Versículo em destaque
Amós 2:9 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Todavia eu destruí diante dele o amorreu, cuja altura era como a altura dos cedros, e que era forte como os carvalhos; mas destruí o seu fruto por cima, e as suas raízes por baixo. "
Amós 2:9
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
7 Suspirando pelo pó da terra, sobre a cabeça dos pobres, pervertem o caminho dos mansos; e um homem e seu pai entram à mesma moça, para profanarem o meu santo nome.
8 E se deitam junto a qualquer altar sobre roupas empenhadas, e na casa dos seus deuses bebem o vinho dos que tinham multado.
9 Todavia eu destruí diante dele o amorreu, cuja altura era como a altura dos cedros, e que era forte como os carvalhos; mas destruí o seu fruto por cima, e as suas raízes por baixo.
10 Também vos fiz subir da terra do Egito, e quarenta anos vos guiei no deserto, para que possuísseis a terra do amorreu.
11 E dentre vossos filhos suscitei profetas, e dentre os vossos jovens nazireus. Não é isto assim, filhos de Israel? diz o Senhor.
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Aqui Deus relembra a Israel as grandes coisas que fez ao introduzi-los na terra de Canaã, da qual as dez tribos ainda desfrutavam em grande parte (Amós 2:9, Amós 2:10). As misericórdias recebidas tornam nossos pecados ainda mais graves, por isso precisam ser lembradas. Deus dá generosamente e não humilha por causa de nossa pobreza ou indignidade. Mas Ele, com justiça, repreende nossa ingratidão e o fato de retribuirmos sua bondade com pecado.
“Filho, lembra-te. Israel, lembra-te.” Em primeiro lugar, Deus os tirou da casa da servidão e os libertou do Egito, onde teriam perecido na escravidão. Em segundo lugar, os conduziu por quarenta anos por um deserto, sustentando-os no ermo, onde teriam morrido de fome. As misericórdias concedidas a nossos pais também foram misericórdias para nós, pois, se eles tivessem sido eliminados, nós não existiríamos.
Em terceiro lugar, Deus lhes abriu espaço em Canaã, expulsando os povos nativos por meio de maravilhas quase tão grandes quanto as que usou para tirá-los do Egito: “Todavia eu destruí diante dele o amorreu.” Aqui o amorreu representa todas as nações destinadas ao juízo. Seus inimigos eram impressionantes em tamanho e força, de modo que a vitória de Deus sobre eles mostrava ainda mais claramente o seu poder. Eram altos como cedros e fortes como carvalhos; seu reino se elevava acima dos demais, e seus fundamentos pareciam inabaláveis. Contudo, quando Deus quis plantar Israel ali, não apenas cortou esse inimigo, mas o arrancou pela raiz, destruindo o fruto por cima e as raízes por baixo, de forma que os amorreus desapareceram como nação.
Assim, Deus mostrou quanto valorizava Israel. Ele deu nações em troca deles e povos em troca de suas vidas (Isaías 43:4). Quão ingratos, portanto, foram aqueles que o desprezaram! Em quarto lugar, Ele lhes deu a terra do amorreu por possessão, não apenas por conquista, mas por promessa. Assim, a posse desse território tinha um título melhor do que qualquer direito obtido pela guerra.
Deus também os repreende pelos dons espirituais e privilégios que possuíam como seu povo (Amós 2:11). Receberam ajuda para a alma, mais preciosa do que qualquer ajuda para o corpo, pois os ensinava a usar corretamente as bênçãos terrenas. É verdade que as dez tribos não tinham o templo, o altar e o sacerdócio, e isso aconteceu por culpa deles, porque se afastaram. Poderiam, com justiça, ter sido deixados em trevas totais. Mesmo assim, Deus não deixou de dar testemunho de si, nem os deixou sem guias.
Eles tiveram profetas, poderosos instrutores na piedade, inspirados por Deus e enviados para lhes tornar conhecida a sua vontade. Esses profetas lhes mostravam o que agradava e o que ofendia ao Senhor, repreendiam seus pecados, os advertiam do perigo, os guiavam nas confusões e os consolavam nas aflições. Deus suscitou esses profetas do meio do próprio povo, assim como levantou Moisés e, mais tarde, Cristo do meio de seus irmãos (Deuteronômio 18:15). Era uma honra para a nação e para as famílias que seus próprios filhos se tornassem mensageiros de Deus, falando sua própria língua, e não estrangeiros de outra terra. Ministros fiéis são grande bênção para qualquer povo, e é o próprio Deus quem os levanta.
