; foram em busca de devoção particular. Naquele tempo, o templo não era apenas o lugar de adoração, mas também um meio de adorar, e Deus havia prometido ouvir ali a oração que lhe fosse apresentada de modo correto. Hoje, Cristo é o nosso verdadeiro templo, e devemos olhar para ele em toda aproximação a Deus.
O fariseu, líder religioso orgulhoso do seu rigor, e o publicano, cobrador de impostos, foram ambos orar. Entre os adoradores na igreja visível, sempre houve mistura de bons e maus, assim como Caim e Abel levaram ofertas ao mesmo altar. O fariseu não podia se dar ao luxo de se considerar acima da oração, e o publicano não ousava pensar que estivesse excluído dela. Mas eles se aproximaram de Deus com disposições completamente diferentes.
É provável que o fariseu tenha ido porque o templo era um lugar público, onde muitos o veriam e elogiariam a sua devoção. Cristo já havia dito que os fariseus praticavam suas obras para serem vistos pelos homens, e isso se encaixa aqui. Os hipócritas mantêm hábitos religiosos principalmente para preservar ou conquistar boa reputação. Muitos hoje aparecem no “templo”, mas não serão encontrados à direita de Cristo naquele último dia.
O publicano, por sua vez, foi ao templo porque ele deveria ser uma casa de oração para todos os povos (Isaías 56:7). O fariseu foi por aparência; o publicano foi com um pedido real. Deus vê o espírito e o propósito com que nos aproximamos da adoração, e é por isso que ele nos julga.
A fala do fariseu é chamada de oração, mas mal merece esse nome, porque é cheia de si mesmo. Ele ficou em pé e orou “consigo mesmo” (Lucas 18:11–12), isto é, totalmente voltado para si, ou então num lugar bem visível, para ser notado. Tudo nele aponta para o próprio eu, e não para a glória de Deus.
O que ele diz revela que confiava em si mesmo como justo. Muitas coisas que declara sobre si podem até ser verdadeiras. Não era culpado de pecados grosseiros e escandalosos. Não era extorsionário, nem desonesto, nem duro com aqueles que estavam sob seus cuidados, nem adúltero. Jejuava duas vezes por semana e dava o dízimo de tudo o que possuía. Tudo isso, externamente, parecia louvável.
Mas isso não bastava, e justamente por isso ele não foi aceito. A sua “ação de graças” a Deus soa mais como um prefácio formal do que gratidão verdadeira. Ele não diz, como Paulo diria mais tarde: “Pela graça de Deus sou o que sou”; em vez disso, o seu “Ó Deus, graças te dou” torna-se apenas um jeito elegante de começar a se elogiar.
Ele exibe suas supostas virtudes e se compraz nelas. É como se tivesse ido ao templo apenas para informar a Deus quão bom ele era. Fala como os hipócritas de (Isaías 58:3), que perguntam por que Deus não nota o jejum deles. Além disso, confia nessa bondade como se fosse justiça que o tornasse merecedor, como se tivesse ganho créditos diante de Deus e feito de Deus um devedor seu.
O mais grave é que, no fundo, não há verdadeira oração no que ele diz. Subiu ao templo para orar, mas se esqueceu do motivo pelo qual foi. Estava tão cheio de si que parecia pensar que não precisava de nada, nem mesmo da graça de Deus.
Ele também despreza as outras pessoas. Pensa mal de todos, exceto de si próprio. Quando diz: “Graças te dou porque não sou como os demais homens”, fala como se fosse melhor que todos os outros. É certo agradecer a Deus por não estarmos entregues a pecados abertos e vergonhosos como alguns; porém, falar como se apenas nós fôssemos bons e todos os outros fossem inúteis é julgar de forma ampla demais.
Ele volta seu desprezo, em especial, para o publicano, o cobrador de impostos que provavelmente encontrara ali nos pátios do templo. Por ele ser publicano, o fariseu, sem justa razão, supõe que seja também desonesto, opressor e pecador em tudo.
