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2 Samuel 21:10 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Então Rispa, filha de Aiá, tomou um pano de cilício, e estendeu-lho sobre uma penha, desde o princípio da sega até que a água do céu caiu sobre eles; e não deixou as aves do céu pousar sobre eles de dia, nem os animais do campo de noite. "

2 Samuel 21:10

menu_book Versículo no contexto

8 Mas tomou o rei os dois filhos de Rispa, filha da Aiá, que tinha tido de Saul, a Armoni e a Mefibosete; como também os cinco filhos da irmã de Mical, filha de Saul, que tivera de Adriel, filho de Barzilai, meolatita,

9 E os entregou na mão dos gibeonitas, os quais os enforcaram no monte, perante o Senhor; e caíram estes sete juntamente; e foram mortos nos dias da sega, nos dias primeiros, no princípio da sega das cevadas.

10 Então Rispa, filha de Aiá, tomou um pano de cilício, e estendeu-lho sobre uma penha, desde o princípio da sega até que a água do céu caiu sobre eles; e não deixou as aves do céu pousar sobre eles de dia, nem os animais do campo de noite.

11 E foi contado a Davi o que fizera Rispa, filha de Aiá, concubina de Saul.

12 Então foi Davi, e tomou os ossos de Saul, e os ossos de Jônatas seu filho, dos moradores de Jabes-Gileade, os quais os furtaram da rua de Bete-Sã, onde os filisteus os tinham pendurado, quando feriram a Saul em Gilboa.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui vemos os filhos de Saul não apenas enforcados, mas deixados pendurados, acorrentados, com os corpos expostos até que a seca acabasse e a chuva caísse sobre a terra. De certo modo, morreram como sacrifícios, oferecidos não de uma vez pelo fogo, mas lentamente, ao ar livre. Morreram como homens debaixo de maldição; e esse tratamento vergonhoso os marcava como amaldiçoados, porque a culpa fora lançada sobre eles. Quando o nosso bendito Salvador foi feito pecado por nós, também foi feito maldição em nosso lugar.

Surge então a questão de como conciliar isso com a lei que determinava que todo aquele pendurado num madeiro deveria ser sepultado no mesmo dia (Deuteronômio 21:23). Um rabino judeu chegou a desejar que este relato fosse retirado, para que o nome de Deus não parecesse desonrado por algo que soasse como violação de sua lei. Porém, este era um caso extraordinário e não se enquadrava diretamente naquele mandamento. Na verdade, a própria razão daquela lei sustenta a exceção aqui. Um homem deixado pendurado está sob maldição; logo, criminosos comuns não deviam ser tratados assim. Mas esses homens foram tratados como um sacrifício, não em favor da justiça comum da nação, e sim por causa do pecado da nação, que não era pequeno, pois envolvia a quebra de fé pública e trouxera uma grande fome sobre a terra. Eles foram feitos como lixo do mundo, um espetáculo público (1 Coríntios 4:9, 1 Coríntios 4:13), por determinação de Deus, ou pelo menos com sua permissão.

Seus corpos foram vigiados por Rispa, mãe de dois deles. Foi uma dor profunda para ela, já em idade avançada, ver seus dois filhos, que provavelmente já tinham sido seu amparo e consolo, serem cortados de forma tão terrível. Nunca sabemos que tristezas ainda poderemos enfrentar. Ela não podia vê-los honrosamente sepultados, mas fez o que pôde para cuidar deles. Não tentou desfazer a sentença de que ficassem ali pendurados até que Deus mandasse chuva. Não roubou os corpos, nem os tirou à força, embora pudesse até ter apelado à lei de Deus em sua defesa. Em vez disso, suportou pacientemente, armando um abrigo de pano de saco sobre uma rocha, perto deles; ali, com servos e amigos, impedia que aves e animais selvagens os devorassem.

Agindo assim, deu livre curso à sua dor, como os que pranteiam costumam fazer, ainda que isso não traga ajuda real. Quando a tristeza ameaça ser grande demais, é melhor acalmá-la e desviá-la do que alimentá-la. Por que apegar-se tanto à aflição? Ao mesmo tempo, ela manifestou seu amor. Tornou claro para todos que seus filhos não morreram por culpa própria, como filhos teimosos que desobedeceram à mãe. Se fosse esse o caso, talvez os deixasse para que corvos e águias cuidassem deles (Provérbios 30:17). Mas eles morreram por causa do pecado do pai; por isso, seu coração não podia afastar-se deles, apesar de seu triste fim. Não havia como salvá-los, mas, ao menos, morreriam compadecidos e chorados.

Por fim, seus corpos receberam um sepultamento honroso, junto com os ossos de Saul e Jônatas, no túmulo da família. Davi não se ofendeu com o que Rispa fizera; pelo contrário, sua atitude o moveu a honrar a casa de Saul, incluindo esses filhos. Isso mostrou que ele não havia agido por antipatia pessoal contra aquela família, nem desejara aquele dia de tristeza, mas fora compelido a agir em favor do bem público. Ele então se lembrou de trasladar os ossos de Saul e de Jônatas do lugar em que os homens de Jabes-Gileade os tinham sepultado, de modo discreto e sem honra, debaixo de uma árvore (1 Samuel 31:12, 1 Samuel 31:13). Ainda que o escudo de Saul tivesse sido lançado fora em desonra, como se ele nunca tivesse sido ungido com óleo, os ossos de um rei não deviam ficar misturados a sepulturas comuns. A própria sensibilidade humana nos ensina a respeitar os corpos, especialmente os dos grandes e bons, por aquilo que foram e por aquilo que ainda são.

Junto com Saul e Jônatas, Davi sepultou também os que haviam sido enforcados, porque, uma vez que a ira de Deus se desviara, eles já não deviam ser vistos como maldição (2 Samuel 21:13, 2 Samuel 21:14). Quando a água caiu do céu, isto é, quando Deus enviou chuva para regar a terra, talvez poucos dias depois de terem sido pendurados, então eles foram descidos, pois se via claramente que Deus se deixara mover à misericórdia em favor da terra. Quando a justiça é feita na terra, o juízo que vem do céu cessa. Por meio de Cristo, que foi pendurado no madeiro e feito maldição por nós para tirar a nossa culpa, embora ele mesmo não tivesse culpa alguma, Deus se torna em paz conosco e se inclina em misericórdia para nós. Em Atos 13:29 lemos que, depois de terem cumprido tudo o que dele estava escrito, para mostrar que a oferta completa havia sido apresentada e aceita por Deus, o tiraram do madeiro e o colocaram em um túmulo.

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