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Atos 16:35 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" E, sendo já dia, os magistrados mandaram quadrilheiros, dizendo: Soltai aqueles homens. "

Atos 16:35

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33 E, tomando-os ele consigo naquela mesma hora da noite, lavou-lhes os vergões; e logo foi batizado, ele e todos os seus.

34 E, levando-os à sua casa, lhes pôs a mesa; e, na sua crença em Deus, alegrou-se com toda a sua casa.

35 E, sendo já dia, os magistrados mandaram quadrilheiros, dizendo: Soltai aqueles homens.

36 E o carcereiro anunciou a Paulo estas palavras, dizendo: Os magistrados mandaram que vos soltasse; agora, pois, saí e ide em paz.

37 Mas Paulo replicou: Açoitaram-nos publicamente e, sem sermos condenados, sendo homens romanos, nos lançaram na prisão, e agora encobertamente nos lançam fora? Não será assim; mas venham eles mesmos e tirem-nos para fora.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Nesses versículos vemos, em primeiro lugar, que são enviadas ordens para que Paulo e Silas sejam soltos da prisão (Atos 16:35, 36). Os mesmos magistrados que no dia anterior os haviam tratado tão injustamente agora mandam libertá‑los. O fato de agirem bem cedo, ao romper do dia, sugere que o terremoto da meia‑noite os havia atemorizado, ou que a consciência começara a perturbá‑los. Enquanto os prisioneiros cantavam com os pés presos no tronco, os perseguidores passavam a noite inquietos, tomados de medo e culpa, mais aflitos pela consciência do que os presos pelas chibatadas. Assim Deus fez com que aqueles que haviam aprisionado seus servos se movessem de compaixão para com eles (Salmo 106:46).

Os magistrados enviaram os quadrilheiros, os oficiais que tinham usado as varas, para levar a ordem. Foi dito a eles: “Soltai aqueles homens.” Talvez tivessem planejado ainda mais maldades, mas Deus mudou o coração deles. Como já havia feito a ira deles redundar em seu louvor, assim também conteve o restante dessa ira (Salmo 76:10).

O carcereiro levou a Paulo e Silas a notícia em Atos 16:36: “Os magistrados mandaram que vos soltasse. Agora, pois, saí, e ide em paz.” Alguns entendem que o carcereiro já havia relatado aos magistrados o que acontecera em sua casa naquela noite e, assim, contribuído para a decisão da libertação. Ele se alegrou por vê‑los livres do tronco, embora não quisesse perdê‑los como hóspedes. Deus poderia ter inclinado o coração dos magistrados com a mesma facilidade com que inclinara o do carcereiro, mas ele escolheu os pobres deste mundo (Tiago 2:5).

Em segundo lugar, Paulo insiste que os magistrados haviam transgredido a lei ao mandar açoitá‑los sem julgamento (Atos 16:37). Em essência, Paulo disse aos oficiais: “Açoitaram‑nos publicamente, sem processo, sendo nós cidadãos romanos, e nos lançaram na prisão contra toda lei e justiça. E agora querem nos mandar embora às escondidas, como se isso compensasse o que fizeram? Não; que venham eles mesmos e nos tirem daqui.” É provável que os magistrados tivessem então ficado sabendo que eles eram romanos, ou tivessem isso confirmado, e perceberam que haviam ultrapassado os limites da lei. Isso pode explicar por que agora queriam soltá‑los.

Paulo não reivindicou sua cidadania romana antes do açoite, embora isso pudesse tê‑lo evitado. Não queria parecer temer sofrer por causa da verdade que pregava. Mas levantou essa questão depois, para honrar tanto o sofrimento quanto a causa pela qual sofrera. Queria que o mundo visse que os ministros do evangelho não eram pessoas baixas e desprezíveis, como muitos supunham. Também queria favorecer os cristãos de Filipos, conquistando para eles melhor tratamento e melhor conceito na cidade.

Paulo mostrou aos magistrados quão mal haviam agido. Açoitaram cidadãos romanos, coisa proibida pela lei romana. Fizeram isso sem audiência formal, embora ninguém devesse ser condenado sem ser ouvido. Fizeram‑no publicamente, o que aumentava a vergonha e demonstrava desprezo aberto pela justiça. Além disso, haviam lançado aqueles homens na prisão sem apresentar razão adequada e, agora, tentavam mandá‑los embora às escondidas. Faltava‑lhes coragem para defender o que tinham feito, mas não tinham a honestidade de reconhecer claramente o erro.

