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1 Coríntios 11:17 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

Ao fazer essas advertências a vocês, não posso louvar vocês a respeito das assembleias de vocês que causam mais prejuízo que proveito.

1 Coríntios 11:17

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auto_stories Comentário Bible Guided

Nesta passagem, o apóstolo os repreende com firmeza por desordens ainda piores na participação da Ceia do Senhor. Na igreja primitiva, essa celebração muitas vezes vinha acompanhada de uma refeição comunitária de amor, e foi justamente nesse contexto que surgiram os comportamentos vergonhosos que ele corrige aqui.

Ele começa sua advertência com cuidado: “Nisto, porém, que vou dizer-vos não vos louvo” (1 Coríntios 11:17). Ele já havia mostrado que se alegrava em elogiá-los quando havia motivo, mas esses abusos em uma cerimônia tão santa exigiam uma correção enérgica. Eles haviam transformado algo instituído para ajudar em algo que acabava causando dano. Estavam se ajuntando, não para melhor, mas para pior. Se as ordenanças de Cristo não nos tornam melhores, tendem a nos tornar piores; se não nos quebrantam e aperfeiçoam, acabam por nos endurecer, e nossos pecados se firmam ainda mais.

Em seguida, Paulo expõe com mais detalhes os problemas deles. Primeiro, afirma que, quando se reuniam, caíam em divisões, ou cismas, isto é, rupturas profundas na comunhão. Em vez de se unirem com um só coração para celebrar a ordenança, discutiam e se separavam uns dos outros. Pode haver cisma mesmo quando as pessoas continuam frequentando a mesma igreja e sentando-se à mesma mesa do Senhor. Quando o amor esfria, os corações se afastam e as contendas e ressentimentos crescem, aí está o cisma. Cristãos podem até se afastar uns dos outros externamente e ainda manter um espírito sem caridade, mas o pecado mais profundo muitas vezes é justamente essa falta de amor dentro da mesma comunhão.

Paulo tinha ouvido falar das divisões dos coríntios, e tinha motivos para dar crédito a esses relatos. Ele acrescenta que entre eles também deviam existir heresias, isto é, facções prejudiciais e até falsos ensinos que atacavam o próprio coração da fé cristã. Não é de espantar que o amor entre os irmãos ficasse quebrado quando também havia perigos capazes de arruinar a fé e a boa consciência. Tais perigos são permitidos por Deus para que os aprovados, aqueles de coração sincero, sejam manifestos como fiéis ao se manterem firmes na verdade de Deus, apesar do falso ensino e da pressão. Deus pode até usar os pecados e erros de outros para fazer sobressair com mais clareza a fidelidade do seu povo.

Em segundo lugar, Paulo os acusa de um desordenamento vergonhoso. Ele descreve que, ao comerem, cada um tomava antecipadamente a sua própria ceia, de modo que um passava fome e outro se embriagava (1 Coríntios 11:21). Nos banquetes pagãos, havia muita bebedeira em refeições ligadas a sacrifícios. Parece que alguns dos coríntios mais ricos levaram esse mesmo espírito egoísta para dentro da Ceia do Senhor, ou das refeições de amor associadas a ela. Eles não esperavam uns pelos outros. Os ricos desprezavam os pobres e comiam sua própria comida antes de permitir que os pobres participassem, de modo que alguns ficavam com muito pouco enquanto outros tinham em excesso.

Isso era uma profunda afronta a uma ordenança santa. Aquilo que fora instituído para alimentar a alma estava sendo usado para alimentar a ganância e os desejos egoístas. O que deveria fortalecer o amor estava se tornando motivo de divisão. Os pobres ficavam sem a porção de alimento preparada para eles, e os ricos transformavam uma refeição de caridade em um banquete de exageros. Era um abuso vergonhoso.

Paulo coloca então a culpa diretamente sobre eles. Seu comportamento destruía todo o propósito da ceia: “Isto não é a Ceia do Senhor” (1 Coríntios 11:20). Era como se nem precisassem ter saído de casa. Comer o pão e beber o vinho apenas de forma externa, e desse modo, não era de fato participar da Ceia do Senhor. Há uma maneira descuidada e desordenada de participar da Ceia que nada vale e apenas aumenta a culpa. Era isso que os coríntios estavam fazendo. Sua conduta se opunha diretamente ao propósito da refeição sagrada.

As atitudes deles também demonstravam desprezo pela casa de Deus, isto é, pela própria igreja (1 Coríntios 11:22). Se quisessem um banquete privado, poderiam muito bem fazê-lo em casa. Mas ir à mesa do Senhor formando grupinhos, discutindo e impedindo que os pobres participassem era um abuso gravíssimo da ordenança. Além disso, desonrava os membros mais pobres da igreja, cujas almas eram igualmente preciosas para Cristo e custaram a ele tanto quanto as almas dos ricos. Refeições comuns podem ser tratadas de modo comum, mas refeições sagradas precisam ser tratadas com reverência.

Esse tipo de conduta é um mal grave, e os cristãos merecem repreensão severa quando tratam seus irmãos com desprezo, especialmente à mesa do Senhor. Agindo assim, também desonram as ordenanças de Deus. É preciso vigiar cuidadosamente para que nada em nosso comportamento à mesa do Senhor dê sequer aparência de tratar com leveza uma instituição tão santa.

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