Versículo em destaque
Mateus 13:24 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Jesus lhes propôs outra parábola: “O Reino dos Céus é semelhante a um homem que havia semeado boa semente em seu campo. "
Mateus 13:24
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
22 O terreno que recebeu a semente entre os espinhos representa aquele que ouviu bem a palavra, mas nele os cuidados do mundo e a sedução das riquezas a sufocam e a tornam infrutífera.
23 A terra boa semeada é aquele que ouve a palavra e a compreende, e produz fruto: cem por um, sessenta por um e trinta por um.”
24 Jesus lhes propôs outra parábola: “O Reino dos Céus é semelhante a um homem que havia semeado boa semente em seu campo.
25 Porém, enquanto os homens repousavam, veio seu inimigo, semeou joio no meio do trigo e partiu.
26 O trigo cresceu e deu fruto, mas o joio também apareceu.
Explore estudos bíblicos guiados
Sessões estruturadas com notas, perguntas e insights de orientadores
As Bem-Aventuranças (5 Dias)
Cinco encontros curtos com as bênçãos de Jesus e o caráter do reino de Deus.
Prévia da sessão 1:
Bem-Aventurados os Humildes e os que Choram
6 min
Salmos de Consolo (5 Dias)
Cinco encontros curtos nos Salmos, pensados para dias pesados em que há pouco tempo e pouca energia.
Prévia da sessão 1:
O Cuidado do Pastor
5 min
Crie uma conta grátis para salvar notas, acompanhar progresso e desbloquear todas as sessões
Criar conta grátisComentário Bible Guided
Nesses versículos vemos mais um motivo pelo qual Cristo falou por parábolas: para que se cumprisse a Escritura. Ele ainda não estava tornando completamente claros os mistérios do reino. Em vez disso, usou parábolas para manter o povo ouvindo e esperando mais. Como diz o salmo: “Abrirei a minha boca numa parábola” (Salmo 78:2).
Cristo sempre escolheu a melhor maneira de fazer bem às almas. Quando a pregação direta não os movia, Ele recorria às parábolas. O objetivo não era esconder a verdade sem motivo, mas ensiná-la de um modo adequado ao tempo estabelecido por Deus. O mistério do evangelho tinha sido mantido em segredo desde a fundação do mundo, oculto no próprio plano de Deus (Efésios 3:9; Romanos 16:25; 1 Coríntios 2:7; Colossenses 1:26). Se gostamos de registros antigos e de coisas ocultas, quanto mais devemos acolher o evangelho, que une grande antiguidade com profunda revelação de mistério.
O que antes estava envolto em figuras e sombras agora é manifestado. As coisas secretas tornaram-se verdades reveladas, que pertencem a nós e a nossos filhos (Deuteronômio 29:29). As parábolas de Cristo eram ditos sábios em forma de figura, feitos para prender a atenção e levar as pessoas a pensar com cuidado. Os ditos curtos de Salomão, cheios de comparações, são chamados provérbios ou parábolas; aqui, porém, fala Alguém maior que Salomão, em quem estão escondidos tesouros de sabedoria.
Passando à parábola do joio e à explicação que Cristo dá dela: os discípulos pediram ao Mestre que lhes explicasse a parábola. Jesus despediu a multidão, e muitos certamente foram embora sem mais entendimento do que tinham ao chegar. É triste quantos ouvem sermões e se retiram sem que a palavra da graça fique em seus corações.
Cristo então entrou em casa, não principalmente para descansar, mas para ensinar em particular aos discípulos. Ele estava sempre pronto para fazer o bem, em qualquer lugar, e eles aproveitaram a oportunidade de chegar perto dele. Quem deseja sabedoria precisa estar atento a essas ocasiões, especialmente à oportunidade de estar a sós com Cristo em oração e meditação. Também é proveitoso, depois do culto público, conversar sobre o que se ouviu, para ajudar uns aos outros a entender, lembrar e sentir mais profundamente a mensagem.
Os discípulos pediram: “Explica-nos a parábola do joio”. O pedido mostra que não tinham vergonha de admitir ignorância. Provavelmente entendiam a ideia principal, mas queriam uma explicação mais completa e ter certeza de que haviam compreendido corretamente. Estão em melhor posição para aprender com Cristo aqueles que reconhecem sua necessidade e desejam sinceramente instrução. Ele ensina os humildes (Salmo 25:8, 9), mas também quer ser buscado. A primeira luz e a primeira graça vêm como dádiva, e o crescimento posterior em ambas deve ser pedido em oração todos os dias.
