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João 1:29 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" No dia seguinte, João viu Jesus vindo até ele e disse: “Este é o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. "

João 1:29

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27 Esse é quem vem depois de mim; e eu não sou digno de lhe desatar a correia do calçado”.

28 Esse diálogo aconteceu em Betânia, além do Jordão, onde João estava batizando.

29 No dia seguinte, João viu Jesus vindo até ele e disse: “Este é o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.

30 É este de quem eu disse: Depois de mim virá um homem que me é superior, porque existe antes de mim.

31 Eu não o conhecia, mas, se vim batizar em água, é para que ele se torne conhecido em Israel”.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Estes versículos nos apresentam o testemunho de João Batista sobre Jesus Cristo, dito aos seus próprios discípulos. Logo depois de Cristo ser batizado, ele foi levado ao deserto para ser tentado e ali permaneceu quarenta dias. Enquanto Jesus estava ausente, João continuou falando a respeito dele e direcionando as pessoas para ele. Agora João vê Jesus voltando do deserto, depois de terminada aquela luta, enquanto João ainda está pregando e batizando.

Cristo foi tentado para nosso exemplo e consolo. Isso nos ensina que as aflições em tempos de tentação devem nos levar a permanecer perto do culto a Deus e dos meios de graça que ele instituiu, a entrar no santuário de Deus (Salmo 73:17). Nossas batalhas contra Satanás também devem nos manter próximos da comunhão dos crentes, porque “melhor é serem dois do que um”. Também aprendemos que vitória e honra não devem nos fazer imaginar que já não precisamos mais desses meios ordinários de graça. Cristo havia vencido Satanás e sido servido por anjos, e ainda assim voltou ao lugar onde João pregava e batizava. Enquanto estivermos deste lado do céu, devemos continuar andando com Deus por meio desses auxílios ordinários, mesmo depois de experiências especiais da graça de Deus.

João dá aqui dois testemunhos sobre Cristo, e ambos concordam. Primeiro, quando ele viu Jesus vindo do deserto, declarou que ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (João 1:29). Isso nos ensina que Jesus Cristo é o Cordeiro de Deus. Esse nome o apresenta como o grande sacrifício pelo qual o pecado é expiado e as pessoas são trazidas de volta para Deus. João aponta especialmente para os cordeiros da lei, porque o cordeiro é símbolo de mansidão e porque Cristo foi levado como cordeiro ao matadouro (Isaías 53:7). Ele provavelmente tem em mente o sacrifício diário, um cordeiro oferecido todas as manhãs e todas as tardes (Êxodo 29:38), que apontava para Cristo como o sacrifício permanente, cujo sangue continua intercedendo por nós. Ele também tem em vista o cordeiro da Páscoa, cujo sangue protegeu Israel do juízo do anjo destruidor. Cristo é a nossa Páscoa (1 Coríntios 5:7). Ele é o Cordeiro de Deus, designado por Deus (Romanos 3:25), consagrado a Deus (João 17:19) e aceito por Deus.

Jesus Cristo, como o Cordeiro de Deus, tira o pecado do mundo. Essa era a sua missão. Ele veio para aniquilar o pecado, oferecendo-se a si mesmo em sacrifício (Hebreus 9:26). João Batista havia chamado o povo ao arrependimento para que seus pecados fossem perdoados. Agora ele mostra como esse perdão vem e onde se apoia a nossa esperança, ainda que o nosso arrependimento não pague pelos nossos pecados. A nossa esperança é esta: Jesus Cristo é o Cordeiro de Deus.

Ele tira o pecado de duas maneiras. Primeiro, remove a culpa do pecado pelo valor da sua morte. Ele cancela a sentença que havia contra nós e revoga a condenação legal que pesava sobre a humanidade, para que os crentes penitentes e obedientes recebam perdão. Segundo, remove o poder do pecado por sua graça, por meio do Espírito Santo, de modo que o pecado já não tenha domínio sobre nós (Romanos 6:14). Como Cordeiro de Deus, Cristo nos lava de nossos pecados em seu próprio sangue; isso significa que ele tanto nos justifica diante de Deus como nos santifica. Ele está “tirando” o pecado do mundo, o que mostra que não se trata apenas de um ato isolado, mas de uma obra contínua. Ele continua tirando o pecado por sua intercessão permanente no céu e pela ação constante de sua graça na terra.

