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Atos 16:25 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" E, perto da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam hinos a Deus, e os outros presos os escutavam. "

Atos 16:25

menu_book Versículo no contexto

23 E, havendo-lhes dado muitos açoites, os lançaram na prisão, mandando ao carcereiro que os guardasse com segurança.

24 O qual, tendo recebido tal ordem, os lançou no cárcere interior, e lhes segurou os pés no tronco.

25 E, perto da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam hinos a Deus, e os outros presos os escutavam.

26 E de repente sobreveio um tão grande terremoto, que os alicerces do cárcere se moveram, e logo se abriram todas as portas, e foram soltas as prisões de todos.

27 E, acordando o carcereiro, e vendo abertas as portas da prisão, tirou a espada, e quis matar-se, cuidando que os presos já tinham fugido.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui vemos que os planos dos perseguidores contra Paulo e Silas falham completamente. Eles queriam assustar os pregadores do evangelho, desanimá-los e fazê-los cansar da obra. Em vez disso, encontramos os dois homens cheios de coragem e ânimo. Estavam extraordinariamente tranquilos. Nunca prisioneiros tão maltratados foram, ao mesmo tempo, tão verdadeiramente alegres, nem tão pouco abalados pelo tratamento duro que tinham recebido.

Considere o que eles tinham suportado. Os pretores romanos, autoridades com poder judicial, mandavam trazer à sua frente varas e machados como símbolos de juízo. Paulo e Silas já tinham sentido as varas em suas costas, e as vergastadas eram muito dolorosas. Qualquer um esperaria ouvi-los reclamar da carne viva e da dor nas costas e ombros. Eles também tinham motivo para temer, em seguida, o machado, pois o seu Mestre primeiro foi açoitado e depois crucificado, e eles podiam esperar o mesmo. Além disso, estavam no cárcere interior, com os pés presos em troncos que alguns entendem que também lhes causavam dor. Contudo, à meia-noite, quando deveriam estar tentando descansar, oravam e cantavam hinos a Deus.

Eles oravam juntos. Suplicavam a Deus que os sustentasse e consolasse em seus sofrimentos, assim como ele havia visitado José na prisão. Pediam que o consolo de Cristo crescesse à medida que aumentasse o sofrimento por causa dele. Oravam também para que até mesmo suas correntes e vergastadas servissem para a expansão do evangelho, e intercediam por seus perseguidores, rogando que Deus os perdoasse e transformasse seus corações. Não era a hora habitual de oração, nem estavam em uma casa de oração, mas em um calabouço. Ainda assim, era um tempo apropriado para orar, e Deus aceitou aquela oração. Na escuridão e das profundezas, podemos clamar a Deus. Não há lugar nem hora errados para a oração, se o coração se eleva até ele. Os que sofrem juntos devem orar juntos. Se alguém está aflito, ore. Nenhuma dificuldade, por maior que seja, deve nos afastar da oração.

Eles também cantavam hinos a Deus. Somos ordenados a dar graças em tudo, e sempre temos motivos para louvar, se não nos falta um coração agradecido. O que poderia tirar um filho de Deus do “tom” desse dever, se nem um cárcere e troncos o fazem? Eles louvavam a Deus por serem considerados dignos de padecer afronta por causa do seu nome. Também o glorificavam porque ele os sustentava de modo tão maravilhoso debaixo daquele sofrimento e lhes dava um consolo tão doce e forte na alma. Não louvavam a Deus apenas no coração, mas cantavam louvores em voz alta, em salmo, hino ou cântico espiritual, fosse tomado de Davi, de outro servo de Deus ou fluindo do próprio coração, à medida que o Espírito lhes dava palavras. Assim como os aflitos devem orar, e foi o que fizeram, os alegres devem cantar salmos (Tiago 5:13), e eles se alegravam de maneira santa, por isso cantavam salmos. Isso mostra que o canto de salmos é uma prática do evangelho e deve ser usado por todos os bons cristãos. Não serve apenas para expressar alegria em tempos de vitória, mas também para aliviar a tristeza em tempos de angústia. Eles cantavam à meia-noite, seguindo o exemplo do suave salmista de Israel, que disse: “À meia-noite me levantarei para te louvar” (Salmo 119:62).

