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Atos 10:1 - Significado e aplicação
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Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Havia em Cesareia um homem chamado Cornélio, centurião da coorte que se chamava Itálica. "
Atos 10:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Havia em Cesareia um homem chamado Cornélio, centurião da coorte que se chamava Itálica.
2 Era religioso; ele e todos os de sua casa temiam a Deus. Dava muitas esmolas ao povo e orava constantemente.
3 Esse homem viu claramente, em uma visão, por volta da hora nona do dia, um anjo de Deus aproximar-se dele e chamá-lo: “Cornélio!”.
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O fato de o evangelho ser levado aos gentios, e de pessoas que antes eram estranhas e de fora passarem a ser concidadãs dos santos e membros da família de Deus, era um mistério tão grande até mesmo para os próprios apóstolos, e uma surpresa tão profunda (Efésios 3:3, 3:6), que vale a pena observar com atenção cada detalhe de como essa grande obra começou. Isso faz parte do mistério da piedade: Cristo sendo anunciado entre os gentios e crido no mundo (1 Timóteo 3:16). É possível que alguns gentios já tivessem entrado em alguma sinagoga judaica e ali ouvido o evangelho. Mas o evangelho ainda não tinha sido anunciado aos gentios de forma deliberada, e nenhum deles havia sido batizado. Cornélio foi o primeiro, e aqui recebemos o relato desse homem, o primeiro gentio trazido a Cristo.
Somos informados de que ele era um grande homem e um homem bom, duas qualidades que raramente andam juntas, mas que aqui se uniram. Quando isso acontece, cada uma torna a outra ainda mais honrosa. A bondade faz com que a grandeza seja verdadeiramente útil, e a grandeza dá à bondade um alcance mais amplo. Cornélio era um oficial militar (Atos 10:1). Naquele tempo, estava de serviço em Cesareia, uma cidade forte, reconstruída e fortificada por Herodes, o Grande, e chamada Cesareia em honra a César Augusto. Ficava à beira-mar, o que a tornava um ponto estratégico de comunicação entre Roma e suas terras distantes. O governador romano geralmente residia ali (Atos 23:23-24; 25:6).
Havia ali uma coorte, ou regimento, de soldados romanos, provavelmente a guarda pessoal do governador. Era chamada “italiana” porque era formada por romanos ou italianos de nascimento, escolhidos assim para que sua lealdade fosse mais segura. Cornélio exercia um comando nessa tropa. Seu nome era comum entre os romanos, especialmente entre famílias antigas e nobres. Ele era centurião, um oficial encarregado de cerca de cem soldados. Lemos também sobre outro centurião, no tempo de nosso Senhor, que recebeu alto elogio do próprio Jesus (Mateus 8:10).
Quando um gentio haveria de ser o primeiro a receber o evangelho, Deus não escolheu um filósofo gentio, muito menos um sacerdote gentio. Filósofos e sacerdotes frequentemente estavam presos às próprias ideias e práticas de culto, e muitos eram profundamente contrários a Cristo. Em vez disso, Deus escolheu um soldado gentio, um homem de mente mais aberta. Quando alguém assim escuta com sinceridade a verdade cristã exposta diante dele, não deixará de acolhê-la. Os primeiros crentes judeus foram pescadores, homens simples e sem instrução formal, mas o primeiro crente gentio não era desse tipo. Isso mostrava que o evangelho possui algo em si capaz de se recomendar também a pessoas instruídas e bem educadas, como provavelmente era o caso de Cornélio.
Soldados e oficiais não devem pensar que sua função os dispensa da religião, nem que a vida militar lhes dá licença para viver de forma descuidada. Aqui temos um oficial do exército que abraçou a fé em Cristo, sem perder seu posto nem abandoná-lo. Também foi uma humilhação para os judeus notar que o primeiro gentio recebido na igreja era um oficial do exército romano, o poder que eles tanto abominavam.
De acordo com a luz que possuía, Cornélio era um homem religioso, e em Atos 10:2 é feito dele um retrato muito favorável. Ele não era idólatra, nem vivia na imoralidade comum entre a maioria dos gentios, que lhes sobreveio como juízo por causa de sua idolatria. Tinha um real interesse pelo Deus vivo e verdadeiro. Era piedoso e temente a Deus. Cremos que ele cria em um só Deus, Criador do céu e da terra, e tinha profundo respeito por sua glória e autoridade. Temia ofendê-lo pelo pecado e, embora fosse soldado, isso não diminuía sua disposição de tremer diante de Deus.
Ele também preservava a religião dentro de casa. Temia a Deus com toda a sua casa. Não permitia idólatras sob seu teto, e cuidava para que não apenas ele mesmo, mas todos os que lhe pertenciam servissem ao Senhor. Todo homem verdadeiramente bom procurará, na medida do possível, tornar também bons os que estão ao seu redor. Era igualmente muito caridoso. Dava muitas esmolas ao povo, isto é, aos judeus, embora ele próprio fosse gentio e eles tivessem costumes religiosos diferentes dos seus. Estava disposto a socorrer quem realmente necessitasse, sem primeiro perguntar qual religião essa pessoa professava.
