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Atos 11:27 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" E naqueles dias desceram profetas de Jerusalém para Antioquia. "

Atos 11:27

menu_book Versículo no contexto

25 E partiu Barnabé para Tarso, a buscar Saulo; e, achando-o, o conduziu para Antioquia.

26 E sucedeu que todo um ano se reuniram naquela igreja, e ensinaram muita gente; e em Antioquia foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos.

27 E naqueles dias desceram profetas de Jerusalém para Antioquia.

28 E, levantando-se um deles, por nome Ágabo, dava a entender pelo Espírito, que haveria uma grande fome em todo o mundo, e isso aconteceu no tempo de Cláudio César.

29 E os discípulos determinaram mandar, cada um conforme o que pudesse, socorro aos irmãos que habitavam na Judéia.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Quando o Senhor Jesus subiu ao céu, concedeu dons às pessoas. Esses dons incluíam não apenas apóstolos e evangelistas, mas também profetas. O Espírito capacitava os profetas a prever e anunciar acontecimentos futuros. Isso ajudava a confirmar a verdade do cristianismo, porque tudo o que anunciavam se cumpria, mostrando que eram enviados de Deus (Deuteronômio 18:22; Jeremias 28:9). Seus dons também edificavam muito a igreja e a orientavam de maneira firme.

Aqui temos uma visita de alguns desses profetas a Antioquia, a igreja em crescimento na Síria (Atos 11:27). Durante o ano em que Barnabé e Saulo moraram ali, profetas desceram de Jerusalém para Antioquia. Não nos é dito quantos foram, nem se é certo que fossem os mesmos profetas mencionados depois na igreja de Antioquia (Atos 13:1). Eles vieram de Jerusalém, provavelmente porque já não eram ali tão respeitados como antes. Em certo sentido, haviam cumprido seu serviço naquele lugar, e era tempo de seguir adiante. Jerusalém tinha um triste histórico de matar e maltratar profetas, por isso era justo que agora fosse privada deles.

Eles foram a Antioquia porque ouviram que aquela igreja estava florescendo e esperavam ser úteis ali. Assim, cada um deve usar o dom que recebeu para servir aos outros. Barnabé havia ido para os animar, e agora, como tinham recebido bem essa exortação, foram enviados profetas para lhes anunciar coisas futuras, conforme Cristo prometera (João 16:13). Os que são fiéis no pouco recebem mais responsabilidade. O melhor caminho para entender as profecias da Escritura é obedecer aos mandamentos da própria Escritura.

Em seguida vem uma predição específica de fome futura, anunciada por um desses profetas, Ágabo. Voltamos a encontrá‑lo quando prediz o aprisionamento de Paulo (Atos 21:10, 11). Ele se levantou, provavelmente em uma de suas reuniões públicas, e profetizou (Atos 11:28). Observe de onde vinha sua mensagem: não era ideia própria, nem imaginação, nem palpite baseado no clima, nem previsão astrológica. Ele falou conforme o Espírito Santo lhe revelou que haveria uma grande fome. Do mesmo modo, José, pelo Espírito, entendeu os sonhos de Faraó e predisse a fome no Egito, e Elias anunciou a fome em Israel no tempo de Acabe. Deus revela seus segredos aos seus servos, os profetas.

A profecia em si era de que haveria grande escassez de mantimento em todo o mundo. Isso viria por causa de tempos ruins, de modo que o cereal se tornaria escasso e caro, e muitos pobres morreriam por falta de pão. Não ficaria restrito a um só país, mas se estenderia por todo o mundo, isto é, por todo o Império Romano, que os homens, com orgulho, chamavam de “o mundo”. Cristo já havia anunciado que haveria fomes em geral (Mateus 24:7; Marcos 13:8; Lucas 21:11), mas agora Ágabo prediz uma fome especialmente grave que estava prestes a começar.

Essa predição se cumpriu nos dias de Cláudio César. Ela começou no segundo ano de seu reinado e durou até o quarto, e talvez ainda mais. Vários historiadores romanos a mencionam, e Josefo também. Deus lhes havia dado o pão da vida, mas eles o rejeitaram e desprezaram o verdadeiro pão do céu. Por isso, Deus quebrou, com justiça, o bordão do pão e os castigou com fome. Ele foi justo em fazê‑lo. Eles eram estéreis e não produziam fruto para Deus, e Deus tornou estéril a terra para eles.

Os crentes fizeram bom uso desse aviso. Ao ouvirem que se aproximava uma fome, não fizeram como os egípcios, ajuntando grãos apenas para si. Em vez disso, como convém aos cristãos, separaram ajuda para outros. Essa é a melhor preparação para o nosso próprio sofrimento e necessidade. A Escritura promete que aquele que considera o pobre será livrado no dia do mal, será preservado em vida e será bem‑aventurado na terra (Salmo 41:1, 2). Diz também que os que têm misericórdia e dão aos pobres não serão envergonhados nos dias maus, mas serão fartos nos dias de fome (Salmo 37:19, 21). O melhor tesouro que podemos ajuntar para tempos difíceis é ter parte nessas promessas, o que se alcança fazendo o bem e repartindo com os outros (Lucas 12:33). Muitos usam tempos incertos como desculpa para reter. A Escritura usa esses tempos como motivo para ser generoso, lançando semente sobre todas as águas, porque não sabemos que mal sobrevirá à terra (Eclesiastes 11:2).

