Versículo em destaque
Esdras 1:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" No primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia, para que se cumprisse a profecia posta pelo Senhor na boca de Jeremias, o Senhor despertou o espírito de Ciro, rei da Pérsia, que mandou fazer em todo o seu reino, de viva voz e por escrito, a seguinte proclamação: "
Esdras 1:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 No primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia, para que se cumprisse a profecia posta pelo Senhor na boca de Jeremias, o Senhor despertou o espírito de Ciro, rei da Pérsia, que mandou fazer em todo o seu reino, de viva voz e por escrito, a seguinte proclamação:
2 “Assim fala Ciro, rei da Pérsia: O Senhor, Deus do céu, deu-me todos os reinos da terra e encarregou-me de construir-lhe um templo em Jerusalém, que fica na terra de Judá.
3 Quem dentre vocês pertence ao seu povo, que seu Deus o acompanhe, suba a Jerusalém, que fica na terra de Judá, e construa o Templo do Senhor, Deus de Israel, o Deus que reside em Jerusalém.
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É útil considerar primeiro a situação dos cativos judeus na Babilônia. Em muitos aspectos, a vida deles era dolorosa e triste. Viviam debaixo de um povo que os odiava, não tinham propriedades que pudessem chamar de suas com segurança, e não possuíam nem templo nem altar. Se cantavam salmos, seus inimigos zombavam deles; ainda assim, continuavam tendo profetas no meio do povo. Ezequiel e Daniel foram preservados, separados da cultura pagã ao redor, e alguns judeus chegaram a alcançar favor na corte, enquanto outros se estabeleceram mais silenciosamente no interior.
Apesar disso, todos viviam com a esperança de um dia voltar para sua própria terra. Por causa dessa esperança, guardaram seus registros de família, preservaram sua religião e se afastaram da idolatria, o culto aos falsos deuses. Ficaram sob o domínio babilônico por todo o período de setenta anos que Deus havia determinado. Nabucodonosor levou muitos cativos logo no início do seu reinado, e o seu império continuou por meio de Evil-Merodaque e Belsazar até que Deus o derrubou.
Nabucodonosor havia trancafiado seus prisioneiros e não mostrara misericórdia (Isaías 14:17). Daniel lhe dissera que a misericórdia para com os pobres teria contribuído para prolongar a sua paz (Daniel 4:27). Mas os pecados de Babilônia chegaram ao seu limite, e então Deus trouxe juízo por meio de Dario, o medo, e Ciro, o persa, como se vê em (Daniel 5). Dario, já idoso, deixou o governo nas mãos de Ciro, e Ciro se tornou o instrumento usado por Deus para libertar os judeus.
Ciro deu a ordem para o retorno assim que se tornou senhor de Babilônia. Pode ter feito isso em contraste com Nabucodonosor, cuja família ele havia destruído. Também pode ter desejado mostrar que o seu governo seria brando e misericordioso. Alguns entendem que ele agiu movido pelo respeito à profecia de Isaías, que havia mencionado seu nome mais de 150 anos antes como aquele que Deus empregaria para essa obra (Isaías 44:28; 45:1 e seguintes). Seu nome, dizem alguns, significaria “sol” em persa, o que combina bem com o fato de ser usado para trazer luz e cura ao povo de Deus, sendo uma figura de Cristo, o Sol da justiça. Outros afirmam que seu nome significa “pai”, e Cristo é o Pai da eternidade.
Aqui somos informados de onde veio esse decreto. O Senhor despertou o espírito de Ciro. O coração dos reis está nas mãos de Deus, como ribeiros de água que ele inclina para onde quer. Ciro não conhecia o Senhor nem sabia como servi-lo, mas Deus conhecia Ciro e sabia como usá-lo (Isaías 45:4). Deus governa o mundo agindo sobre as mentes e os corações das pessoas. Quando algum bem é realizado, sobretudo em favor da igreja, Deus é quem merece a glória, porque foi ele quem despertou a vontade de fazê-lo.
Isso também aponta para a profecia de Jeremias. Deus não apenas prometera que os judeus voltariam, mas também fixara o tempo. Os setenta anos determinados haviam se completado (Jeremias 25:12; 29:10), e o Deus que cumpriu sua promessa a Israel no Egito “naquele mesmo dia” (Êxodo 12:41) certamente cumpriria também esta. O que Ciro fazia agora já havia sido anunciado como o meio pelo qual Deus confirmaria a palavra dos seus servos (Isaías 44:26). Jeremias fora odiado enquanto viveu, mas depois Deus o honrou grandemente, movendo um poderoso rei a agir com base em suas palavras.
O decreto foi publicado no primeiro ano de Ciro, não do seu reinado sobre a Pérsia, sua terra de origem, mas do seu domínio sobre Babilônia, o reino que ele havia conquistado. São muito honrados aqueles cujo coração é despertado para começar com Deus e servi-lo desde cedo. O edito foi divulgado tanto por pregão público quanto por escrito. Correu por todo o seu reino, como uma trombeta de jubileu anunciando liberdade após anos de tristeza, e podia alcançar até as províncias distantes onde as dez tribos tinham sido espalhadas pela Assíria e pela Média (2 Reis 17:6).
