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Atos 21:8 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" E no dia seguinte, partindo dali Paulo, e nós que com ele estávamos, chegamos a Cesaréia; e, entrando em casa de Filipe, o evangelista, que era um dos sete, ficamos com ele. "

Atos 21:8

menu_book Versículo no contexto

6 E, despedindo-nos uns dos outros, subimos ao navio; e eles voltaram para suas casas.

7 E nós, concluída a navegação de Tiro, viemos a Ptolemaida; e, havendo saudado os irmãos, ficamos com eles um dia.

8 E no dia seguinte, partindo dali Paulo, e nós que com ele estávamos, chegamos a Cesaréia; e, entrando em casa de Filipe, o evangelista, que era um dos sete, ficamos com ele.

9 E tinha este quatro filhas virgens, que profetizavam.

10 E, demorando-nos ali por muitos dias, chegou da Judéia um profeta, por nome Ágabo;

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Por fim, Paulo e seus companheiros chegaram a Cesareia, onde ele pretendia permanecer por algum tempo. Foi ali que o evangelho havia sido anunciado pela primeira vez aos gentios e onde o Espírito Santo desceu sobre eles (Atos 10:1, Atos 10:44). Lucas registra quem recebeu Paulo naquela cidade e também mostra como, nas viagens, os grupos muitas vezes se separam quando cada um conclui a parte de sua tarefa. Alguns ficaram com o navio para descarregar a carga (Atos 21:3), outros seguiram para seus próprios compromissos, mas Paulo e o grupo que o acompanhava prosseguiram juntos até Cesareia.

Paulo foi recebido por Filipe, o evangelista, que morava em Cesareia havia muitos anos, desde que batizara o eunuco etíope (Atos 8:40). Filipe tinha sido escolhido primeiro como um dos sete diáconos, homens designados para servir às necessidades da igreja (Atos 6:5). Agora era chamado de evangelista, alguém dedicado a anunciar a palavra, viajar para pregar, plantar igrejas e fortalecê-las, entregando-se à Palavra e à oração. Ele havia sido fiel no serviço anterior e, por isso, foi confiado com uma obra maior. Tinha em Cesareia uma casa ampla o suficiente para hospedar Paulo e seus companheiros, e eles ficaram com ele. Isso ilustra bem a hospitalidade cristã, que crentes e obreiros devem praticar voluntariamente, sem murmurações (1 Pedro 4:9).

Filipe também tinha quatro filhas solteiras que profetizavam (Atos 21:9). Muito provavelmente, elas falavam pelo Espírito a respeito das aflições que aguardavam Paulo em Jerusalém, seja advertindo-o a não ir, seja encorajando-o para o que estava por vir. Nelhas se cumpria mais uma parte da promessa de Joel 2:28, em que Deus declarou que filhos e filhas profetizariam, isto é, falariam por revelação divina. Na nova aliança, esses dons foram distribuídos amplamente, inclusive a pessoas de menor destaque público na igreja.

Paulo e seus companheiros permaneceram muitos dias em Cesareia. Talvez Cornélio, o centurião romano que havia crido ali, ainda estivesse vivo e também pudesse demonstrar-lhes bondade. Não é dito por que Paulo ficou tanto tempo ou por que parecia andar tão devagar na parte final de sua viagem a Jerusalém. Mas sabemos que ele não desperdiçava o tempo, pois media bem seus dias e os empregava com sabedoria.

Durante essa estadia, o profeta Ágabo desceu da Judeia. Era o mesmo Ágabo que anteriormente havia ido de Jerusalém a Antioquia e predito uma grande fome (Atos 11:27, Atos 11:28). Deus reparte seus dons de maneiras diferentes. Paulo, como apóstolo, recebeu sabedoria, conhecimento e dons de cura; Ágabo e as filhas de Filipe receberam o dom de profecia, a capacidade dada pelo Espírito para revelar o que estava por vir (1 Coríntios 12:8, 1 Coríntios 12:10). No período do Novo Testamento, esse dom ainda era real, mas ficava em certo sentido ofuscado por outros dons e muitas vezes era concedido a membros menos proeminentes da igreja.

