Versículo em destaque

Isaías 42:5 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" Eis o que diz o Senhor Deus, que criou os céus e os desdobrou, que firmou a terra e toda a sua vegetação, que dá respiração a seus habitantes e o sopro vital àqueles que pisam o solo: "

Isaías 42:5

menu_book Versículo no contexto

3 Não quebrará o caniço rachado, nem apagará a mecha que ainda fumega. Anunciará com toda a franqueza a verdadeira religião; não desanimará nem desfalecerá,

4 até que tenha estabelecido a verdadeira religião sobre a terra e até que as ilhas desejem seus ensinamentos.

5 Eis o que diz o Senhor Deus, que criou os céus e os desdobrou, que firmou a terra e toda a sua vegetação, que dá respiração a seus habitantes e o sopro vital àqueles que pisam o solo:

6 “Eu, o Senhor, realmente chamei você; segurei você pela mão, formei você e designei você para ser a aliança com os povos, a luz das nações;

7 para abrir os olhos dos cegos, tirar do cárcere os prisioneiros e da prisão aqueles que vivem nas trevas.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui está o primeiro ponto da aliança que Deus fez com o Messias e da missão que lhe confiou, em (Isaías 42:5-7). Esses versículos explicam o que está em (Isaías 42:1): “Eis aqui o meu Servo, a quem sustenho”.

Deus fala primeiro com seus títulos reais, o que manifesta a sua glória e o distingue de todo falso deus. “Assim diz Deus, o Senhor” aponta para aquele que dá ser e poder a todas as coisas. Ele criou os céus e os estendeu, e ainda hoje sustém essa vasta expansão (Isaías 40:22). Espraiou a terra e a tornou adequada para a vida, e tudo quanto nela produz vem do seu poder. Ele dá respiração ao povo que nela está, não só o ar que se respira, mas a própria vida, junto com as capacidades e faculdades de uma alma racional.

Esse título é colocado antes da aliança de Deus com o Messias por uma razão importante. Mostra que Deus tem plena autoridade para firmar tal aliança e dar tal missão. Mostra também que a obra da redenção tem por objetivo defender a honra do Criador e trazer as pessoas de volta à obediência que lhe devem como seu Autor e Formador.

Em seguida, Deus dá ao Messias uma forte garantia de sua presença e ajuda no cumprimento dessa obra. O Messias não tomou para si, por conta própria, a honra de ser mediador, isto é, de se pôr entre Deus e os pecadores. Ele foi chamado por Deus em justiça (Hebreus 5:4). Deus não lhe fez injustiça ao chamá‑lo para esse serviço tão árduo, porque o próprio Messias se ofereceu voluntariamente. Ao mesmo tempo, Deus mantinha a sua própria honra e cumpria a palavra que havia falado.

Deus também promete segurar a sua mão e fortalecê‑lo na obra. Ele o manteria firme, impediria que falhasse e o apoiaria do começo ao fim. Essa promessa se cumpriu quando um anjo veio do céu para fortalecer Cristo em sua agonia, e quando o próprio Pai esteve com ele. Aqueles a quem Deus chama, ele reconhece e ajuda. Ele segura as suas mãos.

O propósito dessa missão traz grande consolo às pessoas. Cristo foi dado como “aliança do povo”, isto é, ele é o mediador, o fiador da aliança da graça, o pacto salvador que Deus faz com o seu povo e que se resume todo nele. Ao nos dar Cristo, Deus nos dá gratuitamente todas as bênçãos da nova aliança.

Cristo traz ao mundo gentílico duas grandes bênçãos: luz e liberdade. Ele é dado como luz para os gentios, não apenas para dizer o que precisam saber, mas para abrir olhos cegos a fim de que possam conhecer a verdade. Pelo seu Espírito operando por meio da palavra, ele apresenta a verdade. Pelo seu Espírito operando no coração, ele prepara a mente para recebê‑la. Quando o evangelho chegou, a luz chegou, uma grande luz, aos que estavam assentados em trevas (Mateus 4:16; João 3:19). Paulo foi enviado aos gentios para lhes abrir os olhos (Atos 26:18). Cristo é a luz do mundo.

Ele também é enviado para proclamar liberdade aos cativos, como Ciro fez quando libertou prisioneiros. Mas Cristo faz mais do que apenas abrir portas de prisões e dar permissão para sair, o máximo que Ciro podia fazer. Cristo de fato tira as pessoas de lá pela sua graça e as capacita a usar a liberdade que recebem. Só aqueles cujos espíritos Deus desperta é que saem de fato.

A parte seguinte confirma essa promessa, para que tenhamos certeza de que é verdadeira. Primeiro, considere‑se a autoridade de quem faz a promessa: “Eu sou o Senhor, Jeová, este é o meu nome” (Isaías 42:8). É o nome com que Deus se fez conhecer quando começou a cumprir a promessa feita aos patriarcas, enquanto antes disso se revelara como Deus Todo‑Poderoso (Êxodo 6:3). Se ele é o Senhor que dá ser e vida a todas as coisas, então também dará ser e vida a essa promessa. Como o seu nome é Jeová, nome que pertence somente a Deus, é certo que não dará a sua glória a outro, muito menos a imagens de escultura.

Por isso ele enviará o Messias para abrir os olhos das pessoas e tirá‑las dos ídolos mudos, para servirem ao Deus vivo. Embora Deus por muito tempo tenha deixado passar tempos de ignorância, agora ele sustentará a sua própria honra e não repartirá a sua glória com imagens de escultura. Ele cumprirá a sua palavra, porque não perderá a honra de ser verdadeiro. E também libertará o seu povo dos idólatras, porque pareceria que tivesse dado o seu louvor às imagens se deixasse seus adoradores debaixo do poder delas.

