Versículo em destaque
Hebreus 2:14 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Visto que os filhos participam da mesma natureza, da mesma carne e do sangue, ele também participou, a fim de destruir, pela morte, aquele que tinha o império da morte, isto é, o demônio, "
Hebreus 2:14
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
12 dizendo: Anunciarei teu nome a meus irmãos; no meio da assembleia cantarei os teus louvores.
13 E outra vez: Quanto a mim, ponho nele a minha confiança; e: Aqui estou eu e os filhos que Deus me deu.
14 Visto que os filhos participam da mesma natureza, da mesma carne e do sangue, ele também participou, a fim de destruir, pela morte, aquele que tinha o império da morte, isto é, o demônio,
15 e libertar aqueles que, por medo da morte, estavam sujeitos durante toda a vida a uma verdadeira escravidão.
16 Veio em socorro, não dos anjos, mas da raça de Abraão;
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Aqui o apóstolo continua a mostrar que Cristo se tornou verdadeiramente humano. Ele não assumiu a natureza de anjos, mas a descendência de Abraão, e apresenta a razão e o propósito disso. Cristo era Deus desde toda a eternidade, mas, na plenitude dos tempos, uniu a nossa natureza à sua natureza divina e se fez plenamente homem.
Ele não tomou para si os anjos, e sim a descendência de Abraão. Os anjos caídos foram deixados em seu pecado, culpa e miséria, sem esperança de resgate. Cristo nunca planejou salvar anjos caídos. A queda deles permanece fixada para toda a eternidade, por isso ele não assumiu a natureza deles. Além disso, a natureza angelical não poderia ser um sacrifício expiatório, isto é, um sacrifício que realmente pagasse o pecado, em favor da humanidade.
Cristo escolheu recuperar a descendência de Abraão, aqueles que descendem de Abraão e pertencem à promessa. Ele tomou a natureza humana de uma descendente de Abraão, para que a mesma natureza que pecou também sofresse, e para que a natureza humana fosse restaurada a um estado de esperança e prova. Todos os que acolhem a misericórdia são introduzidos em favor especial e salvação. Assim, há esperança e socorro para os piores pecadores por meio de Cristo, porque o pagamento que ele fez é suficiente para todos e adequado a todos. Devemos reconhecer o tempo da visitação graciosa de Deus e aproveitar a misericórdia especial mostrada a homens e mulheres caídos, e não a anjos caídos.
A primeira razão para a vinda de Cristo em carne é que os filhos participaram da carne e do sangue, portanto ele também teve que participar das mesmas coisas. Ele foi feito semelhante a seus irmãos e irmãs (Hebreus 2:14, 15). Nenhuma natureza mais elevada ou mais baixa do que a natureza humana, que havia pecado, poderia sofrer pelo pecado humano de forma que satisfizesse a justiça de Deus, elevasse as pessoas à esperança e fizesse dos crentes filhos de Deus e, assim, irmãos e irmãs de Cristo.
Ele também se fez homem para poder morrer. Como Deus, ele não podia morrer; por isso assumiu outra natureza e condição. Isso mostra o amor admirável de Deus. Cristo sabia o que teria de sofrer em nossa natureza e como morreria nela, e mesmo assim a assumiu voluntariamente. Deus não podia aceitar os antigos sacrifícios e ofertas legais como verdadeiro pagamento pelo pecado. Um corpo foi preparado para Cristo, e ele disse: “Eis que venho; tenho prazer em fazer a tua vontade.”
Outra razão foi para que, pela morte, destruísse aquele que tinha o poder da morte, isto é, o diabo (Hebreus 2:14). O diabo foi o primeiro pecador e o primeiro a tentar outros ao pecado. Como o pecado trouxe a morte, pode-se dizer que ele tem o poder da morte em vários sentidos. Ele arrasta as pessoas ao pecado, e os seus caminhos levam à morte. Muitas vezes lhe é permitido aterrorizar a consciência com o medo da morte. Ele também atua como instrumento da justiça divina quando arranca as almas de seus corpos para se apresentarem perante Deus em juízo, e então as atormenta, como antes as havia tentado.
Desses modos se pode dizer que ele tinha o poder da morte. Mas Cristo quebrou esse poder de tal maneira que o diabo não pode manter ninguém em morte espiritual. Ele não pode induzir alguém ao pecado, a não ser que essa pessoa escolha servi-lo. Ele não pode tirar a alma do corpo, nem executar a sentença sobre ninguém, exceto sobre aqueles que continuam como escravos voluntários em seu ódio a Deus.