Cristo respondeu prontamente. A parábola mostra o estado presente e futuro do reino dos céus, ou seja, da igreja sob o evangelho, com Cristo cuidando dela, o diabo se opondo a ela e bons e maus misturados nela por agora e no século vindouro. A igreja visível é chamada reino dos céus. Embora haja muitos hipócritas nela, Cristo nela reina como Rei, e um remanescente ali pertence de fato ao céu. Nesse sentido, a igreja é o reino dos céus na terra.
O que semeia a boa semente é o Filho do homem, Jesus Cristo. Ele é o Senhor do campo e o Senhor da seara, aquele que envia a boa semente. Quando subiu ao alto, deu dons ao mundo, não apenas bons ministros, mas também outras pessoas piedosas. Toda boa semente no mundo vem da mão de Cristo e do seu plantio. Doutrina verdadeira, graça plantada no coração e almas salvas são boa semente, e tudo isso se deve a Cristo.
Os ministros são apenas instrumentos na mão de Cristo. Ele os usa para semear a boa semente, e o trabalho deles só produz fruto pela bênção dele. Portanto, é correto dizer que Cristo, e ninguém mais, semeia a boa semente. Ele é chamado Filho do homem, um como nós, para que não sejamos afastados por medo. Ele é também o Mediador, que está entre Deus e os homens, e tem autoridade para realizar essa obra.
O campo é o mundo, o mundo da humanidade, um campo grande, com espaço para produzir muito bom fruto. Por isso é ainda mais lamentável que produza tanto fruto mau. Aqui, mundo indica a igreja visível espalhada pela terra, não restrita a uma só nação. É chamado seu campo, porque o mundo pertence a Cristo. O Pai lhe entregou todas as coisas, e todo poder que o diabo exerce é apenas por usurpação e injustiça. Quando Cristo vem tomar posse, vem como aquele a quem pertence o direito. O campo é dele, e por ser dele, Ele teve cuidado de semeá-lo com boa semente.
A boa semente são os filhos do reino, os verdadeiros crentes. Eles são filhos do reino não só por título exterior, como os judeus pretendiam ser (Mateus 8:12), mas de fato. São judeus interiormente, verdadeiros israelitas, unidos a Jesus Cristo, o grande Rei da igreja, pela fé e obediência. São também boa semente, preciosos como a semente que é guardada com cuidado para plantio (Salmo 126:6).
A semente é o principal valor do campo, assim como se fala da “santa semente” em Isaías 6:13. Assim também os santos, o povo que pertence a Deus. Estão espalhados pelo mundo, alguns aqui, outros ali, ainda que em certos lugares sejam mais numerosos do que em outros. A semente é também a que deve dar fruto, e o bem que Deus obtém deste mundo vem por meio dos santos, que Ele plantou para si na terra (Oséias 2:23).
O joio são os filhos do maligno. Isso descreve pecadores, hipócritas e todos os ímpios. São filhos do diabo, o maligno. Mesmo que não confessem o seu nome, mostram a sua semelhança, cumprem os seus desejos e aprenderam seus caminhos com ele. Ele reina sobre eles e opera neles (Efésios 2:2; João 8:44). São também como ervas daninhas no campo deste mundo. Não produzem bem algum e ainda fazem mal. São inúteis em si mesmos e nocivos à boa semente, tanto pela tentação quanto pela perseguição. São ervas daninhas num jardim, recebendo a mesma chuva, o mesmo sol e o mesmo solo que as boas plantas, e, no entanto, não servem para nada. O joio está no meio do trigo.
Deus ordenou as coisas de tal maneira que bons e maus fiquem misturados neste mundo. Assim, os bons são provados, os maus ficam sem desculpa, e se vê claramente a diferença entre a terra e o céu.
O inimigo que semeou o joio é o diabo, inimigo declarado de Cristo e de tudo que é bom, inclusive da glória do Deus bom e do consolo e felicidade de todas as pessoas piedosas. Ele é inimigo do campo do mundo, que procura tomar para si, semeando nele o seu joio. Desde que se tornou espírito maligno, tem se esforçado para espalhar maldade. Fez disso o seu negócio: opor-se a Cristo.
