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Isaías 6:5 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" “Ai de mim!”, eu gritava. “Estou perdido, porque sou um homem de lábios impuros e habito com um povo (também) de lábios impuros e, entretanto, meus olhos viram o rei, o Senhor dos exércitos!” "

Isaías 6:5

menu_book Versículo no contexto

3 Suas vozes se revezavam e diziam: “Santo, santo, santo é o Senhor Deus do universo! A terra inteira proclama a sua glória!”

4 A esse brado, as portas estremeceram em seus gonzos, e a casa se encheu de fumaça.

5 “Ai de mim!”, eu gritava. “Estou perdido, porque sou um homem de lábios impuros e habito com um povo (também) de lábios impuros e, entretanto, meus olhos viram o rei, o Senhor dos exércitos!”

6 Porém, um dos serafins voou em minha direção; trazia na mão uma brasa viva, que havia tirado do altar com uma tenaz.

7 Aplicou-a à minha boca e disse: “Tendo esta brasa tocado teus lábios, teu pecado foi tirado, e tua falta, apagada.”

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auto_stories Comentário Bible Guided

Nossa curiosidade poderia nos levar a querer saber mais sobre os serafins, seus cânticos e seu serviço. Mas aqui precisamos deixar isso de lado e voltar nossa atenção para o que se passou entre Deus e seu profeta. As coisas secretas não pertencem a nós, inclusive o que está oculto no mundo angelical. O que foi revelado aos profetas e por meio deles, no que diz respeito ao governo de Deus entre os homens, é o que nos foi dado para ouvir.

Chegamos agora ao profundo choque do profeta diante da visão da glória de Deus (Isaías 6:5). “Então disse eu: Ai de mim!” Ele poderia ter dito: “Bem-aventurado sou eu, tão altamente favorecido, honrado e, por um tempo, elevado ao privilégio daquelas criaturas gloriosas que sempre veem a face do Pai. Bem-aventurados os olhos que viram o Senhor assentado em seu trono e os ouvidos que ouviram os anjos louvando-o.” Poderíamos supor que ele dissesse: “Sou feliz para sempre. Nada mais poderá me perturbar, envergonhar ou amedrontar.” Em vez disso, ele clama: “Ai de mim! Pois estou perdido. Ai de mim, estou condenado. Certamente morrerei” (Juízes 13:22; Juízes 6:22). Ele se sente silenciado, como se tivesse sido ferido de mudez e de morte. Do mesmo modo, Daniel ficou sem fala quando ouviu as palavras do anjo, e não restou nele força nem fôlego (Daniel 10:15, Daniel 10:17).

Observe o que o profeta pensou de si mesmo e que o encheu de temor: “Se Deus tratar comigo segundo a estrita justiça, estou arruinado, porque me tornei merecedor do seu desagrado. Sou um homem de lábios impuros.” Alguns entendem que ele se referia a alguma palavra descuidada que havia dito, ou ao pecado do silêncio, por não repreender o mal com a ousadia e liberdade que deveria. Esse é um pecado que os ministros de Deus têm grande motivo para confessar e lamentar. Mas as palavras também podem ser entendidas de forma mais ampla: sou pecador. Em particular, tenho pecado na fala, e quem não tem? (Tiago 3:2). Todos temos motivo para nos afligir por isso diante do Senhor.

Em primeiro lugar, nossos próprios lábios são impuros. Nossa fala não tem sido separada para Deus. Ele não tem recebido os primeiros frutos dos nossos lábios (Hebreus 13:15), por isso eles são tratados como comuns e impuros, como lábios incircuncisos (Êxodo 6:30). Pior ainda, foram contaminados pelo pecado. Temos falado a partir de corações impuros, e esse tipo de fala corrompe os bons costumes e contamina muitos. Somos indignos de tomar o nome de Deus em nossos lábios. Os anjos louvavam a Deus com lábios puros, mas o profeta diz: “Não posso louvá-lo assim, porque sou um homem de lábios impuros.” Até as melhores pessoas têm motivo para se envergonhar quando se comparam com os santos anjos. Os anjos acabavam de exaltar a pureza e a santidade de Deus, e é por isso que o profeta chama o pecado de impureza. O pecado é odioso porque se opõe à natureza santa de Deus. Isso deveria fazer o pecado parecer, para nós, ao mesmo tempo feio e assustador. A impureza dos nossos lábios deveria entristecer nossa alma, pois por nossas palavras seremos justificados ou condenados.

Em segundo lugar, vivemos no meio de um povo também contaminado. Devemos lamentar não apenas que nós mesmos somos impuros, mas que toda a humanidade está contaminada. Essa doença é herdada e generalizada. Isso não diminui nossa culpa; ao contrário, deveria aprofundar nossa tristeza. E é especialmente grave quando pensamos em quão pouco temos feito para ajudar a purificar a fala corrompida dos outros. Em vez disso, muitas vezes aprendemos seus caminhos e absorvemos sua linguagem, como José, no Egito, aprendeu o juramento dos cortesãos (Gênesis 42:16). “Habito no meio de um povo cujos pecados descarados estão atraindo juízos destruidores sobre a terra, e eu, sendo também pecador, posso justamente esperar ser incluído neles.”

