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Isaías 29:9 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" Pasmem e maravilhem-se, obstinem-se, feridos de cegueira; embriaguem-se, mas não de vinho; cambaleiem, mas não por causa da bebida. "

Isaías 29:9

menu_book Versículo no contexto

7 Como se dissipa um sonho, uma visão noturna, assim se desvanecerá a multidão das nações que atacam Ariel, os acampamentos e as trincheiras daqueles que a sitiam.

8 Isso acontecerá como acontece com o esfomeado que sonha estar comendo e desperta com o estômago vazio, como o sedento que sonha estar bebendo e acorda fatigado pela sede; assim será feito da multidão das nações que atacam a montanha de Sião.

9 Pasmem e maravilhem-se, obstinem-se, feridos de cegueira; embriaguem-se, mas não de vinho; cambaleiem, mas não por causa da bebida.

10 Porque o Senhor espalhou sobre vocês um espírito de torpor, fechou os olhos de vocês e cobriu as cabeças de vocês.

11 A revelação de todos esses acontecimentos permanece para vocês como o texto de um livro selado. Quando o entregam a um letrado, pedindo-lhe que o leia, ele responde: “Não posso, o livro está selado”;

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui, o profeta fica espantado com a insensibilidade em que a maior parte da nação judaica havia caído. Eles tinham levitas, que lhes ensinavam o bom conhecimento do Senhor, e o rei Ezequias incentivava esse trabalho (2 Crônicas 30:22). Tinham também profetas, que traziam mensagens diretamente de Deus e explicavam tanto a causa quanto o resultado do desagrado divino. Seria de se esperar que uma nação com tanta luz vinda de Deus fosse um povo sábio e entendido (Deuteronômio 4:6). Mas não era assim.

O profeta se dirige aos poucos que ainda pensavam com seriedade e os chama a notar a negligência que os cercava. Pode-se entender o texto assim: eles atrasam o arrependimento, então por que se admirar que ajam de modo tão insensato? Divertem-se com as próprias mentiras, entregam-se à festa e à vida desregrada, mas vocês devem clamar, entristecer-se por sua loucura e orar a Deus por eles. Quanto mais alheios estão à mão de Deus que pesa sobre eles, mais seriamente os fiéis devem encarar essa situação. A falsa segurança teimosa dos pecadores é sempre algo doloroso para os que são sérios, que devem sentir-se responsáveis por interceder por aqueles que não oram por si mesmos.

O que deveria causar espanto? É de se admirar que a maioria do povo fosse tão insensata e bruta, quase como se estivesse embriagada. Estavam bêbados, mas não apenas de vinho (embora o vinho muitas vezes também os embriagasse), e cambaleavam por causa do vinho (Isaías 28:7). Estavam embriagados de amor ao prazer, de preconceito contra a verdadeira religião e de falsas ideias que haviam absorvido. Como bêbados, não sabiam o que faziam ou diziam, nem para onde iam. Não percebiam os avisos de Deus. O bêbado diz: “Espancaram-me e não me doeu” (Provérbios 23:35). Deus lhes falava repetidas vezes, mas, como homens embriagados, eles não davam atenção nem entendiam. Esqueceram a lei de Deus. Seus planos vacilavam, eram instáveis e tropeçavam em tudo. Existe algo como embriaguez espiritual.

Mais surpreendente ainda é que o próprio Deus lhes deu um espírito de profundo sono e fechou-lhes os olhos (Isaías 29:10). Ele lhes ordena que despertem e abram os olhos, mas também os deixa permanecer em cegueira. Porém, isso era um juízo justo, porque eles amaram mais as trevas do que a luz e amaram o sono. Quando Deus os chamava por meio de seus profetas, ficavam dizendo: “Um pouco mais de sono, um pouco mais de cochilo.” Então ele os entregou a forte ilusão e, por assim dizer, disse: “Dormí agora.” Isso se cumpriu depois, nos judeus incrédulos que rejeitaram o evangelho de Cristo e foram endurecidos em sua incredulidade até que o juízo final caiu sobre eles (Romanos 11:8). Devemos temer que essa mesma condição triste pertença a muitos que vivem debaixo da luz do evangelho.

