Versículo em destaque
Atos 10:9 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" No dia seguinte, enquanto estavam viajando e se aproximavam da cidade, por volta do meio-dia, Pedro subiu ao terraço da casa para orar. "
Atos 10:9
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
7 Quando se retirou, o anjo que havia falado com ele chamou dois dos seus criados e um soldado temente ao Senhor, dentre aqueles que estavam às suas ordens.
8 Contou-lhes tudo e os enviou a Jope.
9 No dia seguinte, enquanto estavam viajando e se aproximavam da cidade, por volta do meio-dia, Pedro subiu ao terraço da casa para orar.
10 Então, como sentisse fome, quis comer. Mas, enquanto preparavam isso para ele, caiu em êxtase.
11 Viu o céu aberto e uma coisa parecida com uma grande toalha descer, baixando do céu à terra, segura pelas quatro pontas.
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Cornélio já tinha recebido ordens claras do céu para mandar chamar Pedro, um homem que ele não conhecia, ou de quem pelo menos nunca tinha se ocupado. Mas havia ainda outra dificuldade para que eles se encontrassem: será que Pedro estaria disposto a vir quando fosse chamado? Não porque Pedro se achasse acima de ir imediatamente, nem porque tivesse medo de pregar a um homem culto como Cornélio. O problema era de consciência.
Cornélio era um homem muito correto em muitos aspectos, mas era gentio e incircunciso. Pela lei de Deus, os judeus haviam sido orientados a não se misturar livremente com nações idólatras, por isso costumavam se relacionar apenas com pessoas de sua própria religião, mesmo quando outros eram muito dignos. Chegavam ao ponto de considerar um simples toque acidental de um gentio como uma impureza cerimonial, uma contaminação ritual (João 18:28). Pedro ainda não tinha se livrado dessa visão estreita e parcial herdada de seus compatriotas, e por isso teria hesitado em ir até a casa de Cornélio.
Para remover esse obstáculo, Deus concedeu a Pedro uma visão, preparando-o para receber a mensagem de Cornélio, assim como antes tinha preparado Ananias para ir até Saulo. O Antigo Testamento já havia falado claramente sobre trazer os gentios, os não judeus, para dentro do povo de Deus. Cristo também havia dado indicações evidentes quando mandou que ensinassem “todas as nações”. Mesmo assim, nem Pedro, que conhecia tão bem o pensamento de seu Mestre, compreendeu isso plenamente até que Deus lhe mostrou, por meio de uma visão, que os gentios deveriam participar da mesma herança concedida aos crentes vindos de Israel (Efésios 3:6).
Essa visão veio exatamente quando os mensageiros de Cornélio estavam se aproximando da cidade (Atos 10:9). Pedro nada sabia da chegada deles, e eles nada sabiam da oração de Pedro, mas Deus conhecia ambos os lados e estava organizando tudo para o encontro. Deus tem um tempo adequado para todos os seus propósitos e muitas vezes coloca pensamentos na mente de seus servos exatamente na hora em que eles precisam.
Ela veio quando Pedro subiu ao terraço para orar, por volta do meio-dia. Pedro se dedicava muito à oração, mesmo tendo tanto trabalho público em suas mãos. Orava na hora sexta, seguindo o exemplo de Davi, que orava não só de manhã e à tarde, mas também ao meio-dia (Salmo 55:17). De manhã até a noite, muitos acham longo demais ficar sem comer, mas quão poucos acham longo demais ficar sem orar.
Pedro orou no terraço para ter privacidade. Ali ele não ouvia os outros nem era ouvido por eles, evitando assim tanto a distração quanto a aparência de ostentação. Dali podia erguer os olhos ao céu, o que ajudava sua adoração reverente a Deus, e também olhar sobre a cidade e o campo, o que movia sua compaixão pelas pessoas por quem estava orando. A visão veio logo depois da oração, como resposta à sua súplica pela propagação do evangelho e porque elevar o coração a Deus é uma boa preparação para receber sua graça e seu favor.
Pedro também estava com muita fome e esperava a hora do almoço (Atos 10:10). É provável que ainda não tivesse comido naquele dia, embora certamente já tivesse orado. O texto diz que ele desejava provar alguma coisa, o que mostra seu domínio próprio e sobriedade na comida. Mesmo estando com muita fome, contentava-se com pouco. Essa fome combinava perfeitamente com a visão sobre alimento, assim como a fome de Cristo no deserto deu ocasião à tentação de Satanás para que transformasse pedras em pão.
Então Pedro caiu em um êxtase, ou transe, não de medo, mas de profunda concentração. Estava tão absorvido que não só não percebia o que acontecia ao seu redor, como mal tomava consciência disso. Foi, por assim dizer, tirado deste mundo para que sua mente ficasse totalmente aberta às coisas divinas, como Adão em seu sono profundo (Gênesis 15:12; Atos 22:17). Quanto mais nossa mente está livre das distrações deste mundo, mais perto estamos do céu. O próprio Pedro não poderia dizer se estava no corpo ou fora do corpo, e nós também não podemos (2 Coríntios 12:2-3).
