Versículo em destaque
Isaías 54:11 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Infeliz, sacudida pela tempestade e sem alívio, eis que vou construir você em pedra de jaspe e preparar seus alicerces de safira. "
Isaías 54:11
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
9 Vou fazer hoje como no tempo de Noé: assim como jurei então que o dilúvio de Noé não mais se abateria sobre a terra, do mesmo modo faço juramento de não mais me irritar contra você e de nunca mais atemorizar você.
10 Mesmo que as montanhas oscilassem e as colinas se abalassem, jamais meu amor abandonará você, e jamais meu pacto de paz vacilará, diz o Senhor que se compadeceu de você.
11 Infeliz, sacudida pela tempestade e sem alívio, eis que vou construir você em pedra de jaspe e preparar seus alicerces de safira.
12 Farei suas ameias de rubis, suas portas de cristal e todo um recinto de pedras preciosas.
13 Todos os seus filhos serão instruídos pelo Senhor, e a felicidade deles será grande; você será fundada sobre a justiça.
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Aqui são dadas promessas preciosíssimas à igreja, num estado de humilhação e tribulação. Deus não apenas declara que continuará amando o seu povo em meio às aflições, como sempre fez, mas também que o trará de volta ao bem-estar anterior, elevando-o ainda a uma bênção maior do que qualquer coisa que já tenha conhecido.
No capítulo anterior vimos a humilhação e a exaltação de Cristo. Aqui vemos a humilhação e a exaltação da igreja, pois, se com ele sofremos, com ele também reinaremos. Primeiro, note-se a condição aflita da igreja sob a providência de Deus: “Tu, oprimida, arrojada com a tormenta e desconsolada” (Isaías 54:11). É como um navio arrancado da âncora pela tempestade e lançado ao mar alto, prestes a ser engolido pelas ondas, sem nenhum amigo ao lado para consolá-lo ou ajudá-lo a ter pensamentos mais cheios de esperança (Eclesiastes 4:1).
Essa era a situação dos judeus na Babilônia e, depois, por um tempo, sob Antíoco. E é muitas vezes a condição de igrejas cristãs e de crentes individualmente. Há lutas por fora e temores por dentro. São como os discípulos no meio da tempestade, quase a perecer, e a fé parece muito fraca.
Em segundo lugar, note-se a condição gloriosa em que a igreja é colocada pela promessa de Deus. Ele vê o estado aflito e conturbado de sua igreja e a consola quando está mais abatida e sem outro consolador. Quando o povo de Deus está afligido e agitado por provações, pode ouvir o Senhor falando com ternura nestas palavras. Ele nota suas dores e seus temores, as tribulações em que se encontram e o consolo de que necessitam. Quando eles choram por causa de si mesmos, Deus, por assim dizer, se compadece deles e fala com piedade: “Tu, oprimida, arrojada com a tormenta e desconsolada”, pois em toda a sua angústia ele é angustiado juntamente com eles.
Mas Deus faz mais do que se compadecer. Ele promete tirá-los do aperto e anima com grandes coisas que fará por eles, tanto para lhes dar prosperidade como para torná-la segura.
Primeiro, justamente no lugar em que ela agora jaz em vergonha, Deus promete aquilo que se tornará sua beleza e honra, tornando-a agradável diante dele e estimada aos olhos dos outros. Isso é apresentado com a imagem de uma cidade, o que é muito adequado, pois a igreja é a cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial. Jerusalém agora está em ruínas, como um monte de entulho, mas não apenas será reedificada: será embelezada e aparecerá mais esplêndida do que nunca. Suas pedras serão assentadas não apenas com firmeza, mas com riqueza, com belas cores. Serão pedras que brilham (1 Crônicas 29:2). Seus fundamentos serão lançados sobre safiras, a mais preciosa das pedras mencionadas aqui, pois Cristo, o fundamento da igreja, e o fundamento dos apóstolos e profetas, é mais precioso do que qualquer outra coisa. Suas janelas serão de ágatas, suas portas de carbúnculos, e todos os seus termos, isto é, seus muros e limites, serão de pedras agradáveis (Isaías 54:12).
