Versículo em destaque

1 João 3:4 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" Todo aquele que peca transgride a Lei, porque o pecado é transgressão da Lei. "

1 João 3:4

menu_book Versículo no contexto

2 Caríssimos, desde agora somos filhos de Deus, mas ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando isso se manifestar, seremos semelhantes a Deus, pois o veremos como ele é.

3 E todo aquele que tem nele essa esperança torna-se puro, assim como ele é puro.

4 Todo aquele que peca transgride a Lei, porque o pecado é transgressão da Lei.

5 Vocês sabem que (Jesus) apareceu para tirar os pecados e que nele não há pecado.

6 Todo aquele que permanece nele não peca; e todo aquele que peca não o viu nem o conheceu.

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auto_stories Comentário Bible Guided

O apóstolo já mostrou que os crentes devem buscar a pureza porque esperam o céu e a comunhão com Cristo em glória, quando ele se manifestar. Agora ele apresenta mais razões contra o pecado e contra qualquer participação nas obras das trevas. Ele começa pela própria natureza do pecado. O pecado é o oposto da lei de Deus: “Todo aquele que comete pecado, também comete iniquidade; porque o pecado é iniquidade” (1 João 3:4). Pecar é viver em desarmonia com a lei de Deus, lei que reflete a própria natureza santa de Deus, revela a sua vontade, se ajusta à natureza humana e conduz à paz e à verdadeira felicidade. Continuar no pecado é rejeitar a lei de Deus e, na prática, rejeitar a autoridade de Deus e o próprio Deus.

Ele também argumenta a partir do propósito da vinda do Senhor Jesus ao mundo. “E bem sabeis que ele se manifestou para tirar os nossos pecados; e nele não há pecado” (1 João 3:5). O Filho de Deus veio em nossa natureza humana para honrar a lei de Deus. Fez isso obedecendo à lei e sofrendo a sua pena e maldição. Ele veio para tirar os nossos pecados oferecendo a si mesmo por nossa culpa, para tirar o nosso viver no pecado dando-nos uma nova natureza, e para nos afastar do pecado pelo seu próprio exemplo. Como Cristo é sem pecado, os que esperam ter comunhão com ele em glória devem buscar, já agora, a comunhão mais pura possível com ele.

João também raciocina a partir da estreita relação entre permanecer em Cristo e afastar-se do pecado. “Qualquer que permanece nele não peca” (1 João 3:6). Aqui, pecar significa viver na prática do pecado, e não cair num ato isolado. Quem verdadeiramente permanece em Cristo não continua no pecado como modo estabelecido de vida. A união com Cristo quebra o poder do pecado no coração, e a comunhão constante com Cristo impede que o pecado domine a vida e a conduta. A forma negativa também inclui um sentido positivo: quem permanece em Cristo é obediente, guarda sinceramente os mandamentos de Deus e faz o que lhe agrada (1 João 3:22).

Os que permanecem em Cristo permanecem em aliança com ele, por isso vigiam contra tudo o que se opõe a essa aliança. Vivem em sua luz e em seu conhecimento. Por isso, se alguém vive numa prática constante de pecado, isso mostra que ele ainda não viu realmente a Cristo pela fé salvadora, nem o conheceu de fato. Uma ruptura real com o pecado é um dos sinais mais claros de união espiritual com Cristo, de permanecer nele e de, verdadeiramente, conhecê-lo.

João então adverte contra a falsa ideia de que religião e vida santa podem ser separadas. “Filhinhos, não vos deixeis enganar por ninguém” (1 João 3:7). Alguns irão elogiar o seu novo entendimento do cristianismo e fazê-lo pensar que conhecimento, profissão de fé ou batismo são suficientes, de modo que você não precisa de uma vida cristã cuidadosa. Não acredite nisso. “Quem pratica a justiça é justo.” Na Escritura, justiça pode significar religião ou vida piedosa, como em “Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça” (Mateus 5:10), “Se sofreis por amor da justiça, sois bem-aventurados” (1 Pedro 3:14) e “Toda a Escritura (…) é proveitosa (…) para instrução em justiça” (2 Timóteo 3:16). Assim, praticar a justiça significa viver uma vida de verdadeira religião.

A pessoa que pratica a justiça é justa em todos os sentidos importantes. É sincera e reta diante de Deus. Tal prática não pode existir sem integridade e sem uma consciência moldada por Deus. Ela também possui a justiça que vem do perdão e o direito à vida, fundamentados na justiça do Mediador, isto é, na posição de Cristo diante de Deus em nosso favor. Tem direito à coroa da justiça que o justo Juiz dará aos que amam a sua vinda (2 Timóteo 4:8). Tem comunhão com Cristo na obediência à lei de Deus, tornando-se, em alguma medida, praticamente justa como Cristo é justo. E tem também comunhão com Cristo no estado de justificado, isto é, é considerada justa por causa de Cristo.

