Êxodo 2 - Significado, temas e aplicacao

Entenda os temas principais e aplique Êxodo 2 na sua vida hoje

16 versiculos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que e Êxodo 2?

Êxodo 16 narra a chegada de Israel ao deserto de Sim, onde o povo começa a murmurar por causa da fome e a idealizar o tempo de escravidão no Egito. Em resposta, Deus mostra graça e fidelidade: envia codornizes à tarde e faz chover maná todas as manhãs, estabelecendo instruções específicas sobre quanto colher, não acumular para o dia seguinte e separar porção dobrada no sexto dia em honra ao sábado. O capítulo destaca a pedagogia de Deus, que usa o maná para provar a obediência do povo, ensinar a dependência diária e instituir o descanso sabático. Ao final, um ômer de maná é guardado diante do Senhor como memorial, e se registra que Israel comeu maná por quarenta anos até chegar à terra de Canaã.

Temas principais em Êxodo 2

Provisão diária de Deus no deserto (versiculos Êxodo 16:4, 12-18)

Deus responde à murmuração com graça, enviando codornizes e maná para sustento diário de todo o povo, mostrando que Ele supre de maneira suficiente, constante e específica para a necessidade de cada um.

Versiculos-chave: 4, 12, 18

Prova de fé e obediência (versiculos Êxodo 16:4-5, 19-20, 27-28)

O maná não é apenas alimento, mas um teste: o povo deve colher apenas a porção do dia e confiar que Deus proverá novamente amanhã. Desobedecer traz consequências imediatas, revelando incredulidade e desconfiança.

Versiculos-chave: 4, 5, 20, 28

Instituição e sentido do sábado (versiculos Êxodo 16:22-30)

Deus ordena que no sexto dia se colha porção dobrada, preservada sem estragar, para que o sétimo dia seja dedicado ao descanso santo. O sábado aparece como dom de Deus e sinal de confiança na provisão divina.

Versiculos-chave: 23, 29, 30

Memória da fidelidade de Deus (versiculos Êxodo 16:32-36)

Um ômer de maná é guardado diante do Senhor para as futuras gerações verem concretamente como Deus sustentou o povo no deserto, protegendo a memória da providência divina ao longo dos quarenta anos.

Versiculos-chave: 32, 33, 35

Murmuração e ingratidão diante das dificuldades (versiculos Êxodo 16:2-3, 7-9, 12)

Ao enfrentar a fome, o povo murmura contra Moisés e Arão, romantiza o Egito e, na prática, se volta contra o próprio Senhor. A fraqueza humana diante da falta e do medo contrasta com a paciência de Deus.

Versiculos-chave: 2, 3, 8, 12

Contexto historico e literario

Êxodo 16 se passa pouco depois da saída de Israel do Egito. O versículo 1 situa a narrativa no décimo quinto dia do segundo mês após o êxodo. O povo já havia passado por Mará e Elim (Êxodo 15) e agora entra no deserto de Sim, uma região entre Elim e o Sinai, provavelmente ao longo da rota que os levaria ao encontro com Deus no monte.

Israel é uma comunidade recém-liberta, ainda com mentalidade de escravo, aprendendo a viver como povo de Deus fora da estrutura egípcia. Não há colheitas, cidades estabelecidas nem sistemas de abastecimento: a sobrevivência depende inteiramente da intervenção divina. Nesse contexto, a escassez de alimento é uma ameaça real, o que ajuda a entender, ainda que não justifique, a murmuração.

O envio do maná marca o início de um período de provisão extraordinária que durará quarenta anos, até a entrada na terra de Canaã (v. 35). O texto menciona medidas de capacidade como ômer e efa (v. 36), usadas em Israel para padronizar quantidades. O guardado de um ômer de maná “diante do Testemunho” (v. 34) aponta para o período posterior em que a arca da aliança já está estabelecida, mostrando que parte desta descrição tem caráter de recordação e organização da memória histórica do povo.

O sábado já havia sido mencionado anteriormente de forma implícita na criação (Gênesis 2:1-3), mas aqui, no deserto, passa a ser estruturado como mandamento e prática comunitária: um dia de descanso sustentado pela provisão dupla de Deus no sexto dia.