Isto nunca se cumpriu de forma literal, mas sugere várias verdades. Como Deus, em sua graça, assumiu para si a obra de edificar a sua igreja, devemos esperar que grandes e extraordinárias coisas sejam feitas por ela e nela. Também mostra que a glória da igreja do Novo Testamento excederá em muito a da igreja judaica, não em ostentação exterior, mas nos dons e graças do Espírito, que são muito mais valiosos: a sabedoria, que é mais preciosa do que rubis (Provérbios 3:15), o precioso ônix e a safira, e o topázio da Etiópia, que não podem ser comparados com ela (Jó 28:16, Jó 28:19). Ensina ainda que as riquezas deste mundo, e aquilo que as pessoas consideram mais precioso, devem ser desprezadas pelos verdadeiros membros da igreja, porque não têm valor em comparação com o que é infinitamente melhor. Aquilo que os filhos deste mundo ajuntam como tesouro e muitas vezes escondem no coração, os filhos de Deus usam como pavimento, colocando aos pés.
Em segundo lugar, essa promessa se especifica nas coisas que serão a beleza e a honra da igreja: conhecimento, santidade e amor, a própria imagem de Deus, na qual o ser humano foi criado, renovado e restaurado. São essas as safiras e carbúnculos, as pedras preciosas e agradáveis com as quais o templo do evangelho será enriquecido e adornado, pelo poder das doutrinas que o apóstolo compara a ouro, prata e pedras preciosas, edificadas sobre o fundamento (1 Coríntios 3:12).
Assim, a igreja é verdadeiramente gloriosa quando é cheia do conhecimento de Deus, e isso é prometido aqui: “Todos os teus filhos serão discípulos do Senhor” (Isaías 54:13). Os filhos da igreja, sendo nascidos de Deus, serão ensinados por Deus. Como são seus filhos por adoção, ele cuidará de sua educação. Já havia sido prometido que os filhos da igreja seriam muitos (Isaías 54:1), mas agora Deus cuida para que não se pense que uma família numerosa implicará descuido. Ele toma essa obra em suas próprias mãos: todos serão ensinados pelo Senhor, e ninguém ensina como ele.
Primeiro, isso significa a provisão de ensino e de métodos corretos de instrução, estabelecidos por mandado divino. Serão todos ensinados por Deus, isto é, ensinados por aqueles que ele designa, cujo trabalho será guiado e abençoado por ele. Ele ordenará a forma como são instruídos e, por meio de sua Palavra e de seu culto, espalhará muito mais luz do que a igreja do Antigo Testamento possuía. Haverá cuidado em ensinar os filhos da igreja, para que o conhecimento seja transmitido de geração em geração, e todos, desde o menor até o maior, sejam enriquecidos por ele.
Também significa a luz do Espírito no coração. Nosso Salvador cita essa promessa e a aplica à graça do evangelho, mostrando que ela se cumpre em todos os que vêm a crer nele (João 6:45). Ele declara que só vêm a ele, pela fé, aqueles que ouviram e aprenderam do Pai, isto é, os que são ensinados por ele como a verdade está em Jesus (Efésios 4:21). Haverá uma rica efusão do Espírito de graça sobre os cristãos, ensinando-lhes todas as coisas (João 14:26).
A igreja também é gloriosa quando seus membros vivem em amor e unidade uns com os outros: “A paz de teus filhos será abundante” (Isaías 54:13). Paz aqui pode significar todo bem. Assim como onde não há conhecimento de Deus não se pode esperar coisa boa, também aqueles que são ensinados por Deus a conhecê-lo estão bem encaminhados para a bem-aventurança, tanto nesta vida como na futura. Grande paz têm os que conhecem e amam a lei de Deus (Salmo 119:165). Mas paz muitas vezes significa amor e concorde união, e é provavelmente o sentido principal aqui.
Todos os que são ensinados por Deus são ensinados a amar uns aos outros (1 Tessalonicenses 4:9). Esse amor preserva a paz entre os filhos da igreja e os impede de romperem a comunhão pelo caminho. Quando a santidade governa, então a verdadeira beleza da igreja aparece, como diz Isaías 54:14: “Em justiça serás estabelecida”. A reforma de vida, o retorno à pureza, o reto exercício da justiça pública e a honestidade nos relacionamentos entre as pessoas são a força e o amparo de qualquer igreja ou nação. O reino de Deus, estabelecido pelo evangelho de Cristo, não consiste em comida e bebida, mas em justiça, paz, santidade e amor.