Ágabo anunciou o encarceramento de Paulo em Jerusalém por meio de um sinal, como faziam com frequência os antigos profetas (Isaías 20:3; Jeremias 13:1, Jeremias 27:2; Ezequiel 4:1, Ezequiel 12:3). Ele tomou o cinto de Paulo, amarrou com ele suas próprias mãos e pés e então explicou o sentido do gesto. O sinal tornava a mensagem mais impactante, pois aquilo que vemos se cumprir diante de nossos olhos nos atinge mais do que apenas ouvir uma palavra. O Espírito Santo declarou que os judeus em Jerusalém amarrariam o dono daquele cinto e o entregariam aos gentios, como haviam feito com Jesus, seu Mestre (Mateus 20:18, Mateus 20:19). Paulo recebeu essa advertência de antemão para que estivesse preparado. A verdade geral para todos os crentes é a mesma: importa que, por muitas tribulações, entremos no reino de Deus.

Diante disso, os amigos de Paulo insistiram fortemente para que ele não prosseguisse para Jerusalém (Atos 21:12). Essa súplica veio não só dos crentes de Cesareia, mas também de Lucas e de outros companheiros de viagem, que já tinham ouvido o aviso antes. Eles amavam profundamente a Paulo e julgavam correto tentar poupá-lo do sofrimento. Crentes fortes e úteis às vezes precisam ser advertidos para não se exaurirem em excesso, e crentes valentes às vezes precisam ser advertidos para não se exporem demais ao perigo. Contudo, a tristeza deles também revelava fraqueza humana. Sabiam que Paulo tinha direção de Deus e já tinham visto antes sua coragem firme, mas, quando a aflição se aproxima, muitos tendem a recuar. O que parecia leve à distância se torna pesado quando chega perto (Jó 4:5).

Paulo respondeu com santa coragem. O amor e a preocupação deles eram sinceros, mas, na prática, puxavam em sentido oposto ao seu dever. Porque o amavam, procuravam detê-lo; porque ele os amava, repreendeu-os por tentarem desviá-lo. Ele perguntou: “Por que estais chorando e partindo-me o coração?” As lágrimas deles o feriam profundamente, assim como Pedro, certa vez, tentou afastar Cristo do caminho do sofrimento, dizendo: “Tem compaixão de ti mesmo.”

Aquilo foi uma tentação para Paulo. Abalou-o, enfraqueceu por um momento sua resolução e o fez considerar a possibilidade de recuar. Em outras palavras, ele dizia: “Eu sei que estou destinado a sofrer, e vocês deveriam me encorajar. Deveriam dizer o que fortalece o meu coração. Mas as suas lágrimas o quebram e me desanimam. O que pretendem com isso? Nosso Mestre não nos mandou tomar a nossa cruz? Vocês gostariam que eu evitasse a minha?”

Também o desagradava o fato de o pressionarem com tanta força a fazer o que não poderia fazer sem ferir a própria consciência. Paulo tinha um coração muito sensível. Ele mesmo chorava com frequência e sentia profunda compaixão diante das lágrimas dos amigos. A tristeza deles o impressionava fortemente e quase o levava a ceder em qualquer coisa. Por isso lhe doía tanto ter de recusar o pedido de amigos chorando.

Nesse caso, a bondade deles acabou se tornando uma espécie de falta de bondade. A piedade deles se fez dolorosa, pois só aumentava sua aflição. Quando nossos amigos são chamados a sofrer, mostramos melhor nosso amor consolando-os, e não alimentando uma tristeza que os enfraquece. Mesmo assim, vale notar: se os cristãos de Cesareia soubessem em detalhes o que aconteceria, talvez tivessem ficado menos angustiados por causa de si mesmos. Quando Paulo mais tarde foi preso em Jerusalém, logo foi enviado para Cesareia, exatamente o lugar em que se hospedara agora (Atos 23:33). Ali permaneceu pelo menos dois anos (Atos 24:27), e não ficou em confinamento absoluto, pois tinha alguma liberdade para ver amigos e recebê-los (Atos 24:23). Assim, a igreja de Cesareia desfrutou muito mais da presença e do ministério de Paulo durante sua prisão do que teria se ele tivesse permanecido em liberdade. Aquilo que resistimos, pensando que nos fará mal, a providência de Deus pode transformar em benefício. Essa é uma boa razão para seguir a providência sem temê-la.

Então Paulo reafirmou sua firme decisão de prosseguir. “Por que estais chorando e partindo-me o coração? Estou pronto para sofrer tudo o que me está determinado. Estou plenamente resolvido a ir, aconteça o que acontecer, de modo que as suas objeções não me farão mudar. Estou disposto a sofrer; por que vocês não estão dispostos a que eu sofra? Não sou eu o mais apto a julgar o meu chamado e a minha condição? Se eu estivesse despreparado, então a tristeza de vocês seria adequada. Mas, graças a Deus, estou preparado, e por isso isso não deveria assustá-los tanto.”