Estrutura de Êxodo 2

Êxodo 16 apresenta uma narrativa bem organizada, com movimentos claros que conduzem da crise à provisão e, por fim, à memória:

  1. Introdução e murmuração no deserto (16:1-3)

    • Localização temporal e geográfica (v.1).
    • Reclamação do povo contra Moisés e Arão, idealizando o Egito (v.2-3).
  2. Resposta divina e anúncio do teste (16:4-8)

    • Deus promete fazer chover pão dos céus e introduz o caráter de prova da provisão (v.4-5).
    • Moisés e Arão explicam ao povo que suas queixas, na verdade, são contra o Senhor, e anunciam carne à tarde e pão pela manhã (v.6-8).
  3. Manifestação da glória de Deus (16:9-12)

    • Convocação do povo à presença do Senhor (v.9).
    • Aparição da glória na nuvem (v.10).
    • Declaração de Deus: Ele ouviu as murmurações e dará carne e pão, revelando sua identidade como Senhor (v.11-12).
  4. Primeira experiência com codornizes e maná (16:13-15)

    • Chegada das codornizes ao arraial (v.13a).
    • Orvalho e surgimento do maná como algo desconhecido para o povo (v.13b-14).
    • Explicação de Moisés: este é o pão que o Senhor deu para comer (v.15).
  5. Instruções diárias sobre o maná (16:16-21)

    • Quantidade: um ômer por pessoa, com medida igualitária ao final (v.16-18).
    • Proibição de guardar para o dia seguinte (v.19).
    • Desobediência de alguns e consequência: bichos e mau cheiro (v.20-21).
  6. Instruções específicas sobre o sexto dia e o sábado (16:22-30)

    • Coleta em dobro no sexto dia, dúvida dos príncipes e esclarecimento de Moisés (v.22-23).
    • Conservação miraculosa do maná guardado para o sábado (v.24).
    • Declaração do sábado como repouso santo do Senhor (v.25-26).
    • Nova desobediência de alguns que saem para colher no sétimo dia e repreensão divina (v.27-29).
    • Conclusão: o povo repousa no sétimo dia (v.30).
  7. Descrição do maná e instituição do memorial (16:31-36)

    • Nome, aparência e sabor do maná (v.31).
    • Ordem de encher um ômer e guardá-lo para as gerações futuras (v.32-33).
    • Colocação do maná diante do Testemunho (v.34).
    • Nota histórica sobre os quarenta anos de maná e esclarecimento da medida (v.35-36).

Significado teologico

Êxodo 16 é um texto central para compreender o caráter de Deus e a formação espiritual de Israel no deserto.

Revela, em primeiro lugar, um Deus que responde à fraqueza humana não apenas com juízo, mas com graça e providência. O povo murmura e questiona as intenções de Deus, mas Ele envia alimento abundante. A provisão, porém, vem acompanhada de ensino: o maná não é só sobrevivência, é uma escola diária de confiança.

A dinâmica de colher apenas a porção do dia, sem acumular, ensina que a vida do povo de Deus não se sustenta em reservas autônomas, mas numa relação de dependência contínua. A exceção do sexto dia, em que o maná pode ser guardado sem estragar, mostra que Deus governa até os detalhes da criação para favorecer a obediência e o descanso.

O capítulo também aprofunda o sentido do sábado. Não é apenas uma pausa de trabalho, mas um sinal teológico: o povo descansa porque Deus provê. A ordem de não sair do lugar no sétimo dia (v.29) reforça que o ritmo da vida do povo deve ser marcado pela confiança, não pela ansiedade produtivista.

A murmuração é teologicamente séria porque, embora dirigida a Moisés e Arão, é, na essência, contra o próprio Senhor (v.8). Pôr em dúvida o cuidado de Deus, reinterpretando o passado com nostalgia pela escravidão, revela o conflito entre liberdade e segurança aparente. O texto expõe como o coração humano pode preferir a estabilidade do cativeiro à aventura da fé.

Por fim, o memorial do maná conecta teologia e memória. Guardar um ômer diante do Senhor assegura que as gerações futuras não se esqueçam de que foram sustentadas sobrenaturalmente no deserto. A fé bíblica se alimenta de lembranças concretas da fidelidade de Deus na história.

Aplicacao restauradora e de saude mental

Êxodo 16 mostra um povo em transição, saindo da escravidão para a liberdade, vivendo incertezas e medo de não ter o que comer. Em termos emocionais, é um retrato de ansiedade coletiva: diante da falta de controle sobre o futuro, surgem queixas, idealização do passado e desconfiança das lideranças.

Esse cenário revela que o processo de libertação pode ser estressante e ambíguo. Ainda que a situação anterior fosse opressora, a mente tende a lembrar apenas dos aspectos de segurança e previsibilidade. A crise de fome desperta fantasias de que o passado era melhor, mecanismo psicológico comum em quem sai de relações abusivas, empregos tóxicos ou padrões antigos de vida.

