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Juízes 4:17 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" Sísara, fugindo a pé, chegou à tenda de Jael, mulher de Héber, o cineu, porque havia paz entre Jabin, rei de Asor, e a casa de Héber, o cineu. "

Juízes 4:17

menu_book Versículo no contexto

15 E o Senhor desbaratou Sísara com todos os seus carros e todo o seu exército, que caíram a fio de espada diante de Barac. Sísara saltou de seu carro e fugiu a pé,

16 enquanto Barac perseguia os carros e o exército até Haroset-Goim. Todo o exército de Sísara foi passado a fio de espada, sem que escapasse um só homem.

17 Sísara, fugindo a pé, chegou à tenda de Jael, mulher de Héber, o cineu, porque havia paz entre Jabin, rei de Asor, e a casa de Héber, o cineu.

18 Jael saiu ao encontro de Sísara e lhe disse: “Entre, meu senhor, em minha casa e não tenha medo”. Ele entrou na tenda, e ela o escondeu debaixo de um manto.

19 Ele disse à mulher: “Peço que você me dê um pouco de água, porque estou com sede”. Ela abriu um odre de leite, deu-lhe de beber e tornou a cobri-lo.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Já vimos o exército cananeu completamente derrotado. O Salmo 83:9-10 até aponta para essa derrota como um modelo de como Deus pode tratar seus inimigos em tempos posteriores. Aqui vemos a queda do seu general, Sísera, capitão do exército. Jabim, o rei, provavelmente confiava plenamente nele e não esteve presente na batalha.

Podemos seguir os passos da queda desse homem poderoso. Primeiro, ele desceu do carro e fugiu a pé (Juízes 4:15, Juízes 4:17). Seus carros haviam sido o seu orgulho e a sua confiança. É provável que tenha desprezado o exército do Deus vivo, porque os israelitas lutavam a pé e não tinham carros nem cavalos como ele. Agora ele é envergonhado justamente pela coisa em que confiava, e precisa abandoná-la. Os que se apoiam nas coisas criadas costumam ser desapontados. O que parece forte pode se revelar como um caniço quebrado, que não só se parte, mas fere a mão que nele se apoia. Um ídolo pode rapidamente se tornar um fardo (Isaías 46:1), e aquilo que um dia corremos atrás, Deus pode fazer com que nos cansemos dele.

Sísera devia parecer miserável depois de ser lançado fora do seu carro. É difícil dizer se ele corava de vergonha ou tremia mais de medo. Não se deve confiar em príncipes, pois quem há pouco confiava em sua própria força pode ser rapidamente obrigado a fugir a pé.

Em segundo lugar, ele correu em busca de abrigo às tendas dos queneus. Não tinha fortaleza nem casa por perto onde pudesse se esconder. A vida simples e quieta dos queneus talvez já lhe tivesse parecido pobre ou tola, especialmente porque mantinham a verdadeira religião entre eles. Mas agora se alegra em buscar refúgio numa de suas tendas. Ele escolhe a tenda ou o espaço da mulher, talvez porque parecesse menos suspeito ou por ser simplesmente a primeira que encontrou (Juízes 4:17).

O que o animou a ir para lá foi o fato de que havia paz, naquele tempo, entre o seu senhor e a casa de Héber. Não se tratava de uma aliança formal para todos os casos, mas apenas de ausência momentânea de hostilidades. Jabim não oprimia os queneus como oprimia Israel, e o modo de vida quieto e inofensivo deles talvez os mantivesse fora de vista. Deus também pode ter ordenado as coisas assim como recompensa pela fidelidade constante deles à verdadeira religião. Sísera pensou que estaria seguro entre eles, mas não considerou que, ainda que não estivessem sofrendo sob a mão de Jabim, ainda assim se importavam profundamente com o povo de Deus.

Em terceiro lugar, Jael, mulher de Héber, convidou-o a entrar e o tratou com bondade. É provável que ela estivesse de pé à porta da tenda, perguntando notícias da batalha ali perto. Ela o convidou a entrar e descansar. Pode ser que estivesse desejosa de ter oportunidade de socorrer qualquer israelita em aperto, caso fosse necessário. Mas, vendo Sísera entrar apressado e ofegante, recebeu-o em sua tenda e, ao fazer isso, talvez tivesse apenas a intenção de atrasar sua fuga para que Baraque pudesse alcançá-lo (Juízes 4:18).

Ela cuidou muito para deixá-lo à vontade, como se fosse um hóspede de honra. Se ele estava cansado, deu-lhe um bom lugar para se deitar e recuperar as forças. Se tinha sede, deu-lhe leite, a melhor bebida que sua tenda podia oferecer (Juízes 4:19). Provavelmente ele bebeu em abundância e, com isso, ficou sonolento. Se estava com frio, ou queria permanecer oculto de qualquer um que viesse procurar na tenda, ela o cobriu com uma coberta. Cada gesto passava a impressão de que ela vigiava por sua segurança.

Só quando ele pediu que ela mentisse por ele, dizendo que ele não estava ali, é que ela não se comprometeu com isso (Juízes 4:20). Não devemos pecar contra Deus nem mesmo para agradar aqueles a quem queremos tratar com bondade. Também podemos supor que ela tenha mantido a tenda o mais silenciosa possível, para que ele adormecesse logo e continuasse dormindo. Sísera estava menos seguro justamente quando se julgava mais seguro. A vida humana é incerta, e pode ser traída pelos próprios em quem confiamos. Aqueles de quem esperávamos proteção podem se tornar os que nos destroem. Muito melhor é fazer de Deus o nosso amigo, pois ele não engana.

