Versículo em destaque
João 11:45 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Muitos dos judeus que tinham vindo a Marta e Maria e viram o que Jesus havia feito creram nele. "
João 11:45
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
43 Depois dessas palavras, exclamou em alta voz: “Lázaro, venha para fora!”
44 E o morto saiu, com os pés e as mãos ligados por faixas e o rosto coberto por um sudário. Então Jesus ordenou: “Desamarrem-no e deixem-no ir”.
45 Muitos dos judeus que tinham vindo a Marta e Maria e viram o que Jesus havia feito creram nele.
46 Alguns deles, porém, foram até os fariseus e lhes contaram o que Jesus havia realizado.
47 Os chefes dos sacerdotes e os fariseus convocaram o conselho e disseram: “O que faremos? Esse homem multiplica os milagres.
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Aqui vemos o que aconteceu depois desse grande milagre. Como de costume, produziu resultados opostos. Para alguns, tornou‑se dom de vida, conduzindo à fé. Para outros, tornou‑se ocasião de maior endurecimento e de juízo.
Algumas pessoas foram tocadas e passaram a crer. João diz que muitos dos judeus, ao verem o que Jesus fizera, creram nele. Tinham todo motivo para isso, pois aquilo era prova clara de que Jesus viera da parte de Deus. Já tinham ouvido falar de seus milagres antes e tentavam escapar da verdade questionando se os fatos tinham mesmo acontecido. Mas agora tinham visto esse milagre com os próprios olhos, e sua incredulidade foi finalmente vencida. Bem‑aventurados os que não viram e creram.
Quanto mais vemos de Cristo, mais razões encontramos para amá‑lo e confiar nele. Esses crentes eram alguns dos judeus que tinham vindo consolar Maria, irmã de Lázaro. Quando fazemos o bem aos outros, muitas vezes nos colocamos em posição onde Deus também pode nos abençoar. Servindo ao próximo, podemos encontrar novas oportunidades de receber o bem da parte de Deus.
O conselho de Caifás era basicamente este: de algum modo, Jesus precisava ser morto. Eles provavelmente suspeitavam que Jesus realmente fosse o Messias, mas o ensino dele contrariava suas tradições preferidas e seus interesses mundanos. A ideia que Jesus apresentava do reino do Messias também chocava-se com a que eles sustentavam. Assim, fosse quem fosse, decidiram que ele deveria morrer. Caifás não diz: “Façamo-lo calar”, “Lancemo-lo na prisão” ou “Expulsemos-no daqui”, embora qualquer uma dessas medidas bastasse para conter alguém que julgassem perigoso. Não, ele precisa morrer. Quem se arma contra o evangelho muitas vezes perde todo senso de humanidade e acaba sendo marcado pela crueldade.
Ele fala com toda a astúcia e malícia da antiga serpente. Primeiro, insinua sua própria sabedoria, como se, por ser sumo sacerdote, enxergasse mais longe do que os demais, embora o Urim e o Tumim, o meio sagrado de direção dado por Deus aos sacerdotes de Israel, já havia muito tempo se perdido. Com orgulho ele dá a entender: “Vocês nada sabem, porque são apenas sacerdotes comuns; deixem-me enxergar mais fundo que vocês neste assunto.” É comum pessoas em posição elevada imporem suas ideias corruptas aos outros simplesmente por causa do cargo que ocupam. Como deveriam ser os mais sábios e os melhores, esperam que todos presumam que de fato o sejam.
Em segundo lugar, ele trata a questão como se fosse algo simples, evidente e acima de qualquer discussão, e como se todo aquele que discordasse fosse ignorante. Razão e justiça são muitas vezes empurradas para fora pelo uso da força. A verdade cai nas ruas, e quando está caída, as pessoas a pisam ainda mais. A justiça não consegue entrar, e quando é mantida de fora, acaba totalmente excluída (Isaías 59:14).
