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Gálatas 5:13 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" Vocês, irmãos, foram chamados à liberdade. Não abusem, porém, da liberdade como pretexto para prazeres carnais. Pelo contrário, tornem-se servos uns dos outros pela caridade, "

Gálatas 5:13

menu_book Versículo no contexto

11 Se é verdade, irmãos, que ainda prego a circuncisão, por que, então, sou perseguido? Assim, o escândalo da cruz teria cessado!

12 Quem dera que acabassem por se mutilar aqueles que inquietam vocês!

13 Vocês, irmãos, foram chamados à liberdade. Não abusem, porém, da liberdade como pretexto para prazeres carnais. Pelo contrário, tornem-se servos uns dos outros pela caridade,

14 porque toda a Lei se encerra em um só preceito: Ame o seu próximo como a si mesmo.

15 Mas, se vocês mordem e devoram uns aos outros, tenham cuidado para que não acabem destruindo uns aos outros.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Na parte final deste capítulo, o apóstolo passa a tratar de uma piedade prática e sincera, como a melhor defesa contra falsos mestres. Ele insiste especialmente em duas coisas para esses cristãos. Primeiro, que não vivam em brigas entre si, mas em amor mútuo.

Ele diz em (Gálatas 5:13) que eles foram chamados à liberdade, e quer que permaneçam firmes na liberdade que Cristo lhes deu. Mas também os adverte a não usar essa liberdade como oportunidade para agradar à carne, isto é, a parte pecaminosa da natureza humana. Não devem deixar que a liberdade vire desculpa para desejos e práticas corrompidas, que produzam distanciamento, antipatia, contendas e conflitos entre eles. Em vez disso, devem servir uns aos outros em amor, preservando o afeto mútuo que a fé cristã exige.

A liberdade cristã não é licença para pecar. Cristo nos libertou da maldição da lei, mas não do dever de obedecer à lei. O evangelho é uma doutrina que conduz à piedade (Tito 1:3), e não aprova o pecado nem minimamente. Ao contrário, nos coloca sob a obrigação mais forte de evitar o pecado e lutar contra ele.

Devemos permanecer firmes na liberdade cristã, mas sem forçá-la a ponto de quebrar o amor fraternal. Não devemos usar a liberdade como motivo para discutir e contender com outros crentes que pensam diferente de nós. Antes, devemos cultivar um espírito que nos leve a servir uns aos outros em amor.

O apóstolo apresenta duas razões para isso. Primeiro, toda a lei se cumpre em uma só palavra: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Gálatas 5:14). O amor é o centro de toda a lei. O amor a Deus abrange os deveres da primeira parte da lei, e o amor ao próximo abrange os deveres da segunda parte.

Ele menciona aqui o dever do amor porque está tratando do modo como os cristãos devem se tratar. Mostra também que esse é um sinal verdadeiro de fé sincera e o melhor remédio para as divisões. As pessoas provarão que são verdadeiramente discípulos de Cristo quando tiverem amor uns pelos outros (João 13:35). E onde esse espírito está presente, talvez não se eliminem todas as divergências, mas elas serão suavizadas e impedidas de causar grande dano.

A segunda razão é o perigo do caminho oposto. Paulo diz em (Gálatas 5:15): “Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede não vos consumais também uns aos outros.” Se agirem como animais ferozes, rasgando-se mutuamente em vez de servirem uns aos outros em amor, só podem esperar ruína. Portanto, tinham todo motivo para não alimentar contendas e sentimentos hostis.

Contendas constantes entre irmãos em Cristo muitas vezes levam à ruína de todos. Os que devoram uns aos outros caminham bem depressa para serem consumidos uns pelos outros. As igrejas cristãs não podem ser destruídas senão por suas próprias mãos. Se cristãos, que deveriam ser auxílio e alegria uns para os outros, passam a agir como feras e se dilaceram mutuamente, o que se pode esperar, senão que o Deus de amor retire sua graça, o Espírito de amor se afaste, e o espírito maligno, que busca a destruição de todos, ganhe vantagem?