Ao mesmo tempo, o texto oferece uma imagem terapêutica poderosa: Deus sustentando dia após dia, em pequenas porções, o suficiente para viver. O maná diário sugere um ritmo de cuidado que não elimina a dependência, mas a torna vivível. Em vez de grandes garantias antecipadas, há cuidado renovado a cada manhã. Essa visão pode aliviar a pressão de ter o futuro todo resolvido, convidando a focar na graça de hoje.

O sábado, por sua vez, funciona como proteção da saúde integral. É um mandamento que limita o ativismo e a tentativa de controle, instituindo descanso como parte do plano de Deus para o ser humano. A ordem divina de ficar no lugar no sétimo dia valoriza o repouso físico, mental e espiritual como expressão de confiança, não de preguiça.

Assim, Êxodo 16 toca em temas como ansiedade por provisão, dificuldade de confiar, resistência à mudança e necessidade de ritmos saudáveis de trabalho e descanso, oferecendo um quadro em que Deus conduz, corrige e, ao mesmo tempo, acolhe a fragilidade do povo.

warning Importante: maus usos comuns

O capítulo, lido em chave pastoral e terapêutica, aponta alguns sinais de alerta importantes:

  1. Idealização do passado opressor (v.3)
    O povo romantiza o Egito, esquecendo o sofrimento, e foca apenas nas “panelas de carne” e no “pão até fartar”. Esse tipo de memória seletiva pode ser um sinal de dificuldade de elaborar o trauma e de lidar com o desconforto do presente, levando a recaídas em padrões destrutivos.

  2. Murmuração constante contra lideranças e contra Deus (v.2, 7-8, 12)
    A queixa toma o lugar do diálogo sincero e da oração. Isso reflete um estado interno de ressentimento, desconfiança e desesperança, que pode se espalhar como clima emocional em comunidades e famílias.

  3. Medo excessivo da falta levando ao acúmulo (v.19-20)
    Alguns guardam maná para o dia seguinte, apesar da ordem contrária, e o resultado é podridão e mau cheiro. Em termos simbólicos, aponta para comportamentos de controle, acumulação e apego motivados por medo, que acabam gerando mais sofrimento.

  4. Dificuldade de aceitar limites e descanso (v.27-29)
    Mesmo com provisão dobrada no sexto dia, alguns saem para colher no sábado. Isso mostra resistência a parar, incapacidade de confiar que já há o suficiente e uma relação tensa com o descanso, que pode se refletir em exaustão física e emocional.

  5. Postura coletiva de desconfiança (v.2-3)
    A murmuração é de “toda a congregação”, revelando um clima comunitário adoecido, em que o medo e a queixa se tornam padrão. Em contextos atuais, esse tipo de ambiente pode agravar quadros de ansiedade, depressão e conflitos recorrentes.

Esses elementos sugerem necessidade de cuidado com pensamentos que romantizam o passado, tendências de controle excessivo, dificuldades em confiar em processos de mudança e resistência a ritmos saudáveis de descanso.

Aplicacao pratica para hoje

Êxodo 16 oferece princípios concretos que podem ser traduzidos para a vida cotidiana:

  1. Viver um dia de cada vez
    O maná era dado para cada dia, e guardar por medo só produzia podridão. Isso inspira um estilo de vida que planeja com responsabilidade, mas não é dominado pela ansiedade do amanhã. No cotidiano, isso pode significar focar nas tarefas de hoje, cultivar hábitos simples de confiança e evitar ruminações constantes sobre cenários futuros que não estão sob controle.

  2. Combater a idealização do passado
    Diante de dificuldades em novas fases da vida, surge a tentação de dizer: “antes era melhor”, mesmo quando o “antes” envolvia opressão ou limitações significativas. O texto encoraja a reconhecer o sofrimento do passado com honestidade e a enxergar que Deus conduz, ainda que o caminho atual seja desconfortável.

  3. Praticar contentamento e partilha
    Ao medir o maná, percebe-se que quem colheu muito não teve sobra, e quem colheu pouco não teve falta (v.18). Isso aponta para um ideal de suficiência e equidade. Na prática, inspira a buscar uma vida menos movida por acúmulo e mais aberta à generosidade, lembrando que o essencial é dom de Deus.

