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1 Coríntios 7:10 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

Aos casados ordeno (não eu, mas o Senhor) que a mulher não se separe do marido.

1 Coríntios 7:10

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auto_stories Comentário Bible Guided

Neste parágrafo, o apóstolo dá orientação sobre um problema que devia surgir com frequência naquele tempo, especialmente entre crentes de origem judaica. A questão era se os cristãos deveriam continuar vivendo com cônjuges incrédulos no casamento. A lei de Moisés permitia o divórcio, e nos dias de Esdras houve um caso em que o povo teve de despedir suas mulheres idólatras (Esdras 10:3). Isso podia levar alguns a pensar que novos crentes em Cristo também seriam obrigados a deixar seus cônjuges descrentes.

Nesse assunto, o apóstolo afirma que o casamento, por mandamento de Cristo, é para a vida toda, de modo que os casados não devem planejar separação. A mulher não deve se apartar do marido (1 Coríntios 7:10), e o marido não deve despedir a sua mulher (1 Coríntios 7:11). Quando ele diz: “Aos casados mando, não eu, mas o Senhor”, ele não quer dizer que às vezes fala por conta própria. Ele quer dizer que o Senhor Jesus já havia dado esse mandamento com suas próprias palavras e autoridade (Mateus 5:32; Mateus 19:9; Marcos 10:11; Lucas 16:18).

O ponto é claro: marido e mulher não podem romper o casamento quando bem entenderem. Não devem se separar, exceto pelo motivo que Cristo permite. Portanto, se uma mulher foi separada, seja por sua própria ação seja pela ação do marido, deve permanecer sem se casar e buscar a reconciliação com o marido, para que possam voltar a viver juntos. Maridos e esposas não devem deixar que as brigas permaneçam. Pertencem um ao outro por toda a vida, e a lei de Deus não dá permissão para a separação.

Paulo então aplica essa regra geral ao caso de um crente casado com um descrente (1 Coríntios 7:12). Ele diz: “Aos outros digo eu, não o Senhor”, querendo dizer que Jesus não tratou de modo tão direto desse caso específico como tratou do divórcio. Isso não quer dizer que Paulo esteja falando sem orientação do Senhor. Ele continua ensinando pelo Espírito Santo, como deixa claro mais adiante (1 Coríntios 7:40). Seu conselho é que, se o marido ou a mulher descrente consente em habitar com o cônjuge cristão, o crente não deve se separar. O marido crente não deve despedir sua esposa incrédula, e a esposa crente não deve deixar seu marido incrédulo (1 Coríntios 7:12-13).

Tornar-se cristão não desfaz o pacto do casamento. Ao contrário, dá a esse pacto uma forma ainda mais firme, ao trazê-lo de volta ao plano original de Deus: um homem e uma mulher unidos por toda a vida. Um crente não é libertado do vínculo conjugal apenas porque o outro cônjuge não crê. Pelo contrário, o crente é chamado a viver com fidelidade e pode se tornar um marido ou uma esposa melhor por meio da fé em Cristo.

Ainda assim, se o cônjuge incrédulo abandona o crente, e nada pode trazê-lo de volta à vida em comum, então o irmão ou a irmã “não está sujeito à servidão” (1 Coríntios 7:15). Isso significa que não é obrigado a perseguir quem partiu, nem a ficar preso por uma recusa teimosa da outra parte em viver como cônjuge deve viver. Se quem abandonou não quer voltar, depois de devidas tentativas de reconciliação, o crente abandonado não é forçado a permanecer solteiro para sempre. Nesse caso, na prática, o casamento foi rompido pela vontade deliberada de quem abandonou.

Apesar disso, os cristãos não têm permissão para se separar de um cônjuge apenas porque ele é incrédulo. Se o marido ou a mulher descrente aceita permanecer, devem continuar a viver unidos nesse vínculo. Essa é a instrução geral de Paulo.

Ele então apresenta as razões para esse conselho. Primeiro, a relação conjugal é santificada pela santidade de um dos cônjuges: “Porque o marido incrédulo é santificado pela mulher, e a mulher incrédula é santificada pelo marido crente” (1 Coríntios 7:14). Isso não quer dizer que o incrédulo seja salvo simplesmente por causa do casamento. Significa que o próprio casamento, e o uso ordinário da vida conjugal, são tornados puros e lícitos para o crente. “Todas as coisas são puras para os puros” (Tito 1:15). O casamento é instituição de Deus, e se o contato com um cônjuge incrédulo tornasse o crente impuro, então o próprio casamento ficaria destruído em muitos lares cristãos.

Assim, Paulo diz que, se um dos cônjuges é santo, o outro é colocado em uma posição de consagração em relação a essa pessoa santa. Cada um é “santificado” por causa do outro. Porque marido e mulher são uma só carne, a condição santa de um deles não torna o casamento contaminador. Se não fosse assim, os filhos seriam imundos. Mas Paulo diz: “De outra sorte, os vossos filhos seriam imundos; mas agora são santos” (1 Coríntios 7:14), ou seja, não devem ser tratados como se estivessem fora do povo da aliança de Deus. Caso contrário, seriam considerados como os gentios, fora da igreja e da aliança, mas essa não é a situação deles. Essa maneira de falar acompanha o costume judaico, em que uma criança nascida de pais pagãos era tida como nascida fora da santidade, enquanto a criança de pais prosélitos era vista como nascida dentro da santidade.

Os cristãos são comumente chamados de santos. São santos por profissão, separados como povo especial para Deus e distintos do mundo. Por isso, os filhos de cristãos, mesmo quando um dos pais é incrédulo, não devem ser contados como pertencentes ao mundo, mas como pertencentes à igreja. São uma “semente santa”, não uma semente comum e impura. Assim, o mandamento é: continue a viver com seus parentes descrentes. Se você é santo, então o casamento está colocado em um ambiente santo, e você pode usar essa relação de modo santo, inclusive nos deveres conjugais. E seus filhos também serão santos. Quanta consolação quando ambos, marido e mulher, são crentes!

Uma segunda razão é que Deus chamou os cristãos à paz (1 Coríntios 7:15). A fé cristã nos exige agir pacificamente em todo tipo de relacionamento, tanto familiar quanto civil. Devemos viver em paz com todos, quanto depender de nós (Romanos 12:18). Com mais razão ainda devemos buscar a paz e o consolo de nossos parentes mais próximos, aqueles com quem somos uma só carne, mesmo que sejam incrédulos. Deve ser trabalho e cuidado dos casados tornar a vida um do outro o mais fácil e feliz possível.

A terceira razão é que o cônjuge crente pode se tornar instrumento para a salvação do outro (1 Coríntios 7:16): “Porque, de onde sabes, ó mulher, se salvarás o teu marido?”. É claramente dever dos que estão tão estreitamente unidos procurar a salvação daquele a quem pertencem. Não se separe. Surge aqui um outro dever, que agora vem primeiro. O casamento exige o afeto mais profundo e chegado, e é um laço para toda a vida. Deveria um cristão deixar o cônjuge quando existe a possibilidade de demonstrar o maior amor? Permaneça, e trabalhe com empenho pela conversão do seu parente. Procure salvar uma alma. Quem sabe se esse não será o resultado? Não é impossível. Mesmo que a chance pareça pequena, salvar uma alma é obra tão grande e nobre que a menor possibilidade já deve nos mover a agir. A simples chance de êxito deveria bastar para nos levar a um esforço diligente em buscar a salvação dos nossos parentes. “Que sei eu se não poderei salvar a alma dele?” deveria nos estimular a tentar.

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