Em segundo lugar, todos eles deveriam lutar contra o pecado. A igreja seria grandemente abençoada se os cristãos deixassem que todas as suas contendas fossem absorvidas por essa única luta: o combate contra o pecado. Em vez de se morderem e devorarem por causa de opiniões diferentes, deveriam unir forças contra o pecado em si mesmos e no meio em que vivem. Essa é a principal batalha para a qual somos chamados, e deve ser nossa preocupação maior.

Para ajudar os cristãos nisso, o apóstolo mostra, primeiro, que há uma luta em toda pessoa entre a carne e o Espírito. A carne, isto é, a parte corrupta e pecaminosa em nós, se opõe fortemente ao Espírito. Resiste a todo movimento espiritual e bom. Por outro lado, o Espírito, isto é, a parte renovada em nós, se opõe à carne e luta contra sua vontade e seus desejos.

É por isso que não podemos fazer o que gostaríamos. A obra da graça em nós impede que pratiquemos todo o mal que nossa natureza corrupta deseja. Ao mesmo tempo, por causa dessa oposição interna, não conseguimos fazer todo o bem que desejaríamos. Mesmo em uma pessoa natural, há alguma forma dessa luta, pois a consciência e a corrupção do coração entram em conflito. A consciência tenta refrear o pecado, enquanto o pecado tenta calar a consciência.

Em uma pessoa renovada, há também confronto entre a velha natureza e a nova, entre o que resta do pecado e os primeiros começos da graça. Os cristãos devem esperar essa luta enquanto viverem neste mundo.

Em segundo lugar, o apóstolo mostra que é nosso dever, e também para nosso maior bem, ficarmos do lado da melhor parte, firmes com nossas convicções contra nossos desejos corruptos, e com nossas graças contra nossas paixões pecaminosas. Ele dá uma regra geral que, se for observada cuidadosamente, é o melhor remédio contra o poder do pecado: andar em Espírito (Gálatas 5:16). Assim, não cumpriremos os desejos da carne.

Por Espírito aqui, ele pode se referir tanto ao próprio Espírito Santo, que habita no coração daqueles que ele renovou e santificou para guiá-los e ajudá-los no dever, como ao princípio gracioso que ele planta em seu povo, o qual luta contra a carne, assim como a carne ainda luta contra ele.

O dever, então, é deixar-nos guiar e moldar pelo Espírito Santo, em sintonia com a nova natureza que Deus colocou em nós. Se fizermos disso nosso hábito constante na vida diária, podemos confiar que, embora nossa natureza pecaminosa ainda se agite e resista, ela não dominará. O pecado pode permanecer presente, mas não terá domínio.

Este é o melhor antídoto contra o veneno do pecado: andar em Espírito. Isso significa ocupar-se muito com as coisas espirituais, dar maior atenção às necessidades da alma do que às do corpo e colocar-se sob a orientação da palavra de Deus, por meio da qual o Espírito Santo torna conhecida a vontade de Deus. Significa também depender de sua ajuda ao cumprir nossos deveres. Assim, somos guardados de praticar os desejos da carne.

Isso também mostra que somos verdadeiros cristãos. O apóstolo diz: “Se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei” (Gálatas 5:18). Devemos esperar uma luta contínua entre carne e Espírito enquanto estivermos neste mundo. A carne continuará se opondo ao Espírito, e o Espírito continuará se opondo à carne. Mas se o rumo geral da nossa vida é guiado pelo Espírito, fica claro que não estamos sob o poder condenatório da lei, embora ainda estejamos debaixo de sua autoridade.

Já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus e andam segundo o Espírito, e não segundo a carne (Romanos 8:1-14). Os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Assim, a direção do Espírito é ao mesmo tempo nossa segurança e nossa evidência de que pertencemos a Cristo.

O apóstolo então menciona as obras da carne, que devem ser vigiadas e mortas, e o fruto do Espírito, que deve ser estimulado e produzido (Gálatas 5:19-23). Ele faz isso para tornar seu ponto ainda mais claro. As obras da carne são muitas e evidentes.

