Versículo em destaque
Gênesis 14:13 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Mas alguém que conseguiu fugir veio contar o que havia acontecido a Abrão, o hebreu, que vivia junto aos carvalhos de Mambré, o amorreu, irmão de Escol e irmão de Aner, aliados de Abrão. "
Gênesis 14:13
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
11 Os vencedores levaram todos os bens de Sodoma e Gomorra e todos os seus mantimentos, e partiram.
12 Levaram também Ló, filho do irmão de Abrão, que morava em Sodoma, com todos os seus bens.
13 Mas alguém que conseguiu fugir veio contar o que havia acontecido a Abrão, o hebreu, que vivia junto aos carvalhos de Mambré, o amorreu, irmão de Escol e irmão de Aner, aliados de Abrão.
14 Quando Abrão ouviu que Ló, seu parente, havia sido feito prisioneiro, escolheu trezentos e dezoito dos seus melhores e mais corajosos servos, nascidos em sua casa, e foi no encalço dos reis até Dã.
15 Ali, dividindo sua tropa para atacá-los de noite com seus servos, derrotou-os e os perseguiu até Hoba, que fica ao norte de Damasco.
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Aqui vemos a única ação militar em que Abrão, depois chamado Abraão, é mostrado na Escritura. Ele não foi movido por ganância nem ambição, mas por amor. Não saiu para se enriquecer, e sim para socorrer seu parente. Nenhuma campanha militar começou, prosseguiu e terminou de forma mais honrosa do que a de Abrão.
Primeiro, ele recebe a notícia da aflição de seu parente. Deus havia disposto que ele morasse por perto, para poder ser um socorro bem presente. Abrão é chamado de “Abrão, o hebreu”, isto é, descendente e seguidor de Héber, na cuja família a verdadeira fé ainda se conservava viva em meio à corrupção daquele tempo. Nisso, Abrão agiu como um verdadeiro hebreu, de modo digno de um homem temente a Deus.
A notícia foi trazida por um homem que escapara com vida. Provavelmente era um sodomita, tão perverso quanto os demais. Mesmo assim, ele sabia do parentesco de Abrão com Ló e confiou nesse laço. Suplicou ajuda, esperando ser beneficiado por causa de Ló. As piores pessoas, quando vem a angústia, se alegram em reivindicar amizade com os sábios e bons, na esperança de conseguir algo deles. O rico no inferno chamou Abrão de “pai”, e as virgens loucas correram às prudentes em busca de um pouco de seu azeite.
Em seguida, Abrão se prepara para o resgate. A causa era claramente justa, e o chamado para agir era evidente. Por isso, ele arma sem demora os seus servos treinados, os nascidos em sua casa, trezentos e dezoito ao todo. Era uma grande casa, mas um exército pequeno, número semelhante ao dos homens de Gideão que derrotaram os midianitas (Juízes 7:7). Eram servos treinados, instruídos não só na arte da guerra, que naquela época era bem menos desenvolvida do que veio a ser depois, mas também nos princípios da religião. Abrão havia ordenado a sua casa que guardasse o caminho do Senhor.
Isso mostra Abrão como grande homem, com muitos servos que dependiam dele e trabalhavam sob sua direção. Isso fazia parte de sua força e honra, e ainda lhe abria ampla oportunidade de fazer o bem, que é o único aspecto verdadeiramente valioso da riqueza e da posição. Mostra também que ele era um homem bom, pois não só servia a Deus pessoalmente, mas ensinava todos ao seu redor a servirem a Deus também. Os que têm grandes casas precisam lembrar que são responsáveis por muitas almas, não apenas pela própria. Quem quiser seguir o exemplo de Abrão deve cuidar para que seus servos sejam instruídos na fé.
Mostra ainda Abrão como homem sábio. Embora fosse homem de paz, havia disciplinado seus servos para a guerra, pois não sabia quando esse tipo de serviço poderia ser exigido. Ainda que a nossa santa religião ensine a paz, ela não proíbe a preparação para a guerra.
Abrão também tinha aliados. Ele convenceu seus vizinhos, Aner, Escol e Manre, com quem mantinha relações amistosas, a se unirem a ele. Isso foi sábio, pois reforçava seus homens com ajuda de fora. É provável que eles mesmos enxergassem que sua própria segurança estava em jogo, já que um poder tão forte poderia em breve voltar-se contra eles também. É prudente e correto tratar os outros com respeito e bondade, para que, quando a necessidade chegar, estejam dispostos a nos ajudar. E mesmo quem confia em Deus deve fazer uso dos meios humanos que Deus provê, ou acabará pondo o Senhor à prova.
