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Hebreus 3:7 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" Por isso, como diz o Espírito Santo: Hoje, se vocês ouvirem a sua voz, "

Hebreus 3:7

menu_book Versículo no contexto

5 Moisés foi fiel em toda a sua casa, como servo e testemunha das palavras de Deus.

6 Cristo, porém, foi fiel como Filho à frente de sua própria casa. E sua casa somos nós, contanto que permaneçamos firmes até o fim, professando corajosamente a nossa fé e orgulhosos da esperança que nos pertence.

7 Por isso, como diz o Espírito Santo: Hoje, se vocês ouvirem a sua voz,

8 não endureçam os seus corações, como por ocasião da revolta, como no dia da tentação no deserto,

9 quando os pais de vocês me puseram à prova e viram o meu poder por quarenta anos.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui o apóstolo passa a apresentar advertências e conselhos sérios até o fim do capítulo, citando (Salmo 95:7). Ele começa chamando os leitores a dar atenção rápida e presente à voz de Cristo. “Ouvir a sua voz” significa concordar com o que Deus declara em Cristo, aprovar isso, refletir sobre essa verdade e aplicá‑la a si mesmo, com os sentimentos e atitudes corretos. Ele deseja que isso seja feito de imediato, porque o amanhã pode ser tarde demais.

Ele também os adverte a não endurecer o coração recusando o chamado de Cristo. Quando Cristo nos fala sobre a maldade do pecado, a beleza da santidade e a necessidade de recebê‑lo pela fé como nosso Salvador, não devemos fechar os ouvidos nem o coração para ele. Um coração endurecido é a fonte de todos os outros pecados. Se o coração se endurece, logo toda a vida o acompanhará.

Em seguida, ele apresenta o exemplo dos israelitas, seus antepassados no deserto, especialmente na questão da provocação e da prova, que remete a Massá e Meribá em (Êxodo 17:2‑7). Dias de provação costumam ser dias em que as pessoas provocam a Deus. É algo muito sério rebelar‑se contra Deus justamente quando ele está nos provando e mostrando que dependemos dele a cada momento. Os pecados e castigos de outros, especialmente de nossos próprios parentes, devem servir de advertência, para que não sigamos o mau exemplo deles.

Os israelitas estavam no deserto. Tinham sido tirados do Egito, mas ainda não haviam chegado a Canaã, e isso deveria tê‑los preservado do pecado. Seu pecado foi ter provado e provocado a Deus. Desconfiaram dele, murmuraram contra Moisés e não quiseram ouvir a voz de Deus. Sua culpa era mais grave porque pecaram no deserto, onde dependiam de Deus de modo mais direto, e pecaram justamente enquanto Deus os estava provando. Além disso, eles tinham visto suas obras, seus prodígios ao tirá‑los do Egito e ao sustentá‑los dia após dia no deserto. Mesmo assim, continuaram a pecar por quarenta anos.

A raiz desses pecados tão graves estava em seus corações. Eles se extraviaram em seus corações, e esses erros internos produziram muitos pecados em suas palavras e conduta. Também não conheceram os caminhos de Deus, embora ele mesmo fosse adiante deles. Não compreenderam corretamente nem as suas providências, o modo como ele lidava com eles, nem os seus mandamentos, o modo como deviam andar diante dele. Deixaram de prestar a devida atenção às suas obras e ao seu culto.

A resposta de Deus foi ao mesmo tempo justa e paciente. Ele se indignou com aquela geração. Todo pecado entristece a Deus, especialmente o pecado naqueles que professam pertencer a ele. No entanto, Deus é tardio em destruir o seu povo por causa do pecado, e espera por muito tempo para ser gracioso. Ele registra cuidadosamente por quanto tempo as pessoas permanecem no pecado e por quanto tempo continuam a entristecê‑lo. Mas, se persistirem em entristecer o Espírito de Deus, seus pecados acabarão se tornando um peso para o próprio espírito delas, seja por meio de juízo, seja por meio de misericórdia que expõe e humilha.

Por fim veio a sentença irrevogável. Deus jurou em sua ira que eles não entrariam em seu descanso, seja esse descanso a Canaã terrena ou o descanso celestial a que ela aponta. O pecado, se for continuado, desperta a ira de Deus e a faz levantar‑se contra os pecadores. A ira de Deus se manifesta numa decisão justa de destruir os impenitentes. Ele jura em ira, não de forma impensada, mas com plena justiça. E sob a ira de Deus, não há descanso algum.

O apóstolo então usa esse exemplo solene para advertir os hebreus. Ele diz “vede” ou “atentai”, isto é, olhem com cuidado e permaneçam em guarda. Vigiem tanto as fraquezas internas quanto os perigos externos. Eles sabiam o que tinha impedido muitos de seus antepassados de entrarem em Canaã e feito com que seus corpos caíssem no deserto; por isso, deviam ser cuidadosos para não cair no mesmo pecado, na mesma armadilha e sob a mesma sentença terrível. Cristo é o cabeça da igreja, uma pessoa muito maior do que Moisés; assim, rejeitar Cristo seria um pecado maior do que rejeitar Moisés, e traria também um juízo mais pesado.

