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Gênesis 7:11 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" No ano seiscentos da vida de Noé, no segundo mês, no décimo sétimo dia do mês, romperam-se naquele dia todas as fontes do grande abismo, e abriram-se as barreiras do céu. "

Gênesis 7:11

menu_book Versículo no contexto

9 entraram na arca com Noé um casal, macho e fêmea, como o Senhor havia ordenado a Noé.

10 Passados os sete dias, as águas do dilúvio precipitaram-se sobre a terra.

11 No ano seiscentos da vida de Noé, no segundo mês, no décimo sétimo dia do mês, romperam-se naquele dia todas as fontes do grande abismo, e abriram-se as barreiras do céu.

12 A chuva caiu sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites.

13 Naquele mesmo dia, Noé entrou na arca com Sem, Cam e Jafé, seus filhos, sua mulher e as três mulheres de seus filhos;

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui é registrada a data desse grande acontecimento, anotada cuidadosamente por Moisés para que o relato ficasse certo e bem firmado. Foi no sexcentésimo ano da vida de Noé, o que, por cálculo, corresponde a 1.656 anos após a criação. Os anos do “mundo antigo” são contados não pelos reinados de gigantes, mas pelas vidas dos patriarcas, os chefes de família escolhidos por Deus. Os santos têm mais valor para Deus do que os príncipes, e os justos serão sempre lembrados.

Naquele tempo, Noé já era um homem muito idoso, mesmo em uma época em que as pessoas viviam bem mais. Quanto mais tempo vivemos neste mundo, mais vemos de suas misérias e aflições. Por isso a Escritura trata como um ato de misericórdia quando alguém morre relativamente cedo e não vê o mal que está para vir (2 Reis 22:20). Às vezes Deus reserva para seus servos mais antigos provas especialmente difíceis de obediência e paciência. Mesmo os “soldados veteranos” de Cristo não devem esperar deixar a batalha antes que a morte lhes traga alívio.

O ano do dilúvio é marcado também pelo mês e pelo dia: o segundo mês, aos dezessete dias. É provável que corresponda aproximadamente ao começo de novembro. Noé havia acabado de recolher a colheita, de modo que tinha provisões para sustentar os que estavam na arca.

Consideram-se então as causas imediatas que se combinaram para produzir o dilúvio. No mesmo dia em que Noé foi fechado com segurança dentro da arca, o dilúvio começou. Juízos destrutivos não chegam antes que Deus tenha primeiro assegurado a proteção do seu povo. Ele disse a respeito de Ló: “Nada posso fazer, enquanto tu não tiveres chegado ali” (Gênesis 19:22), e em Apocalipse os ventos são retidos até que os servos de Deus sejam selados (Apocalipse 7:3). Quando os justos são tirados, o juízo está próximo, pois são removidos para não verem o mal que virá (Isaías 57:1).

Aquele dia fatal para o mundo ímpio trouxe duas coisas. Primeiro, romperam-se todas as fontes do grande abismo. Talvez Deus não tenha precisado criar água nova, mas apenas usar a que já havia criado. Na ordem comum da providência, essas águas são bênção para a terra; agora, porém, sua mão poderosa as converteu em instrumento de ruína. Deus guarda o abismo como em reservatórios (Salmo 33:7), e foi esses depósitos que ele abriu.

Assim como nossos corpos contêm humores que podem se tornar a semente de doenças mortais quando Deus permite, também a própria terra guardava em suas profundezas águas que subiram à sua ordem. Na criação, Deus pôs barreiras e portas para o mar, para que ele não tornasse a cobrir a terra (Salmo 104:9; Jó 38:9-11). Agora ele simplesmente removeu esses antigos limites, e o mar voltou a cobrir a terra, como no princípio (Gênesis 1:9). Toda criatura está pronta a se voltar contra o ser humano pecador; qualquer uma delas pode se tornar instrumento de sua ruína se Deus retirar o freio que colocou sobre ela no tempo de sua paciência.

Segundo, abriram-se as janelas dos céus, e as águas que estavam acima do firmamento foram derramadas sobre o mundo. São os tesouros que Deus guarda para tempos de angústia, para o dia de batalha e guerra (Jó 38:22, Jó 38:33). A chuva, que normalmente cai em gotas, naquela ocasião desceu em torrentes, como os grandes aguaceiros às vezes observados nas Índias, quando nuvens parecem se romper com força extraordinária. A Escritura diz que Deus normalmente ata as águas em suas nuvens espessas, e a nuvem não se rasga debaixo delas (Jó 26:8). Mas agora esse laço foi rompido, e a chuva caiu de um modo nunca visto antes nem depois.

As nuvens não se esgotaram, como costumam depois de uma chuva (Jó 37:11). Elas continuaram a voltar carregadas de mais água, e o poder divino as mantinha supridas. Choveu sem parar nem diminuir por quarenta dias e quarenta noites (Gênesis 7:12), e cobriu a terra inteira de uma vez, não apenas uma região de cada vez. Deus fez o mundo em seis dias, mas levou quarenta para destruí-lo, porque é tardio em irar-se. Contudo, embora o juízo tenha vindo de forma gradual, foi completamente consumador.

Disso aprendemos várias coisas. Todas as criaturas estão à disposição de Deus, e ele as usa como quer, seja para correção, para misericórdia ou para bênção, como Eliú diz a respeito da chuva (Jó 37:12, Jó 37:13). Deus muitas vezes transforma o que deveria servir para o nosso bem em armadilha contra nós (Salmo 69:22). Aquilo que normalmente é consolo e auxílio pode tornar-se, quando ele assim determina, açoite e praga. Nada é mais útil do que a água, seja a das fontes da terra, seja a chuva do céu; contudo, aqui nada foi mais destrutivo do que ela. Cada criatura é para nós aquilo que Deus a fizer ser.

Também é impossível escapar dos juízos justos de Deus quando se levantam contra os pecadores com sua autoridade. Ele pode armar tanto o céu quanto a terra contra eles (Jó 20:27). Pode cercar as pessoas com mensageiros de sua ira, de modo que, se olham para cima, veem horror; se olham para baixo, encontram aperto, escuridão e angústia (Isaías 8:21, Isaías 8:22). Quem poderá permanecer de pé diante de Deus quando ele está irado?

Por fim, na destruição do antigo mundo pela água, Deus deu uma figura da destruição final do mundo presente pelo fogo. O apóstolo coloca esses dois acontecimentos lado a lado (2 Pedro 3:6, 2 Pedro 3:7). Assim como há águas debaixo da terra, também vulcões como Etna e Vesúvio mostram que há fogo em suas profundezas. Fogo também cai do céu, e raios já causaram muitas desolações. Assim, quando chegar o tempo determinado por Deus, a terra e tudo o que nela há serão queimados, da mesma forma que o dilúvio veio sobre o mundo antigo pelas fontes do grande abismo e pelas janelas dos céus.

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