Quanto ao ato de semear o joio, observe, primeiro, que foi “dormindo os homens” que ele o semeou. Dormiram os governantes, que deviam usar sua autoridade para impedir esse mal. Dormiram os ministros, que deviam usar sua pregação para evitá-lo. Satanás vigia toda oportunidade e aproveita cada brecha para espalhar mal e impiedade. Ele especialmente prejudica as pessoas quando razão e consciência estão adormecidas, quando elas estão desprevenidas. Por isso devemos ser sóbrios e vigilantes. Isso foi feito à noite, tempo de dormir. Satanás reina nas trevas deste mundo, e isso lhe dá ocasião para semear o joio (Salmo 104:20). Foi “dormindo os homens”, e, no entanto, o homem precisa dormir alguma hora. Do mesmo modo, não conseguimos impedir completamente que hipócritas entrem na igreja, assim como o lavrador não pode, enquanto dorme, impedir que o inimigo danifique seu campo.
Segundo, depois que o inimigo semeou o joio, foi embora (Mateus 13:25), para que ninguém soubesse quem fez aquilo. Quando Satanás está causando mais dano, é quando mais procura se ocultar. Seu plano seria desfeito se fosse visto claramente; por isso, quando vem semear o joio, disfarça-se em anjo de luz (2 Coríntios 11:13, 2 Coríntios 11:14). Vai embora como se nada tivesse feito, como a mulher adúltera em Provérbios 30:20. A natureza humana é tão inclinada ao pecado que, uma vez o inimigo tendo semeado o joio, ele pode ir embora e deixá-lo crescer e fazer mal. A boa semente, ao contrário, precisa ser cuidada, regada e protegida, ou não frutificará.
Terceiro, o joio não apareceu até que a erva cresceu e produziu fruto (Mateus 13:26). Há muita maldade escondida no coração das pessoas, e ela pode ficar encoberta por muito tempo sob uma profissão exterior bonita. Mas, cedo ou tarde, se manifesta. Assim como boa semente e joio permanecem ocultos debaixo da terra por algum tempo, sendo no início difíceis de distinguir, assim também acontece com as pessoas. Porém, quando chega o tempo de prova, quando é necessário mostrar fruto, quando a obediência custa caro ou é arriscada, então a diferença aparece. Aí se vê quem é trigo e quem é joio.
Quarto, quando os servos perceberam o que tinha acontecido, levaram o caso ao seu senhor (Mateus 13:27). “Senhor, não semeaste tu no teu campo boa semente?” É claro que sim. Tudo o que há de errado na igreja certamente não procede de Cristo. Considerando a semente que Cristo semeia, podemos, com espanto, perguntar: De onde vieram então estes joios? O surgimento de falsos ensinos, escândalos públicos e crescente impiedade é uma profunda tristeza para todos os servos de Cristo, especialmente para os ministros fiéis. Eles são orientados a levar tais aflições àquele a quem o campo pertence. É triste ver tanto joio no jardim do Senhor, ver boa terra desperdiçada, boa semente sufocada, e o nome e a honra de Cristo prejudicados, como se o seu campo não fosse melhor que o campo de um preguiçoso, todo coberto de espinhos.
Quinto, o senhor logo entendeu de onde aquilo vinha: “Um inimigo fez isso” (Mateus 13:28). Ele não culpa os servos. Eles não podiam impedir aquilo, embora tivessem feito o que podiam para evitá-lo. Cristo não condenará ministros fiéis e diligentes, e as pessoas também não devem lançar censuras sobre eles, por causa da presença de maus misturados com bons, ou hipócritas misturados com crentes sinceros, na igreja. Esses escândalos precisam acontecer, e não serão lançados em nossa conta se tivermos cumprido o nosso dever, ainda que o resultado não seja o que esperávamos. Mesmo que durmam, contanto que não amem o sono; mesmo que o joio seja semeado, contanto que não tenham semeado, nem regado, nem aprovado esse joio, a culpa não recairá sobre eles.
Sexto, os servos ficaram ansiosos por arrancar logo o joio. “Queres, pois, que vamos arrancá-lo?” O zelo deles foi precipitado e pouco refletido. Os servos de Cristo às vezes agem com muita pressa, antes de consultar o seu Senhor, e assim correm o risco de prejudicar a igreja. “Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu?”