Em terceiro lugar, ele se apoia em um princípio político: o bem de toda a comunidade deve vir antes do bem de uma única pessoa. Como sacerdote, diz que é melhor que um homem morra pelo povo. Nesse sentido adequado, a afirmação é verdadeira: é algo nobre um homem expor a própria vida em serviço à sua pátria (Filipenses 2:17; 1 João 3:16). Mas matar um inocente sob o pretexto de proteger o povo é política do próprio diabo. Caifás sugere habilmente que o maior e melhor dos homens, ainda que superior a qualquer indivíduo, é menor do que o corpo inteiro e deveria, de bom grado, entregar a vida para salvar a nação da ruína. Mas isso nada tem a ver com assassinar alguém que era claramente uma grande bênção, fingindo afastar um perigo que era apenas imaginário.
A questão deveria ter sido colocada assim: seria sábio trazer sobre si mesmos e sobre a sua nação a culpa de sangue, do sangue de um profeta, apenas para proteger seus interesses civis de um perigo para o qual não tinham fundamento razoável? Seria sábio afastar Deus e a própria glória deles, só para não correr o risco da ira dos romanos, quando os romanos nada poderiam fazer se Deus estivesse ao lado deles? A política mundana, guiada apenas por interesses terrenos, pode pensar que está salvando tudo por meio do pecado, mas, no fim, arruína tudo.
O sentido mais profundo no conselho de Caifás não aparece à primeira vista. Mas o evangelista nos conduz a ele: “Ele não disse isso de si mesmo” (João 11:51-52). Não era apenas a voz do seu ódio e da sua política. Nessas palavras, ele também profetizou, ainda que sem saber, que Jesus morreria por aquela nação. Aqui temos um comentário precioso sobre uma declaração ímpia: o conselho do maldito Caifás é encaixado no bom propósito do Deus bendito.
O amor nos ensina a colocar o melhor sentido possível nas palavras e ações das pessoas, quando podemos. Mas a piedade nos ensina a tirar bom proveito delas, mesmo quando os outros não tiveram essa intenção. Se os ímpios, naquilo que fazem contra nós, são a mão de Deus para nos humilhar e corrigir, por que não poderiam também ser a boca de Deus, quando falam contra nós, para nos ensinar e convencer?
No caso de Caifás, houve uma direção extraordinária do céu, que o levou a dizer algo com sentido muito mais profundo. Assim como o coração de todas as pessoas está na mão de Deus, também suas línguas. Enganam-se os que dizem: “Nossa língua nos pertence, podemos falar o que quisermos e não daremos conta a ninguém”, ou: “Podemos dizer o que quisermos, e Deus não pode nos impedir por seu cuidado e poder.” Balaão não pôde falar o que queria quando veio amaldiçoar Israel, e Labão não pôde dizer o que queria quando perseguiu Jacó.
O evangelista explica e amplia as palavras de Caifás. Mostra que elas não foram apenas usadas para um bom fim, mas que Deus as quis exatamente para esse fim. Caifás não falou de si mesmo. Se suas palavras foram apenas uma manobra para atiçar o conselho contra Cristo, então falou de si mesmo, ou antes, do diabo. Mas, como um oráculo que declara o plano e o propósito de Deus na morte de Cristo para salvar o Israel espiritual do pecado e do juízo, ele não falou de si mesmo. Nada sabia disso, nem teve essa intenção. Seu coração estava apenas voltado para destruir, como diz Isaías 10:7.
Primeiro, ele profetizou, e verdadeira profecia não procede do mero raciocínio humano. Mas estaria Caifás entre os profetas? Nesse único episódio, sim, embora fosse um homem mau e inimigo ferrenho de Cristo e do seu evangelho. Deus pode, e muitas vezes faz isso, usar pessoas ímpias como instrumentos para servir a seus próprios propósitos, até mesmo contra os planos delas. Ele as mantém não apenas com uma corrente, para conter o mal que fariam, mas também com um freio, para conduzi-las a serviços que jamais escolheriam.
Palavras de profecia nos lábios de alguém não são sinal seguro de graça no coração. A alegação: “Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome?” será rejeitada como vazia.