Ele tira o pecado do mundo. Isso quer dizer que ele assegura perdão para todos os que se arrependem e creem no evangelho, de qualquer país, nação ou língua. Os sacrifícios da lei lidavam apenas com os pecados de Israel, mas o Cordeiro de Deus foi oferecido como sacrifício pelo pecado de todo o mundo (1 João 2:2). Isso deve fortalecer a nossa fé. Se Cristo tira o pecado do mundo, por que não tiraria o meu pecado? Ele mirou a força principal do pecado, atingiu sua raiz e trabalhou para destruir a maldade que domina o mundo inteiro. Deus estava nele, reconciliando consigo o mundo.

Ele faz isso tomando o pecado sobre si. Alguns entendem assim: ele leva sobre si o pecado do mundo. Ele carregou o nosso pecado, e assim o remove de sobre nós. Ele levou o pecado de muitos, como o bode emissário sobre cuja cabeça eram postos os pecados de Israel (Levítico 16:21). Deus poderia ter tirado o pecado tirando o pecador, como fez com o mundo antigo. Em vez disso, ele encontrou um caminho para acabar com o pecado poupando os pecadores, fazendo seu Filho ser pecado por nós.

Cabe a nós contemplar o Cordeiro de Deus com o olhar da fé, enquanto ele tira o pecado do mundo. Devemos vê-lo removendo o pecado, e isso deve nos levar a odiar mais o pecado e combatê-lo com mais firmeza. Não devemos nos apegar àquilo que o Cordeiro de Deus veio tirar, porque Cristo ou levará embora os nossos pecados, ou levará a nós embora. Isso também deve aumentar o nosso amor por Cristo, que nos amou e nos lavou de nossos pecados em seu próprio sangue (Apocalipse 1:5). Seja o que for que Deus nos tire, se ele também tirar os nossos pecados, temos motivo para agradecer e nenhum motivo para murmurar.

Em segundo lugar, João declara que esta é a mesma pessoa de quem ele já havia falado: “Este é aquele” (João 1:30, João 1:31). Ele aponta diretamente para Jesus e diz: é este de quem eu vos falei, aquele que vem depois de mim. João teve uma honra maior do que os profetas que vieram antes dele, porque eles falaram de Cristo como alguém que ainda viria, mas João o viu já vindo. Ele pôde dizer: “É este”. Ele o viu então, o viu de perto, como a profecia de Balaão falava de um que havia de vir (Números 24:17). Há grande diferença entre crer agora e ver depois. Agora amamos aquele que não vimos. Então veremos aquele a quem nossas almas amam, e poderemos dizer: “Este é aquele de quem falei, meu Cristo e meu tudo, meu amado e meu amigo.”

João também chama Cristo de homem, dizendo que depois dele vem um homem. A palavra sugere um homem forte, alguém como o Varão, o Renovo, ou o Homem à destra de Deus. Ele faz questão de retomar o que já havia dito sobre Jesus. Aqueles que falaram as palavras mais elevadas sobre Cristo nunca terão motivo para retirá-las. Quanto mais o conhecem, mais certos ficam de seu valor. João continua pensando tão humildemente de si mesmo e tão altamente de Cristo quanto sempre pensou.

Embora Cristo não tenha vindo com aparência exterior impressionante ou esplendor real, João não se envergonhou de dizer abertamente: “Este é aquele de quem eu disse, o que é antes de mim”. Era importante que João identificasse Jesus dessa maneira, porque as pessoas não creriam facilmente que um homem de aparência tão comum fosse a grande pessoa que João havia anunciado.

João também deixa claro que ele não tinha nenhum acordo secreto com Jesus: “Eu não o conhecia”. Embora houvesse algum parentesco, já que Isabel era parenta de Maria, João e Jesus não eram próximos. João vivera no deserto, e Jesus em Nazaré, por isso não tinham tido contato pessoal. Isso mostra que tudo foi ordenado inteiramente por Deus, e não por qualquer combinação entre os dois homens.