Eles também tiveram nazireus, isto é, homens que faziam voto de viver especialmente separados para Deus e para o seu serviço. Por causa desse voto, negavam a si mesmos muitos prazeres lícitos, como vinho e uvas. Alguns eram jovens, no vigor da vida, e mesmo assim renunciavam voluntariamente prazeres que outros perseguiam. Deus os levantava por sua graça para que fossem sinais de sua atuação, trouxessem glória ao seu nome e servissem como testemunhas contra os pecados daquela geração corrompida. Ter bons cristãos em um lugar é bênção tão grande quanto ter bons ministros, porque o povo passa a ter exemplos, além de regras.
É um bom sinal quando Deus suscita muitos jovens promissores, tornando-os devotos, cuidadosos e ensinando-os a se afastar de prazeres físicos. Tais “nazireus” são puros como a neve, mais brancos do que o leite, e cintilantes como safiras (Lamentações 4:7). Quem tem pessoas assim em seu meio possui grande vantagem, tanto para direção quanto para encorajamento na vida religiosa, e um dia prestará contas a Deus de como usou essa vantagem.
Israel é chamado a prestar contas não só pelos profetas, mas também pelos nazireus que Deus levantou entre eles. O Senhor apela para a própria experiência deles: “Não é assim, ó filhos de Israel? Podem negar?” A própria consciência testemunharia que Deus não falhou em dar-lhes os meios de graça. Se viessem a perecer, seria por não terem usado esses meios. Um dia o povo de Judá seria chamado a julgar entre Deus e a sua vinha, se havia algo mais que Ele pudesse ter feito por ela (Isaías 5:3, Isaías 5:4).
Então Deus os acusa de abusar dos meios de graça e de resistir ao próprio propósito para o qual esses meios foram concedidos (Amós 2:12). Em vez de andarem na luz, lutaram contra ela e tentaram apagá-la, para que não expusesse seus pecados. Fizeram de tudo para corromper as pessoas sinceras e afastá-las da seriedade no culto e do rigor na conduta. Deram vinho aos nazireus para beber, ainda que isso violasse o voto deles. Assim, fizeram-nos tropeçar em um ponto, para que não se esforçassem em guardar o restante. Uns foram persuadidos por palavras suaves, outros foram pressionados ou ameaçados quando demonstravam mais cuidado espiritual do que seus vizinhos. Ao induzi-los a beber vinho, destruíram-nos como nazireus.
Satanás e seus agentes se empenham em corromper a mente dos jovens que em algum momento se elevaram em direção ao céu. Muitos que pareciam dispostos a ser como nazireus, separados para Deus, foram vencidos quando lhes foi oferecido “vinho”, isto é, quando foram atraídos para o amor ao divertimento, ao prazer e à roda de beber. Muitos jovens que pareciam prestes a se tornar seguidores sérios da religião caíram por causa do vinho e se arruinaram para sempre. Há grande alegria no inferno quando um desses é derrubado.
Eles também fizeram de tudo para silenciar os bons ministros e fechar-lhes a boca. Diziam aos profetas: “Não profetizeis”, e os ameaçavam se ousassem falar (Amós 7:12). Como se os mensageiros de Deus estivessem obrigados a obedecer às ordens humanas, e só pudessem transmitir a mensagem divina se os homens permitissem. Agindo assim, desprezaram a graça de Deus que havia suscitado esses profetas, e insultaram o próprio Deus, em cujo nome eles falavam. Aqueles que não suportam a pregação fiel têm muito de que responder, e os que a suprimem têm ainda mais.
Depois, Deus se queixa do mal que lhe fizeram por meio de seus pecados: “Estou oprimido debaixo de vós, e não posso mais suportar.” É como se dissesse que vai aliviar-se de seus inimigos (Isaías 1:24). A figura é de um carro carregado de feixes, pesado de grãos na época da colheita, tão cheio que range sob o peso. Isso mostra que o grande Deus considera o pecado, especialmente o pecado do seu povo professamente seu, como um fardo. Ele se entristece com essa geração (Salmo 95:10) e se magoa com o coração infiel deles (Ezequiel 6:9). Se isso não levar o pecador a um profundo arrependimento, certamente tornará sua ruína muito maior.
O Deus que sustenta o mundo sem se cansar com o seu peso, que não se fatiga nem se afadiga, ainda assim se queixa dos pecados de Israel e até de seu culto fingido. Ele diz que está cansado de suportá-los (Isaías 1:14). Não é de admirar que a criação geme sob seu fardo (Romanos 8:22), quando o próprio Criador declara: “Estou oprimido debaixo deles.”
