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Atos 17:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" E passando por Anfípolis e Apolônia, chegaram a Tessalônica, onde havia uma sinagoga de judeus. "

Atos 17:1

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1 E passando por Anfípolis e Apolônia, chegaram a Tessalônica, onde havia uma sinagoga de judeus.

2 E Paulo, como tinha por costume, foi ter com eles; e por três sábados disputou com eles sobre as Escrituras,

3 Expondo e demonstrando que convinha que o Cristo padecesse e ressuscitasse dentre os mortos. E este Jesus, que vos anuncio, dizia ele, é o Cristo.

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auto_stories Comentário Bible Guided

As duas cartas de Paulo aos tessalonicenses, as primeiras que ele escreveu por inspiração, nos dão um retrato tão claro daquela igreja, que é motivo de alegria ver aqui como ela começou. Somos informados da visita de Paulo a Tessalônica, a principal cidade daquela região, hoje chamada Salonica sob domínio turco. Ele prosseguiu em sua obra mesmo depois do tratamento cruel que recebera em Filipos. Ele diz isso em sua primeira carta àquela igreja: depois de terem sido ultrajados em Filipos, “tivemos ousada confiança em nosso Deus, para vos anunciar o evangelho de Deus” (1 Tessalonicenses 2:2).

A oposição e a perseguição não enfraqueceram Paulo; ao contrário, tornaram-no ainda mais decidido. Nada poderia tê-lo mantido em constante movimento e serviço, como aconteceu, se ele não tivesse sido fortalecido por um poder vindo do céu. Ele apenas passou por Anfípolis e Apolônia, uma perto de Filipos e a outra próxima de Tessalônica. Sem dúvida Deus o estava guiando, pois o Espírito o dirigia quanto a onde permanecer e de onde seguir adiante, assim como o vento sopra onde quer.

Apolônia ficava na região da Ilíria, e alguns entendem que isso se encaixa na declaração de Paulo de que havia pregado o evangelho “desde Jerusalém e arredores até ao Ilírico” (Romanos 15:19). Isso significaria que ele alcançou a fronteira da Ilíria, nas proximidades de onde agora se encontrava. Ainda que se diga apenas que ele passou por essas cidades, é razoável supor que tenha permanecido o suficiente para pregar ali e preparar o caminho para outros ministros que mais tarde enviaria.

Seu costume era pregar primeiro aos judeus, por isso começou na sinagoga deles em Tessalônica (Atos 17:1). Isso também sugere um motivo para ele não ter ficado muito tempo nas outras cidades: ali não havia sinagogas. Mas, encontrando uma sinagoga em Tessalônica, fez dela o ponto de partida de sua obra.

Era sempre o modo de agir de Paulo começar com os judeus e dar-lhes a primeira oferta do evangelho. Ele só se voltava para os gentios depois que os judeus o rejeitavam. Assim, os judeus não poderiam reclamar que ele se voltou para os gentios de forma precipitada. Se os judeus recebessem o evangelho, acolheriam com alegria os novos convertidos. Se o rejeitassem, não poderiam culpar os apóstolos quando a mensagem fosse anunciada àqueles que estariam dispostos a recebê-la.

Ele se encontrava com eles na sinagoga no dia de sábado, no lugar deles e no horário deles. Com isso mostrava respeito tanto para com eles quanto para com o dia. Sábados e reuniões santas são preciosos para aqueles para quem Cristo é precioso (Salmo 84:10). É algo bom estar na casa do Senhor no dia que lhe é consagrado. Esse era o costume de Cristo, o costume de Paulo e o costume de todos os santos, a boa vereda antiga por onde andavam.

Paulo discutia com eles, partindo das Escrituras. Eles aceitavam as Escrituras do Antigo Testamento e, nesse sentido, havia um terreno comum. Mas eles usavam essas Escrituras para rejeitar Cristo, enquanto Paulo utilizava as mesmas Escrituras para mostrar por que deviam recebê-lo. Assim, para convencê-los, ele precisava raciocinar com eles, tendo a cooperação do Espírito, e mostrar que sua leitura das Escrituras era correta e a deles, equivocada.

A pregação do evangelho deve ser ao mesmo tempo bíblica e racional. A pregação de Paulo era assim, pois ele argumentava a partir das Escrituras. Devemos tomar a Escritura como nosso fundamento, nossa autoridade e nosso critério. Em seguida, raciocinamos a partir dela, sobre ela e contra aqueles que, como esses judeus, afirmam honrar a Escritura, mas a distorcem para sua própria perdição. A razão nunca deve ser colocada contra a Escritura, e sim usada para explicá-la e aplicá-la.