São obras da natureza humana corrompida. A maioria delas é condenada até pela consciência natural, e todas são condenadas pela Escritura. Algumas são pecados contra o sétimo mandamento: adultério, fornicação, impureza e lascívia. Isso inclui não só os atos externos, mas também os pensamentos, palavras e atitudes que caminham nessa direção.

Algumas são pecados contra o primeiro e o segundo mandamentos, como idolatria e feitiçaria. Outras são pecados contra o próximo e contra a lei do amor, como ódio, dissensões, ciúmes, iras e rivalidades egoístas. Muitas vezes, essas coisas resultam em divisões, falsos ensinos, invejas e até homicídios, prejudicando não apenas a reputação das pessoas, mas às vezes suas próprias vidas. Outras são pecados contra nós mesmos, como bebedices e orgias.

Ele encerra a lista com uma advertência, mostrando que há muitos outros pecados semelhantes. Diz, como já dissera antes, que os que praticam tais coisas, por mais que procurem se justificar, não herdarão o reino de Deus. Esses pecados certamente excluem as pessoas do céu. Ninguém que vive na imundícia da carne pode se sentir à vontade no mundo dos espíritos santos, e o Deus santo não receberá tais pessoas em sua presença, a menos que primeiro sejam lavadas, santificadas e justificadas em nome do Senhor Jesus e pelo Espírito do nosso Deus (1 Coríntios 6:11).

Em seguida, o apóstolo nomeia o fruto do Espírito, isto é, as marcas da natureza renovada que os cristãos devem produzir (Gálatas 5:22-23). O pecado é chamado de “obra da carne” porque é a natureza corrompida que o impulsiona. A graça é chamada de “fruto do Espírito” porque vem inteiramente do Espírito, assim como o fruto vem da raiz. E, enquanto os pecados que ele mencionou antes principalmente prejudicam as pessoas e geram conflitos, esses frutos ajudam os cristãos a viverem em paz uns com os outros e consigo mesmos. Isso se encaixa com a advertência anterior de que não deveriam usar a liberdade como ocasião para a carne, mas servir uns aos outros pelo amor (Gálatas 5:13).

Ele recomenda especialmente o amor, primeiro para com Deus e depois uns para com os outros, por causa de Deus. Ele menciona a alegria, que pode significar um convívio alegre com os outros, mas, mais profundamente, um deleite constante em Deus. Ele menciona a paz, tanto paz com Deus e com a própria consciência, como também um espírito pacífico em relação aos outros. Ele menciona a longanimidade, que é a paciência em retardar a ira e suportar injustiças.

Ele também menciona a benignidade, um espírito amável e cheio de graça, especialmente para com os que estão abaixo de nós, e uma disposição em ser acessível mesmo quando fomos ofendidos. Bondade significa generosidade e disposição para fazer o bem sempre que pudermos. Fé, aqui, indica fidelidade, justiça e honestidade no que falamos e prometemos. Mansidão é um domínio suave sobre nossas paixões e ressentimentos, de modo que não sejamos facilmente provocados e logo sejamos acalmados. Temperança é autocontrole em comida, bebida e outros prazeres, para que não nos tornemos excessivos nem desequilibrados.

Contra essas coisas não há lei que as condene ou castigue. Isso também mostra que aqueles que produzem esses frutos não estão debaixo da lei, mas debaixo da graça. Essas qualidades provam que são guiados pelo Espírito e, por isso, não estão sob o poder condenatório da lei (Gálatas 5:18). Ao mencionar tanto as obras da carne como o fruto do Espírito, o apóstolo nos mostra o que devemos evitar e combater, e o que devemos buscar e fazer crescer.

Ele também nos diz que essa é a preocupação sincera de todos os verdadeiros cristãos: os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências. Eles não são perfeitos, mas de fato se colocaram contra o pecado e o puseram à morte com Cristo.