Enquanto a igreja está agora em perigo, Deus promete aquilo que a protegerá e a tornará segura. Ele declara que, no dia da tribulação, quando houver ameaças por fora e temores por dentro, ela estará livre de ambos. Não haverá temores internos, como diz Isaías 54:14: “Estarás longe da opressão”. Aqueles que te oprimiram serão afastados, e os que poderiam oprimir serão contidos. Assim, não precisarás temer. Poderás considerar o perigo como algo distante, pois não estás em risco presente. Estarás longe do terror, não apenas do mal em si, mas até do medo do mal, porque ele não se aproximará de ti para te ferir ou amedrontar.
As pessoas estão, de fato, longe do terror quando estão longe da opressão. Um dos maiores pavores que pode recair sobre uma nação é quando a vara do governo se torna a serpente da tirania. Contra isso não há muralha segura nem refúgio para escapar. Também não haverá ataques de fora. Ainda que inimigos tentem insultar o povo de Deus, invadir sua terra ou cercar suas cidades, fracassarão, como afirma Isaías 54:15. É admitido que se ajuntarão contra ti; portanto, isso deve ser esperado. A força combinada do inferno e da terra continuará renovando seus ataques. Enquanto houver um diabo no inferno e um perseguidor fora dele, o povo de Deus deve esperar repetidos alarmes.
Mesmo assim, Deus não apoiará os inimigos do seu povo. Ele não lhes dará permissão nem favor. Eles podem se ajuntar, dar as mãos, unir forças, mas não é por ordem dele. Deus não lhes deu mandado algum, como deu a Senaqueribe, rei da Assíria, quando o enviou para saquear e despojar (Isaías 10:6). Por isso, o ataque deles acabará em sua própria ruína. Todo aquele que se ajuntar contra você, por mais numerosos e fortes que sejam, não só será derrotado, mas cairá por sua causa, cairá diante de você. Isso será o justo castigo pelo ódio que nutriram contra você. Deus os fará cair por causa do amor que tem por sua igreja, do cuidado que tem dela, das orações do seu povo e das promessas que fez a eles. “Cairão”, como diz o Salmo 27:2, “para que você permaneça em pé”.
Para fortalecer nossa confiança na proteção de Deus sobre a sua igreja, o poder de Deus sobre os inimigos dela é claramente afirmado em Isaías 54:16. Eles não têm poder algum, a não ser o que lhes é dado do alto, e aquele que lhes dá poder pode limitá-lo e contê-lo. Eles só podem avançar até onde Deus permite. Em primeiro lugar, eles não podem executar seus planos sem armas, e o ferreiro que faz essas armas é criatura de Deus. Foi Deus quem lhe deu a habilidade de trabalhar o ferro e o bronze (Êxodo 31:3-4), inclusive a capacidade de produzir instrumentos de guerra. É triste pensar quão engenhosos e ativos os homens são em fabricar instrumentos de morte e em inventar maneiras de se matar uns aos outros. O ferreiro atiça o fogo até ficar bem quente, para amolecer o ferro e depois endurecê-lo em aço, tirando dali uma ferramenta para quem quer destruir. Este é o tempo do ferro, o tempo da guerra. Mas Deus criou o ferreiro, e por isso pode atar-lhe as mãos, fazendo fracassar o plano do inimigo por falta de armas e suprimentos.
O ferreiro que forja armas também pode representar o conselho de guerra que elabora o plano, inflama o conflito e traz à luz a estratégia de batalha. Mesmo isso não pode ir além do que Deus permite. Em segundo lugar, o inimigo não pode travar guerra sem soldados. É Deus quem criou o destruidor. Os militares costumam se orgulhar de suas patentes e títulos, e até soldados comuns gostam de se considerar homens importantes. Mas Deus os chama de destruidores, feitos para a ruína, porque desperdiçar e destruir é o seu ofício. Eles podem imaginar que sua própria habilidade, esforço e experiência os fizeram soldados, porém foi Deus quem os criou e lhes deu a força e o espírito necessários para essa tarefa perigosa. Por isso, ele não só pode contê-los, como também pode usá-los para cumprir os seus próprios propósitos.
A promessa de Deus quanto à segurança da igreja é então estabelecida de modo solene como a herança dos servos do Senhor (Isaías 54:17). É algo em que eles podem confiar plenamente: Deus os protegerá de seus inimigos, tanto nos conflitos de guerra quanto nos tribunais. Primeiro, ele os guardará dos inimigos de campo, que tentam destruí-los pela força e violência, pela espada. “Nenhuma arma forjada contra ti”, ainda que habilmente feita pelo ferreiro que assopra as brasas (Isaías 54:16), e ainda que manejada com astúcia pelo destruidor, “prosperará”. Ela não será forte o bastante para causar dano verdadeiro ao povo de Deus. Errará o alvo, cairá da mão de quem a empunha, ou até se voltará contra aquele que a usou contra eles.