Ele viu o céu aberto, para que tivesse certeza de que seu chamado para ir até Cornélio vinha realmente do céu. A mudança em sua mente foi produzida por luz divina, e a comissão recebida, por poder divino. A abertura do céu também apontava para a revelação de um mistério oculto, que por muito tempo havia sido guardado em segredo (Romanos 16:25).
Pedro viu um grande lençol, cheio de todo tipo de criaturas vivas, descendo do céu e sendo baixado até a terra, até o terraço onde ele estava. Havia ali não só animais da terra, mas também aves do céu, como se tivessem sido colocados a seus pés. Incluía animais domésticos e animais selvagens. Não havia peixes, porque os peixes não estavam entre as criaturas especialmente declaradas impuras; tudo o que tinha barbatanas e escamas era permitido como alimento.
Alguns entendem esse lençol cheio de criaturas como uma figura da igreja de Cristo. Ela desce do céu, de um céu aberto, não só porque é enviada de lá (Apocalipse 21:2), mas também porque almas são recebidas nela, vindas de baixo. Ela é presa pelas quatro pontas para acolher pessoas de todas as partes do mundo que queiram ser acrescentadas a ela, e para guardar em segurança os que entram, para que não caiam fora. Nela se encontram pessoas de todas as nações e línguas, sem diferença entre grego e judeu, e sem rebaixar bárbaros ou citas, isto é, povos de fora e rudes (Colossenses 3:11). A rede do evangelho recolhe todo tipo de gente, tanto ruins como bons, aqueles que antes eram julgados puros e impuros.
Ou essa visão pode apontar para a generosa providência de Deus, que, antes que a lei cerimonial trouxesse restrições, havia dado às pessoas liberdade para usar todas as criaturas. Quando essa lei foi posta de lado, fomos restaurados a essa liberdade novamente. A visão nos ensina a enxergar todo benefício e serviço que recebemos das criaturas inferiores como algo que nos é enviado do céu. São dádivas de Deus, que as criou, as ajustou a nosso uso e as entregou ao cuidado e domínio do ser humano. “Senhor, que é o homem, para que te lembres dele?” (Salmo 8:4-8). Isso deveria aumentar nossa alegria no uso das criaturas e nosso dever de servir a Deus no modo como as usamos, quando as vemos como algo que nos é baixado do céu.
Pedro foi instruído por uma voz do céu a usar o alimento, com toda a abundância e variedade, que Deus havia providenciado para ele (Atos 10:13): “Levanta-te, Pedro, mata e come.” Ele também foi instruído a não fazer mais distinção entre animais limpos e impuros, mas a tomar o que quisesse. A distinção da lei entre comidas limpas e impuras tinha como objetivo marcar a separação entre judeus e gentios. Isso tornava difícil aos judeus sentar-se à mesa e conviver em refeições com gentios, pois estes serviriam alimentos que os judeus não podiam comer.
Com a remoção dessa lei sobre alimentos, ficava claramente permitido aos judeus conviver com gentios e ser abertos e familiares com eles. Agora podiam compartilhar a mesma mesa, comer juntos e viver como iguais. Pedro, porém, manteve sua convicção e não quis concordar, embora estivesse com fome (Atos 10:14). Ele disse: “De modo nenhum, Senhor”. A fome pode ser forte, mas os mandamentos de Deus devem ser uma barreira ainda mais forte do que a fome.
Pedro estava decidido a guardar a lei de Deus, mesmo quando uma voz do céu parecia dizer o contrário. A princípio, talvez ele não soubesse se o “mata e come” era uma prova, para ver se ele se manteria fiel à lei escrita, mais certa. Se fosse esse o caso, sua resposta foi correta: “De modo nenhum, Senhor”. A tentação de fazer o que Deus proibiu não deve ser negociada. Deve ser recusada imediatamente, e com espanto: “De modo nenhum, Senhor”.
Pedro justificou sua recusa dizendo: “Porque nunca comi coisa alguma comum e imunda.” Ele queria dizer que tinha permanecido fiel nessa questão e pretendia continuar assim. Se Deus, por sua graça, nos preservou até aqui de pecados graves, devemos usar isso como razão para evitar até mesmo a aparência do mal. Os judeus piedosos eram tão rigorosos nesse ponto que os sete irmãos, aqueles bravos mártires sob o rei Antíoco, preferiram tortura e morte a comer carne de porco, porque a lei a proibia. Não é de admirar, portanto, que Pedro pudesse dizer com verdadeira satisfação que sua consciência podia testemunhar que ele nunca havia agradado ao apetite com alimento proibido.
