Versículo em destaque
2 Reis 6:13 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" E ele disse: Vai, e vê onde ele está, para que envie, e mande trazê-lo. E fizeram-lhe saber, dizendo: Eis que está em Dotã. "
2 Reis 6:13
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
11 Então se turbou com este incidente o coração do rei da Síria, chamou os seus servos, e lhes disse: Não me fareis saber quem dos nossos é pelo rei de Israel?
12 E disse um dos servos: Não, ó rei meu senhor; mas o profeta Eliseu, que está em Israel, faz saber ao rei de Israel as palavras que tu falas no teu quarto de dormir.
13 E ele disse: Vai, e vê onde ele está, para que envie, e mande trazê-lo. E fizeram-lhe saber, dizendo: Eis que está em Dotã.
14 Então enviou para lá cavalos, e carros, e um grande exército, os quais chegaram de noite, e cercaram a cidade.
15 E o servo do homem de Deus se levantou muito cedo e saiu, e eis que um exército tinha cercado a cidade com cavalos e carros; então o seu servo lhe disse: Ai, meu senhor! Que faremos?
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A primeira coisa a notar é a grande força que o rei da Síria enviou para capturar Eliseu. Ele descobriu onde Eliseu estava, em Dotã (2 Reis 6:13), não muito longe de Samaria, e mandou para lá um grande exército. Eles deviam atacar de noite e trazer Eliseu de volta, vivo ou morto (2 Reis 6:14). Talvez ele tivesse ouvido que, quando apenas um capitão com cinquenta homens foi enviado contra Elias, a tentativa fracassou. Então mandou um exército contra Eliseu, como se o mesmo fogo do céu não pudesse destruir cinquenta mil tão facilmente quanto cinquenta.
Naamã poderia tê‑lhe dito que Eliseu não vivia em fortaleza alguma, não tinha guarda‑costas e não dependia do favor do povo. Por que, então, uma força tão grande? O rei queria garantir o êxito, especialmente pelo fator surpresa. Insensato. Ele acreditava ou não que Eliseu revelara ao rei de Israel os seus planos secretos? Se não, que questão ele tinha com Eliseu? Se sim, poderia realmente pensar que Eliseu não denunciaria também as tramas armadas contra ele mesmo? E, já que Eliseu tinha tanta influência no céu para revelar esses planos, não teria também o suficiente para frustrá‑los? Os que lutam contra Deus, contra o seu povo e contra o seu profeta não entendem o que estão fazendo.
Em segundo lugar, há o grande medo do servo do profeta, quando viu a cidade cercada pelos sírios, e o modo sábio como Eliseu o acalmou. Parece que Eliseu havia treinado seu servo a levantar‑se cedo, pois isso é um bom meio de adiantar o trabalho e aproveitar o dia. Ao levantar‑se, provavelmente ouviu os soldados e viu o exército cercando a cidade (2 Reis 6:15), certo da vitória e pronto para capturar aquele profeta incômodo.
Veja como ele ficou apavorado. Correu logo a Eliseu e disse: “Ai, meu senhor, que faremos?” Sentiu‑se totalmente sem saída. Pensou que não adiantava lutar nem fugir, porque certamente cairiam nas mãos do inimigo. Se tivesse lido os Salmos de Davi, que já existiam, poderia ter aprendido a não temer dez mil homens, ou mesmo um exército acampado contra ele (Salmo 3:6; Salmo 27:3). Se tivesse lembrado que estava com Eliseu, o homem através de quem Deus já havia feito grandes coisas, não teria ficado tão abalado. Deus agora não deixaria seu profeta cair nas mãos dos incircuncisos. O servo deveria ter dito: “Que farei?”, como os discípulos: “Senhor, salva‑nos, perecemos.” Mas não precisava incluir seu mestre no pânico, nem dizer: “Que faremos?”
Eliseu o acalmou de duas maneiras. Primeiro, por palavras. O que ele disse em (2 Reis 6:16) serve para todos os servos de Deus quando há angústia por fora e medo por dentro: “Não temas.” Não cedam ao tipo de medo que produz terror e confusão. Os que estão conosco, para nos guardar, são mais numerosos do que os que estão contra nós, para nos destruir. Há anjos, em número muito maior, e Deus é infinitamente mais poderoso. Quando o medo cresce em nossa mente, é preciso encher o coração com pensamentos claros, grandiosos e elevados sobre Deus e sobre o mundo invisível. Se Deus é por nós, sabemos o que se segue (Romanos 8:31).
