Versículo em destaque
Atos 19:13 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" E alguns dos exorcistas judeus ambulantes tentavam invocar o nome do Senhor Jesus sobre os que tinham espíritos malignos, dizendo: Esconjuro-vos por Jesus a quem Paulo prega. "
Atos 19:13
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
11 E Deus pelas mãos de Paulo fazia maravilhas extraordinárias.
12 De sorte que até os lenços e aventais se levavam do seu corpo aos enfermos, e as enfermidades fugiam deles, e os espíritos malignos saíam.
13 E alguns dos exorcistas judeus ambulantes tentavam invocar o nome do Senhor Jesus sobre os que tinham espíritos malignos, dizendo: Esconjuro-vos por Jesus a quem Paulo prega.
14 E os que faziam isto eram sete filhos de Ceva, judeu, principal dos sacerdotes.
15 Respondendo, porém, o espírito maligno, disse: Conheço a Jesus, e bem sei quem é Paulo; mas vós quem sois?
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Os pregadores do evangelho foram enviados para lutar contra Satanás, e nessa luta Cristo saiu vencendo e para vencer. Expulsar espíritos malignos de pessoas possuídas era um sinal claro da vitória de Cristo sobre Satanás. Mas estes versículos mostram que Cristo triunfou sobre esse grande inimigo de mais de uma maneira, não apenas libertando pessoas que estavam forçadas sob o poder de Satanás, mas também trazendo de volta pessoas que, por vontade própria, haviam se entregado a ele.
Primeiro, vemos a vergonha de alguns servos de Satanás, um grupo de judeus ambulantes que se diziam exorcistas, isto é, pessoas que tentavam expulsar espíritos malignos. Eles usavam o nome de Cristo em seus feitiços perversos e pagaram caro por sua arrogância. Eram judeus, mas judeus soltos, errantes, que andavam de cidade em cidade para ganhar dinheiro com adivinhação e feitiçaria. Fingiam curar doenças e ajudar pessoas perturbadas de mente ou descontroladas, e chamavam a si mesmos de exorcistas porque usavam palavras de mando em seus truques.
Judeus supersticiosos tentavam dar certa respeitabilidade a essas artes mágicas, dizendo que Salomão, o rei sábio de Israel, as havia inventado. Josefo conta que Salomão teria escrito fórmulas para curar doenças e expulsar demônios, de modo que não voltassem mais. Cristo parece fazer referência a isso quando diz: “Por quem os expulsam então os vossos filhos?” (Mateus 12:27). Em Éfeso, entre esses enganadores ambulantes, havia sete filhos de Ceva, judeu e principal dos sacerdotes (Atos 19:14). É triste ver a família de Jacó descer a um nível tão baixo, e ainda mais triste ver uma família da linhagem de Arão, separada para Deus, dando as mãos a Satanás.
A ofensa deles foi tentar usar o nome do Senhor Jesus para dar ordens a espíritos malignos. Não o fizeram porque confiassem em Cristo ou o honrassem, como alguns haviam feito ao expulsar demônios em nome de Jesus, embora não andassem junto com os seus discípulos (Lucas 9:49). Esses homens simplesmente queriam experimentar qualquer meio que pudesse favorecer seu ofício perverso. Diziam: “Esconjuro-vos por Jesus a quem Paulo prega”, como quem diz: “Vamos ver o que esse nome é capaz de fazer.” Não estavam dizendo que criam em Jesus, nem que dele dependiam, nem que tinham qualquer autoridade vinda dele.
Isso foi um uso profano e perverso do nome de Cristo. Se espíritos malignos tivessem obedecido a um juramento pronunciado em nome de Jesus por homens que não criam nele, eles teriam alegado que isso nada provava. Se os espíritos se recusassem a obedecer, esses homens teriam dito que o nome de Cristo era mais fraco do que outros nomes que costumavam usar. Os exorcistas na igreja de Roma, que afirmam expulsar espíritos malignos por meio de fórmulas que não compreendem e que não podem usar com fé, seguem as pegadas desses judeus ambulantes.