Era igualmente triste que isso atingisse seus profetas, príncipes e videntes, justamente os que deveriam guiá-los. Os próprios líderes estavam vendados, e o resultado era fácil de prever, pois o cego não pode guiar com segurança outro cego. Isso se cumpriu quando, nos últimos dias da igreja judaica, os principais sacerdotes, escribas e anciãos se tornaram os maiores opositores de Cristo e de seu evangelho, e o juízo de Deus os deixou confusos.

O resultado trágico foi que todos os meios que Deus lhes dera para convicção, conhecimento e graça não lhes aproveitaram em nada (Isaías 29:11, 29:12). A visão dos profetas se tornou como as palavras de um livro selado. Não conseguiam discernir quais visões eram verdadeiras e quais pretensões eram falsas. Ou, dito de outra forma, todas as visões que Isaías tivera e lhes pregara se tornaram difíceis de entender. A mensagem estava entre eles, mas não tiravam proveito dela, assim como alguém nada aprende de um livro que pode ver, mas não consegue abrir. Sabiam que se tratava de profecia, mas o sentido lhes permanecia oculto. Eram apenas palavras para eles, que não os comoviam nem os advertiam. A mensagem não cumpria neles o propósito para o qual fora enviada.

Nem os instruídos nem os ignorantes foram ajudados pelas mensagens que Deus enviava por meio de seus servos. Alguns do povo mais simples se desculpavam dizendo que não eram letrados, como se não fossem responsáveis por conhecer e obedecer à vontade de Deus por lhes faltar estudo. Outros, de posição mais elevada, alegavam que o profeta falava de maneira estranha, difícil demais para eles, embora fossem instruídos. Ambas as desculpas eram vazias. Os profetas de Deus não haviam falhado nem para com sábios nem para com ignorantes (Romanos 1:14). Ou se pode dizer que o livro da profecia lhes foi selado como juízo, porque muitas vezes já fora aberto diante deles, e eles se recusaram a aprender sua mensagem. Depois, fizeram de sua própria ignorância uma desculpa. Ainda assim, a mesma visão que é morte para uns é vida para outros. Não é a visão em si que é escura, mas a mente deles que foi cegada.

O profeta então fala em nome de Deus contra aqueles que eram formais e hipócritas no culto (Isaías 29:13, 29:14). Deus, que conhece o coração e não pode ser enganado por aparências, os acusa de fingir diante dele, quer seus próprios corações os acusassem ou não. Aquele que é maior do que o coração e conhece todas as coisas vê que eles se aproximam com a boca e o honram com os lábios, mas o culto não é sincero. Adorar a Deus é aproximar-se dele como quem tem um assunto sério a tratar, buscando honrá-lo. Fazemos isso com a boca e com os lábios, falando dele e falando com ele, oferecendo-lhe os “bezerros dos nossos lábios” (Oséias 14:2). Se o coração estiver cheio de amor e temor de Deus, a boca falará a partir dessa plenitude. Mas muitos oferecem apenas serviço de lábios.

Eles falam de um modo que soa como oração e adoração, mas tudo não passa de forma exterior. Seus lábios se movem, mas a mente está em outro lugar. Quando fingem falar com Deus, estão pensando em muitas outras coisas, porque empurraram para longe dele o próprio coração. Isso impede que o coração seja empregado na oração e impede que a palavra de Deus os alcance.

Eles também não fazem da palavra de Deus a regra do culto, nem da vontade dele a razão de o realizarem. Pelo contrário, o culto deles é “ensinado por mandamento de homens”, isto é, moldado por regras e invenções humanas. Adoravam o Deus de Israel, mas não segundo o modo que ele havia estabelecido. Seguiam suas próprias ideias, as orientações de falsos profetas ou de reis ímpios, ou os costumes das nações em redor. Mesmo quando usavam uma forma de culto que coincidia com a lei de Deus nos dias de Ezequias, grande rei reformador de Judá, davam mais atenção ao mandado do rei do que ao mandamento de Deus.

Nosso Senhor mais tarde aplicou isso aos judeus de seu tempo. Eram formais no culto e apegados às suas próprias tradições, e ele declarou que adoravam em vão (Mateus 15:8-9). Isso é um aviso de que a religião vazia, mesmo quando parece séria, não é verdadeira adoração se deixa de lado a palavra de Deus.