Eles resolveram que cada um, conforme suas posses, enviasse socorro aos irmãos que moravam na Judeia (Atos 11:29). As pessoas destacadas para receber ajuda eram os irmãos na Judeia. Devemos fazer o bem a todos, sempre que tivermos oportunidade, mas com especial cuidado para com a família da fé (Gálatas 6:10). Nenhum pobre deve ser desprezado, mas os pobres de Deus devem receber cuidado especial. A igreja primitiva em Jerusalém já havia dado esse exemplo, pois ali o socorro era tão constante que não havia necessitado algum entre eles (Atos 4:34).

Aqui a comunhão entre os crentes se amplia ainda mais. A igreja em Antioquia planeja socorrer os pobres da Judeia, a quem chama de irmãos. Parece que era costume judeus que viviam fora da Judeia enviarem dinheiro para os judeus da Judeia, para alívio dos pobres, e fazerem coletas com essa finalidade. Isso indica que a pobreza era muito difundida na Judeia, mais do que em outros lugares, de modo que nem mesmo os ricos conseguiam facilmente impedir que muitos passassem fome. Isso talvez tenha acontecido porque a terra se tornara infrutífera por causa dos pecados dos habitantes, ou porque havia pouco comércio com outras nações.

Podemos supor que a maioria dos que se tornaram cristãos ali era de gente pobre, pois os pobres ouviam o evangelho de bom grado (Mateus 11:5). Podemos também supor que, quando pobres se tornavam cristãos, eram excluídos das ajudas públicas e perdiam o direito às listas oficiais de assistência. Assim, era fácil prever que uma fome os atingiria com especial dureza. Se alguns morressem de fome, isso traria grande desonra ao nome cristão. Por essa razão, com sabedoria, começaram a levantar recursos antes que a fome chegasse, para que não fosse tarde demais.

Eles também estavam unidos nesse propósito. Cada crente devia contribuir, segundo sua capacidade, para essa boa obra. Muitos judeus que viviam em outros países haviam enriquecido com o comércio, e muitos desses judeus ricos haviam se tornado cristãos. A abundância deles devia suprir as necessidades de seus irmãos pobres que viviam longe. É preciso considerar as necessidades de pessoas assim, não apenas as dos que moram perto de nós.

Os generosos se parecem com comerciantes, no modo como usam o que Deus lhes deu. Os mercadores lucram enviando bens a terras distantes; da mesma forma, fazemos o bem quando enviamos ajuda a necessitados que estão longe. Por isso, quando somos chamados a isso, devemos estar prontos a dar. Cada um resolveu enviar alguma coisa, mais ou menos, conforme aquilo que podia, o que podia poupar depois de prover a si mesmo e sua família, e conforme Deus o havia prosperado. Cabe a nós julgar o que está dentro de nossa capacidade, mas devemos ter cuidado para julgar bem.

O que fizeram correspondeu ao que haviam decidido, como diz Atos 11:30. Eles o fizeram. Não ficaram apenas no propósito. Muitos bons planos desse tipo são formados e elogiados, mas nunca são executados e acabam em nada. Este, porém, foi levado adiante. A coleta foi feita e foi grande o suficiente para que julgassem conveniente enviar Barnabé e Saulo a Jerusalém para levá‑la aos presbíteros, mesmo que, por um tempo, o trabalho deles fizesse falta em Antioquia.

Eles enviaram a oferta aos presbíteros, isto é, aos anciãos, ministros ou pastores das igrejas na Judeia, para que eles a distribuíssem conforme a necessidade dos que recebessem, assim como havia sido dada conforme a possibilidade dos que contribuíram. Foi enviada por Barnabé e Saulo, que talvez aproveitassem a oportunidade de ir a Jerusalém e por isso se dispuseram com alegria a essa tarefa. Josefo relata que, nessa época, o rei Herodes enviou auxílio aos principais de Jerusalém para os pobres que ali havia. Ele também diz que Helena, rainha de Adiabene, estava então em Jerusalém e, sabendo que muitos estavam morrendo de fome ali e no país ao redor, mandou buscar provisões em Chipre e Alexandria e as distribuiu ao povo.

O Dr. Lightfoot observa ainda, com base na data que Paulo dá de seu arrebatamento, que esta viagem a Jerusalém, levando esmolas e ofertas, provavelmente foi a ocasião em que Paulo teve o arrebatamento no templo, mencionado em (Atos 22:17). Nessa visão ele foi arrebatado até o terceiro céu. Então Cristo lhe disse que dali o enviaria aos gentios, e Paulo cumpriu isso assim que voltou a Antioquia.

Não há desonra alguma, em um caso especial, que ministros do evangelho sejam os portadores das ofertas de caridade da igreja. Porém, se eles assumissem o cuidado regular e permanente desse tipo de assunto, isso normalmente os desviaria demais da obra mais importante à qual se consagraram: a oração e o ministério da Palavra.

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