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Jeremias 33:17 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" Porque assim diz o Senhor: “Jamais faltará a Davi um sucessor para ocupar o trono da casa de Israel. "

Jeremias 33:17

menu_book Versículo no contexto

15 E nesses dias e nesses tempos farei nascer de Davi um rebento justo, que exercerá o direito e a equidade na terra.

16 Naqueles dias e naqueles tempos, Jerusalém viverá em segurança e será chamada Javé-Nossa-Justiça”.

17 Porque assim diz o Senhor: “Jamais faltará a Davi um sucessor para ocupar o trono da casa de Israel.

18 E, diante de mim, jamais faltarão descendentes aos sacerdotes e aos levitas para oferecer os holocaustos, queimar as oferendas e celebrar o sacrifício cotidiano”.

19 A palavra do Senhor foi dirigida a Jeremias nestes termos:

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auto_stories Comentário Bible Guided

Três alianças de Deus pareciam ter sido quebradas e perdidas durante o cativeiro: a aliança de reinado com Davi e sua descendência, a aliança de sacerdócio com Arão e sua descendência, e a aliança de escolha especial com Abraão e sua descendência. Mas Deus promete aqui que, embora essas alianças parecessem interrompidas por um tempo, todas as três voltariam a ter vida plena. Seu verdadeiro sentido seria ricamente cumprido nas bênçãos do Novo Testamento, prefiguradas pelos favores dados aos judeus depois que voltaram do cativeiro.

A aliança de reinado seria firmada, e suas promessas alcançariam seu pleno cumprimento no reino de Cristo, o Filho de Davi (Jeremias 33:17). O trono de Israel foi derrubado no cativeiro, a coroa caiu de sua cabeça, e não sobrou homem para se assentar no trono de Israel. Jeconias foi tido como quem não tinha filho. Depois do retorno do exílio, a família de Davi voltou a ter importância, mas essa promessa se cumpre, na realidade, no Messias. Davi nunca deixaria de ter homem que se assentasse no trono de Israel, porque Davi sempre teria um Filho que reinaria em seu trono.

Enquanto o Senhor Jesus Cristo estiver sentado à direita do trono de Deus, governando o mundo, e governando-o para o bem da igreja, à qual dá vida e sobre a qual é cabeça em todas as coisas, Davi não fica sem sucessor. A aliança com Davi não está quebrada. Quando o Primogênito foi introduzido no mundo, foi dito a respeito dele: “O Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai, e reinará para sempre sobre a casa de Jacó” (Lucas 1:32-33).

Para confirmar isso, Deus diz que sua aliança com Davi será tão firme quanto a ordem fixa dos céus, assim como a estabilidade da promessa de Deus já havia sido comparada antes à ordem dos céus (Jeremias 31:35-36). Há uma “aliança da natureza” que mantém em andamento o curso regular da providência, e aqui ela é chamada de aliança do dia e da noite (Jeremias 33:20, Jeremias 33:25). Uma parte dessa aliança é que haja dia e noite em seu tempo certo, segundo a ordem estabelecida na criação, quando Deus separou a luz das trevas e determinou seu curso e regra, de modo que o sol governasse o dia, e a lua e as estrelas governassem a noite (Gênesis 1:4-5, Gênesis 1:16). Essa ordem foi renovada depois do dilúvio (Gênesis 8:22) e tem continuado desde então (Salmo 19:2).

Manhã e tarde têm tempos determinados (Salmo 65:8). A alva conhece o seu lugar e a sua hora, e o crepúsculo da tarde também. Enquanto o mundo existir, essa ordem não mudará, e essa aliança não será quebrada. A ordem estabelecida dos céus e da terra, esse vínculo regular entre céu e terra, nunca falhará (Jeremias 33:25; compare com Jó 38:33). Da mesma forma, a aliança da redenção permanecerá firme com o Redentor, o Servo de Deus, e também Davi, nosso Rei (Jeremias 33:21).

Isso significa que Cristo terá uma igreja na terra até o fim do mundo. Ele verá um povo nascido para ele, e neles continuará sua obra até que o tempo chegue ao fim. O reino de Cristo é um reino eterno, e quando vier o fim, e não antes, ele o entregará a Deus Pai. Isso também significa que a condição de seu reino neste mundo será mista, com prosperidade e aflição se sucedendo, como dia e noite. Mas o ponto principal é claro: tão certo quanto o sol nascerá amanhã, vivamos nós para vê-lo ou não, tão certo é que, embora o reino do Redentor possa ficar por um tempo obscurecido e encoberto por corrupção e perseguição, ele voltará a brilhar e a recuperar sua glória no tempo determinado por Deus.

Deus também promete que a descendência de Davi será tão numerosa quanto o exército do céu, isto é, os filhos espirituais do Messias, nascidos para ele pelo poder do seu evangelho e do seu Espírito que atua com ele. “Desde a madre da alva, terás o orvalho da tua mocidade” (Salmo 110:3), isto é, Cristo terá um povo voluntário ajuntado a ele. A descendência de Cristo não é, como a dos filhos de Davi, sua sucessão no trono, mas seus súditos. No entanto, chegará o dia em que também reinarão com ele (Jeremias 33:22). Assim como as estrelas do céu não podem ser contadas, Deus multiplicará a semente de Davi, e não haverá perigo de o reino se extinguir ou ser cortado por falta de herdeiros. Os filhos são muitos, e, se são filhos, também são herdeiros.

