Versículo em destaque
Atos 28:1 - Significado e aplicação
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Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" E, havendo escapado, então souberam que a ilha se chamava Malta. "
Atos 28:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 E, havendo escapado, então souberam que a ilha se chamava Malta.
2 E os bárbaros usaram conosco de não pouca humanidade; porque, acendendo uma grande fogueira, nos recolheram a todos por causa da chuva que caía, e por causa do frio.
3 E, havendo Paulo ajuntado uma quantidade de vides, e pondo-as no fogo, uma víbora, fugindo do calor, lhe acometeu a mão.
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Quanta variedade de lugares e situações encontramos na vida de Paulo. Ele era como um planeta em constante movimento, não uma estrela fixa. Aqui o vemos em uma ilha à qual, muito provavelmente, nunca teria chegado se uma tempestade não o tivesse lançado ali. No entanto, parece que Deus tinha obra para ele até mesmo naquele lugar. Ventos tempestuosos continuam cumprindo o plano de Deus, e essa tempestade acabou sendo uma bênção para a ilha de Malta, porque lhes trouxe a companhia de Paulo por três meses. Paulo foi uma bênção por onde quer que passasse.
Essa ilha, chamada Melita, ficava entre a Sicília e a África. Media cerca de trinta e dois quilômetros de comprimento e dezenove de largura. Situava‑se mais distante do continente do que qualquer outra ilha do Mediterrâneo, a aproximadamente noventa e seis quilômetros da Sicília. Mais tarde, tornou‑se famosa pela Ordem dos Cavaleiros de Malta, que fizeram uma resistência corajosa quando os turcos invadiram aquela região da cristandade e retardaram o avanço de seus exércitos.
Vemos aqui, em primeiro lugar, a acolhida calorosa que os habitantes dessa ilha deram aos náufragos que chegaram à sua costa (Atos 28:2). “Os bárbaros usaram conosco de não pouca humanidade.” Deus havia prometido que nenhuma vida se perderia, e aquilo que Deus promete, Ele leva a cabo. Se tivessem escapado do mar apenas para morrer de frio ou de fome em terra, no fim daria no mesmo. Por isso Deus continuou cuidando deles. Todo bem que recebemos pelas mãos das pessoas devemos reconhecer como vindo, em última instância, da mão de Deus. Toda criatura é para nós exatamente aquilo que Ele a faz ser. Quando quer, Ele pode transformar inimigos em amigos. Amigos na necessidade são verdadeiros amigos. Em tempos difíceis, o irmão nasce para a angústia.
Note, primeiro, o elogio geral à bondade que o povo de Malta demonstrou a Paulo e aos seus companheiros. Eles são chamados de bárbaros porque não compartilhavam da língua e dos costumes de gregos ou romanos, que olhavam com desprezo para todos os demais como bárbaros, embora esses outros pudessem ser tão civilizados quanto eles, ou até mais, em certos aspectos. Entretanto, esses chamados bárbaros eram cheios de humanidade. Usaram com eles de não pouca bondade.
Eles não trataram o naufrágio como oportunidade de lucro ou de vantagem, como temo que muitos que se dizem cristãos talvez fariam. Pelo contrário, enxergaram ali uma ocasião para exercer misericórdia. O bom samaritano foi melhor próximo do homem ferido do que o sacerdote e o levita (Lucas 10:30‑37). De fato, nem sempre se encontrou mais humanidade entre gregos, romanos ou cristãos do que entre esses chamados bárbaros. Isso está escrito para nosso exemplo, para que aprendamos a compadecer‑nos dos aflitos e ajudá‑los quanto pudermos, sabendo que também nós vivemos num corpo sujeito às mesmas necessidades.
Devemos estar prontos a acolher estrangeiros, como Abraão, que ficava à porta da tenda para convidar viajantes a entrarem (Hebreus 13:2). Devemos acolher especialmente os estrangeiros em aflição, como esses homens. “Honrai a todos.” Se Deus nos colocou em uma posição em que frequentemente podemos socorrer os necessitados, não devemos considerar isso um peso, mas uma bênção. Mais bem‑aventurado é dar do que receber. Quem sabe se esses bárbaros não foram colocados naquela ilha justamente para uma hora como essa?
