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2 Tessalonicenses 2:3 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição, "

2 Tessalonicenses 2:3

menu_book Versículo no contexto

1 Ora, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, e pela nossa reunião com ele,

2 Que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como de nós, como se o dia de Cristo estivesse já perto.

3 Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição,

4 O qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus.

5 Não vos lembrais de que estas coisas vos dizia quando ainda estava convosco?

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auto_stories Comentário Bible Guided

Nestas palavras, o apóstolo corrige o erro sobre o qual já os havia advertido e explica por que não deveriam esperar que o retorno de Cristo fosse imediato. Vários acontecimentos precisariam ocorrer antes da segunda vinda de Cristo. Ele diz, em primeiro lugar, que haveria uma apostasia geral, uma grande queda da fé (2 Tessalonicenses 2:3). Com isso, não se refere a uma revolta política ou à quebra da sujeição ao governo civil, mas a um desvio nas coisas espirituais e religiosas: afastamento da sã doutrina, do culto estabelecido por Deus, da ordem na igreja e da vida santa.

Paulo fala de uma apostasia muito grande, não apenas entre alguns judeus ou gentios convertidos, mas de algo que se espalharia amplamente, ainda que de forma gradual. Essa apostasia abriria espaço para a manifestação do anticristo, o homem do pecado. Ele diz em (2 Tessalonicenses 2:5) que já tinha falado sobre isso quando ainda estava com eles, certamente para que não se escandalizassem nem tropeçassem quando isso acontecesse. Logo que o cristianismo foi plantado e criou raízes no mundo, começou também um declínio na igreja cristã.

Esse mesmo padrão já aparecia na igreja do Antigo Testamento. Logo após qualquer grande avanço na religião, o povo tendia a cair. Depois da promessa, veio a rebeldia. Logo depois que os homens começaram a invocar o nome do Senhor, toda carne corrompeu o seu caminho. Logo após a aliança com Noé, os construtores de Babel se levantaram contra o céu. Logo depois da aliança com Abraão, seus descendentes se corromperam no Egito. Logo depois que Israel foi estabelecido em Canaã, quando morreu a primeira geração, abandonaram a Deus e serviram a Baal. Logo depois da aliança com Davi, sua descendência se rebelou e serviu a outros deuses. Depois do retorno do cativeiro, houve novamente um grande declínio na piedade, como mostram Esdras e Neemias. Assim, não é de admirar que, depois que o cristianismo foi plantado, viesse também uma grande apostasia.

Em segundo lugar, Paulo fala da revelação desse homem do pecado, isto é, que o anticristo surgiria a partir dessa apostasia geral (2 Tessalonicenses 2:3). Mais adiante ele fala da manifestação daquele iníquo (2 Tessalonicenses 2:8), o que aponta para o desmascaramento de sua maldade, para que seja abatido. Aqui, porém, parece falar de sua ascensão, que viria justamente por meio da apostasia já mencionada. A ideia é que toda sorte de falsos ensinos e corrupções se reuniriam nele.

Tem havido muito debate sobre quem ou o que é esse homem do pecado e filho da perdição. Ainda que não se possa provar com absoluta certeza que o único sentido seja o poder e a tirania papal, o que é dito aqui se ajusta a isso de modo muito próximo. Ele é chamado homem do pecado por causa de sua extrema perversidade. Não apenas se entrega ao pecado, mas também incentiva, aprova e ordena o pecado nos outros. É chamado filho da perdição porque está destinado à destruição e também porque é instrumento para levar muitos outros à destruição, tanto da alma quanto do corpo.

Esses nomes correspondem bem ao estado papal por essas razões, e também pelas demais marcas que Paulo apresenta em (2 Tessalonicenses 2:4). Ele se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus ou é objeto de culto. Os bispos de Roma não somente têm se oposto à autoridade de Deus e à de governantes civis, que às vezes são chamados de deuses, mas também se exalçaram acima de ambos, exigindo maior obediência a seus decretos do que aos mandamentos de Deus ou às ordens das autoridades civis. Ele também se assenta no templo de Deus, querendo parecer Deus. Assim como Deus esteve no templo e agora está presente em sua igreja, esse anticristo é um usurpador da autoridade de Deus na igreja cristã, reivindicando para si honras divinas. Isso se aplica especialmente aos bispos de Roma, a quem foram atribuídos títulos blasfemos como “Nosso Senhor Deus o papa” e “Outro Deus na terra”.

Paulo então fala da ascensão desse poder em (2 Tessalonicenses 2:6-7). Duas coisas devem ser notadas. Primeiro, algo o detinha até que fosse tirado do caminho. Comumente se entende isso como o poder do Império Romano, que Paulo não julgou prudente nomear abertamente naquela época. Enquanto esse poder permanecia, impedia que os bispos de Roma alcançassem a tirania que mais tarde exerceram. Segundo, esse mistério da injustiça iria crescer aos poucos até atingir sua força plena. E foi assim que aconteceu. A corrupção da doutrina e do culto na igreja de Roma se espalhou pouco a pouco, e os bispos de Roma foram acumulando poder gradualmente, não de uma vez. Isso fez com que o mistério da injustiça se difundisse mais facilmente e quase sem ser notado.