Em segundo lugar, ele profetizou porque era sumo sacerdote naquele ano. Isso não o tornava, em si, apto para ser profeta. Não se deve imaginar que a coroa sacerdotal tenha sido capaz de transmitir o dom profético à pior cabeça que já a usou. Mas, por ser o sumo sacerdote e, portanto, homem de destaque público entre os líderes, Deus se agradou de colocar essa palavra importante em sua boca, e não em outra, para que recebesse maior atenção, ou para que fosse rejeitada com maior culpa. As pessoas muitas vezes dão enorme peso às palavras dos grandes: um dito sábio se encontra nos lábios de um rei (Provérbios 16:10). Assim, essa palavra divina foi colocada nos lábios do sumo sacerdote, para que, inclusive por sua boca, ficasse confirmada esta verdade: Cristo morreu para o bem da nação, e não por qualquer mal encontrado em suas mãos.
Aconteceu que ele era sumo sacerdote exatamente naquele ano separado como o ano do Redentor, quando o Messias, o Príncipe, deveria ser tirado, mas não por si mesmo (Daniel 9:26), e ele foi levado a reconhecer isso. Foi também aquele famoso ano em que o Espírito seria derramado de modo mais pleno do que antes, segundo a promessa de Joel 2:28-29, comparada com Atos 2:17. Algumas gotas dessa chuva bendita caíram sobre Caifás, como as migalhas, como diz o Dr. Lightfoot, que caem da mesa dos filhos para os cães. Era o ano em que o sacerdócio levítico, ou do Antigo Testamento, estava chegando ao fim. Da boca do homem que era sumo sacerdote naquele ano saiu uma rendição involuntária desse sacerdócio àquele que, em lugar de continuar, como eles haviam feito por tantos anos, a oferecer animais por aquela nação, ofereceria a si mesmo e poria fim ao sacrifício pelo pecado. Ele fez essa rendição sem saber, como Isaque deu a bênção a Jacó.
Em terceiro lugar, o conteúdo da profecia era que Jesus morreria por aquela nação. Era exatamente isso que todos os profetas tinham testemunhado, como aqueles que antes anunciavam os sofrimentos de Cristo (1 Pedro 1:11). A morte de Cristo deveria tornar-se a vida e salvação de Israel. Caifás entendia por “aquela nação” o povo que se agarrava teimosamente ao judaísmo. Mas Deus entendia o povo dentro daquela nação que acolheria o ensino de Cristo e o seguiria, todos os crentes, os filhos espirituais de Abraão.
A morte de Cristo, que Caifás então tramava, tornou-se a ruína justamente do interesse que ele pretendia proteger, pois trouxe sobre eles um juízo completo. Ao mesmo tempo, promoveu exatamente a causa que ele tentava destruir, pois Cristo, ao ser levantado da terra, atraiu todos a si. É uma grande profecia: Jesus deveria morrer por outros, não apenas em benefício deles, mas em lugar deles. Ele morreu por aquela nação, porque a ela foi feita primeiro a oferta de salvação por meio de sua morte. Se toda a nação judaica tivesse crido em Cristo e recebido o seu evangelho, teria sido salva para sempre, tanto espiritualmente quanto, como nação, de muitos sofrimentos. A fonte foi aberta primeiramente para a casa de Davi (Zacarias 13:1). Ele morreu por aquela nação para que a nação inteira não perecesse, mas para que um remanescente fosse salvo (Romanos 11:5).
O evangelista amplia ainda as palavras de Caifás em (João 11:52): não só por aquela nação, por mais que se considerasse o povo especialmente favorecido do céu, mas também “para reunir em um corpo os filhos de Deus que andavam dispersos”. Aqui devemos notar, em primeiro lugar, por quem Cristo morreu. Não apenas pela nação judaica, pois seria algo pequeno o Filho de Deus empreender obra tão grande apenas para restaurar os preservados de Jacó e os desgarrados de Israel. Era necessário que ele fosse salvação até os confins da terra (Isaías 49:6). Ele precisava morrer pelos filhos de Deus espalhados por toda parte.
Alguns entendem esses “filhos de Deus” como as pessoas piedosas então existentes, dispersas pelo mundo gentio, homens e mulheres tementes a Deus “de todas as nações debaixo do céu” (Atos 2:5), como o centurião que temia a Deus (Atos 10:2) e outros que o adoravam (Atos 17:4). Eram gentios tementes a Deus, que não tinham se submetido à lei cerimonial de Moisés. Possuíam certo conhecimento de religião natural, mas estavam espalhados entre as nações, sem assembleias próprias, sem um modo público especial de se unir ou se identificar. Cristo morreu para reuni-los em um só grande corpo, que leva seu nome e é governado por ele. É como se erguesse um estandarte ao qual todos os que se importam com Deus e com suas almas podem acorrer e sob o qual podem se alistar.