Em segundo lugar, vemos um ato específico de bondade deles. Acenderam uma fogueira em algum salão ou espaço amplo e acolheram “a todos nós”. Deram‑lhes lugar ao redor do fogo e os receberam com toda cordialidade, sem perguntar de que país vinham ou qual religião professavam. Tendo chegado à costa nadando e agarrados em tábuas do navio, certamente estavam encharcados. E, como se não bastasse a água do mar, ainda caía chuva do céu. Chovia o bastante para molhá‑los até a pele, e fazia frio. Precisavam de uma boa fogueira, especialmente porque tinham acabado de fazer uma refeição reforçada a bordo, e logo lhes foi provido um fogo para aquecê‑los e secar suas roupas.
Às vezes, ajudar famílias pobres com combustível é tão ato de caridade quanto ajudá‑las com alimento ou roupa. “Aquecei‑vos” é tão necessário quanto “fartai‑vos”. Quando somos resguardados do mau tempo por uma casa aquecida, cama, roupas e um bom fogo, deveríamos pensar nos que ainda estão na chuva e no frio. Devemos compadecer‑nos deles, orar por eles e ajudá‑los, se pudermos.
Em seguida, Paulo é exposto a outro perigo, quando uma víbora se prende à sua mão, e o povo interpreta mal o significado disso. Paulo estava entre estranhos e parecia uma das pessoas menos importantes e mais desprezadas ali. Então Deus lhe concede um destaque especial.
Enquanto faziam a fogueira e a aumentavam para que aquele grande grupo inteiro pudesse se beneficiar, Paulo estava tão atarefado quanto qualquer outro, ajuntando gravetos (Atos 28:3). Embora fosse livre de todos e maior do que qualquer um deles, fez‑se servo de todos. Paulo era ativo e trabalhador. Gostava de estar ocupado sempre que havia algo a fazer e não pensava em viver à vontade, sem esforço. Também era humilde e negado a si mesmo, disposto a se abaixar para qualquer serviço útil, até mesmo catar lenha para o fogo. Nada devemos considerar abaixo de nós, exceto o pecado, e devemos estar prontos a fazer as tarefas mais simples quando houver necessidade, para o bem de nossos irmãos.
Os outros estavam dispostos a ajudar, ainda assim Paulo, molhado e com frio, não quis deixar todo o peso sobre eles. Quis ajudar também. Os que desfrutam o calor do fogo devem igualmente ajudar a trazer lenha para ele.
Mas os gravetos eram velhos, secos, restos de madeira, e por acaso havia ali uma víbora entre eles. Ela jazia como morta até o calor alcançá‑la, ou permanecera quieta até ser perturbada quando o fogo foi mexido. Então saltou contra Paulo, quando ele, sem saber, a lançou no fogo, e se agarrou à sua mão (Atos 28:3). Cobras e outros animais peçonhentos costumam esconder‑se entre gravetos. A Escritura fala de alguém que encosta a mão na parede e é mordido por uma cobra (Amós 5:19). Era algo tão comum que se advertia as pessoas a não romperem cercas, para que não fossem mordidas por uma serpente (Eclesiastes 10:8). Assim como pode haver cobra debaixo da grama verde, pode haver também debaixo de folhas secas.
Veja quantos perigos cercam a vida humana, e como muitos deles vêm de criaturas que estão abaixo de nós, muitas das quais se tornaram inimigas do ser humano desde que o ser humano se rebelou contra Deus. E que grande misericórdia é sermos tantas vezes preservados delas. Muitas vezes encontramos dano onde esperávamos auxílio, e muitos se ferem justamente enquanto trabalham honestamente e cumprem seu dever.
Os habitantes locais, incultos e sem instrução, apressaram‑se em concluir que Paulo era assassino. Como ele era prisioneiro, pensaram que devia ter apelado a César para escapar da justiça em sua própria terra, e que aquela cobra lhe fora enviada por Deus como castigo. Se não sabiam que era prisioneiro, pensaram que estivesse fugindo quando a víbora se prendeu à sua mão.
Daí podemos perceber algumas coisas que a razão natural ensina. Mesmo pessoas com pouca instrução podem saber que Deus governa o mundo e que sua providência dirige cada acontecimento. Também podem saber que o mal persegue o pecador, e que Deus recompensa as boas obras e pune as más. Entendiam que o homicídio é pecado terrível e não ficará muito tempo sem castigo.
Os que pensam escapar de todo castigo pelo mal que fazem podem ser corrigidos por essas pessoas, que, sem lei escrita, sabiam que o juízo vem. Se os maus parecem escapar do mar, não conseguem escapar da justiça divina. No tempo de Jó, podia‑se perguntar aos que passavam pelo caminho, e eles diriam que os ímpios são guardados para o dia da destruição.
