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Isaías 29:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" Ai de Ariel, ai de Ariel, a cidade onde Davi acampou! Juntem um ano a outro; que se complete um ciclo de festas, "

Isaías 29:1

menu_book Versículo no contexto

1 Ai de Ariel, ai de Ariel, a cidade onde Davi acampou! Juntem um ano a outro; que se complete um ciclo de festas,

2 e cercarei Ariel, e haverá prantos e gemidos; e você se tornará para mim como um ariel.

3 Acamparei contra você como Davi, cercarei você com acampamentos e levantarei trincheiras contra você.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Jerusalém é aqui chamada de Ariel, e em geral se entende que isso acontece porque era a cidade onde Davi habitou. Sião, a parte de Jerusalém onde ficavam o templo e o palácio, era especialmente chamada de cidade de Davi. O motivo exato de receber o nome Ariel é menos certo, embora o sentido provavelmente fosse bem conhecido naquele tempo. Cidades, como pessoas, muitas vezes recebem apelidos ou títulos adicionais.

Ariel significa “leão de Deus” ou “leão poderoso”. Como o leão é o rei entre os animais, Jerusalém era a principal cidade entre as cidades ao seu redor, dando ordens às demais. Era a cidade do grande Rei (Salmo 48:1, Salmo 48:2), a cidade principal de Judá, que é chamado de “filhote de leão” (Gênesis 49:9) e tinha o leão como símbolo. Cristo, o Leão da tribo de Judá, era a verdadeira glória dessa cidade. Jerusalém podia causar temor às nações vizinhas e, quando estava fiel, permanecia firme como um leão.

Alguns entendem Ariel como referência ao altar de holocaustos, porque o altar “devorava” os sacrifícios, assim como um leão devora a presa. Nesse caso, a ameaça recairia sobre o altar na cidade onde Davi habitou, altar que mais tarde os caldeus destruíram junto com o templo. Porém, é melhor entender que o aviso é dirigido à própria Jerusalém. O nome é repetido aqui, assim como em (Mateus 23:37), para tornar a advertência mais intensa.

Em primeiro lugar, é anunciada a aflição de Jerusalém. Ainda que Jerusalém fosse forte como um leão, e santa como um “leão de Deus”, a desgraça viria se o pecado fosse achado ali. Era a cidade onde Davi habitou, e dela veio grande parte de sua honra. Isso fazia dela uma figura da igreja do evangelho, e o fato de Davi morar ali apontava para Cristo habitando em sua igreja. Por isso o pecado de Jerusalém era ainda mais grave, pois nela estavam o testemunho de Israel e o trono de Davi.

Jerusalém precisava aprender que religião exterior não a protegeria do juízo de Deus (Isaías 29:1). Ela podia ir “ajuntando ano a ano”, celebrando suas festas anuais, aparecendo diante do Senhor três vezes ao ano, conforme a lei determinava, mas isso não agradaria a Deus se o coração continuasse o mesmo. Podia continuar oferecendo sacrifícios como de costume, mas, se sua vida não fosse reformada e seu coração não fosse humilhado, não poderia esperar acalmar um Deus ofendido. Hipócritas podem manter uma sequência regular de deveres religiosos e ainda assim iludir a si mesmos, porém, desse modo, não podem agradar a Deus nem fazer paz com Ele.

Jerusalém também precisava saber que Deus viria contra ela em ira, e que a visitaria como Senhor dos Exércitos (Isaías 29:6). Seus pecados seriam examinados e punidos. Deus acertaria as contas com juízos apavorantes, com choques de guerra que se assemelham a trovões, terremotos, tempestades e fogo devorador. Quando um exército estrangeiro não está apenas na fronteira, mas já entrou na terra, rugindo, destruindo e devastando tudo, então se vê o Senhor dos Exércitos visitando em juízo.

Esse exército provavelmente inclui os assírios, cujos chefes eram especialmente arrogantes, como se nota em Rabsaqué. Se o texto fala de grande estrondo, pode indicar que eles seriam mais assustados do que realmente feridos. Jerusalém seria sitiada de perto. Deus não diz: “Destruirei Ariel”, mas: “Afligirei Ariel”, pois a aflição tinha o propósito de despertá-la ao arrependimento, para que não chegasse à destruição. Ele declara: “Acamparei contra ti em redor” (Isaías 29:3). Foi o exército inimigo que fez isso, mas Deus diz que foi Ele quem fez, porque agiam como sua ferramenta. Muitas vezes Ele havia acampado ao redor deles, por meio de seus anjos, para protegê-los e livrá-los, mas agora se voltava contra eles. O cerco e as fortificações levantadas contra a cidade eram obra sua.