Cristo também veio para libertar seu povo do medo servil da morte, que tantas vezes os perturba. Isso pode se referir especialmente aos crentes do Antigo Testamento, que viviam sob um sentimento mais forte de escravidão, porque a vida e a imortalidade ainda não estavam tão plenamente reveladas como no evangelho. Mas também se aplica a todo o povo de Deus, antes e depois de Cristo, que muitas vezes é afligido por temores quanto à morte e à eternidade.
Cristo se fez homem e morreu para livrá-los desses temores angustiantes. Ele lhes ensina que a morte não é apenas um inimigo vencido, mas também um servo reconciliado. Ela não é enviada para prejudicar a alma, nem para separá-la do amor de Deus. Pelo contrário, põe fim a todas as suas tristezas e as introduz na vida eterna e na bem‑aventurança. Para os que estão em Cristo, a morte já não está mais nas mãos de Satanás, mas nas mãos de Cristo. Já não é serva de Satanás, mas serva de Cristo, e não conduz ao inferno, e sim ao céu.
Cristo precisava ser feito semelhante a seus irmãos e irmãs para ser um sumo sacerdote misericordioso e fiel nas coisas que dizem respeito à justiça de Deus e ao consolo do seu povo. Um sumo sacerdote é aquele que representa outros diante de Deus. Cristo precisava ser fiel para com Deus e misericordioso para com as pessoas.
Nas coisas que dizem respeito a Deus, ele trabalha pela justiça e honra divinas, fazendo paz pelos pecados do povo, reunindo todas as verdades sobre a natureza de Deus e todas as pessoas da Trindade na obra de recuperação do ser humano, e reconciliando plenamente Deus e o homem. Havia um grande rompimento e contenda entre Deus e o homem por causa do pecado. Mas Cristo, ao se tornar homem e morrer, resolveu essa contenda de tal modo que Deus está pronto a receber em favor e amizade todos os que vêm a ele por meio de Cristo.
Nas coisas que dizem respeito ao seu povo, ele o sustenta e consola. Como ele mesmo sofreu quando foi tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados (Hebreus 2:18). A sua paixão, ou sofrimento, incluiu suas tentações, e estas não foram pequena parte do que suportou. Ele foi tentado em tudo à nossa semelhança, mas sem pecado (Hebreus 4:15).
A compaixão de Cristo é igualmente importante. Ele é capaz de socorrer os que são tentados. Ele se compadece de nossas fraquezas. É um médico que simpatiza, ao mesmo tempo terno e sábio. Ele sabe como lidar com almas tentadas e entristecidas, porque sentiu o mesmo tipo de pressão em si mesmo, não por pecado, mas por tentação e angústia interior. Suas próprias tristezas e tentações o tornam atento às provações de seu povo e pronto para ajudá-lo.
Devemos notar três coisas. Primeiro, os melhores cristãos estão sujeitos a muitas tentações enquanto estiverem neste mundo, portanto não devemos esperar aqui completa liberdade de tentações. Segundo, as tentações trazem tal angústia e perigo que nossas almas realmente precisam de sustento e ajuda. Terceiro, Cristo está pronto e disposto a ajudar os que recorrem a ele em suas tentações, e ele se fez homem e foi tentado para estar plenamente habilitado a socorrer o seu povo.
Deste capítulo
Hebreus 2:1
"Por isso, precisamos prestar a máxima atenção à mensagem que recebemos, para que não aconteça de nos desviarmos do caminho reto."
Hebreus 2:2
"A palavra anunciada por meio dos anjos era tão válida que toda transgressão ou desobediência recebeu o justo castigo."
Hebreus 2:3
"Como, então, escaparemos nós, se agora desprezarmos a mensagem da salvação, tão sublime, anunciada primeiramente pelo Senhor e depois confirmada pelos que a ouviram,"
Hebreus 2:4
"enquanto o próprio Deus a comprovava por sinais, prodígios, milagres e pelos dons do Espírito Santo, distribuídos segundo a sua vontade?"
Hebreus 2:5
"Também não foi aos anjos que Deus submeteu o mundo vindouro, do qual falamos."
Hebreus 2:6
"Alguém afirmou em certa passagem: Que é o homem, para que dele te lembres, ou o filho do homem, para que o visites?"
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