João prossegue argumentando a partir da relação entre o pecador e o diabo, e da obra de Cristo contra o diabo. Cometer pecado, nesse sentido, é viver debaixo do poder do pecado, como fazem os ímpios, em contraste com os santos. Tal pessoa “é do diabo”, isto é, sua natureza pecaminosa se ajusta à vontade do diabo, e ela pertence ao lado, aos interesses e ao reino do diabo. O diabo é aquele que promoveu o pecado, o praticou, tentou outros ao pecado, e faz isso desde o princípio.

Em oposição a isso, “para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo” (1 João 3:8). O diabo tem procurado arruinar a obra de Deus no mundo. O Filho de Deus veio ao mundo, manifestou-se em nossa carne, para vencê-lo e desfazer as suas obras. Ele continuará afrouxando e destruindo o pecado cada vez mais, até que seja completamente eliminado. Não devemos servir nem alimentar aquilo que o Filho de Deus veio destruir.

João também argumenta a partir do novo nascimento e do abandono do pecado: “Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado” (1 João 3:9).

Ser nascido de Deus significa ser interiormente renovado e restaurado à santidade e à justa ordem pela ação do Espírito de Deus. Tal pessoa não prossegue no pecado, não continua praticando o que é errado e não vive na desobediência, porque isso contraria sua nova natureza e a vida concedida por Deus. Como o apóstolo acrescenta, a semente de Deus permanece nele. Isso pode significar que a palavra de Deus, com sua luz e poder, permanece nele (como em (1 Pedro 1:23), “sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva e que permanece para sempre”), ou pode significar que a vida espiritual dada pelo Espírito permanece nele.

A graça renovadora é um princípio permanente. A religião, em seu início, não é uma habilidade aprendida, mas uma nova natureza. Assim, o regenerado não pode pecar no sentido em que o apóstolo fala aqui. Nenhum intérprete cuidadoso entende isso como se ele não pudesse cometer ato algum de pecado, pois isso contrariaria (1 João 1:9), onde os crentes são exortados a confessar seus pecados e recebem a promessa de perdão. O sentido é que ele não pode prosseguir no pecado. Não pode continuar num caminho pecaminoso, nem viver de um modo que o identifique como pecador, em oposição a santo, pessoa santa ou servo de Deus.

Ele também não pode pecar da mesma maneira como fazia antes de nascer de Deus, nem como fazem os que não foram renovados. A razão é que ele é nascido de Deus, e isso traz vários freios e mudanças. Primeiro, há luz em sua mente, que lhe mostra quão mau o pecado realmente é. Segundo, há uma inclinação em seu coração que o faz odiar o pecado. Terceiro, há a semente espiritual, ou princípio interior de santidade, que enfraquece a força e a plenitude dos atos pecaminosos. Esses atos já não procedem do mesmo poder pleno da corrupção como nos demais, nem contam com o mesmo consentimento total do coração e do espírito. “A carne”, isto é, nossa natureza pecaminosa, “cobiça contra o Espírito.” Assim, pode-se dizer: “já não sou eu que faço isso, mas o pecado que habita em mim.” Na visão do evangelho, não se considera como pecado estabelecido de uma pessoa aquilo contra o qual sua mente e seu espírito se opõem.

Quarto, quando ele peca, tem um espírito que o leva a se humilhar e a se arrepender. Portanto, quando João diz: “O que é nascido de Deus não pode pecar”, devemos lembrar a diferença habitual entre incapacidade natural e incapacidade moral. A pessoa não regenerada, ainda não renovada, não pode fazer o que é verdadeiramente bom em sentido espiritual. A pessoa regenerada é, de modo feliz, incapaz de viver no pecado. Há um freio colocado sobre o seu poder de pecar, como uma barreira. Pecar deliberadamente é algo contrário à sua própria mente e vontade. Costumamos dizer de alguém conhecido pela honestidade: “Ele não consegue mentir, não consegue roubar, não consegue fazer tais coisas.” José disse: “Como, pois, faria eu este tão grande mal, e pecaria contra Deus?” (Gênesis 39:9). Do mesmo modo, os que continuam vivendo no pecado mostram claramente que não são nascidos de Deus.

Isso também mostra a diferença entre os filhos de Deus e os filhos do diabo. Eles têm marcas distintas. “Nisto são manifestos os filhos de Deus e os filhos do diabo” (1 João 3:10). No mundo, existem, como se dizia antigamente, a semente de Deus e a semente da serpente. A semente da serpente é conhecida por dois sinais. Primeiro, pela negligência da religião. “Qualquer que não pratica a justiça” despreza os deveres para com Deus, pois religião é simplesmente o nosso dever para com Deus, dar-lhe o que lhe é devido. Quem não faz isso com sinceridade não é de Deus, mas do diabo. O diabo é pai das almas ímpias e injustas. Segundo, a semente da serpente é conhecida pelo ódio aos irmãos. “Nem aquele que não ama a seu irmão” (1 João 3:10). Os verdadeiros cristãos devem ser amados por causa de Deus e de Cristo. Os que não os amam, mas antes os desprezam, odeiam e perseguem, conservam ainda em si a natureza da serpente.

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