  4. Honrar ritmos de trabalho e descanso
    O sábado surge como parte da pedagogia divina. O princípio de separar tempo regular para descanso, culto e renovação continua relevante. Mesmo em contextos de alta demanda, é saudável delimitar momentos de pausa, desligar-se de atividades produtivas e reconhecer que o mundo não depende exclusivamente do próprio esforço.

  5. Reconhecer Deus nas necessidades materiais
    A fé bíblica não ignora fome, cansaço ou contas a pagar. Êxodo 16 mostra Deus atento a necessidades concretas, não apenas espirituais. Isso encoraja a levar preocupações materiais diante de Deus, agradecer pela provisão cotidiana e ver o sustento como expressão da graça, e não apenas do mérito pessoal.

  6. Guardar memórias da fidelidade de Deus
    O ómer de maná guardado como memorial inspira práticas de lembrança: registrar respostas de oração, contar histórias de provisão nas famílias e comunidades, marcar datas importantes. Essas memórias fortalecem a confiança em tempos de nova escassez ou incerteza.

Perguntas frequentes

O que era exatamente o maná descrito em Êxodo 16?

O texto bíblico descreve o maná como algo miúdo, redondo, parecido com geada sobre a terra, de cor branca e sabor semelhante a bolos de mel (v.14 e 31). Era um alimento que surgia com o orvalho da manhã e desaparecia quando o sol esquentava (v.21). A ênfase do capítulo não é tanto em sua composição material, mas no caráter milagroso e pedagógico do maná: um pão do céu, dado diariamente por Deus para sustentar Israel no deserto e ensinar dependência e obediência.

Por que não era permitido guardar maná para o dia seguinte?

A ordem de não guardar maná para o dia seguinte (v.19) fazia parte do teste de Deus: queria saber se o povo andaria em sua lei (v.4). O objetivo era ensinar confiança renovada diariamente, mostrando que a segurança verdadeira não estava em estoques, mas na fidelidade contínua de Deus. Quando alguns desobedeceram e guardaram, o maná criou bichos e cheirou mal (v.20), ilustrando que estratégias de autossuficiência baseadas no medo rompem com o modo como Deus desejava cuidar do povo naquele tempo.

Qual é o sentido do sábado em Êxodo 16?

Em Êxodo 16, o sábado aparece como um dia de repouso santo ao Senhor (v.23), sustentado pela provisão dupla no sexto dia. Deus ordena que ninguém saia do seu lugar no sétimo dia para colher (v.29), pois não haveria maná caindo nesse dia. O sábado, portanto, é apresentado como dom de Deus, um tempo protegido de trabalho para descanso físico e espiritual, e um sinal de confiança: o povo podia parar porque Deus já havia provido o necessário.

Por que Deus considera as murmurações do povo como sendo contra Ele?

Embora a reclamação fosse dirigida a Moisés e Arão, Moisés deixa claro que, na verdade, as murmurações eram contra o Senhor (v.7-8). Isso porque foram Deus quem tirou o povo do Egito, guiou pelo deserto e estabeleceu o caminho a seguir. Questionar de forma hostil as intenções de Moisés e Arão, atribuindo-lhes desejo de matar o povo de fome (v.3), era, na prática, pôr em dúvida o cuidado e o caráter de Deus que conduzia toda a história.

Qual a importância de guardar um ômer de maná para as gerações futuras?

Deus ordena que um ômer de maná seja guardado diante do Senhor para que as gerações futuras vejam o pão com que Ele sustentou Israel no deserto (v.32-33). Esse memorial tinha função pedagógica e espiritual: impedir o esquecimento da provisão divina, fortalecer a identidade do povo como dependente da graça de Deus e ensinar aos filhos e netos que sua história foi sustentada não apenas por esforço humano, mas pela intervenção fiel do Senhor.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Coração

Êxodo 16 mostra um povo cansado, com medo de passar fome, lembrando com saudade até mesmo da escravidão, só porque lá parecia haver comida garantida. É a dor de quem saiu de um lugar difícil, mas ainda não chegou em um lugar seguro. No meio desse caminho, a ansiedade fala alto, a memória se confunde e o coração desfalece. Nesse cenário, Deus não responde com frieza. Ele escuta as murmurações, aparece em glória na nuvem e providencia alimento concreto: carne à tarde, pão pela manhã. O povo reclama, mas Deus alimenta. A fé deles é frágil, mas o cuidado dEle é firme. O maná caindo todo dia diz, silenciosamente: “Eu não esqueci de vocês. Eu sei do que precisam hoje”. Há também a ternura de um Deus que ensina um novo ritmo para corações cansados. Ele manda parar no sétimo dia, ficar no lugar, descansar. Para um povo acostumado ao trabalho pesado do Egito, talvez fosse até estranho ser convidado a repousar. Mesmo assim, Deus insiste: o sábado é dom, não castigo. É como se Ele dissesse: “Vocês não são mais escravos. Podem descansar porque Eu cuido de vocês”. O capítulo não esconde a fraqueza do povo: eles desobedecem, guardam maná por medo, saem para colher no dia de descanso. Mas, mesmo assim, Deus continua sustentando, dia após dia, por quarenta anos. A história inteira respira essa verdade: Deus não abandona os Seus no meio do deserto, mesmo quando o coração falha, reclama ou tem dificuldade de confiar. Há um cuidado paciente acompanhando cada passo, cada manhã, cada porção de pão.