Deus não deixou essa afronta sem resposta. O espírito maligno lhes deu uma resposta cortante: “A Jesus conheço, e bem sei quem é Paulo; mas vós, quem sois?” (Atos 19:15). O espírito sabia que Jesus havia derrotado todos os poderes, e que Paulo tinha autoridade, em nome de Jesus, para expulsar demônios. Mas que poder tinham aqueles homens? Quem lhes dera o direito de usar o nome de Jesus? Essa resposta foi arrancada pela mão poderosa de Deus, para honrar o evangelho e envergonhar os que abusavam do nome de Cristo. Pessoas e grupos podem fingir ter grande zelo por Jesus e por Paulo, e reivindicar sua autoridade, mas, quando o caso é examinado, muitas vezes se vê que não passa de interesse mundano, até mesmo hostilidade à verdadeira religião.
Em seguida, o homem em quem o espírito maligno estava agiu contra eles. Em seu furor, dominou-os, venceu a eles e aos seus encantamentos, e mostrou-se muito mais forte do que todos. Eles fugiram daquela casa nus e feridos, com as roupas rasgadas e o corpo machucado. Isso é um aviso para todos os que tomam o nome de Cristo nos lábios, mas não abandonam o pecado. O mesmo inimigo que os derruba por meio da tentação também os derrubará por meio do medo. Apenas pronunciar o nome de Cristo contra o diabo não trará proteção. Se resistirmos ao diabo com fé verdadeira e viva em Cristo, ele fugirá de nós; mas, se tentarmos usar o nome de Cristo, ou mesmo suas palavras, como uma espécie de fórmula mágica, o diabo nos vencerá.
Esse acontecimento tornou-se conhecido entre todos os judeus e gregos que habitavam em Éfeso. Toda a cidade falava disso. O resultado foi que as pessoas ficaram cheias de temor, porque viram ao mesmo tempo a malícia do diabo e o poder de Cristo. Viram também que o nome de Cristo não podia ser tratado levianamente, nem sua religião misturada com superstição pagã. Ao mesmo tempo, Deus foi glorificado, porque o nome do Senhor Jesus, pelo qual seus servos fiéis expulsavam demônios e curavam enfermidades sem resistência, foi mostrado como estando acima de todo outro nome.
Em segundo lugar, vemos também alguns servos de Satanás se voltando contra ele, com provas claras de sua mudança. Os que tinham praticado coisas más as confessaram (Atos 19:18).
Muitos que haviam crido e sido batizados ainda não tinham sido tão abertos quanto deveriam na confissão de seus pecados. Mas, quando viram esses sinais da grandeza do nome de Jesus Cristo, foram profundamente tocados pelo temor. Vieram a Paulo, ou a alguns dos outros ministros que estavam com ele, e confessaram a vida má que haviam levado. Admitiram também os pecados secretos de que a própria consciência os acusava, coisas que o mundo não sabia, enganos ocultos e impurezas escondidas. Trouxeram suas obras à luz, humilharam-se, deram glória a Deus e advertiram outros.
Essas confissões não lhes foram arrancadas à força. Foram confissões voluntárias, feitas para aliviar consciências aflitas depois que os recentes milagres os encheram de temor. Onde há verdadeiro pesar pelo pecado, haverá franca confissão do pecado a Deus em toda oração, e também ao próximo que tenhamos prejudicado, quando a situação assim exigir.
Muitos dos que tinham praticado artes mágicas e outros segredos também queimaram seus livros (Atos 19:19). A palavra usada indica uma “ocupação inútil”, gente envolvida com coisas que, no fundo, não lhe dizem respeito. Esses livros tratavam de magia, adivinhação, astrologia, mapas astrais, consulta a espíritos, interpretação de sonhos e previsões do futuro. Alguns entendem que a lista possa incluir também peças teatrais, romances, poemas de amor e poesias obscenas.
A consciência deles jamais estivera tão despertada, e agora enxergavam quão perversas eram essas práticas. Por isso, ajuntaram seus livros e os queimaram publicamente. Éfeso era muito conhecida por essas práticas, e as pessoas ali até chamavam feitiços e encantamentos de “letras efésias”. Isso fez com que a rejeição pública dessas artes honrasse ainda mais a Cristo e ao seu evangelho.