Somos ainda informados de que os outros presos os ouviam. Se não ouviram Paulo e Silas orar, certamente ouviram seus louvores. Isso mostra quão de coração inteiro eles cantavam para Deus. Cantavam tão alto que, embora estivessem no cárcere interior, o som atravessava a prisão e chegava aos demais presos, despertando-os, já que era meia-noite e provavelmente dormiam. Devemos cantar salmos com todo o coração. Os santos são chamados a exultar de alegria sobre as suas camas (Salmo 149:5), e o evangelho nos mostra um exemplo ainda mais forte de pessoas cantando em alta voz na prisão e com os pés no tronco.

Eles sabiam que os outros presos os escutariam, mas não se envergonharam, porque não tinham vergonha de seu Mestre nem do seu serviço. Se alguns dizem ter receio de que os vizinhos os ouçam cantar salmos em casa, que desculpa é essa, quando outros entoam canções pecaminosas em alta voz, sem se importar com quem esteja ouvindo? Os outros presos foram obrigados a ouvir Paulo e Silas, porque estavam prestes a presenciar o auxílio miraculoso que Deus lhes mostraria, quando as portas da prisão fossem abertas. Por meio desse consolo incomum, ficou manifesto que aquele a quem Paulo e Silas anunciavam era o Consolador de Israel. Que os presos que querem se opor a ele ouçam e tremam diante dele. Que os que lhe são fiéis ouçam e se alegrem, e tomem para si o consolo dirigido aos “presos de esperança” (Zacarias 9:12).

Deus também animou Paulo e Silas de maneira extraordinária por sua ação direta em favor deles. De repente houve um grande terremoto, embora não saibamos até onde ele se estendeu. O abalo foi tão forte ali que os alicerces da prisão foram sacudidos. Enquanto os presos ouviam Paulo e Silas orarem e cantarem, e talvez zombassem deles, esse terremoto deve tê-los enchido de temor e lhes mostrado que aqueles homens eram favorecidos do céu e aprovados por Deus. Já tínhamos visto um lugar de oração tremer em resposta à oração, como sinal de que Deus a aceitara (Atos 4:31). Aqui, foi a prisão que tremeu. O Senhor estava nesses terremotos para mostrar seu desagrado contra as injúrias cometidas contra seus servos, para ensinar aos que confiam na terra quão fraca e instável ela é, e para mostrar que, mesmo que a terra se mude, o seu povo não precisa temer.

As portas da prisão se abriram e as correntes de todos os presos se soltaram. Talvez, depois de ouvirem Paulo e Silas orar e cantar, os outros prisioneiros tenham passado a admirá-los e a falar bem deles, dizendo algo semelhante ao que a jovem possessa havia dito, que aqueles homens eram servos do Deus vivo. Para recompensar e confirmar essa boa opinião, eles foram incluídos no milagre e tiveram suas amarras desfeitas. Do mesmo modo que mais tarde Deus deu a Paulo todos os que estavam com ele no navio (Atos 27:24), agora lhe deu todos os que estavam com ele na prisão. Assim, Deus mostrou àqueles prisioneiros, como observa Grotius, que os apóstolos eram uma bênção pública para a humanidade. Pelo evangelho, eles proclamavam liberdade aos cativos e abertura de prisão aos presos (Isaías 61:1). Por meio deles, também as correntes das almas são quebradas.

Os perseguidores tinham a intenção de deter o avanço do evangelho, para que ninguém mais cresse. Esperavam interromper a reunião de oração junto ao rio e impedir que outros corações fossem ali abertos. Porém, Deus fez conversos dentro da própria prisão. A cadeia tornou-se um local de reunião e um sinal da vitória do evangelho, e o carcereiro, o próprio guarda deles, tornou-se servo de Cristo.

É provável que alguns, talvez todos os presos, também tenham sido convertidos. O mesmo poder que soltou as correntes de seus corpos atuava para libertar suas almas (Jó 36:8-10; Salmo 107:14-15). Ainda assim, Lucas registra apenas a conversão do carcereiro. Primeiro, ele temeu por sua própria vida, e Paulo acalmou esse medo em (Atos 16:27-28).