Ainda que o fariseu conhecesse de fato as faltas do publicano, com que direito as trazia à tona ali? Será que não poderia orar, como tanto prezavam os fariseus, sem insultar o próximo? Isso fazia parte do seu “Ó Deus, graças te dou”? Ele teria tanto prazer no pecado do publicano quanto na sua própria “virtude”? Nada mostra com tanta clareza que lhe faltavam humildade e amor, e que era dominado pelo orgulho e pelo ódio.
Já o modo como o publicano fala com Deus é exatamente o oposto do fariseu. Ele está tão cheio de humildade e vergonha quanto o fariseu está cheio de orgulho e ostentação. Carrega pesar pelo pecado e desejo por Deus, enquanto o fariseu está repleto de confiança em si mesmo, na sua própria justiça e na sua suposta capacidade de comparecer perante Deus por seus próprios méritos.
Ele manifesta sua humildade não apenas nas palavras, mas também nas atitudes. Sua postura em oração reflete profunda seriedade e é a “roupagem” adequada para um coração quebrantado, arrependido e disposto a obedecer. “Estando em pé, de longe” (Lucas 18:13). O fariseu se posiciona o mais à frente que consegue; o publicano mantém distância porque se sente indigno de chegar perto de Deus. Talvez também quisesse evitar incomodar o fariseu, que o desprezava, e não atrapalhar a oração dele.
Ao ficar longe, o publicano admite, na prática, que Deus seria justo se o mantivesse afastado e o mandasse embora da sua presença para sempre. Reconhece igualmente que é grande misericórdia Deus permitir que chegue sequer um pouco perto. Ele nem mesmo ousa levantar os olhos ao céu, muito menos as mãos, que era a postura habitual de oração. No íntimo, seu coração se elevava a Deus, mas a vergonha e a tristeza mantinham seus olhos baixos. Seus pecados lhe pareciam um peso tão grande sobre a cabeça que ele não conseguia olhar para cima (Salmo 40:12). O olhar abatido revelava o quão rebaixado estava o seu espírito por causa do pecado.
Ele também batia no peito, sinal de uma santa indignação contra si mesmo por causa do pecado. Era como se dissesse: “Se eu pudesse alcançar este meu coração mau, esta fonte envenenada de onde saem todos os meus pecados, eu o feriria.” O coração de Davi o feriu em arrependimento depois do seu pecado (2 Samuel 24:10). O pecador pergunta: “Que foi que eu fiz?”, e então o próprio coração o fere de volta em dor: “Miserável homem que eu sou!” Efraim é retratado batendo na coxa em pesar (Jeremias 31:19). Grandes pranteadores são descritos como os que batem no peito (Naum 2:7).
Ele manifesta seu arrependimento também nas palavras. A sua oração é curta. O temor e a vergonha não o deixam falar muito, e seus suspiros e gemidos parecem ocupar o lugar de muitas palavras. Mas o que ele diz basta: “Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador.” Devemos nos alegrar porque essa oração foi registrada como uma oração ouvida por Deus, e porque sabemos que esse homem desceu para sua casa justificado, isto é, considerado justo diante de Deus. Assim acontecerá conosco, se orarmos como ele orou, por meio de Jesus Cristo: “Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador. Deus de infinita misericórdia, sê propício a mim, porque, se não fores, estou totalmente perdido e eternamente miserável. Tem misericórdia de mim, porque eu mesmo tenho sido cruel comigo, ao me entregar ao pecado.”
Ele confessa que é pecador por natureza e por prática, culpado diante de Deus. Em outras palavras, diz: “Sou vil, que te responderei?” O fariseu não admite ser pecador. Nenhum dos seus vizinhos teria algo sério a acusar, e ele não vê motivo para se acusar a si mesmo. Aos seus próprios olhos, é puro e sem culpa. Mas o publicano se dá apenas um nome: pecador, um homem já condenado, em pé diante do tribunal de Deus.
Ele se apoia em nada além da misericórdia de Deus, unicamente nela. O fariseu argumenta com base no mérito do seu jejum e do seu dízimo; o pobre publicano abandona qualquer pensamento de mérito. Ele corre para a misericórdia como para um refúgio, segurando-se ao “chifre do altar”. A justiça o condena, e nada pode salvá-lo senão a misericórdia. Somente a misericórdia.
