Versículo em destaque
1 João 4:7 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus, e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. "
1 João 4:7
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
5 Eles são do mundo. É por isso que falam segundo o mundo, e o mundo os ouve.
6 Nós, porém, somos de Deus. Quem conhece a Deus nos ouve; quem não é de Deus não nos ouve. É nisso que conhecemos o Espírito da Verdade e o espírito do erro.
7 Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus, e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus.
8 Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor.
9 Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: em ele nos ter enviado ao mundo o seu Filho único, para que vivamos por ele.
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Assim como o Espírito da verdade é conhecido pelo seu ensino, e por isso os espíritos devem ser provados pela doutrina, ele também é conhecido pelo amor. Por isso João prossegue com um forte e insistente apelo ao santo amor cristão: “Amados, amemo-nos uns aos outros” (1 João 4:7). Ele deseja unir os crentes no seu próprio amor, para que eles também sejam unidos em amor uns pelos outros. Em outras palavras, ele diz: “Amados, porque eu amo vocês, exorto que mostrem um amor sincero uns aos outros”.
João reforça esse mandamento com vários motivos. Primeiro, o amor vem de uma fonte elevada e celestial: “o amor é de Deus” (1 João 4:7). Deus é a fonte, o autor, o pai e o governante desse amor. O amor está no centro da sua lei e do seu evangelho. “Todo aquele que ama”, desse modo santo e sábio, “é nascido de Deus” (1 João 4:7). O Espírito de Deus é Espírito de amor, e a nova vida nos filhos de Deus nasce do seu amor. O caráter e a natureza dessa vida nova são amor. “O fruto do Espírito é amor” (Gálatas 5:22). O amor desce do céu.
Em segundo lugar, o amor revela um verdadeiro entendimento da natureza de Deus. “Qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus” (1 João 4:7). E logo depois: “Aquele que não ama não conhece a Deus” (1 João 4:8). Que atributo de Deus brilha com mais clareza no mundo do que a sua bondade generosa, que é amor? A sabedoria, grandeza, harmonia e utilidade da criação provam que Deus existe e, ao mesmo tempo, manifestam o seu amor. Até a razão natural, quando reflete sobre o ser mais perfeito, precisa concluir que ele é sumamente bom. Portanto, a pessoa que não ama, que não é movida ao amor em seu coração e em suas ações pelo que conhece de Deus, na verdade não conhece a Deus. É uma prova clara de que o verdadeiro e sadio conhecimento de Deus não habita em tal alma. O amor deve brilhar entre as mais altas e principais perfeições de Deus, porque “Deus é amor” (1 João 4:8). Sua natureza e essência são amor, e sua vontade e suas obras são, sobretudo, amor.
Isso não significa que o amor seja a única coisa que devemos considerar em Deus. Já vimos que ele é luz, assim como é amor (1 João 1:5). Deus é também, de modo especial, amor em relação a si mesmo, e possui perfeições que decorrem do amor necessário que ele tem pela sua própria existência, excelência e glória. Ainda assim, o amor é algo natural e essencial à divina Majestade: Deus é amor.
Isso se vê na maneira como ele manifestou esse amor. Primeiro, ele nos amou como nós éramos. “Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco” (1 João 4:9), isto é, entre nós, seres mortais, ingratos e rebeldes. “Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5:8). É algo espantoso que Deus ame seres impuros, vãos, desprezíveis, pó e cinza.
Segundo, ele nos amou ao preço mais alto possível. Ele deu o seu próprio Filho, unigênito e bendito, por nós: “Deus enviou o seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos” (1 João 4:9). Esse título apresenta Cristo de modo especial e único como o Filho de Deus, o Unigênito. Se ele fosse apenas uma criatura, um ser criado, não poderia ser o unigênito. Mas, sendo gerado de forma natural e necessária a partir da glória, essência ou substância do Pai, ele é o Unigênito. E então é um mistério e uma maravilha do amor divino que um Filho assim tenha sido enviado ao nosso mundo por nós. É apropriado dizer: “Deus amou o mundo de tal maneira”, de um modo espantoso e quase inacreditável.
Terceiro, Deus nos amou primeiro, e nos amou em nossa pior condição. “Nisto está o amor”, esse amor estranho e sem igual, “não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós” (1 João 4:10). Ele nos amou quando não tínhamos nenhum amor por ele, quando estávamos em culpa, miséria e sangue, quando éramos indignos, merecedores do mal, contaminados e impuros, necessitados de ser lavados de nossos pecados em sangue sagrado.
Quarto, ele nos deu seu Filho para um grande serviço e um grande propósito. Quanto ao serviço, Cristo se tornou a propiciação pelos nossos pecados, isto é, o sacrifício que afasta a ira de Deus. Isso significa que ele morreu por nós, morreu debaixo da lei e da maldição de Deus, levou os nossos pecados em seu corpo, foi crucificado, sofreu em sua alma, teve o lado traspassado, e esteve morto e sepultado por nós (1 João 4:10). E ele foi dado com um bom fim, cheio de benefício para nós: “para que por ele vivamos” (1 João 4:9). Para que vivamos para sempre por meio dele, vivamos no céu, com Deus, em glória eterna e bem-aventurança com ele e por ele. Que amor é esse!