Sétimo, o Senhor os impediu com sabedoria (Mateus 13:29). “Não, para que, ao colher o joio, não arranqueis também o trigo com ele.” Nenhum ser humano consegue sempre distinguir joio de trigo sem erro, por isso Cristo, em sua sabedoria e graça, prefere tolerar o joio por um tempo a colocar o trigo em risco. Os ofensores escandalosos precisam ser corrigidos, e devemos afastar-nos deles. Os que abertamente se mostram filhos do maligno não devem ser admitidos a privilégios especiais na igreja. Ainda assim, a disciplina eclesiástica pode errar em suas normas ou ser excessivamente rigorosa em sua aplicação, e assim afligir muitos que são verdadeiramente piedosos e sinceros. Grande cuidado e moderação devem ser usados na disciplina da igreja, tanto ao aplicá-la quanto ao mantê-la, para que o trigo não seja pisado nem mesmo arrancado. A sabedoria que vem do alto é pura, mas também pacífica, e os que resistem à verdade não devem ser cortados, e sim instruídos com mansidão (2 Timóteo 2:25). Se o joio for conservado debaixo dos meios de graça, ainda pode tornar-se bom grão; por isso, seja paciente com ele.
A ceifa é o fim do mundo (Mateus 13:39).
Este mundo terá um fim. Pode durar muito, mas não durará para sempre. Logo o tempo será engolido pela eternidade. No fim do mundo haverá um grande dia de ceifa, um dia de juízo. No tempo da colheita, tudo está maduro e pronto para ser cortado, e assim tanto os bons como os maus estarão prontos para aquele grande dia (Apocalipse 6:11).
É chamada a ceifa da terra (Apocalipse 14:15). Na colheita, os ceifeiros cortam tudo o que está diante deles, sem deixar campo nem canto esquecido. Do mesmo modo, naquele grande dia todos terão de ser julgados (Apocalipse 20:12, 20:13). Deus determinou um dia de ceifa (Oséias 6:11), e ele não falhará (Gênesis 8:22). Na ceifa, cada um colhe o que semeou. O terreno, a semente, a habilidade e o trabalho de cada um serão claramente manifestos (Gálatas 6:7, 6:8).
Então os que semearam semente preciosa voltarão com alegria e grande regozijo, com a alegria da colheita (Salmo 126:5, 6; Isaías 9:3). Mas o preguiçoso, que não quis lavrar por causa do frio, pedirá, e nada receberá (Provérbios 20:4). Clamará: “Senhor, Senhor”, mas será tarde demais. Para os que semearam para a carne, aquela colheita será de tristeza e desespero (Isaías 17:11).
Os ceifeiros são os anjos. No grande dia, eles executarão os justos juízos de Cristo, tanto aprovando os justos como condenando os ímpios, como servos de sua justiça (Mateus 25:31). Os anjos são aptos para esse trabalho porque são sábios, fortes, rápidos e obedientes a Cristo. São inimigos santos dos ímpios e amigos fiéis de todos os santos. O que ceifa recebe galardão, e os anjos não servirão sem recompensa, pois “o que semeia e o que ceifa juntamente se alegrarão” (João 4:36). Há alegria no céu na presença dos anjos de Deus.
Os tormentos do inferno são o fogo em que o joio será então lançado, e ali será queimado. Naquele grande dia será feita uma separação clara, e a diferença será enorme. Será um dia extraordinário. Primeiro o joio será ajuntado. Ainda que neste mundo bons e maus estejam misturados, então serão separados. Não haverá joio entre o trigo, nem pecadores entre os santos. Então se verá claramente a diferença entre o justo e o ímpio, que agora muitas vezes é difícil de perceber (Malaquias 3:18; 4:1). Cristo não reterá para sempre o seu juízo (Salmo 50:1, etc.). Serão ajuntados do seu reino todos os que servem de tropeço e os que praticam a iniquidade. Quando ele começar, levará a obra à completa consumação.
Todos os ensinamentos, cultos e práticas corrompidos que têm ofendido, escandalizado a igreja ou feito tropeçar as consciências serão condenados naquele dia pelo justo Juiz e consumidos pelo resplendor de sua vinda. Toda a madeira, o feno e a palha serão queimados (1 Coríntios 3:12). Ai dos que praticam o mal, fazem disso o seu negócio e perseveram nele. Isso não se aplica apenas aos que viverem na última época do reino de Cristo na terra, mas a pessoas de todas as eras. Isso também pode aludir a Sofonias 1:3: “Consumirei os tropeçadores juntamente com os ímpios.”
