Versículo em destaque
João 12:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Seis dias antes da Páscoa, Jesus foi a Betânia, onde vivia Lázaro, a quem ele havia ressuscitado. "
João 12:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Seis dias antes da Páscoa, Jesus foi a Betânia, onde vivia Lázaro, a quem ele havia ressuscitado.
2 Ali deram uma ceia em sua honra. Marta servia, e Lázaro era um dos convidados.
3 Maria tomou uma libra de bálsamo de nardo puro, de grande valor, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com seus cabelos. A casa ficou cheia do perfume do bálsamo.
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Nestes versículos vemos a visita bondosa que o Senhor Jesus fez a seus amigos em Betânia (João 12:1). Ele veio do interior seis dias antes da Páscoa e ficou em Betânia, uma cidade tão próxima de Jerusalém que, aos olhos da capital, era quase como se estivesse dentro de seus limites. Ali se hospedou com seu amigo Lázaro, a quem havia ressuscitado dentre os mortos há pouco tempo.
Sua vinda a Betânia pode ser vista de três maneiras. Primeiro, foi uma preparação para a Páscoa que ele estava prestes a celebrar, já que a data é indicada como seis dias antes da Páscoa. As pessoas piedosas separavam tempo antecipadamente para se preparar para um tempo tão santo, e assim convinha que o Senhor Jesus cumprisse toda a justiça, isto é, fizesse tudo o que Deus requeria. Desse modo, ele nos dá um exemplo de consagração antes dos tempos sagrados da Páscoa do evangelho. Devemos ouvir o chamado: “Preparai o caminho do Senhor”.
Segundo, sua vinda foi uma exposição voluntária de si mesmo à fúria de seus inimigos. Como sua hora estava próxima, ele se colocou ao alcance deles e se ofereceu livremente, embora já lhes tivesse mostrado como podia escapar facilmente de todas as suas armadilhas. O Senhor Jesus foi voluntário em seus sofrimentos; sua vida não lhe foi tirada à força, mas entregue por escolha própria. Assim como a força de seus inimigos não podia dominá-lo, também a astúcia deles não podia surpreendê-lo. Ele morreu porque decidiu morrer.
Há um tempo em que podemos agir para nossa própria segurança, e há um tempo em que somos chamados a arriscar a vida pela causa de Deus, como Paulo fez quando foi a Jerusalém em obediência ao Espírito (Atos 20:22). As atitudes de Cristo aqui nos lembram que a obediência às vezes conduz ao perigo.
Terceiro, isso foi um ato de bondade para com seus amigos em Betânia, a quem ele amava e de quem em breve seria tirado. Foi uma visita de despedida. Ele veio para se despedir e deixar palavras de consolo antes da provação que se aproximava. Mesmo quando Cristo se afasta de seu povo por algum tempo, ele deixa sinais de que vai em amor, não em ira.
Betânia é descrita como a aldeia onde morava Lázaro, o homem que Cristo ressuscitara dentre os mortos. Aquele milagre deu um novo destaque ao lugar e o tornou conhecido. Cristo veio ali, por assim dizer, para ver de que maneira as pessoas estavam reagindo àquele milagre. Quando ele age com poder e mostra favor especial, observa se o propósito de sua obra está sendo alcançado. Onde ele planta muito, procura ver se aquilo frutifica.
Judas perguntou: Por que isso não foi dado aos pobres? A resposta é simples: porque, naquele momento, foi melhor ser derramado aos pés do Senhor Jesus. Não devemos supor que alguém não fez uma boa obra só porque não a fez do nosso jeito. Nem tudo o que foge das nossas ideias deve ser chamado de descuido ou erro. O orgulho leva a pensar que todo bom conselho é ruim se não vier de nós mesmos.
João, guiado por Aquele que sonda os corações, expõe a hipocrisia de Judas (João 12:6). Ele disse aquilo, não porque tivesse cuidado com os pobres, mas porque era ladrão e responsável pela bolsa de dinheiro. Não era movido por caridade. Não tinha verdadeira compaixão, nem interesse real pelos necessitados, a não ser na medida em que o nome deles pudesse servir aos seus próprios planos. Muitos defendem com palavras fortes o poder da igreja ou a pureza da igreja, e, no fundo, fazem isso apenas para se promover. Podem soar sinceros, mas, na realidade, não se importam com a igreja.
