Versículo em destaque
Gálatas 6:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
Irmãos, se alguém for surpreendido numa falta, vocês, que são animados pelo Espírito, admoestem-no em espírito de mansidão. E tenha cuidado de si mesmo, para que também não caia em tentação!
Gálatas 6:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Irmãos, se alguém for surpreendido numa falta, vocês, que são animados pelo Espírito, admoestem-no em espírito de mansidão. E tenha cuidado de si mesmo, para que também não caia em tentação!
2 Ajudem-se uns aos outros a carregar os fardos de vocês, e desse modo cumprirão a Lei de Cristo.
3 Quem pensa ser alguma coisa, não sendo nada, engana a si mesmo.
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Paulo havia acabado de exortar os crentes a servirem uns aos outros em amor, e também havia advertido contra o tipo de espírito que impede esse amor. Agora, no início deste capítulo, ele dá mais orientações para ajudar os cristãos a viverem de um modo coerente com a fé e que torne a convivência melhor entre eles. Ele começa ensinando a tratar com mansidão aqueles que caíram em pecado (Gálatas 6:1).
Ele fala de alguém que foi “surpreendido em alguma ofensa”. A ideia é de uma pessoa apanhada em pecado por uma tentação repentina, não alguém que planejou o pecado com o coração decidido. Há diferença entre quem é arrastado de súbito para o pecado e quem o escolhe com calma e determinação. O caso aqui é o da pessoa surpreendida pela tentação, e Paulo diz que essa pessoa precisa ser tratada com grande ternura.
Os que são espirituais, isto é, os cristãos maduros, não apenas os ministros, devem restaurar essa pessoa “com espírito de mansidão”. Restaurar é trazer alguém de volta à posição correta e ao comportamento correto. A palavra traz a ideia de colocar um osso quebrado de volta no lugar. Assim, devemos ajudar esse irmão ou irmã a enxergar o pecado, voltar-se dele, encontrar consolo na misericórdia perdoadora de Deus e ser novamente acolhido em amor.
Isso deve ser feito com suavidade, não com ira ou aspereza. Não devemos agir como se estivéssemos satisfeitos em ver outro crente cair. Ao contrário, devemos nos entristecer por isso e falar com preocupação calma e sincera. Muitas repreensões necessárias perdem a força quando são dadas em ira, mas costumam produzir fruto quando vêm de um coração que realmente ama e se importa.
Paulo dá um forte motivo para essa mansidão: “olhando por ti mesmo, para que não sejas também tentado”. Precisamos lembrar que nenhum de nós está acima de cair. Também podemos ser tentados e também podemos ser vencidos. Se pensarmos com honestidade sobre nós mesmos, trataremos os outros como gostaríamos de ser tratados na mesma situação.
Aqueles que são instruídos na Palavra têm o dever de sustentar aqueles que foram designados para ensiná-los. Devem participar de “todos os bens”, dando livre e alegremente, a partir das coisas boas que Deus lhes concedeu, o que é necessário para o sustento do ministério. Os ministros devem se dedicar à leitura, à exortação e ao ensino (1 Timóteo 4:13). Não devem se enredar nos negócios desta vida (2 Timóteo 2:4). Por isso é justo e correto que, enquanto semeiam coisas espirituais entre os outros, recebam deles o necessário sustento material. Esta é a ordem estabelecida pelo próprio Deus. Assim como, na lei, os que serviam nas coisas sagradas viviam das ofertas do templo, do mesmo modo o Senhor ordenou que os que anunciam o evangelho vivam do evangelho (1 Coríntios 9:11, 1 Coríntios 9:13, 1 Coríntios 9:14).
Aqui também somos advertidos a não zombar de Deus, nem nos enganar pensando que ele pode ser iludido por meras aparências ou por uma profissão externa de fé (Gálatas 6:7): “Não erreis: Deus não se deixa escarnecer”.
Isso pode ser entendido como parte da advertência que acaba de ser dada, mostrando o pecado e a loucura daqueles que procuram se desculpar de sustentar seus ministros com razões aparentemente justas. Ou pode ser tomado de forma mais ampla, como advertência contra qualquer esperança vazia de desfrutar as recompensas da religião, enquanto se desprezam os seus deveres.
O apóstolo parte do fato de que muitos estão prontos a se esquivar da prática da religião, sobretudo das partes custosas e que exigem renúncia, ainda que mantenham uma aparência externa de piedade. Mas esse caminho é tolo, porque tais pessoas podem enganar os outros, mas não podem enganar a Deus. Ele conhece o coração e as obras, e, como não pode ser enganado, também não pode ser zombado. Para nos guardar disso, Paulo apresenta uma regra de vida: tudo o que o homem semear, isso também ceifará. Em outras palavras, a nossa conduta presente é tempo de semeadura, e o mundo futuro será a colheita. Assim como o lavrador colhe o que plantou, assim também receberemos de acordo com a maneira como vivemos agora.
Paulo também diz que há dois tipos de semeadura: semear para a carne e semear para o Espírito (Gálatas 6:8). Os que vivem de forma mundana e sensual, gastando seu tempo e forças em seus próprios desejos em vez de buscar a glória de Deus e o bem do próximo, ceifarão da carne a corrupção. Podem ter um breve prazer vazio agora, mas ruína e miséria virão depois. Em contraste, os que semeiam para o Espírito, isto é, que vivem sob a direção do Espírito em santidade, devoção a Deus e serviço ao próximo, ceifarão do Espírito a vida eterna. Terão o consolo mais verdadeiro já neste mundo, e, ao final, a vida e a felicidade eternas.
