Versículo em destaque
João 12:20 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Havia alguns gregos entre os que subiram para adorar durante a festa. "
João 12:20
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
18 Por isso, o povo saía ao encontro dele, porque tinha ouvido que Jesus havia feito aquele milagre.
19 Mas os fariseus disseram entre si: “Vejam! Nada adiantou! Reparem que todo o mundo corre atrás dele!”
20 Havia alguns gregos entre os que subiram para adorar durante a festa.
21 Eles se aproximaram de Filipe (aquele de Betsaida da Galileia) e lhe pediram: “Senhor, gostaríamos de ver Jesus”.
22 Filipe foi e falou com André. Então André e Filipe disseram isso ao Senhor.
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Aqui é prestada honra a Cristo por alguns gregos que vieram com respeito e desejavam falar com Ele. Não nos é dito em qual dia da última semana de Cristo isso aconteceu. Provavelmente não foi no mesmo dia em que Ele entrou em Jerusalém montado no jumentinho, pois aquele dia foi tomado por atividades públicas, mas talvez um ou dois dias depois.
Primeiro, somos informados quem eram esses homens que prestaram essa honra ao Senhor Jesus: alguns gregos que tinham subido para adorar no dia da festa (João 12:20). Alguns entendem que fossem judeus da dispersão, isto é, judeus espalhados entre os gentios, chamados de gregos ou judeus helenistas. Outros pensam que eram gentios, os chamados prosélitos da porta, como o eunuco etíope e Cornélio. A religião natural, em sua forma mais pura, encontrava seu melhor auxílio entre os judeus; por isso gentios piedosos participavam de suas reuniões solenes até onde lhes era permitido.
Havia adoradores sinceros do Deus verdadeiro mesmo entre os que estavam fora da comunidade de Israel. Nos últimos tempos da igreja judaica, muitos gentios vinham ao templo em Jerusalém. Isso era um sinal feliz de que o muro entre judeus e gentios um dia seria derrubado. Embora esses gregos, se não fossem circuncidados, não pudessem comer a páscoa, ainda assim subiam para adorar na festa. Devemos usar com gratidão os privilégios que temos, mesmo quando somos impedidos de participar de outros.
Segundo, somos informados que tipo de honra prestaram a Cristo: desejavam conhecê‑lo melhor (João 12:21). Já que tinham subido para adorar na festa, queriam aproveitar ao máximo aquele tempo. Por isso procuraram Filipe e lhe pediram que os colocasse em contato pessoal com o Senhor Jesus, para que pudessem falar com Ele.
Tendo o desejo de ver a Cristo, foram ativos em usar os meios corretos. Não concluíram que seria impossível chegar perto dEle apenas porque a multidão era grande. Não ficaram apenas no desejo, mas procuraram agir. Quem quer o conhecimento de Cristo deve buscá‑lo.
Eles foram a Filipe, um de seus discípulos. Alguns pensam que já o conheciam, talvez por morarem perto de Betsaida, na Galileia dos gentios. Se assim foi, aprendemos que devemos usar nossas amizades com pessoas piedosas para crescer no conhecimento de Cristo. É bom conhecer aqueles que conhecem o Senhor. Mas, se esses gregos eram de perto da Galileia, provavelmente já teriam encontrado o próprio Cristo ali, onde Ele costumava permanecer. Assim, parece mais provável que tenham recorrido a Filipe simplesmente por ele ser o primeiro discípulo a quem conseguiram acesso.
O pedido deles demonstrou respeito por Cristo. Fizeram uso de um de seus seguidores para ter oportunidade de falar com Ele, o que mostra que o viam como alguém grande, ainda que sua aparência fosse comum. Quem quer ver Jesus pela fé, agora que Ele está no céu, deve recorrer aos seus ministros, que Ele designou para orientar almas aflitas em sua busca por Ele. Paulo precisou mandar chamar Ananias, e Cornélio, Pedro. O fato de esses gregos virem a Cristo por meio de Filipe também apontava para a obra dos apóstolos e para o uso que Deus faria de seu ministério, trazendo gentios à fé e disciplinando as nações.
O pedido deles a Filipe foi breve: “Senhor, queríamos ver a Jesus”. Tratam‑no com respeito, como um homem digno de honra por pertencer a Cristo. O desejo deles não era apenas ver o rosto de Jesus para depois poderem dizer que tinham visto aquele de quem todos falavam. Queriam verdadeira conversação com Ele e ser ensinados por Ele, ainda que não fosse fácil encontrá‑lo livre, pois seu tempo estava tão tomado pela obra pública.
