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Deuteronômio 28:15 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" “Mas, se você não obedecer à voz do Senhor, seu Deus, se não praticar cuidadosamente todos os seus mandamentos e todas as suas leis que hoje prescrevo a você, virão sobre você e o alcançarão todas estas maldições: "

Deuteronômio 28:15

menu_book Versículo no contexto

13 O Senhor colocará você à frente e não na cauda; você estará sempre no alto, jamais embaixo, contanto que obedeça às ordens do Senhor, seu Deus, que hoje prescrevo a você, que as observe e as ponha em prática,

14 e não se desvie nem para a direita nem para a esquerda de nenhuma das prescrições que hoje lhe dou, para seguir outros deuses e prestar-lhes culto.”

15 “Mas, se você não obedecer à voz do Senhor, seu Deus, se não praticar cuidadosamente todos os seus mandamentos e todas as suas leis que hoje prescrevo a você, virão sobre você e o alcançarão todas estas maldições:

16 você será maldito na cidade e maldito nos campos;

17 serão malditas sua cesta e sua amassadeira;

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auto_stories Comentário Bible Guided

Depois de contemplar o lado claro da “nuvem”, voltado para os obedientes, o texto nos conduz agora ao lado escuro, voltado para os desobedientes. Se não guardamos os mandamentos de Deus, não apenas deixamos de receber a bênção prometida, mas atraímos a maldição sobre nós mesmos. Essa maldição é tão ampla em miséria quanto a bênção é em felicidade.

Percebe-se, em primeiro lugar, quão justa é essa maldição. Não é uma maldição sem causa, nem por alguma pequena ofensa. Deus não procura pretextos para nos condenar, nem é apressado em contender conosco. As coisas apontadas aqui como trazendo a maldição são as seguintes.

Primeiro, desprezar a Deus, recusando-se a ouvir a sua voz (Deuteronômio 28:15). Esse é o mais alto grau de desprezo, como se o que ele diz não tivesse importância, ou como se nada lhe devêssemos. Segundo, desobedecê-lo, não fazendo os seus mandamentos, nem cuidando de guardá-los diligentemente. Ninguém cai debaixo da sua maldição senão aqueles que se rebelam contra o seu mandado.

Terceiro, abandoná-lo. “É por causa da maldade de vossas obras”, não apenas porque o desprezaram, mas porque o deixaram (Deuteronômio 28:20). Deus nunca se afasta de nós antes que primeiro nós nos afastemos dele. Isso mostra também que a idolatria deles, deixando o Deus verdadeiro para seguir deuses falsos, seria a maior causa de sua ruína.

Em seguida, percebe-se quão abrangente e eficaz é essa maldição. Em termos gerais, “todas estas maldições virão sobre ti e te alcançarão” (Deuteronômio 28:15). Ainda que o pecador tente fugir, será em vão. A maldição o seguirá para onde quer que vá, o alcançará e o dominará. Quando a ira de Deus persegue um pecador, ele bem que gostaria de fugir, mas não pode (Jó 27:22). Se escapa de um perigo, outro ainda o alcança. Não há fuga de Deus senão correndo para Ele; não há escape da sua justiça senão refugiando-se na sua misericórdia (ver Salmo 21:7-8).

Para onde quer que o pecador vá, a maldição de Deus o acompanha e repousa sobre ele. É maldito na cidade e no campo (Deuteronômio 28:16). A força da cidade não consegue protegê-lo, e o campo aberto não o esconde dessa ruína. É maldito ao entrar (Deuteronômio 28:19), pois a casa do ímpio está debaixo de maldição (Provérbios 3:33). É maldito ao sair, porque não pode deixar a maldição para trás. Ela entrou nele profundamente, como água no corpo e óleo nos ossos.

Tudo o que ele possui também está sob maldição. A terra é amaldiçoada por sua causa, e tudo o que dela procede, de modo que ele é amaldiçoado a partir do solo, como Caim (Gênesis 4:11). Seu cesto e sua amassadeira são amaldiçoados (Deuteronômio 28:17-18). Seus bens, na prática, ficam como que interditados para ele, porque não tem verdadeiro direito de desfrutar o que está sob o juízo de Deus. Para aqueles cuja mente e consciência estão contaminadas, todas as demais coisas também se contaminam (Tito 1:15). Todos os seus confortos se tornam amargos. Não podem gozá-los de modo verdadeiro, porque a ira de Deus está misturada a eles. E, se têm alguma lucidez, percebem que todas essas coisas estão condenadas e prontas para lhes serem tiradas, junto com suas alegrias e esperanças para sempre.