O que despertou esses pensamentos tristes nele naquele momento foi isto: “Os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos.” Ele viu que o governo de Deus não pode ser contestado, pois ele é o Rei. Viu que o poder de Deus não pode ser resistido, pois ele é o Senhor dos Exércitos. Essas são verdades consoladoras para o povo de Deus, mas também devem encher-nos de temor reverente. Uma verdadeira visão da majestade gloriosa de Deus deve nos mover à reverência e ao santo temor. Temos fortes motivos para ser humilhados pela imensa distância entre Deus e nós, e pelo nosso próprio pecado e vergonha diante dele. Devemos temer o seu desagrado. Estamos perdidos, a menos que haja um Mediador, alguém que se ponha entre nós e este Deus santo (1 Samuel 6:20). Isaías foi humilhado dessa forma para ser preparado para a honra de ser chamado como profeta. Os mais aptos para servir a Deus são aqueles que pensam pouco de si mesmos e sentem profundamente sua própria fraqueza e indignidade.

Em seguida, os temores do profeta foram aquietados pelas boas e consoladoras palavras que vieram por meio do anjo (Isaías 6:6, Isaías 6:7). Um dos serafins voou rapidamente até ele para purificá-lo e assim acalmá-lo. Deus tem fortes consolações preparadas para os que se entristecem de modo santo. Aqueles que se humilham com vergonha e temor por causa do pecado logo serão encorajados e levantados. Os que são prostrados pelas visões da glória de Deus logo serão erguidos novamente pelas visitas da sua graça. O Deus que fere é o mesmo que sara. Os anjos são espíritos ministradores enviados para o bem do povo de Deus, especialmente para o seu bem espiritual. Aqui, um dos serafins foi afastado por um tempo da adoração diante do trono de Deus para levar uma mensagem de graça a um homem piedoso, e veio voando com alegria. Até mesmo ao nosso Senhor Jesus, em sua agonia, apareceu um anjo do céu para fortalecê-lo (Lucas 22:43).

Primeiro, vemos aqui um sinal consolador de que o pecado do profeta estava sendo removido. O serafim tomou uma brasa viva do altar e tocou com ela os lábios do profeta, não para feri-los, mas para curá-los. Não era um fogo para destruir, mas para purificar. Há purificações pelo fogo assim como pela água, e a imundícia de Jerusalém é lavada pelo espírito de julgamento e de queima (Isaías 4:4). O bendito Espírito opera como fogo (Mateus 3:11). O próprio serafim estava aceso com o fogo divino e transmitiu essa vida ao profeta, tornando-o mais fervoroso também. O caminho para purificar os lábios da impureza do pecado é encher a alma de amor por Deus. Essa brasa viva veio do altar, seja do altar do incenso ou do altar do holocausto, ambos com fogo continuamente aceso. Nada tem poder para purificar e consolar a alma senão o que procede do sacrifício de Cristo e da intercessão que ele sempre faz com base nesse sacrifício. Tem de ser uma brasa do altar dele que nos dá vida e paz. Fogo estranho não serve.

Em segundo lugar, o sentido do sinal lhe foi explicado: “Eis que isto tocou os teus lábios; e a tua iniquidade foi tirada, e purificado o teu pecado.” A culpa do seu pecado foi removida mediante a misericórdia que perdoa, especialmente a culpa dos pecados da língua. Sua natureza pecaminosa é tratada pela graça que renova. Por causa disso, nada o impede de ser aceito por Deus como adorador, nem de ser usado por ele como mensageiro para os outros. Só aqueles que são purificados de uma má consciência estão prontos para servir ao Deus vivo (Hebreus 9:14).

A remoção do pecado é necessária para que falemos com confiança e paz, seja com Deus em oração, seja da parte de Deus na pregação. Ninguém é tão apto para mostrar aos outros as riquezas e o poder da graça do evangelho quanto aqueles que provaram essa graça e sentiram sua operação em si mesmos. Os que se queixam do pecado como um fardo, e veem que ele os põe em perigo de se perderem, são justamente os que terão seu pecado tirado.

Vemos, então, a renovação da missão do profeta (Isaías 6:8). Aqui há um diálogo entre Deus e Isaías a respeito de seu chamado. Aqueles que desejam auxiliar outros em seus relacionamentos com Deus não devem ser estranhos a esse tipo de comunhão com ele. Como esperar que Deus fale por meio de nós, se nunca ouvimos sua voz falando conosco? Como ser a boca de outros diante de Deus, se nunca falamos com ele com sinceridade em nosso próprio nome?