As palavras de Judas brotaram, na verdade, da avareza. Como o ungüento estava sendo oferecido ao seu Mestre, ele preferiria que fosse vendido e o dinheiro posto na bolsa comum, porque assim saberia como pôr a mão nele em benefício próprio. Judas servia como tesoureiro da pequena “casa” de Jesus. Alguns entendem que isso se relaciona até ao nome “Iscariotes”, como se fosse “o que leva a bolsa”. Isso mostra o quão pouco Jesus e os discípulos tinham para viver. Não possuíam terras, nem negócios, nem celeiros, nem depósitos; apenas uma bolsa, ou talvez uma caixinha, com o necessário para as necessidades do dia. Qualquer sobra, se houvesse, era distribuída aos pobres. Levavam isso com eles por onde iam. Devemos fazer menos caso das riquezas deste mundo e dar menos valor a posição, aparência e cerimônias exteriores. Se nossa condição é humilde, lembremos que também foi a do nosso Mestre; por nossa causa ele se fez pobre.
Judas era o encarregado desse pouco que havia. Recebia e pagava, e não lemos que prestasse contas de sua administração. Essa função lhe foi dada, talvez, por ser o menos relevante entre os discípulos, ou porque ele mesmo a desejara. Talvez amasse o manejo do dinheiro, e por isso a bolsa lhe foi confiada, seja como concessão para agradá-lo e tentar mantê-lo fiel, seja como um juízo, colocando em suas mãos justamente aquilo que se tornaria seu laço. Um forte desejo interior de pecar muitas vezes é punido justamente pela permissão de fortes tentações exteriores ao pecado. Não temos motivo para admirar a bolsa nem para nos gloriar nela, pois, no máximo, somos apenas mordomos. Foi Judas, um homem de mau caráter, o mordomo da bolsa. A prosperidade dos insensatos acaba sendo a sua destruição.
Sendo depositário da bolsa, Judas era ladrão. Isso quer dizer que tinha coração de ladrão. O amor ao dinheiro domina o coração da mesma forma que a ira e a vingança dominam o coração do homicida.
É bem possível que Judas de fato já andasse roubando a bolsa do seu Mestre, tomando para si o que era destinado ao uso comum. Alguns até pensam que ele já estivesse tentando encher os bolsos para depois fugir de Jesus, por ter ouvido tantas vezes o Senhor falar de sofrimentos próximos e não aceitar isso. Quem é encarregado de dinheiro público precisa de firme honestidade e justiça, para que nenhuma mancha se apegue às suas mãos. Alguns brincam com a ideia de “passar a perna” no governo, na igreja ou no país, mas se enganar é roubar, então assaltar uma comunidade não é coisa leve. A culpa do furto e o fim dos ladrões não são motivo de piada. Judas, que já havia traído a confiança na administração do dinheiro, pouco depois traiu também o próprio Mestre.
Cristo então defendeu o que Maria fez, dizendo: “Deixai-a” (João 12:7, João 12:8). Assim mostrou que aceitava a demonstração de amor dela. Ele era totalmente livre dos prazeres dos sentidos, mas, porque o presente revelava afeto, ele se agradou dele. E deixou claro que ela não deveria ser perturbada por causa disso. As palavras também podem ser entendidas como: “Perdoai-a”, isto é, “Desculpai-a desta vez. Se há algum engano, é um engano de amor.” Cristo não deseja que sejam censurados ou desencorajados aqueles que sinceramente procuram agradá-lo, ainda que nem sempre usem a melhor sabedoria na forma de fazê-lo (Romanos 14:3). Podemos não agir como eles agem, mas devemos deixá-los em paz.