Assim como foram obrigados a isso no batismo, pois foram batizados em Cristo e na sua morte (Romanos 6:3), assim agora se esforçam sinceramente para viver conforme isso. Em união com o seu Senhor e Cabeça, procuram morrer para o pecado, assim como ele morreu por causa do pecado. Ainda não alcançaram plena vitória sobre ele. Ainda têm carne e Espírito dentro de si, e a carne continua manifestando seus desejos e cobiças, o que os aflige profundamente.

Contudo, o pecado já não reina em seus corpos mortais, para que obedeçam às suas concupiscências (Romanos 6:12). Em vez disso, trabalham pela completa ruína e destruição do pecado, para que sofra a mesma morte vergonhosa e prolongada que nosso Senhor Jesus sofreu em nosso lugar. Se queremos provar que pertencemos a Cristo, devemos tomar como dever constante crucificar a carne com seus desejos e paixões corruptas. Cristo jamais reconhecerá como seus aqueles que se entregam ao pecado.

Mas, quando o apóstolo fala apenas em crucificar a carne com as suas paixões e concupiscências, ele também dá a entender o outro lado do dever cristão. Devemos igualmente manifestar o fruto do Espírito que ele acabou de enumerar. Isso é tanto nosso dever quanto necessário para provar que nossa fé é verdadeira. Não basta deixar de fazer o mal, é preciso também aprender a fazer o bem. O chamado cristão não é apenas morrer para o pecado, mas viver para a justiça.

Ele nos chama não só a combater as obras da carne, mas também a produzir o fruto do Espírito. Portanto, se quisermos mostrar que realmente pertencemos a Cristo, devemos nos importar sinceramente com ambas as coisas. Que o apóstolo tem as duas em mente se vê pelo que ele diz em seguida (Gálatas 5:25): “Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito.” Em outras palavras, se dizemos que recebemos o Espírito de Cristo, ou que fomos renovados no entendimento e recebemos nova vida espiritual, então devemos demonstrar isso pelos frutos corretos em nossa conduta.

Ele já havia dito que o Espírito de Cristo é um dom dado a todos os filhos de Deus (Gálatas 4:6). Assim, se afirmamos estar entre eles e ter recebido esse dom, devemos mostrar isso por nossa disposição interior e nosso comportamento exterior. Nossa vida de fora sempre corresponderá ao princípio que nos guia e domina. Assim como os que seguem a carne se ocupam com as coisas da carne, assim os que seguem o Espírito se ocupam com as coisas do Espírito (Romanos 8:5). Se queremos que fique claro que somos de Cristo e que participamos do seu Espírito, devemos andar não segundo a carne, mas segundo o Espírito. Devemos nos empenhar seriamente tanto em mortificar o pecado quanto em andar em novidade de vida.

O apóstolo termina este capítulo com uma advertência contra o orgulho e a inveja (Gálatas 5:26). Ele já havia exortado esses cristãos, pelo amor, a servirem uns aos outros (Gálatas 5:13), e os havia lembrado do que aconteceria se, em vez disso, se mordessem e devorassem mutuamente (Gálatas 5:15). Agora ele os adverte contra o desejo de vanglória, contra deixar que o coração busque a aprovação e os aplausos humanos. Se esse espírito crescer, certamente os levará a provocarem e invejarem uns aos outros.

Quando tal disposição domina entre cristãos, eles passam a desprezar aqueles que julgam estar abaixo deles. Tornam-se facilmente ofendidos se não recebem o respeito que pensam merecer. Começam também a invejar os que parecem ter uma reputação maior que a sua. A partir daí, crescem contendas e discussões. Tais coisas não combinam com o amor que os cristãos devem ter uns pelos outros, e prejudicam gravemente a honra e a utilidade da verdadeira religião. Por isso o apóstolo quer que tomemos muito cuidado contra essas atitudes.

A glória que vem das pessoas é glória vazia, e, em vez de persegui-la, devemos estar mortos para ela. Um desejo desordenado de aprovação humana é uma das principais causas das tristes brigas e divisões que se encontram entre cristãos.

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