Tendo subido para adorar na festa, queriam ver Jesus. Em nossa adoração, e especialmente na páscoa do evangelho, o desejo mais profundo do coração deve ser ver Jesus. Devemos querer conhecê‑lo melhor, confiar mais nEle e tornar‑nos mais parecidos com Ele. Devemos querer vê‑lo como nosso, manter comunhão com Ele e receber dEle graça. Se não vemos Jesus, perdemos o principal motivo de termos vindo.
Terceiro, Filipe leva esse pedido ao seu Mestre (João 12:22). Ele contou a André, que também era de Betsaida e era um apóstolo mais antigo, juntamente com Pedro. Filipe consultou André sobre o que deveria ser feito e se o pedido seria bem‑vindo, pois Cristo às vezes havia dito que fora enviado apenas às ovelhas da casa de Israel. Eles concordaram que o pedido devia ser apresentado a Cristo, mas André iria com ele. Provavelmente se lembraram da promessa de Cristo de que, se dois deles concordassem na terra a respeito de qualquer coisa que pedissem, isso lhes seria feito (Mateus 18:19).
Os servos de Cristo devem ajudar‑se uns aos outros e trabalhar juntos para conduzir almas a Ele. Dois são melhores do que um. Parece que André e Filipe levaram essa mensagem a Cristo enquanto Ele ensinava em público, pois logo depois lemos que o povo estava ali ouvindo (João 12:29). Ele raramente ficava sozinho.
Quarto, Cristo aceita essa honra, como se vê pelo que diz em seguida ao povo (João 12:23 e seguintes). Ele prediz tanto a honra que Ele mesmo receberia por ser seguido (João 12:23‑24) quanto a honra dada àqueles que o seguem (João 12:25‑26). Isso foi dito para orientar e encorajar esses gregos e todos os que desejam conhecê‑lo.
Ele enxergou de antemão a rica colheita na conversão dos gentios, da qual esse episódio era como os primeiros frutos (João 12:23). Cristo disse aos dois discípulos que intercederam por esses gregos, embora eles estivessem inseguros sobre o que resultaria disso: “É chegada a hora em que o Filho do Homem há de ser glorificado”. Ele seria glorificado pela entrada dos gentios na igreja e, para que isso acontecesse, primeiro seria rejeitado pelos judeus.
Observe‑se o propósito disso: a glorificação do Redentor. Se os gentios estavam começando a buscá‑lo, se a estrela da alva começava a brilhar para eles, se essa bendita madrugada havia iniciado sua luz até os confins da terra, então tinha chegado a hora de o Filho do Homem ser glorificado. Isso não surpreendia a Cristo, embora pudesse parecer estranho a quem o cercava.
O chamado, especialmente o chamado eficaz, dos gentios para a igreja de Deus acrescenta grandemente à glória do Filho do Homem. O aumento dos remidos aumenta a honra do Redentor.
Havia um tempo determinado, uma hora marcada, para que o Filho do Homem fosse glorificado. Essa hora finalmente veio quando se completaram os dias de sua humilhação. Ele fala de sua proximidade com alegria e triunfo: “É chegada a hora”.
A forma surpreendente como essa glória viria seria por meio da morte de Cristo, representada na figura de (João 12:24): “Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto”. Cristo é esse grão de trigo, o grão mais precioso e útil. Essa figura mostra, em primeiro lugar, a necessidade da humilhação de Cristo. Ele jamais teria sido a fonte viva e a raiz da igreja se não tivesse descido do céu a esta terra amaldiçoada e, depois, subido desta terra ao madeiro maldito, a cruz, para completar nossa redenção.
Ele teve de derramar sua alma até a morte, ou não poderia repartir o despojo com os poderosos, como disse Isaías (Isaías 53:12). Ele teria um povo que lhe seria dado, mas precisava derramar seu sangue para comprá‑lo e purificá‑lo, para ganhá‑lo e conservá‑lo. Seu sofrimento também era necessário para preparar o caminho da glória que receberia pelo ajuntamento de muitos à sua igreja. Sem satisfação pelo pecado e sem a introdução de justiça eterna, Ele não estaria pronto para acolher aqueles que viessem a Ele. Nesse caso, ficaria só.