Ao defender Maria, Cristo deu um sentido bondoso ao que ela fez, um sentido que os críticos não tinham enxergado: “Ela guardou isto para o dia da minha sepultura.” Ou, como alguns explicam, “Ela reservou este perfume para o dia em que o meu corpo for preparado para o sepultamento.” Ninguém reclama quando se usa perfume para preparar o corpo de um amigo falecido, nem diz que ele deveria ter sido vendido e dado aos pobres. Essa unção pode ter sido originalmente pensada para isso, ou ao menos pode ser entendida assim. Sua morte e sepultamento estavam próximos, e ela havia ungido um corpo que, por assim dizer, já estava entregue à morte.
Nosso Senhor pensava com frequência na própria morte e sepultura, e seria bom que nós também pensássemos nisso. A providência de Deus muitas vezes abre o momento certo para boas obras, e o Espírito de Deus frequentemente abre também o coração, de forma que atos de devoção acabam sendo mais adequados e belos do que poderíamos planejar. A graça de Cristo dá uma interpretação favorável às palavras e ações dos que lhe pertencem. Ele não apenas passa por cima do que é fraco, mas destaca o melhor do que é bom.
Cristo também respondeu de forma plena à objeção de Judas (João 12:8). Pela providência de Deus, os pobres sempre estarão conosco, e sempre haverá pessoas que precisam de ajuda (Deuteronômio 15:11). Enquanto a vida humana estiver marcada pelo pecado, haverá pobreza e sofrimento. Pela graça de Deus, porém, a igreja não teria para sempre a presença corporal de Jesus. “A mim nem sempre me tereis”, ele diz, referindo-se a um pouco tempo apenas. Quando dois deveres parecem competir, precisamos de sabedoria para saber qual deve vir primeiro. Devemos aproveitar as oportunidades enquanto duram, especialmente aquelas que logo irão passar. Um dever bom que pode ser cumprido a qualquer tempo deve, na hora, ceder lugar a outro que só pode ser cumprido agora.
Muitos dentre os judeus souberam que Jesus estava em Betânia, e vieram em multidão (João 12:9). Ele era o assunto do momento. Tendo se ocultado pouco antes, agora se manifestava com mais clareza, como o sol que rompe de trás de uma nuvem escura.
Eles vieram ver Jesus, cujo nome fora grandemente honrado pelo recente milagre da ressurreição de Lázaro. Não vieram para ouvi-lo, mas para satisfazer a curiosidade, vendo-o em Betânia, temendo que ele não aparecesse em público como de costume naquela Páscoa. Não vieram para prendê-lo ou denunciá-lo, embora os líderes já o tratassem como alguém proscrito, mas para vê-lo e demonstrar respeito. Sempre haverá quem preze a Cristo, mesmo quando seus inimigos se esforçam por deturpá-lo. Quando se soube onde ele estava, as multidões foram até ali. Onde está o Rei, ali se reúne a corte. Onde Cristo está, o povo se ajunta (Lucas 17:37).
Também vieram para ver Lázaro junto com Jesus, o que era uma cena convidativa. Alguns vieram para fortalecer a fé em Cristo, talvez ouvindo de Lázaro o relato direto do que lhe acontecera. Outros vieram apenas por curiosidade, querendo poder dizer que tinham visto um homem que estivera morto e sepultado e agora vivia de novo. Assim, Lázaro se tornou quase uma “atração” durante a festa, para pessoas como os atenienses, que gastavam o tempo contando e ouvindo novidades. Alguns talvez quisessem interrogar Lázaro sobre o estado dos mortos e saber notícias do outro mundo. Também nós poderíamos dizer que viajaríamos longe por uma hora de conversa com Lázaro. Mas, se alguém veio com esse objetivo, é provável que Lázaro nada tenha dito sobre sua experiência, ou ao menos a Escritura não nos registra nada. Não devemos querer saber mais do que a Escritura revela. Jesus mesmo estava ali, e ele era o melhor a quem perguntar. Se alguém não ouve Moisés e os profetas, ou Cristo e os apóstolos, não se deixaria convencer nem mesmo se Lázaro voltasse dos mortos. Temos a palavra profética ainda mais firme.