João também afasta qualquer ideia de que falava bem de Jesus por amizade ou favoritismo. Ele não podia ser acusado de parcialidade, já que não o conhecia pessoalmente. Na verdade, ele não podia dizer nada sobre Jesus, a não ser o que Deus lhe havia revelado. Como ele depois afirma: “O homem não pode receber coisa alguma, se lhe não for dada do céu” (João 3:27). Aqueles que são ensinados por Deus creem e confessam aquele que não viram, e bem-aventurados são os que creem.

O principal propósito do ministério e do batismo de João era preparar o povo para Cristo. “Para que ele fosse manifestado a Israel”, diz João, “vim eu, por isso, batizando com água”. João não conhecia Jesus de vista no início, mas sabia que o Cristo haveria de ser revelado. Podemos estar certos de algo mesmo quando ainda não entendemos todos os seus detalhes.

A firme certeza de João de que Cristo seria manifestado lhe deu forças para seguir trabalhando fielmente, mesmo enquanto muitas coisas ainda lhe eram ocultas. “Eu vim”, ele diz. A realidade das coisas que ainda não vemos é suficiente para nos mover ao dever. Deus também revela seus propósitos passo a passo. Primeiro João sabia apenas que o Cristo apareceria; depois lhe foi concedido vê-lo. Aqueles que creem na palavra de Deus antes de verem seu cumprimento logo verão aquilo em que creram.

O ministério da Palavra e os sacramentos existem com um único propósito: conduzir as pessoas a Cristo e torná-lo mais claramente conhecido. O batismo com água preparava o caminho para a manifestação de Cristo, porque apontava para o nosso pecado e impureza, e para a purificação que ele concede como a fonte aberta.

João também aponta para o sinal de que Cristo tinha o Espírito descendo sobre ele do céu como uma pomba. Para fortalecer seu testemunho, ele se refere ao que aconteceu no batismo de Jesus, quando o próprio Deus deu testemunho. Isso foi uma forte prova da missão de Cristo. João declara com clareza que viu e testificou aquilo, falando como verdadeira testemunha ocular. Ele viu o Espírito descer do céu, ainda que, naturalmente, o que seus olhos viram foi a pomba, sinal visível do Espírito.

O Espírito veio sobre Cristo tanto para capacitá‑lo para sua obra como para torná‑lo conhecido ao mundo. Cristo não foi apresentado por uma coroa nem por um espetáculo de glória visível, mas pelo Espírito descendo como pomba, mostrando que ele estava devidamente equipado para sua obra de salvação. Do mesmo modo, a primeira confirmação dada aos apóstolos foi a vinda do Espírito sobre eles. Os filhos de Deus hoje são reconhecidos principalmente por suas graças espirituais, enquanto a sua glória plena é reservada para a vida futura.

O Espírito veio do céu, porque todo dom perfeito vem do alto. Ele veio como pomba, em harmonia com a obra mansa, branda e suave que realiza. A pomba que voltou a Noé trazendo o ramo de oliveira apontava para a paz (Gênesis 8:11). O Espírito também permaneceu sobre Cristo, como Isaías havia profetizado (Isaías 11:2). Ele não veio e se retirou, como acontecera com Sansão (Juízes 13:25), mas permaneceu sempre com Cristo. Jesus recebeu o Espírito sem medida, de modo que nunca esteve inapto para a sua própria obra nem incapaz de suprir a graça de que os outros precisam.

João também havia sido instruído de antemão a esperar esse sinal, o que tornou seu testemunho ainda mais firme. Ele não estava fazendo suposições ao concluir que aquele sobre quem viu o Espírito descer era o Filho de Deus; recebera previamente um sinal claro (João 1:33). João insiste em que nada sabia sobre Jesus além do que Deus lhe revelou. Aquele que o enviara a batizar lhe dissera: “Aquele sobre quem você vir o Espírito descer, este é o escolhido.”

Isso deu a João base sólida para o seu ministério. Ele fora enviado por Deus, portanto não agia por conta própria. A certeza do chamado é grande consolo para um ministro, ainda que o resultado não apareça de imediato. João também foi enviado a batizar com água, mas foi direcionado àquele que batizaria com o Espírito Santo. Isso significa que Cristo concederia o arrependimento e a fé que João exigia, e levaria à plenitude a obra para a qual João só preparava o caminho. É grande consolo para os ministros de Cristo saberem que aquele a quem servem pode conceder a graça à qual o ministério externo deles apenas aponta. Ele pode falar ao coração o que eles falam ao ouvido, e dar vida onde eles somente podem pregar.