Ele despertou do sono, muito provavelmente porque o terremoto o sacudiu, juntamente com o estrondo das portas abertas e os gritos dos presos, surpresos na escuridão ao perceberem que suas correntes tinham caído. Um carcereiro não deveria ser fácil de acordar, portanto até isso foi adequado. Além disso, esse despertar do sono ilustra o que estava acontecendo em sua consciência, que estava sendo despertada de um sono espiritual. O evangelho chama dessa maneira: “Desperta, tu que dormes” (Efésios 5:14), assim como Jonas foi despertado (Jonas 1:6).

Ele viu as portas da prisão abertas e naturalmente concluiu que os presos tinham fugido. Então, encarou o perigo que mais temia. Conhecia a lei romana para esse caso, e não fazia muito que essa lei fora aplicada aos guardas de quem Pedro escapou (Atos 12:19). A advertência era semelhante às palavras do profeta: “Guarda este homem; se ele de alguma maneira desaparecer, será a tua vida pela vida dele” (1 Reis 20:39, 1 Reis 20:42). Mais tarde, juristas romanos fizeram exceção para fugas causadas por milagre, mas o carcereiro não sabia disso.

Em seu desespero, puxou a espada e estava prestes a tirar a própria vida. Queria evitar a morte mais cruel que esperava das autoridades, uma morte pública e vergonhosa por ter deixado os presos fugirem. Os magistrados tinham sido muito rigorosos com ele por causa de Paulo e Silas, por isso ele supunha que seriam implacáveis se os homens escapassem. Muitos filósofos daquele tempo aprovavam o suicídio. Sêneca o ensinava como último recurso no infortúnio, e tanto estóicos quanto epicuristas o aceitavam. Mas o cristianismo se mostra vindo de Deus justamente por nos conservar no propósito para o qual fomos criados. Ele nos ensina a preservar a própria vida e a entregá-la com alegria quando Deus chama, enquanto resistimos firmemente aos impulsos pecaminosos do nosso coração.

Paulo o impediu de fazer mal a si mesmo em (Atos 16:28). Ele gritou em alta voz, não só para que o carcereiro ouvisse, mas para que prestasse atenção: “Não te faças nenhum mal”. Todos os avisos de Deus contra o pecado, e até contra os primeiros passos em direção ao pecado, têm esse mesmo objetivo: “Não te faças mal”. Não prejudiques a ti mesmo. Não arruines a tua própria vida. Se você não se fizer mal pelo pecado, ninguém mais poderá causar o dano mais profundo à sua alma. Mesmo em assuntos do corpo, somos advertidos contra pecados que destroem a saúde. Somos ensinados a odiar os pecados da nossa própria carne, mas a alimentar e cuidar do corpo de modo adequado.

Paulo também o tranquilizou quanto aos presos. Eles ainda estavam todos ali. É algo estranho que nenhum deles tenha fugido quando as portas se abriram e as cadeias se soltaram. Mas o espanto os manteve no lugar, e eles sabiam que tinham sido libertos por meio das orações de Paulo e Silas. Não se moveriam a menos que Deus os movesse. Assim, Deus mostrou o seu poder, não só soltando-lhes os pés, mas também segurando-lhes o espírito, mantendo-os quietos.

O carcereiro também temia pela sua alma, e Paulo o acalmou também quanto a esse temor. Uma preocupação o levou a outra, e depois a uma ainda maior. Já que fora impedido de se destruir neste mundo, começou a pensar para onde a morte o teria levado e o que lhe aconteceria depois da morte. Esse é um pensamento adequado para quem foi arrancado da beira da destruição, quando só havia um passo entre ele e a morte.

Talvez a gravidade do pecado que estava prestes a cometer também tenha servido para despertá-lo. Seja qual for a causa, ele foi lançado em profunda aflição. O Espírito de Deus, que primeiro convence para depois consolar, o feriu com temor e o abalou. Não é dito se ele antes tornou a fechar as portas da prisão; talvez até as tenha esquecido, como a mulher samaritana esqueceu o seu cântaro depois que Cristo despertou a sua consciência. Ele pediu logo uma luz, correu para dentro do cárcere interior e, trêmulo, apresentou-se diante de Paulo e Silas. Quando uma pessoa vê seus pecados colocados diante de si e enxerga sua própria maldade, não consegue deixar de tremer diante do perigo em que está.