Ele fez isso por três sábados seguidos. Se não conseguia persuadi-los no primeiro sábado, insistia no segundo e no terceiro. A verdade muitas vezes precisa ser repetida, linha sobre linha, mandamento sobre mandamento. Deus espera que os pecadores se arrependam, e seus ministros também devem saber esperar. Nem todos os trabalhadores entram na vinha na primeira hora, ao primeiro chamado, nem são transformados tão de repente como foi o carcereiro.

O principal ponto da pregação e da argumentação de Paulo era provar que Jesus é o Cristo, o que ele “explicava e demonstrava” ali (Atos 17:3). Primeiro ele expunha o assunto com clareza, depois o sustentava com firmeza e o deixava diante deles como a verdade à qual Deus os chamava a dar assentimento. Paulo conhecia bem essa doutrina, a compreendia profundamente e estava plenamente convencido dela; por isso a abria como alguém que realmente crê no que anuncia.

Em primeiro lugar, ele mostrava que era necessário que o Messias sofresse, morresse e ressuscitasse, pois as profecias do Antigo Testamento a respeito do Messias tornavam isso indispensável. A grande objeção dos judeus contra Jesus como o Messias era sua morte vergonhosa e seus sofrimentos. A cruz de Cristo era para eles uma pedra de tropeço, porque não se enquadrava na figura de Messias que tinham criado. Mas Paulo mostrava claramente não apenas que o Messias poderia sofrer, mas que, se Jesus era o Messias, então ele necessariamente tinha de sofrer.

Ele não poderia ser aperfeiçoado senão por meio do sofrimento. Se não tivesse morrido, não poderia ter ressuscitado dentre os mortos. Era isso o que o próprio Cristo ensinara: “Porventura não convinha que o Cristo padecesse estas coisas e entrasse na sua glória?” (Lucas 24:26). E ainda: “Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse e ressuscitasse dentre os mortos” (Lucas 24:46). Era necessário que sofresse por nós, porque de outra forma não poderia comprar nossa redenção. Era necessário que ressuscitasse, porque de outra forma não poderia aplicar essa redenção a nós.

Em segundo lugar, Paulo mostrava que Jesus é o Messias: “Este Jesus que vos anuncio e em quem vos conclamo a crer é o Cristo, o Ungido do Senhor, aquele que havia de vir. Não deveis esperar outro, porque Deus deu testemunho dele por sua palavra e por suas obras, isto é, pela Escritura e pelos milagres, com o dom do Espírito tornando ambos eficazes.” Os ministros do evangelho devem pregar Jesus. Ele deve ser o tema principal, pois sua tarefa é fazer com que as pessoas o conheçam.

O que devemos pregar sobre Jesus é que ele é o Cristo. Portanto, podemos esperar ser salvos por ele e somos obrigados a ser governados por ele.

Alguns dos judeus creram, apesar de seus profundos preconceitos contra Cristo e contra o seu evangelho, e se uniram a Paulo e Silas. Fizeram mais do que simplesmente tornar-se seus amigos; submeteram-se à direção deles como guias espirituais, como se se colocassem sob a posse de seu legítimo dono. Dessa maneira, primeiro se entregaram ao Senhor, e depois aos apóstolos, pela vontade de Deus (2 Coríntios 8:5). Os que crêem em Jesus Cristo entram em comunhão com seus fiéis ministros e se associam a eles.

Uma grande multidão de gregos piedosos, além de muitas mulheres de posição elevada, também aceitou o evangelho. Eram o que os judeus chamavam de “prosélitos da porta”, ou seja, gentios piedosos que não haviam assumido toda a lei de Moisés. Tinham se afastado dos ídolos e da imoralidade, adoravam somente o Deus verdadeiro e procuravam não fazer mal a ninguém. Eram gentios adoradores, autorizados a participar do culto na sinagoga com os judeus. Muitos deles creram, em número maior do que os judeus mais rigorosos, apegados à lei cerimonial. E não poucas mulheres importantes da cidade, mulheres de religião séria, também abraçaram o cristianismo.

Isso é mencionado de forma especial como exemplo para mulheres de posição e influência. Encoraja-as a se entregarem à devoção e a se submeterem à autoridade da santa religião de Cristo em todas as áreas da vida. Isso honra a Cristo, agrada a Deus, frequentemente exerce ampla influência sobre outros e, ao mesmo tempo, traz grande benefício às suas próprias almas. O texto não menciona especificamente a pregação do evangelho aos gentios idólatras de Tessalônica, mas é certo que isso aconteceu. Muitos foram convertidos ali, e aquela igreja parece ter sido composta em grande parte de crentes vindos do paganismo, embora o relato aqui não se detenha neles. Paulo mais tarde diz que eles se converteram “dos ídolos a Deus” na primeira visita dos apóstolos entre eles (1 Tessalonicenses 1:9).