Segundo, Eliseu o consolou por meio de uma visão (2 Reis 6:17). Eliseu se importava profundamente em ver seu servo tranquilizado. As pessoas piedosas não desejam paz apenas para si mesmas. Querem que os que estão ao seu redor também estejam em paz. Eliseu havia perdido recentemente seu antigo servo, e este novo havia chegado há pouco ao seu serviço, de modo que ainda não tinha muita experiência. Eliseu quis dar‑lhe uma prova clara do poder de Deus, o mesmo poder que agia por meio dele e em seu favor. Os que têm fé mais firme devem ser pacientes com os fracos e facilmente assustados, e fazer o que puderem para fortalecê‑los.
Eliseu já se via em segurança, e quis que seu servo visse o que ele via: uma guarda de anjos ao redor deles. O cortejo que um dia levaria seu mestre ao céu era também sua proteção contra o inimigo. Ele viu carros de fogo e cavalos de fogo. O fogo é ao mesmo tempo aterrador e consumidor, e o poder que guardava Eliseu podia tanto amedrontar quanto destruir os atacantes. Assim como os anjos são mensageiros de Deus, também são seus soldados, seus exércitos (Gênesis 32:2), suas legiões ou regimentos (Mateus 26:53), operando para o bem do seu povo.
Para que o servo fosse consolado, nada mais era necessário senão que seus olhos fossem abertos. Eliseu orou por isso, e foi atendido: “Senhor, peço‑te que lhe abras os olhos, para que veja.” Seus olhos naturais já estavam abertos, e mostravam o perigo. Eliseu queria que se abrissem os olhos da fé, para que ele visse a proteção ao redor deles. O maior bem que podemos fazer a pessoas medrosas e de coração fraco é orar por elas e colocá‑las na forte graça de Deus. E, quando Deus abre os nossos olhos, os nossos medos perdem grande parte de seu poder. Somos mais facilmente amedrontados quando está escuro. Quanto mais clara é nossa visão do governo e do poder do céu, menos tememos as tribulações deste mundo.
Em terceiro lugar, há a vergonhosa derrota que Eliseu impôs ao exército sírio que veio prendê‑lo. Eles pensaram em fazê‑lo sua presa, mas foram ridicularizados por ele. Estava tão longe de temê‑los, ou de temer qualquer mal da parte deles, que acabou por dominá‑los completamente.
Ele orou para que Deus os ferisse de cegueira, e foram feridos de imediato, não a ponto de ficarem totalmente incapazes de ver, nem mesmo conscientes de que estavam cegos. Ainda percebiam a luz, mas a visão estava tão confusa que não conseguiam reconhecer pessoas ou lugares que conheciam antes (2 Reis 6:18). Ficaram tão desnorteados que aqueles em quem se confiava para dar direção já não sabiam que ali era Dotã ou que este era Eliseu. Tateavam ao meio‑dia como homens na noite (Isaías 59:10; Jó 12:24‑25). A memória lhes falhou, e também a capacidade de distinguir uma coisa da outra.
Veja o poder de Deus sobre a mente e o entendimento humanos em ambas as direções. Ele abriu os olhos do amigo de Eliseu e escureceu os olhos de seus inimigos, de modo que viam, mas não entendiam (Isaías 6:9). Cristo veio ao mundo para esse duplo juízo: para que os que não veem passem a ver, e para que os que pensam ver se tornem cegos (João 9:39). Para uns, ele é cheiro de vida. Para outros, cheiro de morte.
Quando estavam confusos e perdidos, Eliseu os levou a Samaria (2 Reis 6:19). Ele havia prometido mostrar‑lhes o homem que procuravam, e cumpriu. Não mentiu ao dizer: “Não é este o caminho, nem é esta a cidade”, porque ele já tinha saído da cidade, e, se quisessem vê‑lo, teriam de ir a outra cidade, para onde ele os conduziria. Os que lutam contra Deus e contra seus profetas acabam se enganando a si mesmos, e Deus, com justiça, os entrega às próprias ilusões.
