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Atos 21:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" E aconteceu que, separando-nos deles, navegamos e fomos correndo caminho direito, e chegamos a Cós, e no dia seguinte a Rodes, de onde passamos a Pátara. "

Atos 21:1

menu_book Versículo no contexto

1 E aconteceu que, separando-nos deles, navegamos e fomos correndo caminho direito, e chegamos a Cós, e no dia seguinte a Rodes, de onde passamos a Pátara.

2 E, achando um navio, que ia para a Fenícia, embarcamos nele, e partimos.

3 E, indo já à vista de Chipre, deixando-a à esquerda, navegamos para a Síria e chegamos a Tiro; porque o navio havia de ser descarregado ali.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Vemos aqui quanto esforço Paulo precisou fazer antes de conseguir se afastar de Éfeso. O capítulo começa dizendo que “nos separando-nos deles”, dando a ideia de que quase foram arrancados à força. Ambos os lados sentiram profundamente a dor da separação: Paulo, porque os amava, e eles, porque não queriam perdê-lo; mas não havia outra opção.

Esse tipo de despedida muitas vezes se parece com o que acontece quando pessoas piedosas são levadas pela morte. Elas são, por assim dizer, tiradas do convívio de seus amigos na terra, que, se pudessem, as reteriam junto de si. É uma separação difícil, mesmo quando é necessária.

A viagem a partir dali prosseguiu bem. Navegaram diretamente para Cós, uma conhecida ilha grega; no dia seguinte chegaram a Rodes, famosa por seu grande Colosso; e, de lá, seguiram para Pátara, um importante porto da Lícia (Atos 21:1). Ali encontraram um navio que ia para a Fenícia, exatamente o rumo de que precisavam (Atos 21:2). Devemos reconhecer o cuidado de Deus quando as coisas se encaixam de forma tão oportuna e pequenos detalhes cooperam para o andamento de nossos planos. Podemos dizer de verdade: “É Deus quem aperfeiçoa o meu caminho.”

Tomaram então esse navio rumo à Fenícia, isto é, em direção a Tiro. No caminho avistaram Chipre, a ilha de onde Barnabé era natural, mas a deixaram à esquerda, seguindo pela costa da Síria até chegarem a Tiro (Atos 21:3). Tiro havia sido um famoso centro comercial e, embora já tivesse declinado, ainda conservava comércio suficiente para que o navio descarregasse ali.

Quando Paulo chegou a Tiro, encontrou discípulos, pessoas que haviam recebido o evangelho e abertamente seguiam a Cristo. Onde quer que Paulo chegasse, procurava saber onde estavam os crentes, encontrava-os e passava tempo com eles. Pessoas que partilham a mesma fé naturalmente se buscam umas às outras.

Jesus, durante seu ministério terreno, não havia pregado o evangelho em Tiro, embora por vezes tivesse passado perto daquela região. Ele não deu a Tiro e a Sidom as mesmas oportunidades diretas que deu a Corazim e Betsaida, ainda que soubesse que aquelas cidades responderiam melhor se tivessem recebido tais oportunidades (Lucas 10:13-14). Mas, depois que o mandato de levar o evangelho às nações foi ampliado, a mensagem chegou também a Tiro, e ali já havia discípulos. Alguns entendem que Isaías tinha isso em vista quando disse: “O seu comércio e o seu salário serão consagrados ao Senhor” (Isaías 23:18).

Paulo permaneceu com esses discípulos sete dias, porque eles insistiram para que ficasse o máximo que pudesse. Ele também havia permanecido sete dias em Trôade (Atos 20:6), e aqui novamente ficou tempo suficiente para passar um Dia do Senhor com eles e, provavelmente, pregar publicamente. Pessoas piedosas desejam fazer o bem onde quer que vão, e, quando encontramos discípulos, podemos abençoá-los e ser abençoados por eles.

Os discípulos em Tiro receberam entendimento espiritual, de modo que souberam pelo Espírito que Paulo enfrentaria dificuldades em Jerusalém. O Espírito Santo já vinha advertindo sobre isso em todas as cidades (Atos 20:23). Como esse se tornaria um acontecimento tão conhecido, Deus o fez ser anunciado de antemão, para que as pessoas não se escandalizassem quando acontecesse, mas, ao contrário, tivessem sua fé fortalecida.