Deus ameaça punir o pecado espiritual com um juízo espiritual. Ele diz: “Procederei a fazer uma obra maravilhosa”, isto é, uma obra que causará espanto. Eles já haviam feito uma coisa estranha: arrancaram a sinceridade de dentro do coração. Agora Deus faria outra: tiraria a sabedoria de suas mentes. A sabedoria dos seus sábios pereceria.

Agiram como hipócritas, tentando enganar a Deus. Agora Deus os deixaria entregues a si mesmos, e eles agiriam como tolos, não apenas enganando-se, mas sendo facilmente enganados pelos outros. Aqueles que usam a religião apenas como disfarce para seus próprios interesses costumam ser insensatos também na política e nos negócios públicos. Deus é justo ao tirar entendimento daqueles que abandonam a honestidade. Isso se cumpriu na triste confusão que sobreveio à nação judaica depois que rejeitaram o evangelho de Cristo. Eles desviaram o coração de Deus, e Deus justamente escondeu deles o que dizia respeito até mesmo à sua paz e segurança. Este é um juízo espantoso e admirável, pois pessoas sábias podem, de repente, perder a sabedoria e ser entregues a fortes ilusões. Juízos sobre a mente são muitas vezes os menos notados, mas estão entre os mais surpreendentes.

O profeta então mostra a loucura dos que tentam agir às escondidas, como se pudessem planejar à parte de Deus e ocultar seus projetos de seus olhos. A política deles é descrita assim: trabalham com afinco para esconder seus planos do Senhor, como se ele não pudesse saber o que fazem ou sequer o que intentam. Dizem: “Quem nos vê?” Querem dizer: “Ninguém nos vê, logo Deus também não.” Guardam para si os planos de autopreservação e nunca buscam o conselho de Deus. Pior ainda, sabem que seus projetos o desagradam, mas pensam que podem escondê-los dele. Se ele não sabe, imaginam, não pode impedi-los.

Quão inútil é o esforço que os pecadores fazem em seus caminhos pecaminosos. Eles cavam fundo para esconder seu conselho do Senhor, enquanto ele se assenta nos céus e ri deles. Uma incredulidade prática no conhecimento pleno que Deus tem de todas as coisas está por trás tanto do falso culto quanto da falsa segurança dos hipócritas (Salmo 94:7; Ezequiel 8:12; Ezequiel 9:9).

O profeta então mostra quão absurda é essa maneira de pensar. Todo esse virar as coisas de cabeça para baixo, todo esse remanejar de planos para ajustá-los aos próprios desejos, é como se o barro quisesse dirigir o oleiro. É como se eles achassem que a providência de Deus, seu governo sábio sobre todas as coisas, devesse esperar pelos esquemas deles. Agem como se Deus só pudesse saber aquilo que eles escolhem revelar. Isso é inverter completamente a ordem e começar do lado errado. Mas Deus tratará deles e de todos os seus planos com a mesma facilidade com que o oleiro molda o barro.

Devemos perceber como há pouca razão para temer planos feitos sem Deus, sobretudo planos feitos contra ele. Aqueles que pensam poder esconder de Deus os seus conselhos, na prática estão negando que ele os criou. É como se a coisa criada dissesse do seu Criador: “Ele não me fez; eu me fiz.” Se Deus nos fez, então certamente nos conhece, como diz o salmista (Salmo 139:1, Salmo 139:13-16). Assim, os que dizem que ele não os vê, na verdade é como se dissessem que ele não os criou. Muita maldade nasce de esquecer que foi Deus quem nos formou (Deuteronômio 32:18).

Ou então, o que dá no mesmo, negam que ele seja um Criador sábio. É como se algo feito dissesse de quem o fez: “Ele não tem entendimento.” Mas, se Deus teve entendimento suficiente para nos fazer de modo tão maravilhoso, especialmente para nos fazer seres pensantes e colocar entendimento em nós (Jó 38:36), então certamente tem entendimento para nos conhecer e saber tudo o que dizemos e fazemos. Assim, aqueles que discutem com Deus e tentam se esconder dele, na realidade o estão acusando de insensatez. Mas aquele que formou o olho, por certo pode ver (Salmo 94:9).

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