Tudo o que ele faz também está debaixo de maldição. Tudo em que põe a mão é amaldiçoado (Deuteronômio 28:20). Isso significa fracasso constante e decepção. Aqueles que põem o coração no mundo e esperam dele a felicidade encontrarão nisso uma fonte contínua de problemas. Essa maldição é o exato oposto da bênção descrita antes no capítulo. Assim também, tudo o que o céu tem de alegria, o inferno não apenas deixa de ter, mas possui o contrário disso. “Os meus servos comerão, mas vós tereis fome” (Isaías 65:13).

Muitos juízos específicos são listados aqui como fruto da maldição, pelos quais Deus puniria os judeus por se desviarem dele e desobedecerem-lhe. Esses juízos são de muitos tipos, pois Deus tem muitas flechas na sua aljava, incluindo os quatro juízos terríveis (Ezequiel 14:21) e muitos outros. São descritos de maneira muito séria e vívida, para que as pessoas, conhecendo os terrores do Senhor, fossem, se possível, movidas a voltar atrás. O mesmo aviso é repetido diversas vezes, para produzir uma impressão mais profunda e duradoura. Mostra também que, se as pessoas continuam na desobediência depois de julgarem que um castigo já passou, dizendo: “Certamente o amargor já cessou”, ele tornará com força dobrada. Quando Deus julga, ele prevalece.

Um desses juízos é a doença física, que se espalharia pela terra. Deus às vezes usa a enfermidade para disciplinar e refinar o seu próprio povo. “Senhor, eis que está enfermo aquele que tu amas” (João 11:3). Mas aqui a doença é ameaçada como sinal de ira contra seus inimigos, destinada a abatê‑los. Assim, a enfermidade pode ser bênção ou maldição, dependendo da condição do coração sob ela. Entretanto, qualquer que seja o sentido para o indivíduo, uma doença generalizada entre um povo é, sem dúvida, um juízo nacional.

Ele ameaça doenças dolorosas, como um grave mal de pele, começando nas pernas e joelhos e se espalhando, como as chagas de Jó, da cabeça aos pés. Ameaça doenças vergonhosas, como as úlceras do Egito, o mesmo tipo de chagas e tumores que caíram sobre os egípcios quando Deus tirou Israel do meio deles, além de hemorroidas e sarna, males repugnantes, bem apropriados a quem se tornou vil pelo pecado. Ameaça também doenças mortais, como a peste, consumpção e febre ardente, que representam tanto enfermidades prolongadas quanto súbitas (ver Levítico 26:16). Todas elas são incuráveis (Deuteronômio 28:27).

Outro juízo é a fome e a falta de alimento. Isso poderia vir, primeiro, pela falta de chuva (Deuteronômio 28:23-24). O céu sobre a terra deles seria seco como bronze, enquanto outras terras receberiam orvalho. Quando o céu é como bronze, a terra naturalmente se torna como ferro, dura e estéril. Em vez de chuva, o pó seria levantado dos caminhos e lançado sobre os campos, estragando o pouco fruto que ainda houvesse.

A fome também poderia vir por meio de insetos devastadores. Gafanhotos destruiriam o cereal, de modo que nem lhes restaria semente para o ano seguinte (Deuteronômio 28:38, 28:42). O fruto da videira, que deveria alegrar o coração, seria devorado por bichos (Deuteronômio 28:39), e a oliveira perderia o seu fruto de uma forma ou de outra (Deuteronômio 28:40). Os pagãos usavam muitos ritos supersticiosos para honrar seus falsos deuses e proteger as colheitas. Mas Moisés diz a Israel que o único meio verdadeiro de preservar o fruto era obedecer aos mandamentos de Deus. Ele não é como os ídolos, para ser tratado levianamente. Deve ser servido em espírito e em verdade. Esse aviso foi mais tarde cumprido em Israel (1 Reis 17:1; Jeremias 14:1; Joel 1:4).

Em terceiro lugar, seriam derrotados por seus inimigos na guerra. Seus inimigos tenderiam a ser ainda mais cruéis, quando os tivessem em suas mãos, por causa da severidade que Israel havia mostrado às nações de Canaã. Aquela lembrança se voltaria contra eles (Deuteronômio 28:25). A retirada deles seria mais vergonhosa e dolorosa, porque poderiam ter vencido se apenas tivessem permanecido fiéis a Deus.

Os corpos dos que fossem mortos na guerra, ou morressem em cativeiro entre estranhos, serviriam de alimento para as aves (Deuteronômio 28:26). Um israelita que tivesse perdido o favor de Deus receberia tão pouca consideração que ninguém sequer espantaria as aves de sobre o seu cadáver. A maldição de Deus o tornaria odioso a todos.