Mas a razão natural também tem seus pontos cegos, que precisam ser corrigidos pela revelação de Deus. Eles imaginavam, de forma errada, que todos os ímpios são castigados nesta vida. Supunham que, se alguém escapasse de um perigo, logo outro o alcançaria. Porém isso nem sempre acontece. Pessoas más, até assassinos, às vezes vivem muito e se tornam poderosas, porque o juízo pleno é frequentemente reservado para o mundo vindouro.
Também erravam ao pensar que quem sofre muito nesta vida deve ser especialmente perverso. Assim, se uma víbora mordesse um homem, concluíam que ele devia ser assassino, como alguns pensaram que os que morreram quando a torre de Siloé caiu deviam ser mais pecadores que todos em Jerusalém. Os amigos de Jó cometeram o mesmo erro ao julgar seu sofrimento. A Palavra de Deus nos dá o quadro correto: as mesmas aflições muitas vezes atingem a todos, e os justos frequentemente sofrem profundamente para que sua fé e paciência sejam aperfeiçoadas.
Quando Paulo sacudiu a cobra no fogo, eles ainda esperavam que algum juízo confirmasse sua opinião severa. Pensavam que ele inchasse ou caísse morto de repente. Isso mostra quão inclinados estamos, depois de formarmos um mau juízo sobre alguém, a nos apegar a essa ideia e esperar que Deus prove que estamos certos. Foi algo positivo que eles não tenham atacado Paulo por conta própria quando nada aconteceu, mas aguardaram para ver o que a Providência faria.
O livramento de Paulo desse perigo, e a forma errada como o povo o interpretou, também merecem atenção. A víbora presa em sua mão foi uma prova de sua fé, e sua fé honrou a Deus. Ele não parece ter entrado em pânico. Não gritou, nem puxou a mão para trás em terror, mas deixou a cobra pendurada tempo suficiente para que todos vissem.
Essa calma só podia vir da ajuda especial de Deus e da confiança na promessa de Cristo de que seus seguidores “pegarão em serpentes” (Marcos 16:18). Isso mostra o que é ter o coração firme, confiando em Deus. Em seguida, ele simplesmente sacudiu a cobra no fogo, sem esforço especial e sem precisar de ajuda. Do mesmo modo, os crentes, pela força da graça de Cristo, podem sacudir as tentações de Satanás com firme resolução.
A atitude de Paulo também ilustra como os cristãos devem tratar insultos e acusações das pessoas. Quando temos a consciência limpa diante de Deus, podemos levar tais ataques em pouca conta e recusar-nos a ser abalados por eles. Eles não fazem mal real, a não ser que permitamos que nos deixem irados, nos afastem do nosso dever ou nos levem a responder insulto com insulto.
Paulo saiu ileso. Os que esperavam a sua morte ficaram muito tempo observando, mas não viram mal nenhum. Deus queria destacá-lo no meio daquele povo incivilizado, abrindo assim caminho para o evangelho entre eles. Às vezes se conta que, depois disso, nenhuma criatura venenosa conseguiu mais viver naquela ilha, mas essa afirmação não é claramente comprovada, embora alguns escritores católicos romanos a tenham repetido com segurança.
Imediatamente, as mesmas pessoas que antes o desprezavam mudaram de ideia e disseram que ele era um deus, algo como um ser imortal. Julgaram impossível que um homem comum tivesse uma cobra pendurada na mão e não sofresse dano algum.
Vê-se como a opinião pública é inconstante. Muda com o vento e corre rapidamente a extremos. A mesma multidão que certa vez ofereceu sacrifícios a Paulo e Barnabé depois os apedrejou, e aqui passou de chamar Paulo de assassino a tratá-lo como um deus.
Depois veio o milagre da cura, primeiro de um homem idoso que estava com febre, e depois de outros com diversas doenças, todos por meio de Paulo. Junto com esses sinais que confirmavam a mensagem de Cristo, o evangelho sem dúvida foi fielmente pregado. Destaca-se também a acolhida bondosa que Públio, o principal homem da ilha, deu àqueles náufragos aflitos. Ele tinha uma grande propriedade ali, e alguns pensam que fosse o governador. Recebeu-os e os hospedou por três dias com grande cortesia, dando-lhes tempo para se organizarem em outro lugar da melhor maneira possível.