Essa figura também mostra o grande benefício da humilhação de Cristo. Ele caiu na terra em sua encarnação, quando sua glória foi ocultada em carne humana. Mas não foi só isso. Ele morreu. Essa semente viva submeteu‑se às leis da morte. Ficou no sepulcro como a semente debaixo do solo. Porém, assim como a semente volta a surgir viçosa e frutífera, com grande aumento, do mesmo modo o Cristo que morreu ajuntou para si milhares de crentes vivos e tornou‑se a raiz deles. A salvação de almas até hoje, e até o fim dos tempos, procede da morte desse grão de trigo. Por meio dela o Pai e o Filho são glorificados, a igreja é enchida, o corpo de Cristo é mantido vivo e um dia será completado. Então o Autor da salvação, que conduz muitos filhos à glória pelo poder de sua morte e é aperfeiçoado pelas aflições, será louvado para sempre por santos e anjos (Hebreus 2:10, Hebreus 2:13).
Cristo também prediz e promete rica recompensa àqueles que verdadeiramente o recebem, ao seu evangelho e à sua causa, e mostram isso pela fidelidade em sofrer por Ele ou servi‑lo. Quanto a sofrer por Ele, diz em (João 12:25): “Quem ama a sua vida perdê‑la‑á, e quem neste mundo odeia a sua vida guardá‑la‑á para a vida eterna”. Cristo ensinou isso muitas vezes, porque o grande propósito de sua religião é afrouxar o nosso apego a este mundo, colocando diante de nós outro mundo.
O perigo de amar demais a própria vida é muito sério. Muitas pessoas, ao se agarrarem a esta vida, acabam se arruinando. Quem ama tanto a vida do corpo que se entrega aos apetites e faz planos para satisfazer desejos pecaminosos, vai encurtar seus dias e perder a vida que tanto estimava, junto com uma vida muito melhor. Se alguém ama o corpo, seus confortos e seus prazeres a ponto de negar a Cristo por medo de perdê-los, perderá a verdadeira felicidade no mundo vindouro, tentando garantir um mundo vazio neste. Um homem pode dar “pele por pele” para salvar a própria vida e ainda assim fazer um negócio aceitável; mas, se der sua alma, seu Deus e seu céu por isso, paga caro demais. Ele é como Esaú, que vendeu o direito de primogenitura por um prato de ensopado.
Há também uma recompensa abençoada para quem tem um santo “desapego” da própria vida. Quem estiver disposto a arriscar a vida do corpo para preservar a vida da alma ganhará ambas e, na vida eterna, as terá com muito maior bênção. Os discípulos de Cristo são chamados a “odiar” a sua vida neste mundo. Isso não significa odiar a existência em si, mas amar mais a vida futura do que esta. Nossa vida neste mundo inclui tudo o que desfrutamos aqui: riquezas, honra, prazer e até vida longa possuindo essas coisas. Devemos “odiar” tais coisas no sentido de tratá-las como incapazes de nos fazer realmente felizes, temendo as tentações que elas trazem e renunciando de boa vontade a elas sempre que se colocarem no caminho do serviço a Cristo (Atos 20:24; Atos 21:13; Apocalipse 12:11).
Isso mostra muito do poder da piedade, porque ela vence nossos desejos naturais mais fortes. Também mostra muito do mistério da piedade, porque é a mais alta sabedoria e, ainda assim, leva a pessoa a “odiar” a própria vida. Aqueles que, por amor a Cristo, odeiam sua vida neste mundo serão ricamente recompensados na ressurreição dos justos. Quem odeia a sua vida a entrega nas mãos de Alguém que a guardará para a vida eterna e a devolverá com o ganho abundante que a vida celestial pode trazer à vida terrena.
Cristo também fala sobre servi-lo em (João 12:26): “Se alguém me serve, siga-me; e onde eu estiver, ali estará também o meu servo”. Alguns entendem essa última parte como parte do dever: onde eu estiver, ali esteja o meu servo, perto de mim e atendendo-me. Aqui se entende como parte da promessa: ali ele estará comigo em felicidade. E, para que isso não pareça uma recompensa pequena, Cristo acrescenta: “Se alguém me servir, meu Pai o honrará”. Isso basta; é mais do que suficiente.
Os gregos queriam ver Jesus (João 12:21), mas Cristo deixa claro que ver não basta. Eles precisam servi-lo. Ele não veio ao mundo para ser um espetáculo para nossa admiração, mas um Rei para ser obedecido. Ele diz isso para animar aqueles que desejam conhecê-lo a se tornarem seus servos. Quando um senhor contrata servos, normalmente estabelece tanto o trabalho quanto o pagamento. Cristo faz ambos aqui.