Em quarto lugar, ficariam confusos em todos os seus planos, incapazes de enxergar o próprio bem ou de fazer algo em benefício público. “O Senhor te ferirá com loucura e cegueira” (Deuteronômio 28:28-29). Os juízos de Deus podem atingir a mente, enchendo-a de trevas e terror, assim como atingem o corpo e os bens. Os piores juízos são aqueles que fazem a pessoa ter medo de si mesma e ser instrumento da própria ruína.

Aquilo em que confiavam para segurança se voltaria repetidas vezes contra eles. Vemos isso com frequência, quando o socorro em que confiavam apenas os prejudica, em vez de fortalecê-los (2 Crônicas 28:20). Aqueles que se recusam a seguir a sábia direção de Deus são justamente deixados para serem destruídos pelos próprios projetos. Se as pessoas fecham os olhos para o seu dever, merecem perder também a visão do próprio interesse. Amaram mais as trevas do que a luz; por isso, que andem apalpando ao meio-dia como quem anda em plena escuridão.

Em quinto lugar, seriam privados de tudo aquilo de que desfrutavam por um conquistador orgulhoso e violento, como Ben-Hadade foi para Acabe, rei de Israel (1 Reis 20:5-6). Suas casas e vinhas seriam tomadas, juntamente com suas esposas e filhos (Deuteronômio 28:30, 32). Os confortos que mais amavam e em que mais esperavam se tornariam o banquete e o orgulho do inimigo.

Assim como eles tinham morado em casas que não haviam edificado e comido de vinhas que não tinham plantado (Deuteronômio 6:10-11), outros fariam o mesmo com os bens deles. Seus bois, jumentos e ovelhas, como aconteceu com Jó, seriam tomados diante de seus olhos, sem que pudessem recuperá-los (verso 31). O inimigo consumiria o fruto da terra e do trabalho de suas mãos, de modo que eles e suas famílias passariam necessidade, enquanto seus adversários desfrutariam exatamente daquilo que Israel havia produzido.

Em sexto lugar, seriam levados cativos para uma terra distante, espalhados até mesmo por todos os reinos da terra (verso 25). Seus filhos e filhas, em quem esperavam consolo, iriam para o cativeiro (verso 41). No fim, eles mesmos, junto com o seu rei, em quem confiavam para segurança e estabilidade, também seriam levados (verso 36). Isso se cumpriu plenamente quando as dez tribos foram levadas para a Assíria (2 Reis 17:6) e, mais tarde, as duas tribos foram levadas para a Babilônia, juntamente com dois de seus reis (2 Reis 24:14-15; 2 Reis 25:7, 21).

Uma parte cruel desse cativeiro era que iriam para uma terra desconhecida, com língua e costumes estranhos, e seriam tratados com dureza. Ali serviriam a outros deuses, ou seja, seriam obrigados por seus dominadores a fazê-lo, como aconteceu na Babilônia (Daniel 3:6). Muitas vezes Deus faz com que o próprio pecado da pessoa se torne o seu castigo e usa suas escolhas erradas contra ela. “Servirás a outros deuses” significa, na prática: “Servirás a povos que adoram esses deuses.” A Escritura frequentemente chama uma nação pelo nome de seus deuses, como em Jeremias 48:7. Como Israel se unira aos idólatras, Deus fez dos idólatras seus opressores.

Em sétimo lugar, os que permanecessem na terra seriam humilhados e dominados por estrangeiros (Deuteronômio 28:43-44). Isso aconteceu com as dez tribos, por meio das colônias que o rei da Assíria mandou para habitar sua terra (2 Reis 17:24). Também pode apontar para a maneira lenta e quase imperceptível pela qual os estrangeiros tomariam suas propriedades, pouco a pouco, até expulsá-los. Vemos isso em Oséias 7:9: “Estrangeiros devoraram a sua força.” Estrangeiros comeram o pão que deveria alimentar israelitas de nascimento, e isso foi um justo juízo por terem introduzido deuses estranhos.

Em oitavo lugar, o bom nome deles entre as nações vizinhas seria completamente destruído. O povo que fora para louvor e honra se tornaria espanto, provérbio e motejo (Deuteronômio 28:37). Alguns observam o cumprimento contínuo desse aviso, pois, quando se quer falar do pior tipo de traição e crueldade, muitos dizem: “Só um judeu faria isso.” O pecado traz vergonha a qualquer povo.

Por fim, para completar a sua desgraça, esses males os levariam à perda da própria sanidade (Deuteronômio 28:34). “E enlouquecerás pelo que vires” significa que perderiam todo conforto e esperança, caindo em total desespero. Os que vivem apenas pelo que veem, e não pela fé, correm o risco de perder até a razão quando tudo ao redor se torna horrível. Essa é uma condição verdadeiramente miserável, quando alguém é levado à loucura pelo que contempla.

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