Versículo em destaque
Levítico 25:23 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" “A terra não será vendida para sempre, porque a terra é minha, e vocês estão em minha casa como estrangeiros ou hóspedes. "
Levítico 25:23
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
21 Eu darei a vocês a minha bênção no sexto ano, e a terra produzirá uma colheita para três anos.
22 Vocês semearão no oitavo ano e comerão da antiga colheita até o ano-novo: comerão da antiga colheita até que venha a nova”.
23 “A terra não será vendida para sempre, porque a terra é minha, e vocês estão em minha casa como estrangeiros ou hóspedes.
24 Portanto, em todo o território da propriedade de vocês, concederão o direito de resgatar a terra.
25 Se o seu irmão se tornar pobre e vender uma parte do seu bem, seu parente mais próximo que tiver o direito de resgate se apresentará e resgatará o que o seu irmão vendeu.
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Aqui é estabelecida uma lei sobre as propriedades dos israelitas em Canaã e sobre como poderiam ser transferidas. Nenhuma porção de terra deveria ser vendida para sempre, saindo da família que a recebeu quando a terra foi repartida. A razão é dada com clareza: “porque a terra é minha; pois vós sois estrangeiros e peregrinos comigo” (Levítico 25:23). Como Deus tinha um direito especial sobre aquela terra, ele usou essa regra para lembrá-los disso. Quem se entregou a Deus, e com sua própria pessoa tudo o que tem, precisa reconhecer que seus bens estão de modo especial debaixo do governo dele.
Como eles eram apenas estrangeiros e peregrinos com Deus naquela terra, e como o tabernáculo dele estava entre eles, abrir mão de sua parte na terra era quase como se desligar da comunhão com Deus. Aquela terra era um sinal da presença de Deus com eles. É por isso que Nabote preferiu enfrentar a ira de um rei a entregar a herança de seus pais (1 Reis 21:3).
Se um homem fosse forçado pela pobreza a vender sua terra para sustentar a família, ele ainda poderia comprá-la de volta antes do ano do jubileu, se mais tarde viesse a ter condições para isso (Levítico 25:24, Levítico 25:26, Levítico 25:27). O preço deveria ser calculado contando os anos que tinham passado desde a venda e os anos que faltavam até o jubileu. Se o próprio homem não pudesse resgatar a terra, o parente mais próximo poderia fazê-lo por ele (Levítico 25:25). A palavra hebraica para esse parente significa “remidor” e era usada para designar quem tinha o direito de readquirir a propriedade perdida da família (Números 5:8; Rute 3:9).
Isso apontava para Cristo, que assumiu a nossa natureza humana para se tornar nosso parente, osso dos nossos ossos e carne da nossa carne. Ele é o único parente capaz de fazer essa obra, por isso o direito de redenção pertence a ele. Quanto a todos os outros possíveis ajudadores, “seu sapato deve ser tirado” (Rute 4:6, Rute 4:7), pois não podem nos redimir. Cristo pode redimir, e ele de fato resgatou a herança que havíamos perdido e vendido pelo pecado. Ele a restitui àqueles que se unem a ele pela fé. “Porque eu sei que o meu Redentor vive” (Jó 19:25). Alguns também veem nesse dever do parente-remidor uma lição de amor fraternal entre os cristãos, motivando-os a restaurar, com espírito de mansidão, aqueles que caíram.
Se a terra não fosse resgatada antes do ano do jubileu, por força da lei ela retornaria àquele que a tinha vendido ou hipotecado. “No ano do jubileu sairá” (Levítico 25:28). Isso é uma figura da graça gratuita de Deus para conosco em Cristo. É por essa graça, e não por qualquer pagamento ou mérito nosso, que somos reconduzidos ao favor de Deus e recebemos de novo a esperança do paraíso, do qual nossos primeiros pais, e nós neles, fomos expulsos pela desobediência.
Também se fez distinção entre casas em cidades muradas e terras no campo, ou casas em povoados. As casas em cidades muradas eram, em maior medida, fruto do trabalho e da indústria humana, enquanto as terras do campo eram um dom direto da generosidade de Deus. Assim, se um homem vendesse uma casa na cidade, poderia resgatá-la em qualquer momento dentro de um ano após a venda. Passado esse prazo, a casa ficava definitivamente para o comprador e não retornava nem mesmo no ano do jubileu (Levítico 25:29, Levítico 25:30). Essa regra incentivava estrangeiros e convertidos a se estabelecerem entre eles. Eles não podiam comprar terras em Canaã para si e para seus herdeiros, mas podiam comprar casas em cidades muradas, o que era adequado para quem vivia do comércio. Já as casas do campo eram tratadas como a terra.