João também tinha fundamentos claros para apontar o Messias pelo nome. Deus lhe dera um sinal, semelhante ao dado a Samuel sobre Saul: aquele sobre quem o Espírito descesse seria o escolhido. Isso o guardou do erro e deu ousadia ao seu testemunho. Tendo tal segurança, ele pôde falar com confiança. Quando o sinal correspondeu exatamente ao acontecimento, a fé de João foi ainda mais fortalecida. Essas coisas foram escritas para que também nós creiamos.

João conclui com a grande afirmação de sua testemunha, o ponto para o qual tudo o mais se encaminhava: “Eu vi e dou testemunho de que este é o Filho de Deus” (João 1:34).

A verdade que João declara é que Jesus é o Filho de Deus. A voz do céu já o havia afirmado, e João concordou com ela, não apenas quanto ao fato de que Jesus batizaria com o Espírito Santo por autoridade divina, mas também que ele possui natureza divina. Esta se tornou a confissão central da fé cristã: que Jesus é o Filho de Deus (Mateus 16:16), e aqui vemos essa confissão se delineando de forma clara.

João apresenta seu próprio testemunho sobre isso: “Eu vi, e tenho testificado.” Ele não quer dizer somente que está testemunhando naquele momento, mas que o fez assim que viu o sinal. Aquilo que viu, apressou‑se em relatar, como mais tarde os apóstolos disseram: “não podemos deixar de falar do que temos visto” (Atos 4:20). E o que testemunhava era algo que ele próprio presenciara. As testemunhas de Cristo foram testemunhas oculares; por isso eram mais dignas de confiança, pois não transmitiam relatos de segunda mão (2 Pedro 1:16).

No dia seguinte, João deu o mesmo testemunho sobre Cristo outra vez, como se vê em (João 1:35‑36). Ele aproveitava todas as oportunidades para conduzir pessoas a Jesus. João estava ali, contemplando Jesus enquanto ele passava. Parece que João se achava afastado da multidão, falando de perto com dois de seus discípulos. Os ministros de Deus devem testemunhar de Cristo não só na pregação pública, mas também na conversa particular, usando ambas em favor da causa de Cristo.

João viu Jesus andando a certa distância, e ainda assim não foi até ele, para que ninguém suspeitasse de qualquer combinação secreta. Ele fitou Jesus atentamente, fixando os olhos nele. Quem deseja conduzir outros a Cristo precisa gastar bastante tempo ocupando a mente com Cristo. João já havia visto Jesus antes, mas agora volta a contemplá‑lo (João 1:1).

João repetiu o mesmo testemunho que havia dado no dia anterior, embora pudesse ter dito alguma outra coisa importante a respeito de Jesus. Assim ele mostrou que seu testemunho era firme e coerente. O que ensinava em particular era o mesmo que ensinava em público, como também acontecia com o ensino de Paulo (Atos 20:20‑21). É proveitoso ouvirmos de novo aquilo que já ouvimos antes (Filipenses 3:1). E, acima de tudo, os ministros devem insistir repetidamente no sacrifício de Cristo para tirar o pecado do mundo: Cristo, o Cordeiro de Deus, Cristo crucificado.

João tinha em vista, de modo especial, os dois discípulos que estavam com ele. Seu propósito era entregá‑los a Cristo, e por isso falou de Cristo ao alcance da audição deles, para que deixassem tudo e o seguissem, ainda que isso implicasse deixarem o próprio João. Ele não considerava que perdia discípulos quando eles iam a Cristo, assim como um professor não pensa que perde um aluno quando o encaminha para a universidade. João ajuntava discípulos, não para si, mas para Cristo, para preparar um povo bem disposto para o Senhor (Lucas 1:17).

Tão longe estava João de ter ciúmes do crescimento da influência de Cristo, que nada o alegrava mais do que isso. Pessoas humildes e generosas se alegram em dar aos outros o que lhes é devido, sem temer que isso as diminua. O que temos em honra, como em outras coisas, não é reduzido quando damos a cada um o que é seu.

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