Outros entendem que aqui se incluem todos os que pertencem à escolha de Deus pela graça, chamados “filhos de Deus” mesmo antes de nascerem, porque foram predestinados para adoção de filhos (Efésios 1:5).
Esses estão espalhados por toda a terra, entre todos os povos e línguas (Apocalipse 7:9), e em todas as épocas até o fim dos tempos. Em todas as gerações há aqueles que temem a Deus, e Cristo os tinha em vista quando fez expiação por meio de seu sangue. Como orou, assim também morreu, por todos os que viriam a crer nele.
Em segundo lugar, considere-se o propósito de sua morte em favor desse povo. Ele morreu para ajuntar os que andavam desgarrados e reunir em um os que estavam dispersos. Veio chamar para perto os que estavam longe dele e unir em um só aqueles que estavam distantes uns dos outros.
A morte de Cristo é, em primeiro lugar, o grande atrativo de nossos corações. É para isso que ele é levantado, para atrair pessoas a si. Quando as almas se convertem, são reunidas em Cristo como seu Rei e refúgio, como pombas que voam às suas janelas, e ele morreu para tornar isso realidade. Por sua morte, comprou esse povo para si, e também adquiriu para eles o dom do Espírito Santo. Seu amor ao morrer por nós é o grande ímã do nosso amor.
Em segundo lugar, sua morte é o grande centro da nossa unidade. Ele os reúne em um, como ensina (Efésios 1:10). São um com ele, um só corpo, um só Espírito, e um com os outros nele. Todos os santos, em todo lugar e em toda época, se encontram em Cristo, como todos os membros em uma só cabeça, ou todos os ramos em uma só raiz. Pelo mérito de sua morte, Cristo reuniu todos os santos sob a graça e o favor de Deus (Hebreus 2:11-13), e pelo amor manifestado em sua morte, também os conclama a se amarem uns aos outros (João 13:34).
O resultado daquele debate foi que o conselho decidiu matar Jesus. “Desde aquele dia, pois, consultavam-se para o matarem” (João 11:53). Eles passaram a se entender mutuamente, e cada um se firmou em seu próprio propósito: Jesus devia morrer. Parece até que designaram uma espécie de comissão para se reunir dia após dia, continuando a elaborar o plano e acolhendo sugestões sobre como executá-lo. Os ímpios vão se agravando pouco a pouco (Tiago 1:15; Ezequiel 7:10).
Dois passos importantes tinham sido dados naquele plano de ódio contra Cristo. Primeiro, aquilo que cada um havia pensado em particular, agora foi acordado em conjunto. Assim se fortaleceram mutuamente no mal e se tornaram mais ousados. Os maus se encorajam uns aos outros naquilo que é errado, trocando impressões, e pessoas de mente corrompida se sentem mais à vontade quando encontram outros que pensam como elas. O que antes parecia impossível agora lhes parecia não só possível, mas fácil.
Segundo, aquilo que queriam fazer, mas para o que lhes faltava um motivo plausível, agora passou a ter uma desculpa aparentemente honrosa. Isso não tirava sua culpa diante de Deus, mas podia reduzir a vergonha e acalmar, se não a consciência, pelo menos a política, como alguns distinguem com astúcia. Muitos seguem praticando o mal enquanto conseguem dizer algo em sua própria defesa. Essa decisão de matá-lo, certa ou errada, mostra que o julgamento posterior não passou de um teatro: o veredito já estava decidido.
Então Cristo se retirou, sabendo muito bem o que o conselho secreto havia resolvido (João 11:54). Deixou de andar manifestamente entre os judeus, especialmente na Judeia e em Jerusalém. Já não circulava livremente de lugar em lugar, pregando e fazendo milagres como antes; enquanto permaneceu na Judeia, foi em recolhimento. Dessa maneira, os principais sacerdotes colocaram a luz de Israel debaixo de um alqueire.