A igreja é bem-aventurada porque nenhuma arma preparada contra ela triunfará por muito tempo. Ao final, a insensatez de seus inimigos ficará evidente para todos, porque, na verdade, eles só estão forjando instrumentos de ruína para si mesmos. Em segundo lugar, Deus protegerá o seu povo dos inimigos legais, que tentam esmagá-los sob a aparência de lei e justiça. Quando as armas de guerra não têm sucesso, ainda restam línguas que se levantam em juízo. Ambos os tipos de inimigos pertencem às portas do inferno, que pelejam contra a igreja. As portas de uma cidade abrigavam tanto seus tribunais quanto seus arsenais. As línguas que se levantam em juízo contra a igreja são as que reivindicam autoridade sobre ela, como se os filhos de Deus fossem seus cativos legítimos, e fingem ter direito de oprimir a consciência. Ou são línguas que deturpam o povo de Deus, os acusam falsamente e, por meio de calúnia e mentira, procuram torná-los odiados pelo povo e vulneráveis diante do governo.
Foi isso que os inimigos dos judeus fizeram quando atiçaram os reis da Pérsia contra eles (Esdras 4:12; Ester 3:8). Mas essas línguas injuriosas e ameaçadoras você condenará. Você terá meios para responder às suas exigências arrogantes e silenciar suas mentiras cheias de ódio. Fará isso praticando o bem (1 Pedro 2:15), vivendo de modo que até os seus inimigos, em suas consciências, vejam que você não é aquilo que eles dizem.
Você os condenará, isto é, Deus os condenará por você. Ele fará brilhar a sua justiça como a luz do meio-dia (Salmo 37:6). Você os condenará, assim como Noé condenou o mundo antigo que zombava dele, construindo a arca e salvando a sua casa, enquanto eles riam e pereciam.
Virá o dia em que Deus julgará os ímpios por todas as palavras duras que falaram contra ele (Judas 1:15). As últimas palavras deste versículo se referem não só a esta promessa, mas a tudo o que foi dito antes: “Esta é a herança dos servos do Senhor.” Os servos de Deus são seus filhos, porque ele lhes preparou uma herança rica, segura e que não pode ser tirada. As promessas de Deus são sua possessão permanente (Salmo 119:111), e “a sua justiça vem de mim, diz o Senhor”.
Deus fará com que os outros reconheçam que a causa deles é justa. A causa deles está nas mãos dele, pois ele a conhece e a defenderá. Ou o sentido pode ser que a recompensa por sua justiça, e por tudo o que sofreram injustamente, vem de Deus, aquele que julga a terra e com quem há, de fato, recompensa para o justo. Ou ainda, pode significar que a própria justiça deles, tudo o que há de bom e reto neles, procede de Deus, que a opera neles. Vem de Cristo, que foi feito justiça em favor deles. Naqueles para quem Deus preparou uma herança futura, ele produz justiça agora.
Deste capítulo
Isaías 54:1
"Dê gritos de alegria, estéril, você que não tem filhos; entoe cânticos de júbilo, você que não dá à luz, porque os filhos da desamparada serão mais numerosos do que os da mulher casada, declara o Senhor."
Isaías 54:2
"Amplie o espaço de sua tenda, desdobre sem constrangimento as telas que abrigam você, alongue suas cordas, consolide suas estacas,"
Isaías 54:3
"pois você deverá se estender à direita e à esquerda; seus descendentes vão invadir as nações e povoar as cidades desertas."
Isaías 54:4
"Não tema nada; você não será desapontada. Não se sinta perturbada; não terá do que se envergonhar, porque vai se esquecer da vileza de sua juventude. Já não se lembrará da desonra de sua viuvez,"
Isaías 54:5
"pois seu esposo é o seu Criador: chama-se o Senhor dos exércitos; seu Redentor é o Santo de Israel: chama-se o Deus de toda a terra."
Isaías 54:6
"Como uma mulher abandonada e aflita, eu chamo você. Pode-se repudiar uma mulher desposada na juventude? — diz o Senhor, seu Deus."
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