Quando as pessoas lutam contra nós, precisamos enxergar Deus contendendo conosco por meio delas. Jerusalém também seria cheia de tristeza ao ver o campo devastado e todas as cidades fortificadas de Judá nas mãos do inimigo. Haveria peso e angústia (Isaías 29:2), luto e pranto. Pessoas geralmente alegres são muitas vezes as mais abatidas quando a angústia chega, e o riso delas se transforma em choro. A cidade inteira se tornaria como um altar, com fogo sobre ele e vítimas mortas ao redor. Assim aconteceu quando Jerusalém foi destruída pelos caldeus, e muitos provavelmente morreram também quando foi sitiada pelos assírios. A própria cidade se tornaria como um altar, onde pecadores caem sob os juízos de Deus como vítimas oferecidas à justiça divina.

Por outro lado, se se arrependessem, se reformassem e retornassem a Deus, então Jerusalém voltaria a ser Ariel, em um sentido melhor. Tornar-se-ia outra vez ela mesma, uma cidade santa (Isaías 1:26). Ela seria humilhada e tornada submissa (Isaías 29:4). Seria abatida de sua altura orgulhosa, e um ato de humilhação de Deus após o outro derrubaria seu olhar altivo e suas palavras soberbas. Aqueles que desprezam os juízos de Deus serão por eles humilhados, pois os pecadores mais orgulhosos terão de se curvar ou serão quebrados diante dele.

Eles haviam falado com ousadia, erguendo o “chifre” e falando com dura cerviz (Salmo 75:5). Agora falariam desde o chão, do pó, como alguém com espírito familiar que sussurra desde a terra. Isso significa que estariam fracos, incapazes de falar em alta voz ou com força, como fazem os doentes quando as forças se esvaem. Também significa que estariam cheios de medo, falando baixo para não serem ouvidos pelos inimigos. E ainda indica que seriam forçados à submissão. Quando Ezequias cedeu ao rei da Assíria, dizendo: “Pequei; retira-te de mim; tudo o que me impuseres levarei” (2 Reis 18:14), isso foi falar desde o pó. Deus pode abater as pessoas mais ousadas e despojá-las de coragem.

Em segundo lugar, é predita a destruição dos inimigos de Jerusalém, para consolo dos que a amam em meio a essa aflição (Isaías 29:5, Isaías 29:7). Jerusalém seria abatida e falaria desde o pó, reduzida a um estado muito baixo. Mas os muitos estrangeiros e terríveis ao seu redor, os exércitos inimigos, se tornariam como pó miúdo, incapazes de falar, ou como palha que o vento leva.

Ela seria humilhada, enquanto o inimigo seria completamente espalhado, abatido e morto de outra maneira (Isaías 27:7). Eles desapareceriam de uma só vez, subitamente. O inimigo seria surpreendido pela destruição, e ela, pela salvação. O exército assírio foi ferido de morte no mesmo lugar por um anjo, em um momento, de repente. Assim serão destruídos os inimigos da Jerusalém do evangelho. O juízo deles virá em “uma hora” (Apocalipse 18:10).

Mais uma vez, em (Isaías 29:6), Jerusalém será visitada com trovões e grande estrondo. Ela ficará apavorada, mas apenas por pouco tempo. Em seguida, em (Isaías 29:7), a multidão das nações que pelejam contra ela será como um sonho da noite. Elas, com todo o seu aparente sucesso e orgulho, logo desaparecerão e será impossível trazê-las de volta. As muitas nações que pelejam contra Sião serão como um homem faminto que sonha que está comendo, mas continua faminto ao acordar.

Isso significa duas coisas. Primeiro, eles esperavam tomar Jerusalém e enriquecer com seus bens, mas a esperança deles seria apenas um sonho. A imaginação poderia agradá-los por um tempo, mas acabariam desapontados. Poderiam pensar que se tornariam senhores de Jerusalém, mas isso nunca se realizaria. Segundo, eles mesmos, com toda a sua grandeza, poder e prosperidade, desapareceriam como um sonho ao despertar. Não durariam mais do que dura um sonho (Salmo 73:20; Jó 20:8). O exército de Senaqueribe sumiu rapidamente, embora tivesse enchido a terra como um sonho enche a mente da pessoa, especialmente como o sonho de comida enche a mente de alguém que foi dormir com fome.

Muitos entendem esses versículos como parte do anúncio de juízo, quando Deus vem para atribular Jerusalém e cercá-la com um cerco. Seus muitos amigos, em quem ela confia para receber ajuda, de nada lhe servirão. Embora pareçam fortes e temíveis, serão como o pó fino, que se dissipa. Seus muitos inimigos, por sua vez, nunca acharão que já lhe fizeram dano suficiente. Mesmo depois de terem tirado muito dela, continuarão como o homem faminto que sonha com uma refeição, ainda gananciosos para devorar mais.

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