O carcereiro não poderia ter procurado alguém melhor do que Paulo, porque Paulo já estivera no mesmo estado que ele. Tinha sido perseguidor de homens bons, assim como aquele carcereiro, e os lançara na prisão. Quando Deus o fez ver o seu pecado, ele também tremeu e ficou espantado. Por isso podia falar com tanta profundidade e proveito ao carcereiro.

Tomado por esse temor, ele buscou ajuda em Paulo e Silas. Nota-se o respeito com que se aproximou. Mandou acender uma luz porque eles estavam no escuro, e porque queria que eles vissem o quanto ele estava angustiado. Em seguida, prostrou-se diante deles, como um homem esmagado pela própria culpa e quase sufocado pelo terror. Ao mesmo tempo, prostrou-se em reverência, percebendo neles a imagem de Deus e a autoridade que Deus lhes havia confiado. É provável que ele tivesse ouvido a escrava dizer que eles eram servos do Deus vivo, que anunciavam o caminho da salvação, e por isso os tratou dessa forma.

Ele também se lançou aos pés deles para pedir perdão pelos males que lhes havia feito e para perguntar o que devia fazer. Deu-lhes um tratamento respeitoso, chamando-os de “senhores”. Há pouco tempo, eles eram para ele simples “malfeitores”, e ele agia como se fosse senhor deles. Agora as posições se inverteram.

A graça que converte muda a maneira como as pessoas falam dos servos de Deus e dos ministros fiéis. Para quem tem profundo senso de pecado, até os pés dos que trazem as boas‑novas de Cristo são formosos, ainda que esses pés estejam vergonhosamente presos em troncos.

A pergunta do carcereiro é de enorme seriedade: “Que devo fazer para ser salvo?” Em primeiro lugar, a salvação se torna agora sua grande preocupação, aquilo que está mais próximo do seu coração, quando antes estava longe de seus pensamentos. Ele não pergunta como enriquecer, ser honrado ou poderoso neste mundo, mas como ser salvo.

Em segundo lugar, ele não pergunta o que os outros devem fazer. Pergunta por si mesmo: “Que devo eu fazer?” É a sua própria alma que o inquieta. Em outras palavras, ele está dizendo: “Que os outros façam o que quiserem. Dizei-me o que eu devo fazer, qual caminho eu devo trilhar.”

Em terceiro lugar, ele está convencido de que algo precisa ser feito, e feito por ele, em relação à sua salvação. Ele vê que a salvação não é automática, não acontece por si só. É algo que devemos buscar, empenhar-nos, trabalhar com seriedade. Ele não pergunta: “O que pode ser feito por mim?”, mas: “Que farei eu, agora que estou em temor e tremor, para desenvolver a minha salvação?” Paulo fala de forma semelhante em sua carta aos filipenses, que talvez tenha sido escrita justamente para esta cidade do carcereiro, Filipos: “Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor” (Filipenses 2:12).

Em quarto lugar, ele está disposto a fazer qualquer coisa. É como se dissesse: “Dizei-me o que devo fazer, e estou pronto a fazê-lo. Mostrai-me o caminho certo, ainda que seja estreito, difícil e íngreme, e eu o seguirei.” Aqueles que realmente estão convencidos do pecado e verdadeiramente preocupados com a salvação submetem-se inteiramente a Jesus Cristo. Entregam a Ele uma página em branco para que Ele escreva o que quiser. Alegram-se em receber Cristo nos termos dele, e de fato, em quaisquer termos.

Em quinto lugar, ele deseja saber o que deve fazer e pergunta a quem tem mais probabilidade de lhe dar a resposta correta. “Se quereis perguntar, perguntai” (Isaías 21:12). Os que voltam o rosto para Sião, a cidade de Deus, devem perguntar pelo caminho até lá (Jeremias 50:5). Nós não podemos descobrir esse caminho por nós mesmos. Deus o revelou em sua Palavra, constituiu seus ministros para nos ajudarem a examinar as Escrituras e prometeu o seu Espírito Santo àqueles que o pedem, para guiá-los no caminho da salvação.

Em sexto lugar, ele os tira para fora, a fim de poder fazer essa pergunta, querendo que a resposta fosse dada livremente, sem constrangimento. Embora fosse o carcereiro, pergunta a eles com a mesma liberdade com que responderiam a qualquer outra pessoa. Ele os tira do cárcere, na esperança de que eles o tirem de algo muito pior.