Os principais sacerdotes ficaram indignados porque a influência de Jesus continuava crescendo e planejaram sufocá-la matando também Lázaro (João 12:10, João 12:11). Como muitos judeus abandonavam o partido deles e criam em Jesus por causa de Lázaro, decidiram tirar a vida de Lázaro também. Vê-se assim o quanto tinham sido inúteis os ataques anteriores a Cristo. Tentaram voltar o povo contra ele e semear ódio, mas muitos judeus, até mesmo vizinhos e apoiadores deles, foram tão impactados pelo poder dos milagres de Cristo que se afastaram do controle dos sacerdotes e creram em Jesus. Lázaro foi um instrumento nessa mudança. Sua ressurreição deu novo vigor à fé deles e deixou claro que Jesus era de fato o Messias, com vida em si mesmo e poder para dar vida. E confirmou os outros milagres que já haviam ouvido dizer que ele realizara na Galileia. O que seria impossível para aquele que ressuscita os mortos?
Quão absurda e sem razão foi essa decisão de que Lázaro deveria ser morto. Ela revela o tipo mais extremo de fúria, como um touro preso numa rede, que se debate cegamente, atacando sem qualquer reflexão. Mostra que esses homens não temiam nem a Deus nem às pessoas.
Se tivessem temor de Deus, não ousariam lutar contra Ele dessa maneira. Deus havia acabado de demonstrar seu poder trazendo Lázaro de volta à vida, e eles queriam matá‑lo por ódio. Na prática, estavam dizendo: “Fora com este homem, ele não deve viver”, justamente quando Deus havia mostrado tão claramente que ele devia viver. Estavam se opondo ao próprio Deus. Queriam matar Lázaro e, por assim dizer, desafiar o Deus Todo‑poderoso a ressuscitá‑lo de novo, como se pudessem disputar com o Rei dos reis quem tem o direito sobre a vida e a morte. Quem tem as chaves da morte e do além: Deus ou eles?
Aqui aparece uma maldade cega, que supunha que Cristo, que podia ressuscitar um homem morto por causas naturais, não poderia ressuscitar alguém que tivesse sido assassinado. Agostinho chamou a atenção para esse ponto. Lázaro foi separado para um ódio especial porque Deus o havia distinguido com um amor especial. Era como se eles tivessem feito um pacto com a morte e o inferno, decididos a castigar qualquer um que se afastasse deles.
Eles deveriam, ao contrário, ter pensado em aproximar‑se de Lázaro e de sua família, e por meio deles buscar paz com Jesus, a quem vinham perseguindo. Mas o deus deste mundo havia cegado o entendimento deles. Se se importassem com as pessoas, não teriam cometido tamanha injustiça contra Lázaro, um homem inocente, contra o qual não tinham qualquer acusação verdadeira. Que laços podem segurar pessoas que rompem os vínculos mais fortes da justiça comum e desprezam até as lições que a própria natureza ensina? Mesmo assim, julgavam que seu próprio poder e sua religião deturpada bastavam para justificá‑los. Como já se viu muitas vezes, pessoas assim chegam ao ponto de tratar os piores crimes não apenas como aceitáveis, mas como santos e até dignos de elogio.
Deste capítulo
João 12:2
"Ali deram uma ceia em sua honra. Marta servia, e Lázaro era um dos convidados."
João 12:3
"Maria tomou uma libra de bálsamo de nardo puro, de grande valor, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com seus cabelos. A casa ficou cheia do perfume do bálsamo."
João 12:4
"Mas Judas Iscariotes, um dos seus discípulos, aquele que haveria de traí-lo, disse:"
João 12:5
"“Por que este bálsamo não foi vendido por trezentos denários, e o dinheiro não foi dado aos pobres?”"
João 12:6
"Ele dizia isso não porque se interessasse pelos pobres, mas porque era ladrão e, tendo a bolsa, furtava o que nela colocavam."
João 12:7
"Jesus disse: “Deixem-na; ela guardou este perfume para o dia da minha sepultura."
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