A aliança de sacerdócio também seria firmada, e suas promessas chegariam à plena realização. Essa aliança igualmente parecia esquecida durante o cativeiro, quando não havia altar nem serviço do templo para os sacerdotes exercerem. Mas também isso reviveria. Reviveu de imediato após o retorno a Jerusalém, quando sacerdotes e levitas estavam prontos para oferecer continuamente holocaustos e sacrifícios (Esdras 3:2-3), como é prometido aqui (Jeremias 33:18).

Mesmo assim, esse sacerdócio logo se corrompeu, e a aliança com Levi foi quebrada na prática (como se vê em Malaquias 2:8). Em seguida, na destruição de Jerusalém pelos romanos, chegou ao fim. Portanto, é preciso buscar em outro lugar o pleno sentido desta promessa, de que a aliança com os levitas, sacerdotes, ministros de Deus, será tão firme e duradoura quanto a aliança do dia e da noite. Ela se cumpre plenamente, em primeiro lugar, no sacerdócio de Cristo, que ocupa o lugar do sacerdócio de Arão e é a realidade por trás daquela sombra. Enquanto esse grande sumo sacerdote, que nos representa, está sempre aparecendo diante de Deus por nós, apresentando o valor do seu sangue com que fez expiação, juntamente com o incenso da sua intercessão, pode-se dizer com verdade que os levitas não deixam de ter homem perante Deus para oferecer continuamente (Hebreus 7:3, Hebreus 7:17). Ele é sacerdote para sempre.

A aliança de sacerdócio também é chamada de aliança de paz (Números 25:12) e de aliança de vida e paz (Malaquias 2:5). Podemos estar certos de que essa aliança não está quebrada, nem sequer enfraquecida, enquanto o próprio Jesus Cristo é a nossa vida e a nossa paz. Essa aliança de sacerdócio é repetidas vezes ligada à aliança de reinado, porque Cristo é sacerdote no seu trono, à semelhança de Melquisedeque. Ela também se cumpre em um ministério evangélico estabelecido. Enquanto ministros fiéis lideram na adoração e oferecem os sacrifícios espirituais de oração e louvor, os sacerdotes e levitas não ficam sem sucessores, e estes são ministros que receberam um ministério mais excelente. O apóstolo diz que os que pregam o evangelho fazem o ofício dos que serviam ao altar (1 Coríntios 9:13-14).

Ela também se cumpre em todos os verdadeiros crentes, que são sacerdócio santo e sacerdócio real (1 Pedro 2:5, 1 Pedro 2:9), e que são feitos reis e sacerdotes para Deus (Apocalipse 1:6). Eles oferecem sacrifícios espirituais agradáveis a Deus e oferecem primeiro a si mesmos como sacrifícios vivos.

Esses levitas estão incluídos nesta promessa (Jeremias 33:22). Serão tão incontáveis quanto a areia do mar, assim como isso foi prometido a respeito de Israel em geral (Gênesis 22:17). Pois todo o Israel espiritual de Deus é sacerdócio espiritual, feito um povo santo para servi-lo (Apocalipse 5:9-10; Apocalipse 7:9, 15).

A aliança de favor especial também será mantida, e suas promessas serão plenamente cumpridas no Israel do evangelho. Observe primeiro como essa aliança parecia quebrada durante o cativeiro (Jeremias 33:24). Deus pergunta ao profeta: “Não tens visto o que este povo tem falado?” Isso pode se referir aos inimigos de Israel, que zombavam da destruição de um povo antes tão conhecido, ou aos próprios israelitas incrédulos, “este povo no meio do qual tu habitas”. Eles haviam quebrado a aliança com Deus, e depois o culpavam, como se ele não tivesse sido fiel a eles.

As duas famílias que o Senhor escolhera, Israel e Judá, tinham sido um só povo quando ele as escolheu. No entanto, agora diziam que ele as havia rejeitado totalmente. “Desprezam o meu povo” significa que tratavam a honra de ser povo de Deus como se não tivesse nenhum valor. As nações vizinhas olhavam para eles com desprezo porque já não eram vistos como nação, apenas como as ruínas de uma nação, e julgavam que toda a sua glória tinha sido reduzida a pó.

Mas veja quão firmemente a aliança ainda permanece. Ela é tão estável quanto a ordem do dia e da noite. Deus antes deixaria de haver dia e noite do que rejeitar a descendência de Jacó. Isso não pode se referir à descendência física de Jacó, pois esta foi, de fato, posta de lado por um tempo. Deve referir-se à igreja cristã, onde essas promessas haveriam de ser cumpridas, como o apóstolo explica (Romanos 11:1 e seguintes).

Cristo é a descendência prometida de Davi, aquele que reinará para sempre sobre os descendentes de Abraão, Isaque e Jacó. Assim como esse povo jamais ficará sem tal Rei, também esse Rei jamais ficará sem tal povo. O cristianismo continuará sob o governo de Cristo, e os cristãos permanecerão sujeitos a ele, até que dia e noite cheguem ao fim. Como sinal disso, a promessa é repetida: “Restaurarei a sua sorte”, e, depois de os trazer de volta, “terei misericórdia deles”.

Fica claro que essa promessa aponta para os crentes, pois em (Gálatas 6:16) todos os que andam conforme a regra do evangelho são chamados de Israel de Deus, e a eles são prometidas paz e misericórdia.

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