Então Deus, por uma segunda voz do céu, declarou que a lei estava sendo retirada nesse ponto (Atos 10:15): “Não faças tu comum ao que Deus purificou.” Aquele que fez a lei podia mudá-la quando quisesse e restaurar as coisas ao estado original. Deus, em outro tempo e por razões sábias, na época do Antigo Testamento, havia impedido os judeus de certos alimentos. Enquanto aquele tempo durou, eles estavam obrigados em consciência a obedecer. Mas agora, por razões próprias da era do Novo Testamento, ele havia removido essa restrição e deixado a questão em liberdade.
Deus havia purificado o que antes era tratado como impuro, e devemos fazer uso da liberdade que Cristo nos deu. Não devemos chamar de comum ou impuro aquilo que Deus agora declarou limpo. Devemos considerar uma grande misericórdia o fato de o evangelho ter nos libertado das leis alimentares de Moisés, de modo que agora toda criatura de Deus é boa e nada deve ser rejeitado. E isso não tanto porque ganhamos acesso a alimentos como carne de porco, coelho ou outros alimentos agradáveis e saudáveis, mas principalmente porque a consciência é libertada de um fardo nessas questões, para que possamos servir a Deus sem medo.
O evangelho trouxe deveres que a lei da natureza não exigia com tanta clareza, mas não transformou em pecado coisas que, por si mesmas, não eram pecado, como fez a lei de Moisés em certos aspectos cerimoniais. Aqueles que proíbem certos alimentos em determinadas épocas do ano e fazem disso um ponto de religião, como se tal prática fosse essencial à piedade, estão chamando de comum aquilo que Deus purificou. Nesse engano, mais do que em qualquer acerto, seguem o exemplo do Pedro hesitante, não o do Pedro instruído por Deus.
Isso aconteceu três vezes (Atos 10:16). O lençol foi recolhido um pouco, depois abaixado de novo uma segunda vez, e ainda uma terceira, com a mesma ordem de matar e comer, e com a mesma razão: o que Deus purificou não devemos chamar de comum. Não é certo se a recusa de Pedro se repetiu na segunda e na terceira vez; é provável que não, pois sua primeira objeção já havia sido plenamente respondida. A visão tripla, como o sonho duplicado de Faraó, mostrava que o assunto era certo e pedia séria atenção.
As lições de Deus, sejam ouvidas na pregação, sejam vistas nos sacramentos, muitas vezes precisam ser repetidas. O ensino vem “mandamento sobre mandamento, regra sobre regra”, pouco a pouco, até firmar-se no coração. Por fim, o lençol foi levado de volta ao céu. Os que veem nesse lençol uma figura da igreja, composta de judeus e gentios, assim como nele havia animais limpos e imundos, interpretam corretamente como um sinal da entrada dos gentios crentes na igreja e no céu, a Jerusalém de cima. Cristo abriu o reino dos céus a todos os que creem, e ali encontraremos, além dos selados das tribos de Israel, uma multidão incontável de todas as nações (Apocalipse 7:9). Mas todos ali são pessoas que Deus purificou.
A providência de Deus então deu a Pedro o significado da visão no momento exato, e foi isso que ele aprendeu (Atos 10:17-18). Pedro não entendeu de imediato o que Cristo queria dizer (João 13:7). Ele refletia consigo mesmo sobre o que aquela visão poderia significar. Não tinha motivo para duvidar de que vinha do céu; sua única dúvida dizia respeito ao seu sentido.
Cristo muitas vezes se revela ao seu povo pouco a pouco, não de uma só vez. Às vezes os deixa por algum tempo pensando, voltando o assunto na mente, antes de tornar tudo claro. Ainda assim, Pedro logo começou a compreender, porque os homens enviados por Cornélio já haviam chegado à casa. Estavam à porta, perguntando se Pedro se hospedava ali, e a mensagem deles mostraria o sentido da visão. Deus sabe quais deveres nos esperam e sabe como nos preparar para eles. Muitas vezes entendemos melhor o seu ensinamento quando vemos, na prática, a ocasião exata de colocá-lo em uso.
Deste capítulo
Atos 10:1
"Havia em Cesareia um homem chamado Cornélio, centurião da coorte que se chamava Itálica."
Atos 10:2
"Era religioso; ele e todos os de sua casa temiam a Deus. Dava muitas esmolas ao povo e orava constantemente."
Atos 10:3
"Esse homem viu claramente, em uma visão, por volta da hora nona do dia, um anjo de Deus aproximar-se dele e chamá-lo: “Cornélio!”."
Atos 10:4
"Cornélio fixou nele os olhos e, tomado de temor, perguntou: “Que há, Senhor?”. O anjo respondeu: “As suas orações e as suas esmolas subiram à presença de Deus como uma oferta de lembrança."
Atos 10:5
"Agora envie homens a Jope e mande vir aqui um certo Simão, que tem por sobrenome Pedro."
Atos 10:6
"Ele está hospedado na casa de Simão, um curtidor, cuja casa fica junto ao mar”."
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