A queda de outros deve nos servir de advertência para evitarmos o rochedo em que eles se despedaçaram. O fracasso de Israel deve permanecer diante de cada geração posterior, porque todas essas coisas aconteceram com eles como exemplos (1 Coríntios 10:11). Quem deseja chegar ao céu em segurança precisa vigiar.

Ele acrescenta essa advertência com um apelo afetuoso: “Irmãos”. Eles são irmãos, não só segundo a carne, mas no Senhor, pessoas que ele ama e deseja ajudar. Ele diz: “Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo”. Um coração incrédulo é um coração mau. A incredulidade é um grande pecado porque corrompe a pessoa por inteiro. É também o começo do afastamento de Deus. Se começarmos a desconfiar dele, logo poderemos abandoná‑lo. Mesmo irmãos em Cristo precisam dessa advertência, pois aqueles que pensam estar em pé devem cuidar para que não caiam.

Ele então apresenta um remédio prático. Eles deviam exortar‑se uns aos outros todos os dias, enquanto se diz “hoje” (Hebreus 3:13). Devemos fazer todo o bem possível uns aos outros enquanto estamos juntos, porque esse tempo é curto e incerto. Como o amanhã não nos pertence, precisamos usar bem o hoje. Se os cristãos não se edificarem e animarem mutuamente dia após dia, correm o risco de se endurecer pelo engano do pecado.

O pecado é profundamente enganoso. Parece belo, mas é impuro. Parece agradável, mas traz dano. Promete muito, mas entrega pouco. E o engano do pecado leva ao endurecimento do coração. Um pecado tolerado prepara terreno para outro. Cada pecado fortalece o hábito. Pecar contra a consciência é o caminho para ter a consciência cauterizada. Por isso, todos devem advertir a si mesmos e aos outros a respeito do perigo do pecado.

Ele encerra confortando aqueles que começam bem e prosseguem bem até o fim. Tornamo‑nos participantes de Cristo se mantivermos firme até o fim a nossa confiança inicial (Hebreus 3:14).

Devemos notar aqui o privilégio dos crentes: eles são feitos participantes de Cristo. Isso significa que participam de seu Espírito, de sua natureza, de suas graças, de sua justiça e de sua vida. Têm parte em tudo o que pertence a Cristo, em tudo o que ele é, em tudo o que fez e em tudo o que pode fazer por eles.

Devemos notar também a condição pela qual conservam esse privilégio: a perseverança constante na profissão e na prática aberta e corajosa de Cristo e do cristianismo até o fim. Isso não quer dizer que vão preservar a si mesmos pela própria força, pois são guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação. Mas o fato de serem instados a perseverar é um dos meios pelos quais Cristo ajuda o seu povo a continuar. Isso os torna vigilantes e diligentes, e assim os preserva de se desviarem.

O mesmo espírito com que os cristãos começam nos caminhos de Deus deve acompanhá‑los até o fim. Aqueles que começam com seriedade, desejo vivo, santa resolução e humilde confiança devem prosseguir no mesmo espírito. Porém muitos demonstram grande coragem e confiança no início de sua profissão, mas não permanecem até o fim. A perseverança na fé é a melhor prova de que nossa fé é sincera.

O apóstolo então retoma o que havia citado do Salmo 95:7 e aplica de modo direto àquela geração em Hebreus 3:15 em diante. O sentido é como se dissesse: “O que foi dito ali não vale apenas para os tempos antigos, mas para vocês agora e para todos os que vierem depois de vocês. Cuidem para não cair nos mesmos pecados, para que não venham a sofrer o mesmo juízo”. Ele também observa que, embora alguns que ouviram a voz de Deus o tenham provocado, nem todos fizeram isso.

Isso mostra que, embora a maioria dos que ouviram a palavra de Deus o tenha provocado por incredulidade, alguns creram na mensagem. Mostra também que ouvir a palavra é o meio habitual pelo qual Deus salva as pessoas, mas, se elas não dão ouvidos, esse mesmo ouvir apenas aumenta sua culpa e as expõe ainda mais à ira de Deus. Deus sempre terá um remanescente, um pequeno grupo fiel que obedece à sua voz, e ele cuidará deles e os honrará. Mesmo que estejam envolvidos em um desastre coletivo, participarão da salvação eterna, enquanto os ouvintes desobedientes perecerão para sempre.

O apóstolo então faz algumas perguntas sobre o que já havia sido dito e as responde em Hebreus 3:17‑19. Ele pergunta: “Com quem Deus se indignou por quarenta anos? Não foi com os que pecaram? E a quem jurou que não entrariam no seu descanso?” Disso aprendemos que Deus se indigna somente com aqueles de seu povo que pecam contra ele e continuam no pecado. Ele se irrita de modo especial com pecados cometidos abertamente pela maior parte de uma nação, porque, quando o pecado se torna generalizado, é ainda mais ofensivo.

Embora Deus suporte por muito tempo a impiedade pública, por fim ele se livrará dos ofensores públicos por meio de juízos públicos. A incredulidade, junto com a rebelião que brota dela, é o grande pecado destruidor do mundo, especialmente para aqueles que receberam a verdade revelada de Deus. Esse pecado fecha o coração de Deus contra eles e tranca para eles a porta do céu. Deixa‑os debaixo da ira e da maldição de Deus, e, em verdade e justiça, ele está obrigado a rejeitá‑los para sempre.

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