Eles não apenas reconheceram que essas artes eram más e prometeram abandoná-las. Sentiram que precisavam também destruir os livros. Assim mostraram santa indignação contra o pecado passado. Como idólatras que, ao se arrependerem, dizem a seus ídolos “Retirai-vos” (Isaías 30:22) e lançam seus ídolos de prata e de ouro para os ratos e para os morcegos (Isaías 2:20), esses convertidos vingaram-se, de maneira santa, das coisas que haviam sido instrumentos para arrastá-los ao pecado. Os mesmos livros que antes lhes davam prazer tornaram-se agora detestáveis.
Mostraram também que estavam plenamente decididos a nunca mais usar aquelas artes. Não guardaram os livros “para o caso” de mudarem de ideia no futuro. Como estavam firmemente determinados a não voltar atrás, queimaram-nos. Isso também afastou uma tentação. Se os livros tivessem permanecido em suas casas, poderiam, mais tarde, folheá-los de novo, alimentar curiosidade e acabar sendo atraídos de volta.
Os que verdadeiramente se arrependem procuram manter-se o mais longe possível das coisas que os conduziram ao pecado. Eles também impediram que esses livros causassem dano a outros. Se Judas estivesse ali, talvez tivesse dito: “Vendei-os e dai o dinheiro aos pobres”, ou: “Comprai Bíblias e bons livros com esse valor.” Mas quem poderia saber em mãos de quem esses livros perigosos iriam parar depois, e que mal poderiam fazer? O mais seguro era lançá-los todos ao fogo. Pessoas que foram arrancadas do pecado farão o que puderem para evitar que outros caiam nele, e serão especialmente cuidadosas em não colocar tentação no caminho de ninguém.
Eles mostraram ainda quão pouco valorizavam as riquezas deste mundo. O valor dos livros foi calculado, provavelmente por pessoas que tentavam impedi-los de queimá-los, e chegou a cinquenta mil peças de prata, que alguns estimam em grande soma. Os livros provavelmente eram raros, talvez até proibidos, e por isso caros. Podiam ter pago tudo isso por eles, mas, como eram “livros do diabo”, não consideraram que o fato de tê-los comprado lhes desse qualquer direito de vendê-los novamente.
Eles também demonstraram publicamente a alegria de terem sido afastados dessas práticas malignas, assim como Mateus, quando Cristo o chamou da coletoria de impostos e ele fez um grande banquete em sinal de mudança. Esses novos crentes se uniram nessa queima pública, e fizeram isso diante de todos. Poderiam ter queimado os livros em secreto, em suas próprias casas, mas preferiram agir juntos e em público, para que Cristo e a sua graça neles fossem mais honrados e para que todos ao redor fossem edificados.
Assim a palavra de Deus crescia poderosamente e se espalhava em Éfeso e em toda a região (Atos 19:20). É algo bem-aventurado ver a palavra de Deus crescer e prevalecer dessa maneira. Ela cresce em extensão quando mais e mais pessoas são trazidas para a igreja, especialmente quando aqueles que pareciam menos dispostos a se render são vencidos pelo evangelho e levados à obediência. E ela prevalece em profundidade quando os que creem crescem em conhecimento e graça, pecados fortes são mortificados, maus hábitos são abandonados, costumes antigos e perversos são quebrados, e até pecados agradáveis, lucrativos e populares são deixados para trás. Então Cristo continua vencendo e para vencer.
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Deste capítulo
Atos 19:1
"E sucedeu que, enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo, tendo passado por todas as regiões superiores, chegou a Éfeso; e achando ali alguns discípulos,"
Atos 19:2
"Disse-lhes: Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes? E eles disseram-lhe: Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo."
Atos 19:3
"Perguntou-lhes, então: Em que sois batizados então? E eles disseram: No batismo de João."
Atos 19:4
"Mas Paulo disse: Certamente João batizou com o batismo de arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, em Jesus Cristo."
Atos 19:5
"E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus."
Atos 19:6
"E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas, e profetizavam."
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