Então serão atados em feixes. Os pecadores do mesmo tipo serão agrupados no grande dia: um feixe de ateus, um feixe de amantes dos prazeres, um feixe de perseguidores e um grande feixe de hipócritas. Aqueles que foram companheiros no pecado também estarão juntos na vergonha e no sofrimento. Isso tornará a sua miséria ainda pior, assim como a companhia dos santos glorificados aumentará a alegria dos bem-aventurados. Devemos orar como Davi: “Não colhas a minha alma com os pecadores” (Salmo 26:9), mas que ela seja atada no feixe dos que vivem, junto do Senhor nosso Deus (1 Samuel 25:29).
Depois serão lançados na fornalha de fogo. Esse será o fim dos ímpios e nocivos que estão na igreja como joio no campo. Não servem para outra coisa senão para o fogo, e é para lá que irão. O inferno é uma fornalha de fogo, acesa pela ira de Deus e mantida acesa pelos feixes de joio lançados ali. Estarão debaixo de juízos consumadores para sempre, e ainda assim nunca destruídos. A figura se abre então para a realidade que ela representa: ali haverá pranto e ranger de dentes. Isso significa tristeza sem consolo e amarga ira contra Deus, contra si mesmos e uns contra os outros. Esse será o tormento sem fim das almas perdidas. Conhecendo esses terrores do Senhor, sejamos persuadidos a não praticar o mal.
O céu é o celeiro em que todo o trigo de Deus será recolhido naquele dia de ceifa. “Ajuntai o trigo no meu celeiro”, diz a parábola (Mateus 13:30). No campo deste mundo, as pessoas piedosas são o trigo, o grão mais valioso e a melhor parte do campo. Esse trigo em breve será colhido, separado do meio do joio e das ervas daninhas. Todos serão reunidos numa grande assembleia, todos os santos do Antigo Testamento e todos os santos do Novo Testamento, sem faltar nenhum. “Ajuntai-me os meus santos” (Salmo 50:5).
Todo o trigo de Deus será recolhido junto no celeiro de Deus. Quando crentes individuais morrem, são recolhidos como um feixe de espigas maduras (Jó 5:26). Mas o grande ajuntamento será no fim dos tempos. Então o trigo de Deus será reunido e já não ficará espalhado. Haverá molhos de trigo, assim como feixes de joio. Eles estarão seguros, não mais expostos a ventos e tempestades, ao pecado e à dor. Não estarão mais longe, no campo, mas perto, no celeiro. O céu também é um depósito, um lugar de armazenar o trigo (Mateus 3:12). Ali o trigo será separado não só de más companhias, mas também da palha do próprio pecado restante.
Na explicação da parábola, isso é mostrado de maneira gloriosa: “Então os justos resplandecerão como o sol no reino de seu Pai” (Mateus 13:43). Primeiro, a honra presente deles é que Deus é seu Pai. “Agora somos filhos de Deus” (1 João 3:2). Nosso Pai que está nos céus é Rei ali. Quando Cristo subiu ao céu, foi para seu Pai e nosso Pai (João 20:17). É a casa de nosso Pai, na verdade, o palácio de nosso Pai, seu trono (Apocalipse 3:21). Depois, a honra que os aguarda é que eles resplandecerão como o sol nesse reino.
Aqui, eles muitas vezes estão escondidos e são pouco notados (Colossenses 3:3). A sua beleza é encoberta pela pobreza, por uma condição externa humilde, por suas próprias fraquezas e pela vergonha que outros lançam sobre eles. Mas então eles brilharão como o sol surgindo de trás de uma nuvem escura. Na morte, brilharão para si mesmos. No grande dia, brilharão publicamente diante de todo o mundo. Seus corpos serão transformados, conformes ao corpo glorioso de Cristo. Brilharão por reflexão, com a luz tomada emprestada da Fonte da luz. Sua santificação, isto é, serem feitos santos, será completada, e sua justificação, isto é, serem declarados justos diante de Deus, será manifestada em público. Deus os reconhecerá como seus filhos e trará à luz o registro de todo o seu serviço e sofrimento por causa do seu nome. Eles brilharão como o sol, a mais gloriosa de todas as coisas visíveis.
No Antigo Testamento a glória dos santos foi comparada ao firmamento e às estrelas, mas aqui é comparada ao sol. A razão é que o evangelho traz a vida e a imortalidade à luz de modo muito mais claro do que a lei fazia. Aqueles que brilham como luminárias neste mundo, de maneira que Deus seja honrado, brilharão como o sol no mundo vindouro, de maneira que eles também sejam honrados.