Paulo com razão o chama de mistério da injustiça, porque planos e ações malignas eram encobertos por aparências e justificativas enganadoras. Pelo menos, eram ocultos aos olhos do povo comum. Sob o pretexto de devoção, promoviam-se superstição e idolatria. Sob o pretexto de zelo pela glória de Deus, fomentavam-se teimosia e perseguição. Paulo também diz que esse mistério da injustiça já operava naquele tempo. Enquanto os apóstolos ainda viviam, o inimigo já havia vindo e semeado joio. Já existiam então as obras dos nicolaítas, pessoas que fingiam zelo por Cristo, mas eram, na verdade, contrárias a ele. O orgulho, a ambição e os interesses mundanos entre líderes da igreja, como em Diótrefes e outros, eram sinais iniciais desse mistério em ação. Com o tempo, isso cresceu até a grande corrupção vista na igreja de Roma.

Por fim, Paulo descreve a queda e ruína do estado anticristão em (2 Tessalonicenses 2:8). O chefe desse reino é chamado aquele iníquo, ou aquele sem lei, porque opõe um poder humano ao governo e ao poder divinos do Senhor Jesus Cristo. Contudo, o mesmo fato que o mostra como homem do pecado também aponta para sua ruína, pois sua maldade será exposta ao mundo. Paulo assegura aos tessalonicenses que o Senhor o consumirá e o destruirá. O consumo vem antes da destruição final. Isso acontecerá pelo espírito da sua boca, isto é, pela palavra de ordem de Cristo. A pura Palavra de Deus, unida ao Espírito de Deus, desmascarará esse mistério da injustiça e fará o poder do anticristo minguar. Com o tempo, ele será totalmente destruído pelo esplendor da vinda de Cristo.

Observe-se isto: quando Cristo vier para destruir os ímpios, sua vinda será marcada por glória especial e grande esplendor.

Paulo prossegue então a descrever o governo e a atuação desse homem do pecado. Em termos gerais, diz que é segundo a eficácia de Satanás, o grande inimigo das almas, o principal adversário de Deus e dos homens.

Satanás é o grande sustentador do erro e da mentira, o inimigo declarado da verdade que está em Jesus e de todos os que seguem Jesus fielmente. Em sentido mais específico, esse poder atua por influência e engano de Satanás. Reivindica-se um poder divino para esse reino, mas, na realidade, sua força vem da operação de Satanás. Sinais e prodígios, visões e milagres também são alegados, e por tais coisas o reino papal foi primeiramente estabelecido e tem sido mantido. Mas são sinais falsos usados para sustentar falsos ensinos, ou supostos milagres, falsos de fato ou manipulados fraudulentamente, com o objetivo de enganar as pessoas. Os artifícios diabólicos usados para apoiar o estado anticristão são amplamente conhecidos. O apóstolo chama tudo isso de “engano da injustiça” (2 Tessalonicenses 2:10). Alguns podem chamar tais coisas de fraudes piedosas, mas o apóstolo as chama de fraudes ímpias e injustas. Na verdade, toda fraude, por se opor à verdade, é irreligiosa.

Muitos artifícios sutis têm sido usados pelo homem do pecado, e muitas desculpas atraentes têm levado almas descuidadas e inconstantes a aceitarem falsos ensinos e a se submeterem ao seu governo usurpador. As pessoas descritas como seus súditos voluntários, ou as mais propensas a se tornarem tais, são aquelas que não amam a verdade para serem salvas (2 Tessalonicenses 2:10). Elas até podem ter ouvido a verdade, mas não a amaram. Não suportavam a sã doutrina, e assim acolheram facilmente o falso ensino. Tinham algum entendimento intelectual do que era verdadeiro, mas mantiveram fortes preconceitos e, por isso, caíram nas mãos de enganadores. Se tivessem amado a verdade, teriam permanecido firmes nela e teriam sido guardadas por ela. Não causa espanto que tenham abandonado depressa aquilo que nunca amaram de fato. A respeito de tais pessoas se diz que perecem, ou estão perdidas. Já se encontram em condição de perdição e correm perigo de se perderem para sempre.

Isso conduz ao pecado e à ruína dos seguidores do reino do anticristo, como descrito em (2 Tessalonicenses 2:11-12). O pecado deles é este: não creram na verdade, antes tiveram prazer na injustiça. Como não amaram a verdade, não creram nela. E porque não creram na verdade, acharam prazer em obras ímpias e se deleitaram em ideias falsas. Uma mente errada e uma vida pecaminosa frequentemente andam juntas, e cada uma fortalece a outra.

A ruína deles é descrita assim: Deus lhes envia forte ilusão para que creiam na mentira. Desse modo, ele castiga as pessoas por sua incredulidade, por não amarem a verdade e por amarem o pecado e o mal. Isso não significa que Deus seja o autor do pecado. Significa que, em juízo justo, ele às vezes retira sua graça desses pecadores. Ele os entrega a Satanás ou os deixa ser enganados por seus agentes.

Ele os entrega aos próprios desejos e os deixa entregues a si mesmos, e então o pecado segue naturalmente, até mesmo nas formas mais graves, terminando por fim em condenação eterna. Deus é justo quando traz juízos espirituais nesta vida e castigo eterno depois sobre aqueles que não têm amor pela verdade do evangelho, que não querem crer nela nem viver de acordo com ela, mas enchem a mente com falsos ensinamentos e a vida com conduta ímpia.

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