Em quarto lugar, enquanto ele dormia profundamente, ela cravou um grande prego de tenda em suas têmporas e pregou sua cabeça no chão, matando-o (Juízes 4:21). Isso bastou para concluir o assunto e, se Juízes 5:26 for entendido corretamente, depois ela lhe cortou a cabeça, deixando-a ali pregada. Não nos é dito se ela planejou isso desde o primeiro convite. Mais provável é que o pensamento lhe tenha vindo quando viu como seria fácil abatê-lo. Se foi assim, ela deve ter percebido que esse impulso não vinha de Satanás, que busca o homicídio e a ruína, mas de Deus, que julga e vinga. O pensamento veio acompanhado de luz suficiente para lhe mostrar a honra de Deus e o livramento de Israel, e não as trevas do ódio, da vingança ou da maldade pessoal.

Foi o poder de Deus que a capacitou a fazer isso e lhe deu coragem além da força humana comum. E se a mão dela tivesse tremido, ou se tivesse errado o golpe? E se ele tivesse despertado enquanto ela o feria? E se alguns de seus homens tivessem seguido seu rastro e a encontrassem executando o ato? No entanto, com a ajuda de Deus, ela o realizou com êxito. Também foi a autorização de Deus que tornou seu ato, naquele momento, correto. Como hoje ninguém pode alegar ordens especiais desse tipo, tal feito não deve ser imitado na vida comum. Os deveres de amizade e hospitalidade precisam ser cuidadosamente preservados, e devemos abominar a ideia de trair quem acolhemos e fizemos confiar em nós.

Assim como com Eúde, no capítulo anterior, temos razões para pensar que Jael soube que um impulso divino a movia, e que isso foi suficiente para satisfazer sua consciência, e também a nossa, de que o que ela fez foi justo. Os juízos de Deus são profundos e vão além de plena compreensão. O instrumento que ela usou foi um pino de tenda, um dos grandes pregos usados para firmá-la. Como ela frequentemente mudava de lugar com sua tenda, estava acostumada a cravar esses pregos e, portanto, sabia como usá-los bem nesta grande ocasião.

O homem que planejava destruir Israel com seus muitos carros de ferro é destruído por um só prego de ferro. Dessa forma, Deus usa coisas fracas para envergonhar as fortes. Vemos aqui a honra de Jael e a desgraça de Sísera.

O grande comandante morre dormindo, profundamente adormecido e exausto. Isso explica por que não se mexeu para se defender. O sono o havia ligado de tal maneira que ele não pôde nem usar as mãos. Assim, os de coração valente são despojados pela repreensão de Deus e caem em sono profundo, até no seu sono final (Salmo 76:5-6). Os fortes não devem se gloriar na sua força, pois, quando dormem, de que lhes serve ela? No sono, o homem é indefeso, e até uma criança pode feri-lo ou tirar-lhe a vida. Contudo, se não dormir, logo se fatiga e também nada pode fazer.

As palavras que lemos aqui entre parênteses, “porque estava cansado”, são entendidas de forma um pouco diferente em algumas antigas versões da Bíblia. Algumas trazem: “ele se debateu” ou “ele estremeceu e morreu”, como o siríaco e o árabe. A versão grega diz: “ele desmaiou e morreu”. A versão latina aproxima muito o sono da morte, pois são experiências bem próximas. Em todos os casos, o sentido é o mesmo: ele desfaleceu e morreu.

Ele também morre com a cabeça pregada ao chão, o que é uma figura de sua mente terrena, de sua vida fixada nas coisas deste mundo. Seu ouvido, como observa o bispo Hall, estava preso à terra, como se seu corpo escutasse o que havia acontecido com sua alma. Ele também morre pela mão de uma mulher. Isso tornou sua morte mais vergonhosa aos olhos dos homens, e, se ele o tivesse sabido de antemão, como Abimeleque (Juízes 9:54), provavelmente isso teria tornado seu próprio coração ainda mais amargo.

Agora chegamos à glória e à alegria de Israel. Baraque, seu líder, encontra o inimigo já morto (Juízes 4:22), e sem dúvida deve ter ficado contente em ver a obra tão bem realizada por ele, para glória de Deus e confusão de seus inimigos. Se estivesse demasiadamente preocupado com sua própria honra, poderia ter recebido mal o fato de outra mão ter matado o general inimigo. Mas ele se lembrou de que essa perda de honra pessoal fazia parte do que lhe havia sido anunciado, porque insistira que Débora fosse com ele: “o Senhor entregará Sísera nas mãos de uma mulher”. Naquele momento, ninguém teria imaginado que essa palavra se cumpriria de maneira tão extraordinária.

Israel é completamente liberto de Jabim, rei de Canaã (Juízes 4:23-24). Eles não apenas quebram o seu jugo nessa vitória, mas depois continuam lutando até que ele seja destruído. Deus já havia marcado a ele e ao seu povo para a ruína, e não deveriam ser poupados. Os israelitas já tinham sofrido antes por não terem destruído esses cananeus, mesmo depois de Deus lhes ter ordenado isso e lhes ter dado capacidade para fazê-lo. Agora, porém, decidem não lhes mostrar mais misericórdia.

Poupá‑los seria ir contra a própria segurança de Israel e contra o mandamento de Deus. Talvez por isso o escritor cite esse inimigo três vezes nesses dois versículos e o chame de rei de Canaã: porque, como rei de Canaã, ele estava destinado à destruição. Ele é destruído de modo tão completo que não se volta a ouvir falar de reis de Canaã depois disso. Os filhos de Israel poderiam ter sido poupados de muitos problemas se tivessem destruído esses cananeus mais cedo, conforme Deus lhes havia ordenado. Mas é melhor tornar‑se sábio tardiamente, ainda que a sabedoria venha por meio de experiências dolorosas, do que nunca chegar à verdadeira sabedoria.

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