Ele se retirou para uma região afastada do país, tão obscura que o nome daquela cidade mal aparece em outro lugar. Foi a um lugar perto do deserto, como se tivesse sido expulso do meio dos homens, ou talvez desejando, como Jeremias, “um refúgio de caminhantes no deserto” (Jeremias 9:2). Foi para uma cidade chamada Efraim, que alguns identificam com Efrata, isto é, Belém, onde nasceu e que fazia fronteira com o deserto de Judá. Outros pensam tratar-se de Efrom, ou Efraim, mencionado em (2 Crônicas 13:19).
Seus discípulos foram com ele. Eles não o deixariam em solidão, e ele não os deixaria em perigo. Ali permaneceu e conversou com eles. Ele sabia aproveitar esse tempo de recolhimento para instrução particular, já que não tinha ocasião de pregar publicamente. Quando foi afastado do templo, continuou em comunhão com os discípulos, que eram sua família, e é certo que suas conversas ali foram muito proveitosas. Devemos fazer o bem que podemos, quando não podemos fazer o bem que desejaríamos.
Por que Cristo se retirou então? Não foi por temer seus inimigos nem por duvidar de seu próprio poder. Tinha muitos meios para preservar a própria vida, e não era nem relutante em sofrer, nem despreparado para isso. Retirou-se, primeiro, para mostrar seu desagrado contra Jerusalém e o povo judeu. Eles rejeitaram a ele e ao seu evangelho; portanto, com justiça ele se afastou, levando consigo o evangelho. O grande Mestre foi retirado para um canto (Isaías 30:20), e já não havia uma visão aberta dele. Era um triste sinal das densas trevas que logo cairiam sobre Jerusalém, porque ela não reconheceu o tempo da sua visitação.
Segundo, fez isso para tornar ainda mais censurável a crueldade de seus inimigos. Se sua presença pública era o que os incomodava e lhes parecia perigoso para o bem comum, ele quis ver se sua retirada, em particular, acalmaria seus ânimos. Quando Davi se refugiou em Gate, Saul se contentou e deixou de persegui-lo (1 Samuel 27:4). Mas esses homens perversos estavam atrás de sua vida, da sua preciosa vida.
Terceiro, sua hora ainda não havia chegado, por isso evitou o perigo. Agiu desse modo humano e comum para orientar e encorajar seus servos quando estes enfrentarem perseguições, e para consolar os que são forçados a uma vida recolhida e oculta, como se estivessem enterrados vivos. O discípulo não é maior do que o seu Senhor.
Quarto, esse recuo temporário tornaria seu retorno a Jerusalém mais marcante e glorioso quando sua hora chegasse. Faria com que as aclamações de seus amigos fossem mais intensas, quando o recebessem em sua próxima aparição pública, ao entrar em triunfo na cidade.
A busca ansiosa por ele, nesse tempo, se explicou porque a Páscoa estava próxima, e esperava-se que ele viesse, como de costume (João 11:55). A Páscoa dos judeus se aproximava, festa que se destacava no calendário deles e despertava expectativa por bom tempo antes. Era a quarta e última Páscoa de Cristo depois de iniciar seu ministério público, e podia-se dizer, como em (2 Crônicas 35:18), que nunca houve Páscoa igual em Israel, pois nela Cristo, nossa Páscoa, foi sacrificado por nós.
Estando próxima a Páscoa, muitos de todas as partes do país subiram a Jerusalém para se purificarem. Isso pode significar, primeiro, a purificação necessária daqueles que se tinham tornado cerimonialmente impuros. Vinham para ser aspergidos com a água da purificação e cumprir os demais ritos de limpeza exigidos pela lei, pois ninguém podia comer a Páscoa estando impuro (Números 9:6). De modo semelhante, antes da nossa Páscoa do evangelho, devemos renovar o arrependimento e, pela fé, lavar-nos no sangue de Cristo, para que possamos nos aproximar do altar de Deus.
Ou, em segundo lugar, pode se referir a uma purificação voluntária, uma consagração de si mesmos por meio de jejum, oração e outros atos de devoção. Muitos, mais zelosos que seus vizinhos, costumavam empregar algum tempo assim antes da Páscoa, escolhendo Jerusalém justamente porque ali podiam participar dos serviços do templo. Nesse mesmo espírito, devemos nos preparar com cuidado e colocar limites ao redor do lugar onde esperamos encontrar-nos com Deus.