Mind
Mente

Do ponto de vista exegético, Êxodo 16 articula três grandes eixos: formação do povo, teologia da provisão e desenvolvimento do sábado. A formação do povo aparece na linguagem de prova: “para que eu o prove se anda em minha lei ou não” (v.4). O maná é estruturado como teste pedagógico. A forma como Deus distribui o alimento — porções diárias, proibição de acumular, exceção no sexto dia — é didática. Não há aqui um milagre arbitrário, mas uma disciplina divina envolvendo tempo, medida e obediência. Teologicamente, o capítulo questiona o conceito de segurança. No Egito, a “segurança” vinha de um sistema opressor; no deserto, vem de uma relação de confiança com Deus. A reclamação do povo (“Quem dera tivéssemos morrido…”) revela uma teologia distorcida: preferir morte com comida em abundância a vida em liberdade com incertezas. A narrativa mostra que a verdadeira vida com Deus passa pelo aprendizado da dependência, não pela garantia de controle humano. A instituição do sábado aqui é significativa. Antes mesmo da entrega formal da Lei no Sinai, o povo já é chamado a viver o padrão de seis dias de trabalho e um de descanso. A ordem de colher porção dobrada no sexto dia e a conservação sobrenatural do maná guardado nesse dia (em contraste com a podridão nos outros dias) ligam diretamente a prática sabática à providência especial de Deus. O sábado não surge apenas como mandamento moral, mas como parte do modo de Deus conduzir a vida diária do povo. Literariamente, o texto intercala falas divinas, mediação de Moisés e reações do povo, ressaltando o contraste entre a constância de Deus e a oscilação humana. A nota final (v.35-36) funciona como comentário retrospectivo, escrita à luz do desfecho dos quarenta anos, o que indica uma composição que integra memória histórica e reflexão teológica. No conjunto, Êxodo 16 prepara terreno para temas que serão aprofundados posteriormente: o pão do céu como sinal da presença de Deus, o sábado como marca de identidade do povo e a tensão constante entre murmuração e confiança no caminho da libertação.

Life
Vida

Êxodo 16 toca em situações muito próximas do dia a dia: medo de faltar, cansaço de mudanças, vontade de voltar para o conhecido, mesmo que não fosse bom. O povo olha para o deserto e pensa nas “panelas de carne” do Egito, como quem considera voltar para um emprego abusivo, um relacionamento ruim ou um hábito prejudicial, só porque ali tudo parecia mais previsível. Na prática, o capítulo mostra três ajustes de vida que fazem diferença. O primeiro é o ritmo do “hoje”. O maná vinha em porção diária. Quem tentava garantir sozinho o amanhã via tudo estragar. Isso desafia um estilo de vida movido por hipercontrole e ansiedade. Há espaço para planejamento, mas o coração é chamado a soltar aquilo que não pode controlar e a reconhecer o cuidado de Deus no que é possível fazer hoje. O segundo é a relação com o trabalho e o descanso. Deus ensina o povo a se organizar: colher normalmente por seis dias, se preparar no sexto, descansar no sétimo. Não é improviso desordenado, mas também não é trabalho sem pausa. Na rotina atual, esse princípio inspira a criar limites de jornada, momentos fixos de descanso, tempo para culto e família, e a coragem de dizer “basta por hoje” confiando que o mundo não depende apenas da própria produtividade. O terceiro é o olhar para os recursos. A cena em que quem colheu muito não teve sobra e quem colheu pouco não teve falta aponta para um estilo de vida menos obcecado por acúmulo e mais atento à suficiência. Em vez de comparar o “quanto cada um colheu”, o texto mostra que, medido corretamente, todos tinham o que precisavam. Esse princípio pode inspirar generosidade, simplicidade e uma relação mais saudável com dinheiro e bens, entendendo-os como instrumentos, não como fonte última de segurança. Assim, Êxodo 16 oferece um mapa concreto: organizar-se com sabedoria, confiar na provisão para cada dia, respeitar limites de descanso e manter o coração livre da escravidão de um passado que Deus já começou a deixar para trás.