É uma bênção quando Deus concede um coração generoso àquele a quem também deu grandes riquezas. Convinha a Públio, como principal da ilha, ser especialmente hospitaleiro e liberal. O homem mais rico deve ser também rico em boas obras. O pai de Públio adoeceu então com febre e disenteria, uma enfermidade sanguinolenta que muitas vezes acompanha a febre e costuma ser mortal. A providência permitiu que essa doença viesse justamente naquele momento, para que sua cura fosse uma recompensa pronta à bondade de Públio, especialmente por sua bondade para com Paulo, a quem recebeu como profeta e por isso recebeu galardão de profeta.
Paulo examinou a condição do enfermo, e, embora ninguém pareça tê-lo pedido formalmente, entrou no aposento não como médico com remédios, mas como apóstolo operando um milagre. Ele orou a Deus em nome de Cristo pela cura daquele homem, impôs-lhe as mãos, e ele ficou completamente são na mesma hora. Ainda que o enfermo devesse ser já idoso, recuperar a saúde foi mesmo assim grande misericórdia, pois provavelmente prolongou sua vida.
Depois disso, muitos outros vieram ou foram trazidos a Paulo por causa dessa cura. Se ele podia curar doenças com tanta facilidade e de forma tão completa, logo haveria muitos em busca de ajuda. Ele acolheu a todos e os despediu curados. Não disse que era apenas um estrangeiro ali, lançado por acaso no meio deles, sem obrigação de ajudar e livre para partir à primeira oportunidade. Ao contrário, o homem de Deus procura fazer o bem em qualquer lugar onde a providência de Deus o coloque. Paulo se considerava devedor não só aos gregos, mas também aos bárbaros, isto é, aos povos não gregos, e dava graças a Deus pela oportunidade de ser útil entre eles.
Ele também se sentia particularmente obrigado àquele povo de Malta pelo abrigo e cuidado tão oportunos que lhe haviam dado. Dessa forma, ele, por assim dizer, pagou a hospedagem que recebera, o que deve nos animar a acolher estrangeiros, já que alguns hospedaram anjos e apóstolos sem o saber. Deus não esquecerá nenhuma bondade feita ao seu povo em aflição. Podemos crer com boas razões que Paulo pregou o evangelho juntamente com essas curas e que, sendo tão claramente confirmado e recomendado, o evangelho foi em geral bem recebido entre eles. Se foi assim, nunca um povo foi tão enriquecido por um naufrágio em sua costa como os habitantes de Malta.
Mesmo sendo um povo inculto, mostraram gratidão pela bondade que Paulo lhes fez, ouvindo-o pregar Cristo. Foram atenciosos com ele e com os outros ministros que o acompanhavam, os quais provavelmente o auxiliaram na pregação entre eles (Atos 28:10). Tributaram-lhes toda honra que podiam. Viram que Deus os havia honrado e sentiram-se obrigados a honrá-los em retribuição. Nada lhes parecia demais se fosse expressão de respeito. Talvez até lhes tenham concedido direitos de cidadãos da ilha e os admitido em suas corporações e associações.
Pregadores fiéis do evangelho são dignos de dupla honra, especialmente quando Deus abençoa o trabalho que realizam. Quando estavam prontos para partir, o povo os carregou com os suprimentos de que precisavam. Paulo não pôde trabalhar com as mãos ali, pois não tinha nada a fazer ou consertar, por isso aceitou a bondade do povo de Melita, não como pagamento por curas, pois de graça recebera e de graça dera, mas como auxílio para suas próprias necessidades e para as necessidades dos que estavam com ele. Tendo eles recebido bênçãos espirituais por meio de Paulo, era justo que retribuíssem dessa maneira (1 Coríntios 9:11).
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Deste capítulo
Atos 28:2
"E os bárbaros usaram conosco de não pouca humanidade; porque, acendendo uma grande fogueira, nos recolheram a todos por causa da chuva que caía, e por causa do frio."
Atos 28:3
"E, havendo Paulo ajuntado uma quantidade de vides, e pondo-as no fogo, uma víbora, fugindo do calor, lhe acometeu a mão."
Atos 28:4
"E os bárbaros, vendo-lhe a víbora pendurada na mão, diziam uns aos outros: Certamente este homem é homicida, visto como, escapando do mar, a justiça não o deixa viver."
Atos 28:5
"Mas, sacudindo ele a víbora no fogo, não sofreu nenhum mal."
Atos 28:6
"E eles esperavam que viesse a inchar ou a cair morto de repente; mas tendo esperado já muito, e vendo que nenhum incômodo lhe sobrevinha, mudando de parecer, diziam que era um deus."
Atos 28:7
"E ali, próximo daquele lugar, havia umas herdades que pertenciam ao principal da ilha, por nome Públio, o qual nos recebeu e hospedou benignamente por três dias."
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