Ele também os ameaça com ruína certa. Alguns entendem Amós 2:13 assim: “Eis que eu vos comprimirei, ou esmagarei, como se esmaga um carro cheio de feixes.” Ficarão carregados de juízos até afundarem debaixo deles, fazendo estrondo como um carro sobrecarregado. Aqueles que não acolhem os avisos da palavra de Deus, e não se deixam mover pela conduta das pessoas piedosas ao seu redor, sentirão o peso dos juízos divinos. Se Deus nos carrega cada dia com seus benefícios, e nós o carregamos com nossos pecados, o que mais podemos esperar senão que Ele nos carregue com seus juízos?
Os três últimos versículos alertam que, quando Deus vier tratar com esse povo provocador, eles não conseguirão permanecer diante dele, nem fugir dele, nem se defender contra ele. Quando Deus julga, Ele vence. Sua paciência pode se esgotar, mas seu poder nunca, e os pecadores descobrirão isso à própria custa. Quando o exército assírio vier destruir a terra com espada e cativeiro, ninguém escapará. Cada pessoa terá sua parte na ruína geral.
Será inútil tentar fugir do inimigo quando ele vier com a própria autoridade de Deus para tornar tudo desolado. “Perecerá a fuga ao veloz.” Aqueles conhecidos por escaparem depressa e por sempre encontrarem um refúgio seguro descobrirão que sua habilidade falha. Não terão tempo para fugir, nem caminho por onde escapar, nem força ou coragem para tentar. Ficarão tão confusos que chegarão ao fim da sua tentativa de fuga quase no mesmo instante em que a começarem. Ainda que alguém fosse tão veloz quanto Asael, o corredor mencionado em (2 Samuel 2:18), apenas correria mais depressa em direção à própria destruição. “Nem o ligeiro de pés escapará” (Amós 2:15). E ainda que digam, como em (Isaías 30:16): “Sobre cavalos fugiremos, e montaremos cavalos ligeiros”, mesmo assim serão alcançados. Nem cavaleiro nem cavalo podem oferecer segurança.
Também será inútil pensar que conseguirão sair pela força, lutando. Deus mesmo está em guerra contra eles, e nenhuma força humana pode se igualar à dele. O forte não conseguirá fortalecer o seu poder. O homem acostumado a usar sua força não conseguirá lançá-la mão justamente quando mais precisar. O valente, que deveria proteger e libertar os outros, não poderá livrar a si mesmo, isto é, a sua própria vida. Portanto, o forte não deve se gloriar da sua força nem confiar nela, mas no Senhor, seu Deus, porque nele há força eterna. Assim como a força física falha, também as armas de guerra falharão. A armadura falhará junto com o braço que a empunha. “Nem o que maneja o arco subsistirá” (Amós 2:15). Ainda que ele tente manter distância, não confiará que o seu arco possa salvá-lo, mas se voltará para fugir.
Até a coragem falhará quando Deus tirar a firmeza do coração (Amós 2:16). O mais valente entre os poderosos, aquele que normalmente encara o perigo sem medo, fugirá nu naquele dia. Será despojado, não só das armas de ataque e defesa, mas também das riquezas que esperava levar consigo. Julgará ser lucro se ao menos conservar a vida. Assim, quando Deus decide, ele tira a coragem dos chefes da terra e faz com que aqueles que antes se gabavam de feitos ousados andem errantes e se escondam como pessoas perdidas em um deserto sem caminho (Jó 12:24).
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Deste capítulo
Amós 2:1
"Assim diz o SENHOR: Por três transgressões de Moabe, e por quatro, não retirarei o castigo, porque queimou os ossos do rei de Edom, até os tornar a cal."
Amós 2:2
"Por isso porei fogo a Moabe, e consumirá os palácios de Queriote; e Moabe morrerá com grande estrondo, com alarido, com som de trombeta."
Amós 2:3
"E exterminarei o juiz do meio dele, e a todos os seus príncipes com ele matarei, diz o Senhor."
Amós 2:4
"Assim diz o Senhor: Por três transgressões de Judá, e por quatro, não retirarei o castigo, porque rejeitaram a lei do Senhor, e não guardaram os seus estatutos, antes se deixaram enganar por suas próprias mentiras, após as quais andaram seus pais."
Amós 2:5
"Por isso porei fogo a Judá, e ele consumirá os palácios de Jerusalém."
Amós 2:6
"Assim diz o Senhor: Por três transgressões de Israel, e por quatro, não retirarei o castigo, porque vendem o justo por dinheiro, e o necessitado por um par de sapatos,"
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