A coragem e a habilidade de Abrão foram notáveis. Houve grande ousadia já no simples fato de empreender essa jornada, quando pensamos nas desvantagens a que se expôs. O que uma só família de lavradores e pastores poderia fazer contra os exércitos de quatro reis, recém-saídos de batalhas vitoriosas? Ele não perseguia um exército derrotado, mas um que vinha de ganhar. Não foi empurrado a isso por necessidade, mas impulsionado por generosidade. Considerando tudo, talvez seja um exemplo de coragem verdadeira tão grande quanto qualquer um pelo qual Alexandre ou César foram louvados. A verdadeira religião não torna as pessoas tímidas, e sim realmente corajosas. O justo é intrépido como o leão. O verdadeiro cristão é o verdadeiro herói.
Houve também grande sabedoria na forma como Abrão executou seu plano. Ele não era estranho às táticas de guerra. Dividiu seus homens, como Gideão dividiu seu pequeno exército (Juízes 7:16), para atacar por vários lados ao mesmo tempo e fazer com que poucos parecessem muitos. Atacou de noite, para surpreender o inimigo. Planejamento sábio é um bom servo tanto da segurança quanto da utilidade. O cristão pode usar de prudência e astúcia, contanto que sejam limpas e inofensivas como a pomba, e não como a antiga serpente (Mateus 10:16).
Seu êxito foi muito grande (Gênesis 14:15, Gênesis 14:16). Ele derrotou seus inimigos e libertou seus amigos, e não se relata que tenha sofrido alguma perda. Os que se expõem por uma causa justa, com um coração reto, estão sob o cuidado especial de um Deus bom e têm motivo para esperar um bom desfecho. Para o Senhor é a mesma coisa salvar com muitos ou com poucos (1 Samuel 14:6).
Ele resgatou seu parente. Duas vezes Ló é chamado de seu irmão neste episódio. A lembrança do laço entre eles, tanto natural quanto espiritual, fez Abrão esquecer a pequena contenda que haviam tido, ainda que Ló não o tivesse tratado bem. Abrão poderia ter repreendido Ló por sua insensatez em contender e se afastar dele. Poderia ter dito que Ló estava colhendo o que havia semeado. Mas, no coração generoso do piedoso Abrão, tudo foi perdoado e esquecido. Ele aproveitou essa oportunidade para mostrar, com ações, que a reconciliação era real.
Devemos estar prontos, sempre que pudermos, a socorrer os que sofrem, sobretudo parentes e amigos. O irmão nasce para a angústia (Provérbios 17:17). O amigo verdadeiro se mostra na necessidade. E ainda que outros tenham falhado conosco, não devemos falhar com eles. Há quem diga que perdoa com mais facilidade os inimigos do que os amigos; mas veremos que precisamos perdoar a ambos, se lembrarmos que Deus nos reconciliou consigo quando éramos seus inimigos, e que passa por cima das transgressões do seu povo (Miquéias 7:18).
Abrão também libertou o restante dos cativos, por causa de Ló, embora fossem estranhos a ele e gente pela qual não tinha obrigação direta de se responsabilizar. Eram sodomitas, pecadores profundamente culpados diante do Senhor, e ele talvez conseguisse resgatar apenas Ló mediante pagamento. Contudo, trouxe de volta todas as mulheres, o povo e os bens (Gênesis 14:16). Na medida em que tivermos oportunidade, devemos fazer o bem a todos. Nossa bondade deve ser ampla, na medida em que Deus nos abre portas. Onde Deus concede vida, não devemos recusar o auxílio que podemos dar para sustentá-la. Deus é bondoso tanto para com justos quanto para com injustos, e assim também devemos ser (Mateus 5:45).
É provável que essa vitória de Abrão sobre os reis seja o fato ao qual o profeta se refere em (Isaías 41:2): “Quem suscitou do oriente aquele a quem Deus chama em justiça, e o fez dominar sobre reis?”. Alguns entendem que, assim como Abrão já tinha direito àquela terra pelo dom de Deus, agora também a conquistou pelo seu próprio braço.
Deste capítulo
Gênesis 14:1
"No tempo de Amrafel, rei de Senaar, de Arioc, rei de Elasar, de Codorlaomor, rei de Elam, e de Tadal, rei de Goim,"
Gênesis 14:2
"aconteceu que esses reis fizeram guerra contra Bara, rei de Sodoma, Bersa, rei de Gomorra, Senaab, rei de Adama, Semeber, rei de Seboim, e o rei de Bala, isto é, Segor."
Gênesis 14:3
"Todos eles se reuniram no vale de Sidim, que é o mar Salgado."
Gênesis 14:4
"Durante doze anos, eles tinham servido a Codorlaomor, mas, no décimo terceiro ano, tinham se revoltado."
Gênesis 14:5
"No décimo quarto ano, Codorlaomor pôs-se em marcha com os reis que haviam se aliado a ele, e derrotaram os refaim em Astarot Carnaim, os zuzim em Ham e os emim na planície de Cariataim,"
Gênesis 14:6
"bem como os horreus em sua montanha de Seir, até El-Farã, perto do deserto."
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