O trabalho que Cristo pede de seus servos é simples, justo e adequado. Primeiro, eles devem vigiar os passos do seu Mestre: “Se alguém me serve, siga-me”. Os cristãos devem seguir a Cristo, seguir seus caminhos e mandamentos, fazer o que ele diz, imitar seu exemplo e andar como ele andou. Devemos ir para onde ele nos conduz e no caminho que ele indicar. Devemos seguir o Cordeiro para onde quer que ele vá adiante de nós.
Se alguém me serve, se se coloca nessa posição em relação a mim, que se dedique à minha obra e esteja sempre pronto para o meu chamado. Ou: se alguém de fato me serve, que torne clara e pública a sua ligação comigo, seguindo-me, assim como um servo mostra quem é o seu senhor andando atrás dele pela rua.
Em segundo lugar, que permaneçam perto de onde seu Mestre está. “Onde eu estiver, ali esteja também o meu servo”, pronto para me servir. Cristo está presente onde quer que sua igreja se reúna, nas assembleias do seu povo, onde suas ordenanças são ministradas; ali seus servos devem estar, prontos para se apresentar diante dele e aprender com ele. Ou: “Onde eu estiver para estar, no céu, para onde agora vou, ali estejam os pensamentos e desejos dos meus servos. Que a vida deles esteja voltada para onde Cristo está assentado” (Colossenses 3:1-2).
Aqui estão os salários que Cristo promete a seus servos, e são ricos e nobres. Primeiro, eles serão felizes com ele: “Onde eu estiver, ali estará também o meu servo”. Estar com ele enquanto estava aqui em pobreza e vergonha poderia parecer pouca honra. Portanto, ele deve estar falando de estar com ele no paraíso, sentados com ele à sua mesa no alto e em seu trono. A alegria do céu é estar com Cristo ali (João 17:24). Cristo fala do céu como se já estivesse lá, dizendo “onde eu estiver”, porque tinha certeza disso, estava perto disso, e o céu estava sempre em seu coração e diante de seus olhos. A mesma alegria e glória que ele considerou recompensa suficiente por todo o seu próprio serviço e sofrimento são oferecidas também a seus servos como recompensa. Os que o seguem no caminho estarão com ele no fim.
Em segundo lugar, eles serão honrados por seu Pai. Ele retribuirá todo o seu trabalho e perda com uma honra digna de um grande Deus conceder, e ainda assim muito além do que pessoas frágeis poderiam esperar. Quem dá a recompensa é o próprio Deus, que considera o que é feito por amor ao Senhor Jesus como feito a si mesmo. A recompensa é honra, honra verdadeira e duradoura, a mais alta honra: a honra que vem de Deus. Está escrito: “O que guarda a figueira comerá do seu fruto; e o que atenta para o seu senhor será honrado” (Provérbios 27:18). Os que servem a Cristo serão honrados por Deus de um modo que um dia será claramente visto, mesmo que agora esteja oculto. Os que servem a Cristo precisam se humilhar, e o mundo muitas vezes os trata com desprezo. Em troca de ambos, serão exaltados a seu tempo.
Até aqui, as palavras de Cristo se aplicam àqueles gregos que queriam vê-lo, e ele os está incentivando a servi-lo. Não nos é dito o que aconteceu com aqueles gregos, mas é uma esperança agradável supor que aqueles que perguntaram pelo caminho do céu, com o rosto já voltado nessa direção, o encontraram e nele andaram.
Deste capítulo
João 12:1
"Seis dias antes da Páscoa, Jesus foi a Betânia, onde vivia Lázaro, a quem ele havia ressuscitado."
João 12:2
"Ali deram uma ceia em sua honra. Marta servia, e Lázaro era um dos convidados."
João 12:3
"Maria tomou uma libra de bálsamo de nardo puro, de grande valor, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com seus cabelos. A casa ficou cheia do perfume do bálsamo."
João 12:4
"Mas Judas Iscariotes, um dos seus discípulos, aquele que haveria de traí-lo, disse:"
João 12:5
"“Por que este bálsamo não foi vendido por trezentos denários, e o dinheiro não foi dado aos pobres?”"
João 12:6
"Ele dizia isso não porque se interessasse pelos pobres, mas porque era ladrão e, tendo a bolsa, furtava o que nela colocavam."
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