Ele também pede com fervor o dom dessa misericórdia. Está dizendo, em essência: “Ó Deus, sê misericordioso, sê bondoso para comigo, perdoa meus pecados, reconcilia-te comigo, restaura o teu favor, recebe-me graciosamente, ama-me livremente.” Ele vem como um mendigo pedindo esmola, quase morrendo de fome. Provavelmente repetiu essa súplica com renovado sentimento, e pode ter acrescentado outras palavras do mesmo tom, confessando seus pecados e mencionando as misericórdias de que precisava. Ainda assim, este era o núcleo da sua oração: “Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador.”
Agora vemos a aceitação do publicano por Deus. Já vimos como esses dois homens oraram de maneiras tão diferentes; agora vemos qual foi o resultado. Muitos teriam elogiado o fariseu, recebido sua volta para casa com aprovação e zombado do publicano como um homem fraco e choroso. Mas o Senhor Jesus, que conhece todo coração, todo desejo e tudo que está escondido, nos diz que este publicano pobre, arrependido e de coração quebrantado voltou para casa justificado, e não o outro. O fariseu pensava que, se um dos dois tivesse de ser aceito, certamente seria ele, e não o publicano. Cristo afirma, com plena certeza e profunda seriedade, que foi o publicano, e não o fariseu.
O fariseu orgulhoso saiu dali rejeitado por Deus. Seus agradecimentos não foram aceitos, mas se tornaram abomináveis diante de Deus. Ele não foi justificado, seus pecados não foram perdoados e ele não foi libertado da condenação. Ele não foi aceito como justo aos olhos de Deus, porque já se considerava justo aos seus próprios olhos. Mas o publicano, pela sua maneira humilde de se aproximar do céu, recebeu o perdão dos seus pecados. Aquele que o fariseu não consideraria nem digno de se sentar com os cães do seu rebanho, Deus recebeu na companhia de Seus filhos.
A razão é esta: Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes. Os orgulhosos se levantam em alta estima de si mesmos, e assim desafiam a Deus; por isso Ele certamente os abaterá. Nas palavras de Deus a Jó, isto é uma prova de que Ele é Deus: Ele olha para todo soberbo e o humilha (Jó 40:12). Os humildes se colocam em baixa posição diante de Deus, e por isso serão exaltados. Deus tem honra preparada para os que a recebem como dom, não para os que a exigem como se fosse dívida.
Eles serão exaltados ao amor de Deus e à comunhão íntima com Ele. Serão elevados à paz interior e, por fim, elevados até o céu. Vemos como o castigo corresponde ao pecado: “quem a si mesmo se exalta será humilhado”. Vemos como a recompensa corresponde ao dever: “quem a si mesmo se humilha será exaltado”. Vemos também a graça de Deus operando, trazendo o bem a partir do mal. O publicano tinha sido um grande pecador, e da grandeza do seu pecado nasceu a grandeza do seu arrependimento. Do que devora saiu alimento. Por outro lado, vemos a malícia de Satanás em produzir mal a partir do bem. Era algo bom o fariseu não ser roubador nem injusto, mas o diabo transformou isso em orgulho, e esse orgulho o arruinou.
Deste capítulo
Lucas 18:1
"Jesus lhes propôs uma parábola para mostrar que é necessário orar sempre, sem jamais deixar de fazê-lo."
Lucas 18:2
"“Havia, em certa cidade, um juiz que não temia a Deus nem respeitava pessoa alguma."
Lucas 18:3
"Na mesma cidade também vivia uma viúva que vinha frequentemente à sua presença para lhe dizer: Faça-me justiça contra o meu adversário."
Lucas 18:4
"Ele, porém, por muito tempo não o quis. Por fim, pensou consigo: Eu não temo a Deus nem respeito os homens;"
Lucas 18:5
"todavia, porque esta viúva me importuna, farei justiça a ela; caso contrário, ela não cessará de me molestar.”"
Lucas 18:6
"O Senhor prosseguiu: “Vocês ouvem o que diz este juiz injusto?"
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