Nosso Salvador conclui, como já havia feito antes, com um chamado à atenção: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça”. São coisas que somos bem-aventurados por ouvir, e é nosso dever dar-lhes atenta consideração.
Segue a parábola do grão de mostarda (Mateus 13:31, Mateus 13:32). Seu ponto é que o evangelho começaria de modo pequeno, mas cresceria grandemente no fim. Assim, a igreja do evangelho, o reino de Deus entre nós, seria estabelecido no mundo. Do mesmo modo, a obra da graça no coração, o reino de Deus dentro de nós, cresceria em cada pessoa.
A obra do evangelho costuma ser muito fraca e pequena no começo, como um grão de mostarda, uma das menores sementes. O reino do Messias, que então estava sendo estabelecido, parecia causar apenas pequena impressão. Cristo e os apóstolos, em comparação com os grandes do mundo, pareciam um grão de mostarda, fracos aos olhos do mundo. Em lugares específicos, o primeiro surgimento da luz do evangelho é apenas como o amanhecer do dia. Em almas individuais, é inicialmente o dia das coisas pequenas, como a cana trilhada. Crentes jovens são como cordeirinhos que precisam ser carregados em seus braços (Isaías 40:11). Há alguma fé, mas ainda falta muito nela (1 Tessalonicenses 3:10), e há gemidos inexprimíveis, tão pequenos que mal podem ser notados. Há um princípio de vida espiritual e algum movimento, mas quase invisível.
No entanto, cresce e avança. O reino de Cristo ganhou terreno de maneira admirável. Grandes acréscimos lhe foram feitos, e nações inteiras foram trazidas de uma vez, apesar de toda a oposição do inferno e da terra. Em uma alma onde a graça é real, ela também crescerá, ainda que talvez tão lentamente que mal se perceba. Um grão de mostarda é pequeno, mas ainda é semente, e tem em si uma natureza que o leva a crescer. A graça continua avançando e brilhando mais e mais (Provérbios 4:18). Hábitos santos se fortalecem, ações se tornam mais prontas, o conhecimento mais claro, a fé mais firme, e o amor mais fervoroso. É a semente crescendo.
Por fim, chega a grande força e utilidade. Quando amadurece, torna-se uma árvore, bem maior naquelas terras do que nas nossas. A igreja, como a videira tirada do Egito, lançou raízes e encheu a terra (Salmo 80:9-11). A igreja é como uma grande árvore, em cujos ramos as aves do céu vêm pousar. O povo de Deus encontra nela alimento e descanso, sombra e abrigo. Em pessoas individuais, o princípio da graça, se for verdadeiro, permanecerá e será aperfeiçoado no fim. Graça crescente se tornará graça forte e realizará muito. Crentes maduros devem desejar ser úteis aos outros, como a planta de mostarda crescida o é para as aves, de modo que os que vivem perto deles, ou debaixo de sua sombra, sejam ajudados por eles (Oséias 14:7).
Vem, então, a parábola do fermento (Mateus 13:33). Seu objetivo é muito semelhante ao da parábola anterior. Mostra que o evangelho se espalharia e teria êxito pouco a pouco, mas de modo silencioso e quase imperceptível. A pregação do evangelho é como o fermento, e opera como fermento no coração dos que o recebem.
Uma mulher tomou o fermento, portanto isso é apresentado como obra dela. Os ministros são usados para “levedar” lugares e almas com o evangelho. A mulher é o vaso mais fraco, e temos esse tesouro em vasos fracos. O fermento foi escondido em três medidas de farinha. O coração é como a farinha, macio e pronto para ser moldado. Um coração tenro está mais pronto a aproveitar a palavra. O fermento não atua no grão ainda inteiro, e o evangelho não opera em almas que não foram humilhadas e quebrantadas por causa do pecado. A lei moe o coração, e então o evangelho o leveda. Eram três medidas de farinha, uma grande quantidade, porque um pouco de fermento leveda toda a massa. A farinha precisava ser amassada antes de receber o fermento. Da mesma forma, nossos corações precisam ser quebrantados e amolecidos, e é preciso esforço para prepará-los para a palavra, a fim de que possam sentir seus efeitos.