Eles logo lhe disseram o que devia fazer (Atos 16:31). Estavam sempre prontos para responder a esse tipo de pergunta. Embora estivessem com frio, doloridos e com sono, não deixaram para um momento mais cômodo. Não disseram para ele voltar no próximo sábado ao lugar de oração junto ao rio, mas agiram imediatamente, enquanto o ferro ainda estava em brasa. Deus havia começado a operar, e agora era hora de eles cooperarem com Deus.

Eles não o repreenderam pelo tratamento rude que lhes dera, nem por ter ido além da sua autoridade. Tudo isso foi perdoado e deixado de lado. Eles estavam tão dispostos a mostrar-lhe o caminho do céu quanto qualquer amigo poderia estar. Não triunfaram sobre ele, embora ele estivesse tremendo. Deram-lhe a mesma orientação que davam a outros: “Crê no Senhor Jesus Cristo”. Alguém poderia esperar que dissessem: “Primeiro arrepende-te de ter-nos maltratado”. Mas eles deixam isso de lado e passam por cima disso, contanto que ele creia em Cristo.

Esse é um bom exemplo para os ministros. Devem animar os que se entristecem pelo pecado e acolher com bondade os que se aproximam de Cristo. Não devem ser duros com aqueles que lhes fizeram mal, mas preocupar-se mais com a honra de Cristo do que com a própria.

Aqui está o coração de todo o evangelho, a aliança da graça resumida em poucas palavras: “Crê no Senhor Jesus Cristo, e serás salvo, tu e a tua casa”. Eis a bênção prometida: “Serás salvo”, não só livrado da ruína eterna, mas introduzido na vida eterna e na verdadeira alegria. Ainda que sejas pobre e sem posição neste mundo, isso não te impedirá de alcançar a salvação. Ainda que sejas grande pecador, até perseguidor, teus graves pecados serão perdoados pelos méritos de Cristo. A graça de Cristo amolecerá teu coração duro e amargo, de modo que não morrerás pelo teu crime, nem perecerás em teus pecados.

Aqui está a condição requerida: crer no Senhor Jesus Cristo. Devemos acolher o testemunho que Deus deu no evangelho a respeito de seu Filho, concordar que é verdadeiro e recebê-lo como inteiramente digno de confiança. Devemos aprovar o caminho que Deus estabeleceu para reconciliar consigo o mundo por meio de um Mediador, isto é, alguém que se coloca entre Deus e o homem. Devemos receber Cristo tal como Ele nos é oferecido e entregar-nos para ser governados, ensinados e salvos por Ele.

Este é o único caminho de salvação, e é caminho seguro. Não há outra forma de ser salvo senão por Cristo, e não há outra forma de ser salvo por Cristo senão crendo nele. Não precisamos temer ficar aquém se seguirmos esse caminho, pois é o caminho que Deus escolheu, e Ele é fiel para cumprir a sua promessa. Este é o evangelho que deve ser anunciado a toda criatura: “Quem crer será salvo”.

Aqui está a promessa estendida à sua família: “Serás salvo, tu e a tua casa”. Isso significa que Deus será, em Cristo, Deus para ele e para seus filhos, como foi para Abraão. Creia, e a salvação entrará em sua casa, como aconteceu em (Lucas 19:9). As crianças de seu lar serão recebidas na igreja visível com ele, sendo assim colocadas em um bom caminho rumo à salvação. Os que já são adultos terão colocados diante de si os meios da salvação. Não importa quantos sejam: se crerem em Jesus Cristo, serão salvos. Todos são bem-vindos a Cristo nos mesmos termos.

Depois disso, eles prosseguiram ensinando a ele e à sua família a doutrina de Cristo (Atos 16:32). Falaram-lhe a palavra do Senhor. Pelo que se pode entender, ele era completamente estranho a Cristo, por isso precisava que lhe dissessem quem Jesus é, para que pudesse crer nele (João 9:36). Como o ponto principal pode ser exposto de forma breve, logo lhe disseram o suficiente para que o seu batismo fosse algo razoável e apropriado.