Em segundo lugar, Deus aponta para o cumprimento de suas promessas antigas como prova de que sua palavra é verdadeira e de que ele cuida do seu povo (Isaías 42:9). “Eis que as primeiras coisas já sucederam”, isto é, Deus já ajudou a sua igreja, já a sustentou em tribulações passadas e a aliviou em angústias anteriores, conforme havia prometido aos pais. Nem uma só palavra falhou (1 Reis 8:56). Agora ele anuncia coisas novas. Fará novas promessas, que se cumprirão com a mesma certeza com que se cumpriram as antigas. Dará novas bênçãos, coisas que ainda não tinham sido concedidas.

Israel já havia recebido muitas bênçãos do Antigo Testamento. Agora Deus anuncia as bênçãos do Novo Testamento, não tanto uma terra fértil e domínio sobre os vizinhos, mas bênçãos espirituais nas regiões celestiais. Ele fala dessas coisas antes que apareçam na pregação do evangelho, falando delas por meio da sombra e do modelo dos atos anteriores. As bênçãos que Deus já concedeu devem nos animar a esperar mais, porque ele continua cuidando do seu povo, e suas misericórdias se renovam sempre.

Em seguida vem o cântico de alegria e louvor que deve se elevar para a glória de Deus (Isaías 42:10). “Cantai ao Senhor um cântico novo”, um cântico do Novo Testamento. Dar Cristo como luz para os gentios era algo novo e surpreendente (Isaías 42:6). Paulo fala disso como um mistério oculto em idades passadas, mas agora revelado: que os gentios seriam coerdeiros com o povo de Deus (Efésios 3:5-6). Sendo essa a coisa nova que Deus anuncia, o cântico é novo nesse sentido: antes, os cânticos ao Senhor estavam em grande parte ligados ao templo em Jerusalém. Os salmos de Davi estavam na língua dos judeus e eram cantados por eles na sua própria terra. Quando foram levados a uma terra estranha, penduraram as harpas e não puderam cantar o cântico do Senhor (Salmo 137:2-4). Agora cânticos de santa alegria e louvor seriam entoados em todo o mundo.

As nações gentílicas participariam em pé de igualdade com os judeus nas bênçãos do Novo Testamento. Por isso, também se uniriam no louvor e na adoração próprios do Novo Testamento. Igrejas seriam plantadas entre os gentios, e eles cantariam um cântico novo. A conversão dos gentios é frequentemente anunciada dessa forma, como em (Romanos 15:9-11).

Aqui se promete que os louvores à graça de Deus serão cantados com alegria e gratidão por pessoas dos lugares mais distantes. Isso inclui os que habitam nas extremidades da terra, em países longínquos de Jerusalém. “Desde as extremidades da terra temos ouvido cânticos”, diz (Isaías 24:16). Isso se cumpriu quando o cristianismo criou raízes também em nossa própria terra.

Inclui igualmente marinheiros e comerciantes, os que descem ao mar e fazem negócio em grandes águas. Eles tiram riqueza do mar e aproveitam tudo o que há nele; por isso, com toda justiça, devem louvar a Deus, pois o mar e tudo o que nele existe pertencem a ele (Salmo 24:1; Salmo 95:5). Os judeus faziam pouco comércio marítimo; assim, se o louvor de Deus se ouve entre viajantes do mar, certamente é entre gentios. Os marinheiros também são chamados a louvar a Deus em (Salmo 107:23).

Inclui ainda as ilhas e seus habitantes, como em (Isaías 42:10) e de novo em (Isaías 42:12). Devem anunciar o seu louvor nas ilhas, as ilhas dos gentios, provavelmente as ilhas da Grécia. Inclui também o deserto e suas cidades, junto com as aldeias de Quedar, que ficavam a leste de Jerusalém, assim como as ilhas ficavam a oeste. Desse modo, os cânticos do evangelho seriam ouvidos desde o nascer do sol até o seu ocaso.

Todo o mundo gentílico fora, em outro tempo, como uma ilha separada da igreja de Deus e como um deserto que não havia sido cultivado nem tornado frutífero para Deus. Mas agora as ilhas e o deserto louvarão ao Senhor. Esse louvor também virá dos que moram em rochedos e sobre os montes, não só dos gentios, mas dos mais pobres, dos menos importantes e dos mais esquecidos. Os que habitam em cabanas tanto quanto os que vivem em cidades e vilas o louvarão. Até os povos mais rudes e incultos, como frequentemente são os que vivem nas montanhas, serão transformados e moldados pelo evangelho.

Pelos “habitantes da rocha”, ele pode também estar se referindo ao povo da Arábia Pétrea, uma região rochosa. Talvez as nações vizinhas tenham compartilhado da alegria de Israel quando este voltou do cativeiro na Babilônia, e algumas tenham se unido a eles em seus louvores. Mas isso, por si só, não faria jus à grandeza desta profecia. É necessário entendê-la como indo além, cumprindo-se naquilo que muitas outras profecias sobre o júbilo das nações são explicadas no Novo Testamento: a conversão dos gentios à fé em Cristo.

Quando são trazidos para dentro da igreja, são também conduzidos a dar glória ao Senhor. Tornam-se para ele um nome e um louvor, e assumem como ocupação dedicar-se a louvá-lo. Ele é glorificado neles e por meio deles.

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