Soul
Alma

Em Êxodo 16, a caminhada de Israel pelo deserto ganha contornos espirituais profundos. O deserto não é apenas um lugar geográfico, mas um cenário interior: espaço de secura, incerteza e dependência total. É nesse ambiente que Deus escolhe se revelar como Aquele que alimenta diariamente. O maná é mais do que alimento físico. Ele se torna um sinal do modo como Deus se relaciona com o Seu povo: presença silenciosa, suficiente, que se renova toda manhã. Espiritualmente, o texto sugere que a vida com Deus não se sustenta em grandes experiências isoladas, mas em um fluxo contínuo de graça recebida pouco a pouco. A pergunta não é apenas se houve maná ontem, mas se o coração se dispõe a sair cedo, cada dia, para encontrá-lo. O sábado, por sua vez, aponta para uma dimensão de descanso que vai além da pausa semanal. É um lembrete de que o propósito último da vida não é produzir sem parar, mas habitar na confiança. Parar de colher quando ainda é possível produzir mais é um ato de fé: declara que Deus é suficiente. Na perspectiva eterna, esse ritmo antecipa o descanso prometido ao povo de Deus, quando a jornada pelo “deserto” desta vida chegar ao fim. Há, ainda, o tema da memória. O ômer de maná guardado diante do Senhor ensina que a caminhada espiritual não se nutre apenas de doutrinas abstratas, mas de lembranças vivas do cuidado de Deus na história concreta. Cada geração é chamada a olhar para esse “pão guardado” e reconhecer: a existência do povo é milagre sustentado, não conquista autônoma. No fundo, Êxodo 16 convida a uma postura interior: deixar de romantizar as “panelas de carne” de um passado de escravidão e aprender a encontrar sentido mesmo em terras áridas, onde a única riqueza é o Deus que desce do céu, dia após dia, em forma de pão. A alma que aceita esse caminho começa a experimentar, já agora, algo do descanso e da segurança que se cumprirão plenamente na presença eterna de Deus.

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Versiculos em Êxodo 2

Êxodo 2:1

" Assim diz o SENHOR: Por três transgressões de Moabe, e por quatro, não retirarei o castigo, porque queimou os ossos do rei de Edom, até os tornar a cal. "

Êxodo 2:2

" Por isso porei fogo a Moabe, e consumirá os palácios de Queriote; e Moabe morrerá com grande estrondo, com alarido, com som de trombeta. "

Êxodo 2:4

" Assim diz o Senhor: Por três transgressões de Judá, e por quatro, não retirarei o castigo, porque rejeitaram a lei do Senhor, e não guardaram os seus estatutos, antes se deixaram enganar por suas próprias mentiras, após as quais andaram seus pais. "

Êxodo 2:6

" Assim diz o Senhor: Por três transgressões de Israel, e por quatro, não retirarei o castigo, porque vendem o justo por dinheiro, e o necessitado por um par de sapatos, "

Êxodo 2:7

" Suspirando pelo pó da terra, sobre a cabeça dos pobres, pervertem o caminho dos mansos; e um homem e seu pai entram à mesma moça, para profanarem o meu santo nome. "

Êxodo 2:8

" E se deitam junto a qualquer altar sobre roupas empenhadas, e na casa dos seus deuses bebem o vinho dos que tinham multado. "

Êxodo 2:9

" Todavia eu destruí diante dele o amorreu, cuja altura era como a altura dos cedros, e que era forte como os carvalhos; mas destruí o seu fruto por cima, e as suas raízes por baixo. "

Êxodo 2:10

" Também vos fiz subir da terra do Egito, e quarenta anos vos guiei no deserto, para que possuísseis a terra do amorreu. "

Êxodo 2:11

" E dentre vossos filhos suscitei profetas, e dentre os vossos jovens nazireus. Não é isto assim, filhos de Israel? diz o Senhor. "

Êxodo 2:14

" Assim perecerá a fuga ao ágil; nem o forte corroborará a sua força, nem o poderoso livrará a sua vida. "

Êxodo 2:15

" E não ficará em pé o que maneja o arco, nem o ligeiro de pés se livrará, nem tampouco se livrará o que vai montado a cavalo. "

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