A pergunta que fizeram foi muito ansiosa: “Que vos parece? Não virá à festa?” (João 11:56). Alguns entendem que isso foi dito por pessoas bem-dispostas para com Cristo, que desejavam que ele viesse, para ouvirem seu ensino e verem seus milagres. Aqueles que tinham vindo mais cedo do campo para se purificarem ansiavam por encontrar Cristo e podem ter se apressado por causa disso. Assim, enquanto permaneciam no templo, o lugar da sua purificação, perguntavam se havia alguma notícia a respeito de Cristo. Se até os mais devotos mostravam respeito a Cristo, isso era uma clara repreensão aos principais sacerdotes e uma testemunha contra eles.
Mas é ainda mais provável que fossem seus inimigos perguntando por ele, na esperança de encontrar oportunidade para prendê-lo. Vendo a cidade encher-se de gente piedosa vinda do interior, estranhavam não o ter encontrado no meio da multidão. Em vez de ajudarem aqueles que vinham para se purificar, como o dever do seu ofício exigia, estavam tramando contra Cristo. Quão profundamente havia caído a comunidade judaica, quando os sacerdotes do Senhor se tornaram como os sacerdotes dos bezerros, armadilha em Mispa e rede estendida sobre o Tabor, ávidos de sangue (Oséias 5:1-2). Em vez de celebrarem a festa com pães asmos, eles mesmos estavam cheios do fermento azedo do pior ódio.
A pergunta deles, “Não virá ele à festa?”, também revela duas coisas. Primeiro, é um ataque desprezível contra Cristo, como se ele fosse deixar de subir à festa do Senhor por medo de se expor. Se outros deixam de ir por irreligiosidade, ninguém nota. Mas, se Cristo deixa de ir para preservar sua vida, visto que Deus quer misericórdia e não sacrifício, eles transformam isso em insulto contra ele, assim como o assento vazio de Davi na festa foi usado contra ele, embora Saul apenas procurasse ocasião para cravá-lo na parede com a sua lança (1 Samuel 20:25-27). É triste ver ordenanças sagradas usadas para fins tão profanos.
Segundo, mostra o medo que tinham de perder a oportunidade. “Não virá ele à festa? Se não vier, nossos planos desabam, e estamos perdidos, porque não podemos mandar gente ao campo para buscá-lo.” Eles temiam errar o alvo. As ordens do governo para sua prisão eram muito rigorosas (João 11:57). O grande conselho, o Sinédrio, publicou um edital ordenando que, se alguém na cidade ou no campo soubesse onde ele estava, devia informar, para que fosse preso. Trataram-no como um criminoso foragido da justiça, provavelmente prometendo recompensa a quem o denunciasse e pena para quem o escondesse. Assim o apresentavam ao povo como um homem perigoso, um proscrito contra o qual qualquer um podia se voltar. Saul publicou tal proclamação contra Davi, e Acabe contra Elias. Vê-se quão decididos estavam nessa perseguição, e com que incansável esforço a levaram adiante, justamente numa época em que, se tivessem qualquer senso de religião ou de dever do seu ofício, teriam agido de outra maneira.
Deste capítulo
João 11:1
"Lázaro ficou doente em Betânia, onde estavam Maria e sua irmã Marta."
João 11:2
"Maria era aquela que havia ungido o Senhor com o óleo perfumado e enxugado os pés dele com os próprios cabelos. E Lázaro, que estava enfermo, era irmão dela."
João 11:3
"Por isso, suas irmãs mandaram dizer a Jesus: “Senhor, aquele que tu amas está enfermo”."
João 11:4
"Ao ouvir essas palavras, Jesus lhes disse: “Esta enfermidade não causará a morte, mas tem por finalidade a glória de Deus. Por meio dela, o Filho de Deus será glorificado”."
João 11:5
"Jesus amava Marta, Maria, sua irmã, e Lázaro."
João 11:6
"Mas, embora tivesse ouvido que ele estava enfermo, permaneceu ainda dois dias no mesmo lugar."
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