O fermento deve ser escondido no coração (Salmo 119:11), não principalmente por segredo, pois ele se manifestará, mas por segurança. Nossos pensamentos íntimos devem fixar-se nele, e devemos guardá-lo, como Maria guardava as palavras de Cristo (Lucas 2:51). Quando a mulher esconde o fermento na farinha, ela tenciona que ele dê à massa seu sabor e qualidade. Assim também devemos guardar a palavra em nossa alma, para que por meio dela sejamos santificados (João 17:17).
Uma vez escondido o fermento na massa, ele ali age e a faz fermentar. A palavra é viva e eficaz (Hebreus 4:12). O fermento trabalha depressa, e a palavra também, ainda que normalmente por graus. Que mudança repentina fez a capa de Elias em Eliseu (1 Reis 19:20)! A obra é silenciosa e, a princípio, não percebida (Marcos 4:26), mas é forte e irresistível. Opera sem barulho, pois assim é o modo de agir do Espírito, mas não falha. Esconda-se o fermento na massa, e ninguém pode impedir que ele lhe dê novo sabor e nova qualidade, embora ninguém veja exatamente como isso se dá. Aos poucos, toda a massa fica levedada.
Assim aconteceu no mundo. Os apóstolos, pela sua pregação, esconderam um punhado de fermento na grande massa da humanidade, e isso produziu um efeito espantoso. Agitou o mundo e, de certo modo, o transtornou (Atos 17:6). Pouco a pouco, operou uma mudança admirável em seu “sabor” e qualidade: o bom perfume do evangelho se fez conhecer em todos os lugares (2 Coríntios 2:14; Romanos 15:19). Ele não atuou por força exterior, nem portanto por força que pudesse ser resistida e derrotada, mas pelo Espírito do Senhor dos Exércitos, que opera e não pode ser impedido.
Assim também é no coração. Quando o evangelho entra na alma, produz uma mudança, não na substância, mas no caráter. A massa continua a mesma, mas sua qualidade muda. Passamos a ter prazer em coisas diferentes do que antes, e também a enxergar de outro modo as demais coisas (Romanos 8:5). Ele produz uma mudança de vida inteira, estendendo-se a todas as faculdades da alma e até mudando o uso dos membros do corpo (Romanos 6:13). Essa mudança faz a alma participar da natureza da palavra, assim como a massa participa da natureza do fermento. Somos entregues a ela como a um molde (Romanos 6:17) e somos transformados na mesma imagem (2 Coríntios 3:18), como um sinete impresso na cera. O evangelho traz em si o sabor de Deus, de Cristo, da graça gratuita e do mundo por vir, e agora essas coisas se tornam agradáveis à alma. É palavra de fé, arrependimento, santidade e amor, e essas mesmas coisas são produzidas pela palavra na alma.
Esse sabor é transmitido de modo silencioso, porque nossa vida está escondida, mas é também duradouro, porque a graça é um dom excelente que nunca será tirado dos que a possuem. Quando a massa está totalmente levedada, está pronta para o forno. Provações e aflições geralmente acompanham essa mudança, mas assim os santos são preparados para ser pão na mesa do nosso Mestre.
Deste capítulo
Mateus 13:1
"Naquele dia, Jesus saiu e sentou-se à beira do lago."
Mateus 13:2
"Porém, uma multidão tão grande se reuniu ao redor dele que ele precisou entrar numa barca. Nela se sentou, enquanto a multidão permanecia à margem."
Mateus 13:3
"E seus discursos foram uma série de parábolas."
Mateus 13:4
"Ele disse: “Um semeador saiu para semear. Enquanto semeava, parte da semente caiu ao longo do caminho; os pássaros vieram e a comeram."
Mateus 13:5
"Outra parte caiu em solo pedregoso, onde não havia muita terra, e brotou logo, porque a terra era pouco profunda."
Mateus 13:6
"Porém, assim que o sol nasceu, ela se queimou por não ter raízes."
Oração diária
Receba uma reflexão bíblica diária por e-mail
Comece cada manhã com um versículo, uma oração e um próximo passo simples.
Aviso importante: Esta orientação bíblica não substitui cuidados profissionais de saúde mental. Se você estiver com sintomas de crise, ligue para 188 (CVV) no Brasil ou 988 nos EUA, ou procure ajuda profissional imediatamente.
Bible Guided oferece orientação baseada na fé e deve complementar, não substituir, apoio terapêutico profissional.