Paulo também exigiu um reconhecimento público do equívoco deles. Já que os magistrados os haviam desonrado publicamente, deveriam libertá‑los publicamente. Paulo queria que viessem em pessoa e os conduzissem para fora, para que todos soubessem que Paulo e Silas não tinham feito nada que merecesse açoites ou correntes. Ele não estava lutando por vaidade pessoal, mas por justiça e pela honra do evangelho. Desejava que os clamores públicos contra eles cessassem assim que os próprios magistrados admitissem sua injustiça.

Em terceiro lugar, vemos os magistrados se renderem e reverterem sua sentença anterior contra Paulo e Silas (Atos 16:38, 39).

Os magistrados ficaram apavorados quando souberam, ou tiveram confirmado, que Paulo era cidadão romano. Temiam que, se os amigos dele levassem o caso às autoridades superiores, pudessem sofrer punição. Os perseguidores muitas vezes agem ilegalmente, até segundo as leis humanas, e de maneira cruel, contra a própria lei natural; mas, acima de tudo, sempre pecam contra a lei de Deus.

Eles então vieram e suplicaram a Paulo e Silas que não levassem o caso adiante. Queriam que passassem por cima da injustiça cometida e nada mais dissessem a respeito. Tiraram‑nos da prisão, reconhecendo na prática que haviam sido encarcerados injustamente, e pediram que deixassem a cidade em paz. Nisso se pareceram com Faraó e seus servos, que haviam resistido a Deus e a Moisés, e depois vieram, humilhados diante de Moisés, dizendo: “Sai de diante de mim” (Êxodo 11:8). Deus pode envergonhar seus inimigos por causa da inveja e do ódio que nutrem contra o seu povo (Isaías 26:11). Jerusalém pode tornar‑se uma pedra pesada para aqueles que tentam erguê‑la, algo de que logo querem se livrar (Zacarias 12:3).

Ainda assim, se esses magistrados tivessem verdadeiramente se arrependido, não teriam apenas desejado que Paulo e Silas saíssem de sua cidade, como os gadarenos quiseram livrar‑se de Cristo. Teriam querido que ficassem e pedido que continuassem a ensinar o caminho da salvação. Muitos conseguem enxergar que os cristãos não devem ser perseguidos, mas ainda não veem que o cristianismo deve ser recebido. Podem ser obrigados a honrar Cristo e seus servos e até se inclinar aos seus pés, reconhecendo que ele os amou (Apocalipse 3:9), e ainda assim jamais vir a receber a ajuda de Cristo ou a participar de seu amor.

Paulo e Silas então deixaram Filipos, mas só depois de serem legalmente libertos, e não antes, embora sua prisão tivesse sido injusta desde o início. Antes de partir, porém, visitaram seus irmãos na fé. Foram à casa de Lídia, onde provavelmente os crentes se tinham reunido para orar por eles; ali viram os irmãos e irmãs, ou os visitaram em suas casas, o que pôde ser feito rapidamente, pois ainda eram poucos. Eles os confortaram, contando‑lhes, como registra um antigo comentário grego, o que Deus fizera por eles e como havia mostrado seu favor na prisão. Exortaram‑nos a permanecerem firmes em Cristo e a se apegarem à fé, acontecesse o que acontecesse, assegurando‑lhes que, ao final, tudo estaria bem, eternamente bem. Crentes novos precisam de muito consolo, porque a alegria do Senhor será para eles grande fonte de força.

Depois disso, deixaram a cidade. É até surpreendente que o tenham feito, pois, após uma libertação tão honrosa, poderia parecer que poderiam continuar ali trabalhando com segurança por algum tempo. Mas, ao que tudo indica, seguiram o princípio de seu Mestre: “Vamos às aldeias vizinhas, para que eu ali também pregue; porque para isso vim” (Marcos 1:38). Paulo e Silas tinham sido especialmente chamados a Filipos e, no entanto, ao chegarem, viram pouco fruto imediato e logo foram expulsos. Mesmo assim, não trabalharam em vão. Ainda que o começo tenha sido pequeno, a obra depois se tornou grande. Lançaram o fundamento de uma igreja em Filipos que veio a ser muito importante, com seus bispos e diáconos, e com crentes que se mostraram mais generosos com Paulo do que qualquer outra igreja, como a carta aos Filipenses demonstra (Filipenses 1:1; 4:15). Os ministros não devem desanimar se não veem resultados rápidos. A semente que parece perdida debaixo da terra, a seu tempo, brotará em colheita abundante.

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