Os que tentam zombar de Deus apenas enganam a si mesmos. A hipocrisia na religião é grande loucura, além de grande perversidade, porque Deus atravessa todo disfarce e nos julgará não pelas nossas declarações, mas pelas nossas ações.
Em seguida, Paulo dá outra advertência: não devemos nos cansar de fazer o bem (Gálatas 6:9). Assim como não devemos nos escusar de nenhuma parte do nosso dever, também não devemos nos fatigar nele. Somos muito inclinados a enfraquecer, desanimar e até abandonar o dever, especialmente no bem que fazemos aos outros. Paulo nos exorta a vigiar cuidadosamente contra isso, porque, a seu tempo, ceifaremos, se não houver desfalecimento. Deus tem uma recompensa reservada para todos os que verdadeiramente perseveram em fazer o bem. Essa recompensa virá no tempo certo; se não neste mundo, certamente no vindouro. Mas essa promessa é para os que não desistem. Se nos cansarmos do dever e recuarmos, perderemos tanto a recompensa quanto o consolo do que já fizemos. Se, porém, prosseguirmos e perseverarmos no bem, a recompensa pode tardar, mas certamente virá, e compensará em muito todo o nosso trabalho e paciência.
Perseverar em fazer o bem é sábio e proveitoso, além de justo, porque a promessa de recompensa está ligada somente a esse caminho.
Depois, Paulo exorta todos os cristãos a fazerem o bem onde quer que tenham oportunidade (Gálatas 6:10). Não basta apenas ser correto no trato com os outros, se quisermos realmente mostrar que somos cristãos. O mesmo dever ainda está em vista aqui, mas agora Paulo indica tanto quem deve receber a nossa bondade quanto a medida que devemos empregar.
Primeiro, os objetos da nossa bondade são, em geral, todos os homens. Não devemos manter nossa caridade e bondade restritas demais, como os judeus e certos cristãos judeus se inclinavam a fazer. Devemos estar prontos a socorrer todos os que compartilham da nossa mesma natureza humana, na medida em que pudermos e na medida em que eles necessitarem de nós. Ainda assim, devemos ter especial cuidado com os domésticos da fé, isto é, aqueles que compartilham da mesma fé e pertencem ao mesmo corpo de Cristo. Os demais não são excluídos, mas estes têm prioridade. O amor cristão deve se estender amplamente, mas deve dar atenção particular aos que são piedosos. Deus faz o bem a todos, mas demonstra bondade especial aos seus servos; ao fazer o bem, devemos imitá-lo como filhos amados.
Segundo, a regra para fazer o bem é: conforme tivermos oportunidade. Isso significa que devemos fazer o bem enquanto temos tempo e forças, enquanto a vida dura, porque este é o único período em que podemos servir de fato ao próximo. Não devemos agir como muitos, que adiam a caridade até a morte, prometendo compensar no fim o que negligenciaram na vida. Não temos certeza de que teremos tal oportunidade, e, ainda que a tenhamos, não há motivo para pensar que dádivas retardadas agradem mais a Deus. Não podemos compensar anos de negligência deixando algo apenas depois que não podemos mais usá-lo. Devemos fazer o bem enquanto vivemos e fazer disso o empenho da nossa vida.
Também significa que devemos aproveitar cada oportunidade que surgir. Não devemos nos contentar com o fato de já termos feito algum bem. Sempre que novas ocasiões surgirem, devemos estar prontos a aproveitá‑las, na medida de nossas possibilidades. Somos instruídos a dar porção a sete, e também a oito (Eclesiastes 11:2).
O mesmo Deus que faz do bem ao próximo o nosso dever também, pela sua providência, traz até nós as oportunidades para isso. Os pobres sempre estarão conosco (Mateus 26:11).
Sempre que Deus nos concede a chance de ajudar outras pessoas, ele espera que a aproveitemos bem, de acordo com o que podemos fazer. Não devemos desperdiçar as ocasiões que ele coloca diante de nós.
Também precisamos de sabedoria piedosa e bom julgamento no exercício da caridade, isto é, da generosidade amorosa e da ajuda prática. Isso é especialmente importante quando escolhemos a quem socorrer. Embora ninguém em necessidade deva ser totalmente ignorado, é preciso reconhecer que algumas pessoas têm um direito mais urgente ou uma prioridade maior do que outras.
Deste capítulo
Gálatas 6:2
"Ajudem-se uns aos outros a carregar os fardos de vocês, e desse modo cumprirão a Lei de Cristo."
Gálatas 6:3
"Quem pensa ser alguma coisa, não sendo nada, engana a si mesmo."
Gálatas 6:4
"Cada um examine o seu procedimento. Então poderá gloriar-se do que lhe pertence, e não do que pertence a outro."
Gálatas 6:5
"Pois cada um deve carregar o seu próprio fardo."
Gálatas 6:6
"Aquele que recebe a catequese da palavra compartilhe de todos os seus bens com aquele que o instrui."
Gálatas 6:7
"Não se enganem: de Deus não se zomba. O que o homem semeia, isso mesmo colherá."
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