Em seguida vem o relato dos problemas que Paulo e Silas enfrentaram em Tessalônica. Onde quer que pregassem, a perseguição os seguia. Cadeias e sofrimentos os aguardavam em cada cidade. Os que incitaram essa perturbação foram os judeus incrédulos, movidos por inveja (Atos 17:5). Os judeus foram muitas vezes os inimigos mais obstinados dos cristãos, especialmente dos judeus que se tornavam cristãos, a quem tratavam como desertores.

Isso manifesta a divisão que Cristo disse que traria sobre a terra. Alguns judeus creram no evangelho e tiveram compaixão e oração pelos que não creram. Os incrédulos invejavam e odiavam os que criam. Em sua carta a essa igreja, Paulo aponta a fúria e o ódio dos judeus contra os pregadores do evangelho como o enchimento da medida do seu pecado (1 Tessalonicenses 2:15-16).

Eles também recorreram a certos homens perversos da pior ralé, gente que reuniram para voltar a cidade contra os apóstolos. As pessoas honestas e sensatas respeitavam os apóstolos, por isso os judeus tiveram de se apoiar no que havia de pior na cidade, homens conhecidos por todo tipo de maldade. Tertuliano argumentou da mesma forma contra os inimigos do cristianismo, observando que seus perseguidores eram, em geral, homens injustos, ímpios e vergonhosos, o tipo de gente que até o próprio povo deles condenava. É uma marca de honra da verdadeira religião o fato de que, muitas vezes, os que a odeiam são exatamente os dissolutos e sem lei, pessoas sem real senso de justiça ou de virtude.

O método deles também foi claro. Primeiro, lançaram a cidade em confusão, fazendo barulho suficiente para assustar a todos e agitar uma multidão. Assim começa o motim, e, uma vez despertada, a turba se move rapidamente. Aí se vê quem realmente perturba Israel: não são os pregadores fiéis do evangelho, mas seus inimigos. O diabo frequentemente age assim, pondo cidades e almas em agitação e confusão, para depois se aproveitar das águas turvas.

Em seguida, atacaram a casa de Jasom, onde os apóstolos estavam hospedados, esperando arrastá‑los para fora diante da multidão que haviam inflamado. Aquelas ações eram totalmente ilegais. Se a casa de Jasom precisasse ser revistada, isso deveria ser feito por oficiais competentes e com autoridade legal. A casa de um homem deveria ser sua proteção, e o fato de a terem invadido em bando apenas mostrou até onde a perseguição pode levar as pessoas. Se alguém tivesse feito mal, havia magistrados constituídos para investigar e julgar. Transformar a multidão em juiz e executor, ao mesmo tempo, era expulsar a verdade da praça pública e deixar a fúria reinar no lugar da justiça.

Como não conseguiram pôr as mãos nos próprios apóstolos, que queriam castigar como perturbadores errantes, voltaram‑se contra Jasom, um cidadão honesto que os havia recebido em sua casa. Jasom era um judeu convertido, e eles o arrastaram, junto com alguns outros irmãos, à presença dos governantes da cidade. É provável que os apóstolos tivessem sido aconselhados a sair, já que a ira se concentrava principalmente neles. Seus amigos, porém, estavam dispostos a se expor ao risco, porque podiam suportar melhor a tempestade. Por homens de bem, há quem esteja disposto até a morrer.

Acusaram Jasom e os outros diante das autoridades, apresentando‑os como homens perigosos, que não deveriam ser tolerados. O suposto crime de Jasom era ter recebido e hospedado os apóstolos, dando‑lhes apoio e favorecendo sua obra (Atos 17:7). O que os apóstolos tinham feito para merecer uma acusação tão grave, a ponto de lhes dar pouso ser tratado como traição? A acusação tinha duas partes sombrias. Primeiro, diziam que eles eram inimigos da paz pública, perturbando tudo por onde passavam: “Estes que têm alvoroçado o mundo chegaram também aqui.”

Em certo sentido, isso era verdade. Onde o evangelho chega com poder, produz uma mudança tão grande que parece virar o mundo de cabeça para baixo naquele lugar e naquela alma. O amor ao mundo é expulso do coração, e o modo de viver do mundo passa a ser desmentido pela nova vida. Nesse sentido, o mundo é, de fato, virado ao avesso ali.