Eles também tinham graça em seus corações; por isso, por amor a Paulo e por preocupação com as igrejas, especialmente as igrejas gentílicas que mal podiam abrir mão dele, rogaram-lhe que não subisse a Jerusalém. Entenderam a advertência como se fosse condicional, como se dissessem: “Se ele for, o mal virá.” A intenção deles era boa, porque desejavam que Paulo permanecesse livre e útil para a igreja. No entanto, não compreenderam o propósito de Deus, pois os sofrimentos de Paulo trariam glória a Deus e contribuiriam para a propagação do evangelho. Paulo sabia disso, e o forte esforço deles para impedi-lo faz sobressair ainda mais a firmeza corajosa e piedosa de sua decisão.

Embora não fossem fruto direto do ministério de Paulo, os crentes em Tiro demonstraram grande respeito por ele na hora da despedida. Tinham convivido com ele apenas sete dias, mas todos se reuniram com mulheres e filhos para se despedir, pedir sua bênção e acompanhá-lo até onde a praia permitia. Devemos honrar não apenas nossos próprios pastores e mestres, mas todos os fiéis ministros de Cristo, por causa dEle e por causa da obra que realizam. E devemos honrar de modo especial aqueles que Deus claramente tem usado para o bem de muitas pessoas.

É bom também ensinar as crianças a respeitar pessoas piedosas e ministros fiéis. Em Tiro, as mulheres e as crianças também foram, o que tornou ainda maior a honra prestada a Paulo e lhes deu oportunidade de se beneficiarem de seus ensinos e orações. Assim como Deus atentou para as crianças de Betel que zombaram de um profeta, certamente atentou para as crianças de Tiro que honraram um apóstolo, assim como Cristo aceitou o louvor dos pequeninos.

Devemos ainda aproveitar bem nossas oportunidades e usá-las ao máximo para o bem de nossas almas. Eles acompanharam Paulo para desfrutar um pouco mais de sua companhia e de suas orações. Alguns entendem que o Salmo 45:12 alude a esse tipo de respeito: “A filha de Tiro virá com presentes”, pois é provável que tenham levado presentes a Paulo quando partiu, como costuma acontecer com amigos que se despedem para viagens marítimas (Atos 28:10).

Eles encerraram a despedida com oração, como Paulo e os presbíteros de Éfeso haviam feito (Atos 20:36). Nisso, Paulo nos deixou não só instruções, mas um exemplo prático, ensinando-nos a orar sempre, sem cessar. Ajoelharam-se na praia e oraram, para que o último adeus fosse santificado e adoçado pela oração. Paulo orou por si mesmo, por eles e por todas as igrejas. Era um homem de muita oração, e um homem poderoso na oração.

Os que estão para viajar por mar devem, ao deixar a terra firme, entregar-se a Deus em oração e colocar-se sob o seu cuidado. Mesmo quando deixam o solo seguro, devem confiar que sua fé continuará firmemente apoiada na providência e na promessa de Deus.

Eles se ajoelharam na praia e oraram, ainda que o chão talvez fosse áspero ou sujo. Paulo queria que as pessoas orassem em todo lugar, e ele mesmo vivia assim. Onde quer que orasse, dobrava os joelhos. Como disse George Herbert, ajoelhar-se nunca estragou uma meia de seda.

Por fim, despediram-se com abraços ternos e palavras cheias de amor e tristeza (Atos 21:6). Então embarcaram e seguiram viagem, enquanto os outros voltaram para casa. Foi um tipo de despedida que nos lembra que este é um mundo de adeuses. Note-se como cada grupo encarou a situação: os que tinham de viajar se alegravam por ter um navio; os que não precisavam viajar se alegravam por ter um lar. “Alegra-te, Zebulom, na tua saída, e tu, Issacar, nas tuas tendas.”

Paulo deixou sua bênção com os que ficaram, e os que ficaram enviaram suas orações junto com os que foram para o mar.

Chegaram também a Ptolemaida, não longe de Tiro; alguns pensam que era a mesma cidade de Acó, da tribo de Aser (Juízes 1:31). Paulo pediu para descer ali, a fim de saudar os irmãos, informar-se de seu estado espiritual e demonstrar-lhes seu amor. Não podia demorar-se muito, mas não quis passar sem lhes prestar honra. Ficou com eles um dia, e é possível que fosse o Dia do Senhor. Uma visita breve é melhor do que visita nenhuma.

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