Versículo em destaque
Eclesiastes 4:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Passei, então, a considerar todas as opressões praticadas debaixo do sol. Eis as lágrimas dos oprimidos, sem ninguém para consolá-los. Seus opressores usam de violência contra eles, e ninguém os consola. "
Eclesiastes 4:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Passei, então, a considerar todas as opressões praticadas debaixo do sol. Eis as lágrimas dos oprimidos, sem ninguém para consolá-los. Seus opressores usam de violência contra eles, e ninguém os consola.
2 E julguei os mortos, que já faleceram, mais felizes do que os vivos, que ainda estão em vida;
3 porém, mais feliz do que eles é aquele que não chegou a nascer, porque não viu o mal que se comete debaixo do sol.
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Salomão tinha um coração amplo (1 Reis 4:29), e isso aparecia de muitas maneiras. Ele se importava profundamente com pessoas em sofrimento e prestava muita atenção às aflições dos atribulados. Já havia falado com dureza aos opressores (Eclesiastes 3:16-17) e os advertido sobre o juízo futuro, para conter o seu orgulho. Agora ele se volta para aqueles que estavam sendo esmagados. Faz isso, sem dúvida, também como governante, para fazer justiça e defendê-los de seus inimigos, porque temia a Deus e se importava com as pessoas. Mas aqui ele fala como pregador, expondo a gravidade da condição em que eles se encontravam.
Doía-lhe ver o poder sendo usado contra o direito, e tanta opressão debaixo do sol. Ele via servos, trabalhadores e pobres explorados por seus patrões, que se aproveitavam de sua necessidade e os submetiam a condições duras. Via devedores esmagados por credores cruéis, e também credores lesados por devedores desonestos. Observava arrendatários sobrecarregados por proprietários implacáveis, órfãos abusados por tutores infiéis e, pior que tudo, súditos oprimidos por príncipes tiranos e juízes injustos. Essas injustiças acontecem debaixo do sol, mas acima do sol reina para sempre a justiça. Os sábios devem considerar tais males e buscar maneiras de socorrer os oprimidos. Bem-aventurado é aquele que atende ao pobre.
Ele também se comovia com as lágrimas dos que eram oprimidos. Via como se entristeciam pelo que lhes faziam e talvez chorasse com eles. Este mundo é cheio de lágrimas. Para onde quer que se olhe, vêem-se pessoas chorando sob um fardo ou outro. Acham inútil reclamar, e por isso pranteiam em segredo, como Jó (Jó 16:20; Jó 30:28). Mas bem-aventurados são os que choram.
Salomão via ainda quão incapazes eram de se socorrer. Do lado de seus opressores estava o poder. Uma vez cometido o mal, os poderosos o sustentavam e mantinham sua vantagem, de modo que os pobres eram abatidos por mão forte e não tinham meios de obter justiça. É triste ver o poder usado de forma perversa, e ver aquilo que foi dado para ajudar no bem ser deturpado para apoiar o mal.
Entristecia-o também a indiferença dos outros diante do sofrimento deles. Choravam e precisavam de consolo, mas ninguém vinha consolá-los. Não tinham consolador. Seus opressores eram fortes e ameaçadores, e os demais temiam até falar uma palavra de bondade aos oprimidos. Receavam desagradar aos poderosos e serem tratados como inimigos se tentassem ajudar. É lamentável ver tão pouca misericórdia e humanidade entre as pessoas.
Salomão também mostra as tentações que surgem de uma vida tão dura. Quem é tratado assim é tentado a odiar a vida, desprezá-la, invejar os mortos e desejar nunca ter nascido (Eclesiastes 4:2-3). Salomão quase concorda com eles, porque isso reforça sua conclusão de que tudo é vaidade e correr atrás do vento, já que a própria vida, muitas vezes, se mostra assim. Se olharmos para a vida como menos importante do que o favor e a comunhão de Deus, como Paulo fez (Atos 20:24; Filipenses 1:23), isso é sinal de sabedoria espiritual. Mas se dizemos tais coisas apenas por causa das misérias da vida, como fizeram Jó e Elias, então isso revela fraqueza e um julgamento baseado somente nas aparências.
Ele afirma que os que já morreram são felizes, porque terminaram sua vida penosa e deixaram o palco deste mundo. Louva os mortos que já faleceram, quer tenham morrido de repente, quer tenham passado rapidamente por este mundo, como se tivessem atravessado o mar da vida por um caminho curto. Se dependesse apenas do olhar humano, dir-se-ia que foram sábios em olhar o mundo e logo se retirar, porque não gostaram do que viram. Ele considera a condição deles melhor do que a dos vivos que ainda estão vivos, ainda arrastando o longo peso da existência e consumindo seus minutos lentos. Isso pode ser comparado não tanto com (Jó 3:20-21), mas com (Apocalipse 14:13), onde, em tempos de perseguição, não é o sentimento humano, mas o Espírito de Deus quem declara: “Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor”.
Assim, a condição dos crentes que morreram e descansam com Deus é, em muitos aspectos, melhor e mais desejável do que a condição dos crentes que ainda vivem, ainda trabalham e ainda lutam. Salomão vai ainda além e diz que mais felizes são aqueles que nem sequer começaram esta vida tão dolorosa. Melhor é aquele que ainda não nasceu, do que ambos. É melhor nunca ter vindo ao mundo do que nascer e ver as obras más que se fazem debaixo do sol, ver tanta impiedade e injustiça, e não apenas ser incapaz de corrigir tudo isso, mas ainda sofrer por fazer o que é justo.
Mesmo assim, um homem piedoso, por mais atribulado que seja neste mundo, não tem motivo para desejar nunca ter nascido. Ele está glorificando o Senhor até no fogo, e será feliz ao fim, feliz para sempre. Ninguém, enquanto vive, deve desejar não ter existido, porque enquanto há vida, há esperança. Um homem só está verdadeiramente arruinado quando se encontra no inferno.
Deste capítulo
Eclesiastes 4:2
"E julguei os mortos, que já faleceram, mais felizes do que os vivos, que ainda estão em vida;"
Eclesiastes 4:3
"porém, mais feliz do que eles é aquele que não chegou a nascer, porque não viu o mal que se comete debaixo do sol."
Eclesiastes 4:4
"Vi que todo trabalho e toda habilidade em uma obra não passam de rivalidade de um homem diante do seu próximo. Isso também é fugacidade e vento que passa."
Eclesiastes 4:5
"O insensato cruza os braços e devora a própria carne."
Eclesiastes 4:6
"Mais vale um punhado de tranquilidade do que dois punhados de trabalho e de vento que passa."
Eclesiastes 4:7
"Vi ainda outra fugacidade debaixo do sol:"
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