Mas, no sentido em que os acusadores falavam, a acusação era completamente falsa. Queriam que o povo pensasse que os pregadores do evangelho eram causadores de tumulto por onde iam. Alegavam que eles semeavam brigas entre parentes, colocavam vizinhos uns contra os outros, prejudicavam o comércio e transtornavam toda ordem e decência. No entanto, a verdade é que, conduzindo as pessoas do pecado à virtude, dos ídolos ao Deus vivo e verdadeiro, e do ódio e da inveja ao amor e à paz, eles estavam derrubando apenas o reino do diabo no mundo.

Seus inimigos atiçaram a cidade e depois os culparam pela desordem. Era como Nero, que incendiou Roma e depois acusou os cristãos. Se os ministros fiéis de Cristo, mesmo os mais pacíficos do país, são falsamente acusados e mal falados desse modo, não devem achar estranho nem se irritar com isso. Não somos melhores do que Paulo e Silas, que foram tratados assim. Os acusadores gritavam: “Eles chegaram também aqui. Fizeram todo o mal que puderam em outros lugares e agora trouxeram o mesmo para cá. É hora de agirmos contra eles.”

A outra parte da acusação era que eram inimigos do governo e contrários ao Estado. Alegavam que seus ensinos e ações eram contra a monarquia e contra as leis do país (Atos 17:7). Diziam: “Todos estes procedem contra os decretos de César.” Não queriam dizer que eles tivessem violado alguma lei romana específica, pois ainda não havia lei contra o cristianismo. Afirmavam que se opunham, em geral, ao direito de César de decretar leis, porque pregavam que há outro rei, um tal Jesus. Jesus não era apenas rei dos judeus, como foi acusado diante de Pilatos, mas Senhor de todos, como Pedro declarou em seu primeiro sermão aos gentios (Atos 10:36).

É verdade que o governo romano, tanto na fase republicana quanto depois, sob os Césares, era muito desconfiado de qualquer súdito que se declarasse rei, e havia uma lei específica contra isso. Mas o reino de Cristo não é deste mundo. Seus seguidores diziam, sim, que Jesus é rei, mas não um rei terreno. Ele não era rival de César, e seus mandamentos não entravam em conflito com as leis de César. Ao contrário, Cristo havia tornado lei em seu reino dar a César o que é de César. Nada no ensino de Cristo tinha como alvo derrubar príncipes ou tirar-lhes a devida autoridade.

Os judeus sabiam muito bem disso, e, em consciência, estavam errados ao trazer tal acusação contra os apóstolos. E, de todos os povos, era especialmente vergonhoso que os judeus fizessem isso, pois odiavam César e seu domínio, e desejavam a ruína dele e de seu governo. Esperavam um Messias que fosse príncipe político e derrubasse reinos; por isso se opuseram ao Senhor Jesus, porque ele não apareceu dessa forma. Do mesmo modo, os que com mais amargura têm chamado o povo fiel de Deus de inimigo de César e prejudicial aos reis e províncias, muitas vezes têm sido os mesmos que erguem um reino dentro do reino, um poder que compete com o de César e até pretende estar acima dele, a supremacia papal.

Isso causou grande inquietação na cidade (Atos 17:8). O povo e os governantes ficaram perturbados ao ouvir essas coisas. Eles mesmos não viam mal nos apóstolos nem em sua doutrina, e percebiam que não havia perigo real para o Estado vindo deles. Por isso, teriam preferido deixar o caso de lado. Mas, se os acusadores apresentavam os apóstolos como inimigos de César, os governantes se viam obrigados a examiná-los e reprimi-los por medo de serem considerados negligentes para com o governo, e isso os incomodava. Cláudio, que era o imperador na época, é descrito por Suetônio como muito inseguro e extremamente sensível a rumores e agitações. Isso tornava os governantes locais muito cuidadosos com qualquer coisa que parecesse perigosa ou mesmo um pouco suspeita; por isso, ficaram aflitos com a ideia de terem de perturbar homens de bem.

O caso terminou sem um processo completo. Os magistrados não queriam levar adiante um procedimento formal contra os cristãos. Os apóstolos já haviam se ocultado e escapado de suas mãos, de modo que tudo o que podiam fazer era soltar Jasom e seus amigos mediante fiança (Atos 17:9). Esses magistrados não se deixaram agitar contra os apóstolos com a mesma rapidez que os de Filipos, mas mostraram mais reflexão e melhor temperamento. Por isso tomaram uma garantia de Jasom e dos outros, obrigando‑os a manter a paz. Talvez também tivessem exigido alguma forma de compromisso de que Paulo e Silas se apresentariam, caso fossem depois chamados. Entre os perseguidores do cristianismo sempre houve exemplos de fúria desenfreada, como de feras, mas também exemplos de prudência e autocontrole humanos. A moderação é uma virtude.

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