Quando diz “estou pronto”, ele quer dizer: “coloquei-me em prontidão”, como soldados preparados para a batalha. Ele esperava dificuldades e as considerava certas, de modo que não o surpreenderiam. Desde o início lhe fora anunciado quanto lhe cumpria sofrer (Atos 9:16). Ele estava preparado por uma consciência limpa, uma confiança firme em Deus, um santo desapego deste mundo e do corpo, uma fé forte em Cristo e uma alegre esperança da vida eterna. Podia acolher o sofrimento como se acolhe um amigo aguardado e para o qual já se tomou providências. Pela graça de Deus, não apenas podia suportá-lo, mas alegrar-se nele.

Sua resolução ia muito longe. Eles tinham ouvido que ele seria preso em Jerusalém e, por isso, queriam que ele não fosse. Mas ele respondeu: “Estou pronto não só para ser preso, mas, se for a vontade de Deus, para morrer em Jerusalém. Estou preparado não apenas para perder a liberdade, mas também a própria vida.” É sabedoria considerar o pior que pode acontecer e preparar-se para isso, para que possamos estar completos em toda a vontade de Deus.

O que o sustentava era o fato de que tudo seria “pelo nome do Senhor Jesus”. As pessoas dão tudo o que têm para salvar a própria vida. Mas Paulo estava disposto a entregar até a vida pelo serviço e pela honra do nome de Cristo.

Seus amigos então cederam diante de sua firme decisão. Tinham levado o assunto até onde podiam, com o devido respeito, mas, vendo que ele não se deixaria persuadir, pararam de insistir. Paulo conhecia sua própria mente e sabia o que devia fazer, e eles perceberam que o melhor era deixar o assunto nas mãos dele. Não deviam julgá-lo como imprudente, teimoso ou do contra apenas porque ele não fazia exatamente o que queriam. Sem dúvida ele tinha bons motivos para sua escolha, ainda que não os compartilhasse com eles, e Deus tinha propósitos bondosos em fortalecê-lo nessa decisão. É boa conduta não continuar pressionando demais as pessoas em assuntos que dizem respeito ao chamado e responsabilidade delas, quando elas não se deixam persuadir.

Eles também se submeteram à vontade de Deus. Disseram: “Faça-se a vontade do Senhor”. Não atribuíram a firmeza de Paulo à teimosia, mas reconheceram tanto a sua disposição de sofrer quanto a vontade de Deus nisso. A oração “Seja feita a tua vontade” é uma regra tanto para as nossas orações quanto para a nossa vida, e também nos ensina a paciência.

Isso pode se referir à firmeza presente de Paulo. Ele estava inabalável e não podia ser demovido, e eles enxergaram nisso a vontade do Senhor sendo cumprida. Foi Deus quem lhe deu essa resolução firme, e por isso eles a aceitaram. Quando Deus inclina o coração de nossos amigos ou de nossos ministros para um caminho que não desejávamos, devemos reconhecer a sua mão e nos submeter a ela.

Isso também pode se referir ao sofrimento que estava à frente. Se não havia meio de impedir que Paulo caminhasse para as prisões, então: “Faça-se a vontade do Senhor Jesus”. Eles tinham feito tudo que podiam para evitar aquilo, e agora entregavam o assunto a Deus e a Cristo, a quem o Pai confiou todo o juízo. Por isso não disseram: “Como nós queremos”, mas: “Como ele quer”.

Quando vemos a aflição se aproximando, especialmente quando pode significar que nossos ministros sejam calados ou tirados de nós, é correto dizer: “Faça-se a vontade do Senhor”. Deus é sábio, e sabe fazer todas as coisas cooperarem para o bem. Portanto, devemos acolher a sua santa vontade. Não apenas: “A vontade do Senhor tem de ser feita, não há remédio”, mas também: “Seja feita a vontade do Senhor”. Sua vontade é sábia, e ele faz tudo segundo essa sabedoria. Portanto, que ele faça conosco e com o que é nosso o que bem lhe parecer. Quando a aflição já chegou, isto deve acalmar a nossa dor: a vontade do Senhor está feita. Quando a aflição ainda está adiante, isto deve sossegar nossos temores: a vontade do Senhor será feita. A isso devemos responder: Amém, seja feita.

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