Observe, em primeiro lugar, o propósito de Deus quanto à missão de Isaías. Deus é descrito, em linguagem humana, como pensando e perguntando: A quem enviarei? E quem há de ir por nós? Deus não precisa de conselho de outrem nem de consultar a si mesmo. Ele já sabe o que fará. Mas isso mostra que há um sábio propósito em tudo o que ele determina, e nos ensina a ponderar cuidadosamente nossos próprios caminhos. Mostra também que o envio de ministros é assunto de reflexão madura, não de pressa.

Note quem é o que fala. É o Senhor Deus em sua glória, aquele que Isaías viu no trono, alto e sublime. Isso confere grande honra ao ministério, porque, quando Deus quis enviar um profeta em seu nome, apareceu na glória do céu. Os ministros são embaixadores do Rei dos reis. Por mais humildes que sejam, grande é aquele que os envia. É o Deus uno em três pessoas, Pai, Filho e Espírito Santo, perguntando: “Quem há de ir por nós?” Isso faz lembrar (Gênesis 1:26): “Façamos o homem.” Eles atuam em conjunto na criação e também na redenção e no governo. Os ministros são separados para o mesmo nome no qual todos os cristãos são batizados.

Note também sobre o que é a pergunta: A quem enviarei? E quem há de ir por nós? Alguns entendem que isso se refere especialmente à mensagem de juízo contra Israel em Isaías 6:9-10. Nesse caso, a pergunta seria: quem estaria disposto a levar uma mensagem tão dolorosa, que deixaria o mensageiro amargurado e entristecido no íntimo (Ezequiel 3:14)? Mas é melhor entender essas palavras de modo mais amplo, abrangendo todas as mensagens que Isaías recebeu para levar àquele povo em nome de Deus. O efeito de endurecimento mencionado em Isaías 6:9-10 não era o objetivo principal da mensagem, mas um resultado que se acrescentou a ela (2 Coríntios 2:16).

A quem enviarei? Isso mostra que a obra exigia um mensageiro escolhido e bem preparado (Jeremias 49:19). Deus agora se manifestava cercado de anjos santos e, ainda assim, pergunta: A quem enviarei? Ele queria enviar a eles um profeta dentre seus próprios irmãos (Hebreus 2:17). Isso é uma grande bondade de Deus: ele envia sua mensagem por meio de pessoas como nós, cuja fraqueza não nos aniquila, e que são elas mesmas alcançadas pelas mensagens que transmitem. Aqueles que cooperam com Deus são pecadores e sofredores como todos os demais.

Também é raro encontrar alguém apto a ir por Deus e levar sua mensagem às pessoas. A quem enviarei? Quem é suficiente para isso? Um ministro fiel precisa ter, ao mesmo tempo, coragem para com Deus e zelo pelas almas das pessoas. Precisa também ter entendimento suficiente dos mistérios do reino de Deus para falar com sabedoria. Uma pessoa assim é rara, “um dentre mil” (Jó 33:23). E ninguém tem o direito de ir por Deus se não for por ele enviado. Ele só reconhece aqueles que ele mesmo designa (Romanos 10:15). É obra de Cristo colocar homens no ministério (1 Timóteo 1:12).

Em seguida, observe a resposta pronta de Isaías: Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim. Ele estava sendo chamado para uma missão triste e difícil. O ofício parecia indesejado, algo de que todos os outros fugiriam. Mesmo assim, Isaías se ofereceu para a tarefa. É uma honra permanecer sozinho no serviço de Deus (Juízes 5:7). Não se deve dizer: “Irei, se achar que vou ter sucesso.” Deve-se dizer: “Irei, e deixarei o resultado nas mãos de Deus. Eis-me aqui, envia-me a mim.”

Há pouco tempo, Isaías estava angustiado, cheio de dúvidas e temores (Isaías 6:5). Mas, quando recebeu a certeza de que seu pecado tinha sido perdoado, as nuvens se dissiparam. Então ele ficou pronto para servir e ansioso por fazê-lo. Suas palavras demonstram sua disposição: “Eis-me aqui, um voluntário, não alguém coagido ao serviço.” A ideia é: “Olha para mim.” Deus diz a nós: “Olha para mim” (Isaías 65:1) e “Eis-me aqui” (Isaías 58:9), até antes de o invocarmos. Devemos responder da mesma forma quando ele nos chama.

As palavras de Isaías também revelam sua firme decisão: “Eis-me aqui, pronto para enfrentar a obra mais difícil.” Ele havia firmado o rosto como pederneira. Compare Isaías 50:4-7. E mostram ainda que ele se colocou nas mãos de Deus: “Envia-me para onde quiseres. Usa-me como te agradar. Dá-me a tua comissão e instruções claras, e então certamente me sustentarás.” É grande consolo para os que Deus envia saber que vão em nome dele. Eles podem falar com autoridade em seu nome e podem confiar que ele estará ao lado deles.

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