Era também um homem de oração. Orava a Deus continuamente. Tinha horários fixos para a oração e era fiel a eles. Onde o temor de Deus governa o coração, ele se manifestará tanto em caridade quanto em devoção, e uma dessas coisas não dispensa a outra.
Em seguida, é registrado que lhe foram dadas ordens do céu, por meio de um anjo, para que mandasse chamar Pedro. Cornélio jamais teria feito isso se Deus não o tivesse dirigido. Observe como essas ordens chegaram. Ele teve uma visão, e um anjo lhe trouxe a mensagem. Era cerca da nona hora do dia, por volta de três da tarde, um horário comum para negócios e conversas. Mas, como era o horário do sacrifício da tarde no templo, as pessoas piedosas também o tratavam como tempo de oração, indicando que todas as nossas orações devem ser apresentadas com base no valor do grande sacrifício.
Cornélio estava orando nesse momento, como depois ele mesmo relata (Atos 10:30). Um anjo de Deus entrou até ele. Pelo brilho de seu rosto e pela maneira como entrou, Cornélio percebeu que não era um simples homem, mas um anjo enviado do céu. Ele o viu claramente com seus olhos físicos, não em sonho nem apenas na imaginação, mas numa visão real, para que a mensagem trouxesse em si mesma sua confirmação. O anjo o chamou pelo nome, “Cornélio”, mostrando o olhar pessoal de Deus sobre ele. Isso o sobressaltou, e ele ficou com medo (Atos 10:4).
As pessoas mais sábias e piedosas muitas vezes sentiram temor diante da aparição de um mensageiro extraordinário vindo do céu, e com razão, pois, por si mesmos, pecadores não têm motivo para esperar boas notícias de lá. Cornélio perguntou: “Que é, Senhor?”. Falou como alguém que teme que haja algo de errado e anseia que esse temor seja dissipado pelo conhecimento da verdade. Também falou como alguém pronto a aprender a vontade de Deus e a obedecê-la, como Josué perguntando: “Que diz meu Senhor ao seu servo?”, e Samuel dizendo: “Fala, porque o teu servo ouve”.
A mensagem que recebeu foi esta: Deus o aceitava na medida em que ele andava de acordo com a luz que tinha. “As tuas orações e as tuas esmolas têm subido para memória diante de Deus” (Atos 10:4). Note que orações e esmolas devem andar juntas.
Devemos acompanhar nossas orações com dádivas aos pobres, pois o jejum que Deus escolhe envolve repartir o pão com o faminto (Isaías 58:6, 58:7). Não basta orar para que aquilo que temos seja abençoado para nós. Precisamos também repartir do que temos; e então, como disse Jesus, todas as coisas nos serão limpas (Lucas 11:41). Da mesma forma, devemos acompanhar nossas dádivas com oração, pedindo a Deus que as aceite favoravelmente e abençoe aqueles que as recebem.
Cornélio orava e dava esmolas, dons aos necessitados, não para impressionar as pessoas, como faziam os fariseus, mas com sinceridade, diante de Deus. Aqui ele é informado de que suas orações e esmolas subiram como memorial diante de Deus. Eram lembradas no céu, no livro de memória que ali se guarda para os que temem ao Senhor, e seriam lembradas para o seu bem. Em outras palavras, suas orações seriam respondidas, e suas esmolas recompensadas. Os sacrifícios prescritos na lei também eram chamados de “memorial”, como em Levítico 2:9, 2:16; 5:12; 6:15. Assim, orações e esmolas são nossas ofertas espirituais, e Deus delas toma conhecimento.
Cornélio cria e se submetia à revelação divina dada aos judeus, na medida em que os gentios nela eram incluídos. Essa revelação não apenas orientava e aperfeiçoava a luz da natureza, aquele senso de Deus que as pessoas têm pela criação, mas também anunciava o Messias que havia de vir. Ele agia com base nessa fé, e Deus o aceitava. Os gentios que tinham recebido a lei de Moisés não eram obrigados a se tornar judeus circuncidados, assim como os que recebem o evangelho de Cristo são chamados a se tornar cristãos batizados.
Ele também é instruído a buscar uma manifestação mais plena da graça de Deus, que recém tinha sido revelada ao mundo (Atos 10:5, 10:6). Devia, sem demora, enviar mensageiros a Jope e chamar Simão, chamado Pedro. Pedro estava hospedado em casa de Simão, curtidor de couros, cuja casa ficava à beira-mar. Se Pedro fosse chamado, viria; e, vindo, diria a Cornélio o que ele deveria fazer, respondendo assim à sua pergunta: “Que é, Senhor?”.
Duas coisas aqui chamam atenção. Primeiro, Cornélio ora e dá esmolas no temor de Deus, conduz bem a religião em sua casa e é aceito por Deus em tudo isso. Mesmo assim, ainda há algo mais que ele deve fazer: precisa abraçar a fé em Cristo agora que Deus estabeleceu a religião cristã entre os homens. Isso não é tratado como algo opcional, mas como necessário para sua futura aceitação diante de Deus, ainda que ele já tivesse sido aceito em seu serviço anterior. Todo aquele que creu na promessa do Messias deve agora crer que essa promessa foi cumprida. Agora que Deus deu um testemunho mais completo acerca de seu Filho do que apenas as profecias do Antigo Testamento, ele exige de nós que o recebamos quando esse testemunho nos alcança.