Uma exceção especial foi feita para os levitas, a tribo separada para o serviço do tabernáculo. As casas deles nas cidades podiam ser resgatadas a qualquer tempo e, se não fossem resgatadas, retornariam no jubileu (Levítico 25:32, Levítico 25:33). Como os levitas não tinham outra propriedade além de suas cidades e dos campos ao seu redor, Deus mostrou que estavam sob seu cuidado especial. Também era importante para o bem público que eles não ficassem empobrecidos nem fossem expulsos de sua herança. Seus campos ao redor das cidades (Números 35:4, Números 35:5) não deviam ser vendidos de forma alguma, porque não pertenciam a um só levita, mas à cidade levítica como um todo. A tribo não poderia aliená-los sem se prejudicar, de modo que, se um campo desses fosse vendido, a venda era nula (Levítico 25:34). Até os egípcios cuidaram de proteger as terras de seus sacerdotes (Gênesis 47:22). Com muito mais razão, governos cristãos deveriam dar proteção especial ao sustento do ministério do evangelho.
A lei seguinte trata de socorrer os pobres e tratar com bondade os devedores necessitados. Isso tem um caráter mais geral e duradouro do que as regras sobre a terra. Se teu irmão empobrecer, deves ajudá-lo (Levítico 25:35). Isso inclui não só o irmão por nação, como judeu, mas o irmão por natureza, como ser humano, pois o versículo logo fala também do estrangeiro e do peregrino. Todos devem ser tratados como irmãos, porque todos temos um mesmo Pai (Malaquias 2:10). Mesmo que o homem seja pobre, ele continua sendo teu irmão, e deves amá-lo e reconhecê-lo como tal. A pobreza não desfaz o vínculo entre as pessoas. Embora seja filho de Abraão, ele pode empobrecer e cair em grandes dificuldades. A pobreza e a perda são fardos pesados e muito comuns, como Jesus disse: “os pobres sempre os tendes convosco”.
O dever é claro: “sustentá-lo-ás”. Devemos socorrer os pobres com simpatia, compadecendo-nos deles; com serviço, fazendo por eles o que pudermos; e com ofertas, segundo a necessidade deles e a nossa possibilidade. Os devedores pobres também não devem ser tratados com dureza. Se teu irmão empobrecer e precisar tomar emprestado de ti para sustentar a família, não deves cobrar juros dele, seja o empréstimo em dinheiro, seja em mantimento (Levítico 25:36, Levítico 25:37). Esse princípio permanece em sua finalidade, ainda que nunca tenha sido dado para proibir empréstimos justos destinados a comércio, compra de terras ou outros investimentos, nos quais o credor pode, legitimamente, participar do lucro.
A lei visa proteger o pobre, e para ele muitas vezes é tão grande bondade emprestar sem interesse quanto dar. São apresentadas várias razões contra a avareza e a exploração. O próprio Deus protege o pobre: “teme o teu Deus”, que julgará todo agravo feito a eles. Talvez você não tema o pobre, mas deve temer a Deus. Deve-se ajudar o pobre para que ele possa viver ao teu lado e, de alguma forma, também possa ser útil a ti. O rico não pode dispensar o trabalho do pobre, assim como o pobre não pode dispensar o dinheiro do rico. A mesma razão dada nos Dez Mandamentos é repetida aqui: “Eu sou o Senhor vosso Deus, que vos tirei da terra do Egito” (Levítico 25:38). Quem recebeu misericórdia deve mostrar misericórdia. Se Deus tem sido bondoso conosco, não devemos ser duros com nossos irmãos.
Deste capítulo
Levítico 25:1
"O Senhor disse a Moisés no monte Sinai: “Diga aos israelitas o seguinte:"
Levítico 25:2
"Quando vocês tiverem entrado na terra que lhes hei de dar, a terra repousará: esse será um sábado em honra do Senhor."
Levítico 25:3
"Durante seis anos você semeará a sua terra, durante seis anos podará a sua vinha e recolherá os seus frutos."
Levítico 25:4
"Mas o sétimo ano será um sábado, um repouso para a terra, um sábado em honra do Senhor: você não semeará o seu campo nem podará a sua vinha;"
Levítico 25:5
"não colherá o que nascer dos grãos caídos da sua ceifa, nem as uvas da sua vinha não podada, porque é um ano de repouso para a terra."
Levítico 25:6
"Mas o que a terra der espontaneamente durante o seu sábado servirá de alimento a vocês, a você, ao seu servo e à sua serva, ao seu operário ou ao estrangeiro que mora com você;"
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