O sentido desse decreto aparece nas primeiras palavras da proclamação de Ciro. Sua mente parece ter sido iluminada a ponto de reconhecer Jeová, o Deus de Israel, como o único Deus vivo e verdadeiro, o Deus do céu, que governa sobre todos os reinos da terra. Ele fala dele como Deus único, acima de todos. Embora Ciro não tivesse sido instruído nisso desde a infância, Deus o levou longe o bastante para que agisse tendo Deus em vista.
Ciro declara que faz isso por gratidão, porque “o Deus do céu me deu todos os reinos da terra”. As palavras podem soar um tanto orgulhosas, pois, em sentido estrito, ele não governava literalmente todos os reinos do mundo. Ele quer dizer que Deus lhe entregou tudo o que havia sido dado a Nabucodonosor, cujo domínio se estendia amplamente (Daniel 4:22; 5:19). Deus é a fonte de todo poder. Todo reino pertence a ele, e toda autoridade que as pessoas têm procede de sua mão. Aqueles que recebem grande poder e muitos bens devem vê-los como motivos para servir a Deus com fidelidade.
Ciro também afirma que age em obediência a Deus, que o encarregara de lhe edificar uma casa em Jerusalém. Isso pode ter vindo por um sonho ou visão noturna e, provavelmente, foi confirmado pela profecia de Isaías, que havia anunciado sua obra. A desobediência de Israel se torna ainda mais grave quando comparada com a obediência desse rei pagão. O rei então concede a todos os judeus em seus domínios permissão para subir a Jerusalém e edificar ali o templo do Senhor.
Ao honrar a Deus, Ciro deixou de lado duas coisas que poderiam tê-lo levado a uma decisão diferente. Primeiro, ele ignorou a vantagem política e econômica de manter em seu reino tantas pessoas úteis. Do ponto de vista humano, pareceria mais sábio retê-las ali do que permitir que voltassem e se restabelecessem em sua própria terra. Mas a piedade é a melhor sabedoria. Segundo, ele desprezou a glória da religião babilônica ou persa. Por que não mandou construir um templo aos deuses de Babilônia ou da Pérsia? Porque cria que o Deus de Israel é o Deus do céu, e, portanto, Israel devia adorá-lo somente a ele. Que eles andassem no nome do Senhor seu Deus.
Ciro ainda acrescentou um apelo público a ofertas para ajudar os pobres, que não podiam custear sozinhos a viagem e a reconstrução.
“Todo aquele que ficar para trás, por não ter meios de pagar a viagem a Jerusalém, que os homens do seu lugar o socorram.” Alguns entendem isso como uma ordem dirigida aos oficiais do rei, para sustentarem os judeus que voltassem com recursos do próprio tesouro real, como em (Esdras 6:8). Mas também pode significar que foi dada aos cativos permissão para pedir e receber ofertas e ajuda caridosa dos súditos fiéis ao rei.
Podemos supor que os judeus haviam se comportado tão bem entre seus vizinhos que muitos se disporiam de bom grado a ajudá-los, tanto por amor a eles quanto por saberem que isso contava com a aprovação do governo. Ao menos, muitos seriam gentis com eles por esse motivo. Ciro, rei da Pérsia, não só abençoou aqueles que iriam, dizendo: “O seu Deus seja com eles” (Esdras 1:3), mas também se preocupou em prover o que necessitavam.
Ele esperava que os que tinham condições fizessem ofertas voluntárias, isto é, contribuições espontâneas para a casa de Deus, ajudando a reconstruí-la. Mas, além disso, queria que fossem supridos também a partir do seu reino. Os que desejam o bem do templo devem também fazer o bem de maneira prática em favor dele.
Deste capítulo
Esdras 1:2
"“Assim fala Ciro, rei da Pérsia: O Senhor, Deus do céu, deu-me todos os reinos da terra e encarregou-me de construir-lhe um templo em Jerusalém, que fica na terra de Judá."
Esdras 1:3
"Quem dentre vocês pertence ao seu povo, que seu Deus o acompanhe, suba a Jerusalém, que fica na terra de Judá, e construa o Templo do Senhor, Deus de Israel, o Deus que reside em Jerusalém."
Esdras 1:4
"Que todos os sobreviventes de Judá, onde quer que residam, sejam providos pelos habitantes da localidade onde se encontrarem com prata, ouro, cereais e gado, bem como com oferendas voluntárias para o templo do Deus que reside em Jerusalém”."
Esdras 1:5
"Então, os chefes de família de Judá e de Benjamim, bem como todos os sacerdotes e os levitas, principalmente todos aqueles cujo espírito Deus havia tocado, prepararam-se para ir reedificar o Templo do Senhor em Jerusalém."
Esdras 1:6
"Todos os que habitavam nas redondezas ajudaram-nos, dando-lhes prata, ouro, diversos bens, gado, cereais e coisas preciosas, além das outras ofertas voluntárias."
Esdras 1:7
"O rei Ciro também entregou os utensílios que Nabucodonosor havia trazido do Templo do Senhor em Jerusalém e colocado no templo de seu deus."
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