Versículo em destaque

1 João 2:7 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" Caríssimos, não lhes escrevo nenhum mandamento novo, mas o mandamento antigo que vocês receberam desde o princípio. Esse mandamento antigo é a palavra que vocês acabam de ouvir. "

1 João 2:7

menu_book Versículo no contexto

5 Aquele, porém, que guarda a sua palavra, nele o amor de Deus é verdadeiramente perfeito. É assim que sabemos se estamos nele:

6 aquele que afirma permanecer nele deve também viver como ele viveu.

7 Caríssimos, não lhes escrevo nenhum mandamento novo, mas o mandamento antigo que vocês receberam desde o princípio. Esse mandamento antigo é a palavra que vocês acabam de ouvir.

8 Todavia, escrevo-lhes agora um mandamento novo — verdadeiramente novo, nele como em vocês, porque as trevas passam, e a verdadeira luz já resplandece.

9 Aquele que diz estar na luz e odeia seu irmão ainda está nas trevas.

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auto_stories Comentário Bible Guided

O sétimo versículo pode ser entendido de duas maneiras. Ele pode olhar para o que João acabou de dizer, de modo que “andar como ele andou” seja apresentado não como um mandamento novo, mas antigo, que os apóstolos certamente ensinaram em todo lugar onde anunciaram o evangelho de Cristo. Ou pode olhar para frente, para o que João está prestes a enfatizar: a lei do amor fraternal, a mensagem ouvida desde o princípio (1 João 3:11), o mandamento antigo (1 João 2:5).

Ao insistir nesse dever, o apóstolo fala com grande afeição. Ele os chama de “irmãos”, isto é, pessoas queridas a ele no próprio vínculo de amor que deseja que pratiquem. Assim, o mandamento de amar uns aos outros é apresentado ao mesmo tempo como antigo e como novo.

É um mandamento antigo. “Não vos escrevo mandamento novo, mas o mandamento antigo, que desde o princípio tivestes” (1 João 2:7). O dever de amarmos uns aos outros é tão antigo quanto a própria natureza humana, mesmo que, ao longo do tempo, tenha assumido formas, fundamentos e motivações diferentes. No estado de inocência, se a raça humana então tivesse se espalhado a partir de uma só família, as pessoas teriam se amado como participantes do mesmo sangue, feitas para habitar a terra, portadoras da imagem de Deus.

Depois que o pecado entrou, e com a promessa de restauração, ainda havia motivo para que as pessoas se amassem como criaturas do mesmo Criador, membros da mesma família humana e participantes da mesma esperança. Quando os hebreus foram separados como povo especial, deviam amar-se uns aos outros como aqueles que possuíam as alianças, a adoção e de cuja linhagem viria o Messias, a Cabeça da igreja. Assim, a lei do amor foi levada para o novo Israel de Deus, a igreja do evangelho, e continuou sendo o mandamento antigo, a palavra ouvida desde o princípio pelo povo do evangelho de Deus (1 João 2:7).

É também um mandamento novo. João fala assim para pressionar ainda mais esse dever: “Outra vez vos escrevo um novo mandamento”, a lei da nova sociedade, a comunidade cristã. Isso é verdadeiro primeiro em Cristo, na Cabeça da igreja, em quem essa verdade apareceu plena e primeiramente. Ele amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela. É verdadeiro também nos crentes, porque essa lei foi, em alguma medida, escrita em seus corações. Eles são ensinados por Deus a amarem-se uns aos outros, porque as trevas passaram e a verdadeira luz já brilha (1 João 2:8).

Por “trevas”, João entende a cegueira de mentes preconceituosas e não convertidas, tanto judaicas quanto gentílicas, e sua triste ignorância de Deus e de Cristo. Por “luz”, ele entende a luz viva e resplandecente do evangelho entrando no coração. Quando essa luz chega, os crentes passam a ver a beleza do amor cristão e o forte dever que têm de praticá-lo.

Assim, as verdades e mandamentos mais básicos da fé cristã podem ser chamados, ao mesmo tempo, de novos e antigos. A doutrina reformada, ou a doutrina da religião nas igrejas reformadas, é nova em certo sentido, porque surgiu após um longo tempo de trevas, trazida à tona pela luz da Reforma. Mas é também antiga, porque foi ensinada e ouvida desde o princípio. Devemos cuidar para que a graça ou virtude que foi verdadeira em Cristo seja também verdadeira em nós. Devemos ser conformados à nossa Cabeça. Quanto mais as trevas se afastam de nós e quanto mais a luz do evangelho brilha sobre nós, mais plenamente devemos obedecer aos mandamentos do nosso Senhor, quer os consideremos antigos, quer novos. A luz deve vir acompanhada de calor.

Daqui se tira mais uma prova da luz cristã. Antes, a prova era a obediência a Deus. Agora, é o amor cristão. Se alguém não tem esse amor, apenas finge ter luz. “Aquele que diz que está na luz e odeia a seu irmão, até agora está em trevas” (1 João 2:9). Os verdadeiros cristãos devem reconhecer com sinceridade o que Deus fez em suas almas. Mas, na igreja visível, muitas vezes há pessoas que afirmam mais do que é verdade. Dizem que estão na luz, que a verdade de Deus alcançou sua mente, e, no entanto, vivem em ódio para com seus irmãos em Cristo. Essas pessoas não são movidas pelo amor de Cristo por seu povo, e por isso ainda permanecem em trevas, mesmo que afirmem ter-se tornado cristãs.

Em contraste, a pessoa governada pelo amor fraternal mostra que sua luz é real e boa. “Aquele que ama a seu irmão está na luz” (1 João 2:10). Ele entende a razão do amor cristão. Vê o valor da redenção de Cristo e quão justo é que amemos aqueles a quem Cristo amou. O resultado é que nele “não há escândalo” (1 João 2:10). Ele não será tropeço nem pedra de escândalo para seu irmão. Cuidará para não induzi-lo ao pecado nem desviá-lo do caminho da fé. O amor cristão nos ensina a valorizar muito a alma do nosso irmão e a temer tudo o que possa prejudicar sua pureza ou sua paz.

O ódio é sinal de trevas espirituais. “Mas aquele que odeia a seu irmão está em trevas” (1 João 2:11). A luz espiritual procede do Espírito de graça, e um dos primeiros frutos desse Espírito é o amor. Portanto, quem está cheio de má vontade contra um irmão em Cristo carece de luz espiritual. Ele anda em trevas (1 João 2:11). Sua vida corresponde a uma mente e a uma consciência obscurecidas, e ele não sabe para onde vai. Não enxerga aonde esse espírito tenebroso o está conduzindo, especialmente que o encaminha para o mundo de trevas absolutas, porque as trevas lhe cegaram os olhos (1 João 2:11). Onde essas trevas dominam, o entendimento, o juízo e a consciência também se escurecem, e a pessoa confunde o caminho da vida eterna.

Vemos também quão profundamente o apóstolo foi transformado em relação ao que já foi. Houve um tempo em que ele quis fazer descer fogo do céu sobre pobres samaritanos ignorantes que não os receberam (Lucas 9:54). Mas o Senhor lhe ensinou que ele ainda não conhecia o próprio espírito que o movia, nem para onde ele o conduzia. Agora que recebeu mais do Espírito de Cristo, fala com boa vontade para com as pessoas e com amor para com todos os irmãos. O Senhor Jesus é o grande mestre do amor. Sua escola, a própria igreja, é a escola do amor. Seus discípulos são discípulos do amor; e sua família, uma família de amor.

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