A partir desse ponto, nem orações nem esmolas podem subir diante de Deus como memorial se não crermos em Jesus Cristo, porque esse é o dever adicional que agora temos. Este é o mandamento de Deus: que creiamos. Orações e ofertas são aceitas daqueles que creem que o Senhor é Deus e não têm oportunidade de conhecer mais do que isso. Mas daqueles a quem foi pregado que Jesus é o Cristo, é necessário, para a aceitação de suas pessoas, de suas orações e de seus dons, que creiam nisso e se apoiem somente em Cristo para serem aceitos.
Em segundo lugar, Cornélio recebe um anjo do céu que lhe fala, mas não é instruído por esse anjo no evangelho de Cristo. O anjo não lhe entrega o conteúdo do que ele deve crer e fazer; apenas diz: “Manda chamar Pedro, e ele te dirá.” Isso confere grande honra ao evangelho, e também ao ministério do evangelho. A graça de anunciar entre os gentios as riquezas insondáveis de Cristo (Efésios 3:8) não foi dada aos mais elevados anjos, mas àqueles que eram menos do que o mínimo de todos os santos. Assim, ficaria claro que a grandeza do poder é de Deus, e seria preservada a dignidade da obra que Cristo instituiu. Deus não sujeitou o mundo vindouro aos anjos, mas ao Filho do homem como governante, e aos filhos dos homens como seus mensageiros e servos (Hebreus 2:5). Eles não devem nos atemorizar ou oprimir, como esse anjo agora fez com Cornélio.
Foi uma honra para o apóstolo ter de pregar o que um anjo não devia pregar. E foi outra honra o fato de um anjo ser enviado do céu apenas para preparar o chamado de Pedro. Reunir um ministro fiel e um povo disposto é uma obra digna de um anjo, e uma tarefa na qual até os maiores deste mundo deveriam se alegrar em servir.
Cornélio obedeceu imediatamente a essas ordens (Atos 10:7, 10:8). Enviou logo a Jope para trazer Pedro. Se apenas ele estivesse envolvido, teria ido pessoalmente a Jope. Mas ele tinha família, parentes e amigos, um pequeno grupo sob seus cuidados (Atos 10:24), que não poderia ir com ele. Por isso, mandou chamar Pedro. Assim que o anjo que lhe falara se retirou, ele obedeceu à visão celestial sem discutir nem demorar. Entendeu que mais instrução estava a caminho, e desejava ouvi-la. Apressou-se e não retardou.
Ele enviou dois servos de sua casa, que também temiam a Deus, e um soldado piedoso, um dos que sempre o atendiam. Um centurião piedoso costuma ter soldados piedosos. Um pouco de devoção pode se espalhar muito entre soldados, mas haveria mais devoção entre eles se houvesse mais devoção entre os comandantes. Oficiais que têm tanta autoridade sobre soldados, como esse centurião tinha (Mateus 8:9), têm grande oportunidade de promover a religião, ou pelo menos conter o vício e o desrespeito a Deus entre os que estão sob seu comando, se usarem bem sua influência. Quando esse centurião escolheu servos para ficarem perto dele, escolheu homens piedosos. Favoreceu-os para que outros fossem estimulados a ser como eles. Seguiu a regra de Davi: “Os meus olhos procurarão os fiéis da terra, para que estejam comigo” (Salmo 101:6).
Ele também lhes contou todas essas coisas (Atos 10:8). Explicou a visão que tivera e a ordem de mandar chamar Pedro, porque a vinda de Pedro dizia respeito a eles também. Eles também tinham almas a serem salvas, assim como ele. Por isso, não apenas lhes indicou onde encontrar Pedro, embora pudesse achar que isso bastaria, já que “o servo não sabe o que faz o seu senhor”. Revelou também o motivo da vinda de Pedro, para que pudessem insistir com ele que viesse.
Deste capítulo
Atos 10:2
"Era religioso; ele e todos os de sua casa temiam a Deus. Dava muitas esmolas ao povo e orava constantemente."
Atos 10:3
"Esse homem viu claramente, em uma visão, por volta da hora nona do dia, um anjo de Deus aproximar-se dele e chamá-lo: “Cornélio!”."
Atos 10:4
"Cornélio fixou nele os olhos e, tomado de temor, perguntou: “Que há, Senhor?”. O anjo respondeu: “As suas orações e as suas esmolas subiram à presença de Deus como uma oferta de lembrança."
Atos 10:5
"Agora envie homens a Jope e mande vir aqui um certo Simão, que tem por sobrenome Pedro."
Atos 10:6
"Ele está hospedado na casa de Simão, um curtidor, cuja casa fica junto ao mar”."
Atos 10:7
"Quando se retirou, o anjo que havia falado com ele chamou dois dos seus criados e um soldado temente ao Senhor, dentre aqueles que estavam às suas ordens."
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