Em seguida, o amor de Deus para com outros crentes deve despertar o nosso amor. “Amados”, diz João, como se apelasse a eles por meio do seu próprio afeto por eles, “se Deus assim nos amou, também nós devemos amar uns aos outros” (1 João 4:11). Esse deveria ser um argumento inabalável. O exemplo de Deus deve nos impulsionar. Devemos imitá-lo como filhos amados. As pessoas a quem Deus ama devem ser as pessoas que nós também amamos. Como poderíamos recusar amar aqueles a quem o Deus eterno amou? Devemos admirar o amor dele e amar a bondade e o prazer que há nele, e assim amaremos aqueles a quem ele ama. O amor geral de Deus pelo mundo deve resultar em um amor geral entre os homens. “Para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus; porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos” (Mateus 5:45). Seu amor especial pela igreja e pelos santos deve produzir um amor especial entre eles. Se Deus assim nos amou, certamente nós devemos, de alguma maneira adequada, amar uns aos outros.
Em seguida, o amor cristão traz a certeza de que Deus habita em nós. “Se nos amarmos uns aos outros, Deus está em nós” (1 João 4:12). Deus não habita em nós por uma presença visível ou por alguma aparição direta aos olhos, pois “ninguém jamais viu a Deus” (1 João 4:12). Ele habita em nós por seu Espírito (1 João 4:13). Como ninguém viu a Deus, ele não se apresenta a nós de forma que nossos olhos possam percebê-lo diretamente. Por isso, não exige nosso amor desse modo. Em vez disso, pede nosso amor da forma pela qual escolheu manifestar-se como digno de amor: pela revelação de si mesmo e do seu amor, e portanto da sua amabilidade, em toda a igreja, especialmente nos irmãos, membros dessa igreja. Deus deve ser amado neles, e em sua presença e sua obra no meio deles. Assim, se nos amarmos uns aos outros, Deus habita em nós. Aqueles que amam os irmãos são templos de Deus, e a divina Majestade tem ali sua habitação especial.
Além disso, o amor de Deus atinge em nós o seu alvo adequado. “Em nós é perfeito o seu amor” (1 João 4:12). Isto é, ele chega ao seu cumprimento em e por meio de nós. O amor de Deus não se torna perfeito nele mesmo, mas em relação a nós e conosco. Seu amor nunca teve a intenção de ser vazio ou sem fruto para conosco. Quando alcança seu verdadeiro objetivo e produz o resultado adequado, pode-se dizer que é aperfeiçoado, assim como a fé é aperfeiçoada pelas obras e o amor é aperfeiçoado pelas suas ações.
Quando o amor de God nos transforma à mesma imagem, primeiro ensinando-nos a amar a Deus e depois a amar os irmãos na fé, esse amor, em certo sentido, se torna completo. Isso não quer dizer que o nosso amor já seja perfeito, nem que seja o fim último do amor de Deus por nós. Significa que Deus considera o seu amor como tendo chegado ao seu pleno propósito quando produz amor entre seus filhos, por amor a ele.
Devemos, portanto, desejar profundamente esse amor cristão fraternal, porque Deus considera o seu próprio amor para conosco como aperfeiçoado por meio dele. Depois de falar da grande honra que é Deus habitar em nós, o apóstolo acrescenta o sinal disso: “Nisto conhecemos que estamos nele, e ele em nós, por ele nos ter dado do seu Espírito” (1 João 4:13). Essa habitação mútua é maior e mais maravilhosa do que podemos explicar plenamente. Pareceria algo alto demais dizer que Deus está em nós e nós em Deus, se o próprio Deus não o tivesse dito primeiro.
O que essa habitação significa já foi brevemente explicado em (1 João 3:24). O seu sentido pleno ainda aguarda a vida futura. Mas já sabemos isto, diz o apóstolo, porque Deus nos deu do seu Espírito. Ele colocou em nossos corações a semelhança e o fruto do seu Espírito (1 João 4:13). E o Espírito que ele concede mostra ser realmente dele, porque é Espírito de poder, de zelo e coragem por Deus, de amor a Deus e ao próximo, e de moderação e sensatez, isto é, um entendimento bem instruído nas coisas de Deus, da fé e do seu reino entre os homens (2 Timóteo 1:7).
Deste capítulo
1 João 4:1
"Caríssimos, não acreditem em qualquer espírito, mas examinem se os espíritos são de Deus, porque muitos falsos profetas se levantaram no mundo."
1 João 4:2
"Nisto se reconhece o Espírito de Deus: todo espírito que proclama que Jesus Cristo se encarnou é de Deus;"
1 João 4:3
"todo espírito que não proclama Jesus, esse não é de Deus, mas é o espírito do Anticristo, de cuja vinda vocês têm ouvido, e já está agora no mundo."
1 João 4:4
"Vocês, filhinhos, são de Deus e os venceram, porque aquele que está em vocês é maior do que aquele que está no mundo."
1 João 4:5
"Eles são do mundo. É por isso que falam segundo o mundo, e o mundo os ouve."
1 João 4:6
"Nós, porém, somos de Deus. Quem conhece a Deus nos ouve; quem não é de Deus não nos ouve. É nisso que conhecemos o Espírito da Verdade e o espírito do erro."
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