Os ministros de Cristo devem conhecer tão bem a palavra do Senhor, e tê-la tão plenamente em si, que possam instruir de imediato qualquer pessoa disposta a ouvir e receber, guiando-a no caminho da salvação. Eles falaram a palavra não somente a ele, mas a todos os de sua casa. Os chefes de família devem zelar para que todos os que estão sob seus cuidados recebam os meios de conhecimento e de graça, e para que a palavra do Senhor seja falada a eles. As almas dos servos mais pobres são tão preciosas quanto as almas de seus senhores, e foram compradas pelo mesmo preço.

O carcereiro e sua família foram batizados imediatamente. Ao fazer isso, tomaram publicamente o nome de cristãos, aceitaram o governo de Cristo e entraram nos privilégios do seu povo, depois de declararem solenemente, como fez o eunuco etíope, que criam que Jesus Cristo é o Filho de Deus. Ele foi batizado, ele e todos os seus, sem demora. Nem ele nem os seus pediram mais tempo para decidir se queriam assumir o compromisso do batismo, e Paulo e Silas também não pediram mais tempo para testar a sinceridade deles antes de batizá-los. O Espírito de graça já havia operado neles, tão de repente, uma fé tão firme, que não era necessária demora maior, e Paulo e Silas sabiam pelo Espírito que aquilo era, de fato, obra de Deus. Contudo, isso não serve de apoio para apressar o batismo nos casos comuns.

Depois disso, o carcereiro demonstrou grande respeito a Paulo e Silas, como alguém que não pode compensar o mal que lhes havia feito, muito menos a bondade que recebera deles. Naquela mesma hora da noite, ele os tirou do cárcere interior e não consentiu que ficassem ali nem mais um minuto. Primeiro, lavou-lhes as feridas, para refrescá-las e aliviar a dor, e para limpar o sangue causado pelos açoites. É provável que tenha usado algum óleo ou remédio curativo, como o bom samaritano, que tratou do homem ferido derramando óleo e vinho. Depois, levou-os para sua casa, recebeu-os no melhor cômodo que tinha e preparou a melhor cama que podia oferecer. O que antes parecia bom demais para eles agora já não lhe parecia bom o bastante. Em seguida, pôs comida diante deles, tudo o que sua casa podia prover, e eles eram bem-vindos à sua mesa, pois o coração dele já havia acolhido o evangelho. Eles lhe haviam falado a palavra do Senhor e lhe dado o pão da vida para a sua alma e para a de sua família; agora, ele sentia que era justo que compartilhassem também de seus bens terrenos (1 Coríntios 9:11). Para que servem casas e mesas, senão para servir a Deus e ao seu povo quando temos oportunidade?

Então, na casa do carcereiro, ouviu-se o som da alegria unido à salvação. Nunca antes houvera ali uma noite tão verdadeiramente feliz. Ele alegrou-se, crendo em Deus, com toda a sua casa. Ninguém em sua casa recusou o batismo, quebrando a harmonia; ao contrário, todos concordaram em abraçar o evangelho, o que aumentou grandemente a alegria. As palavras também podem significar que ele, tendo crido em Deus, encheu toda a casa de alegria, indo de quarto em quarto em grande contentamento. Observe, primeiro, que sua fé em Cristo é chamada de crer em Deus, o que mostra que Cristo é Deus, e que o evangelho tem por objetivo levar-nos a Deus, e não afastar-nos dele, como quando homens são incitados a servir outros deuses (Deuteronômio 13:2). Em segundo lugar, sua fé produziu alegria. Aqueles que se entregaram a Deus em Cristo têm todo motivo para se alegrar. O eunuco etíope, quando se converteu, seguiu o seu caminho alegre, e aqui o carcereiro também se alegrou. No Antigo Testamento, a conversão das nações também é descrita como o seu regozijo (Salmo 67:4; Salmo 96:11). Crer traz “alegria inexplicável e cheia de glória”. Crer em Cristo é alegrar-se em Cristo.

Em terceiro lugar, ele compartilhou essa alegria com todos ao seu redor. Como seu coração transbordava de júbilo, sua boca falava para a glória de Deus e para encorajar outros que criam em Deus. Quem já provou o consolo da verdadeira religião deve fazer o possível para ajudar outros a prová-lo também. Um cristão alegre pode influenciar muitos.

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