Quando Eliseu trouxe os sírios a Samaria, orou para que Deus lhes abrisse os olhos e restaurasse a memória, para que vissem onde estavam (2 Reis 6:20). Então, para grande espanto e temor deles, viram‑se no meio de Samaria, provavelmente cercados de soldados em número suficiente para capturá‑los ou matá‑los a todos. Satanás, o deus deste século, cega as pessoas e as conduz à própria ruína. Mas, quando Deus ilumina, elas veem que estão no meio de inimigos, presas de Satanás e em perigo do inferno, embora antes pensassem que tudo ia bem.
Os inimigos de Deus e da sua igreja muitas vezes imaginam que estão prestes a vencer, mas acabam descobrindo que estão derrotados e derrubados. Quando Eliseu os teve em seu poder, mostrou que era guiado tanto pela bondade quanto pelo poder divinos. Ele não precisava da espada de um anjo para defender a causa de Deus, pois a espada do rei de Israel estava à disposição, se ele quisesse usá‑la (2 Reis 6:21). O rei, falando com respeito, perguntou a Eliseu: “Ferir‑ei? Ferir‑ei, meu pai?” Talvez se lembrasse de que Deus certa vez se irou com seu pai por ter deixado ir homens que Deus tinha posto em seu poder para destruir, e não queria repetir o mesmo erro.
Ao mesmo tempo, o rei mostrou profundo respeito pelo profeta, pois não se atreveu a ferir sem a aprovação de Eliseu. Mas o profeta não permitiu que lhes fizesse mal algum. Eles tinham sido levados ali para serem convencidos e humilhados, não mortos (2 Reis 6:22). Se tivessem sido capturados em batalha, pela espada e pelo arco, seria crueldade negar‑lhes misericórdia quando a pedissem, e desonestidade feri‑los depois de lhes prometer perdão. Seria também contrário às regras da guerra matar homens depois de feitos prisioneiros. Mas eles não eram prisioneiros do rei; eram prisioneiros de Deus e de Eliseu, por isso não se devia fazer‑lhes mal. Os que se humilham debaixo da mão de Deus andam pelo caminho mais seguro.
Eliseu também cuidou para que aqueles homens fossem bem tratados, dizendo ao rei que lhes desse alimento em abundância e depois os mandasse de volta em segurança, e assim o rei fez (2 Reis 6:23). Foi um mérito do rei obedecer ao profeta, mesmo quando isso contrariava seus próprios desejos e, ao que parecia, seus próprios interesses (1 Samuel 24:19). Ele estava tão ansioso por agradar a Eliseu que, embora tivesse sido instruído apenas a pôr pão e água diante deles, o que seria comida simples de cativos, preparou um grande banquete, para honra de sua corte, de seu país e de Eliseu.
Também foi mérito de Eliseu ser tão generoso com seus inimigos. Embora tivessem vindo para prendê-lo, não puderam ir embora sem admirá-lo como o homem mais poderoso e, ao mesmo tempo, o mais bondoso que já tinham encontrado. O dever de amar os inimigos e fazer o bem aos que nos odeiam já estava ordenado no Antigo Testamento (Provérbios 25:21-22; Êxodo 23:4-5), e Eliseu coloca isso em prática aqui. Seu predecessor havia mostrado a justiça divina quando fez descer fogo sobre seus perseguidores para destruí-los. Eliseu, em contraste, mostrou a misericórdia divina, acumulando bondade sobre seus perseguidores para abrandá-los. Assim, não devemos ser vencidos pelo mal, mas vencer o mal com o bem.
Isso produziu um bom efeito sobre os sírios, ao menos por algum tempo. Eles não voltaram a Israel novamente com essa missão específica de capturar Eliseu (2 Reis 6:23). Viram que tentar prendê-lo era inútil, e nenhum de seus grupos de ataque se deixaria convencer a investir contra um homem tão grande e tão bom. A vitória mais gloriosa sobre um inimigo é transformá-lo em amigo.
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Deste capítulo
2 Reis 6:1
"E disseram os filhos dos profetas a Eliseu: Eis que o lugar em que habitamos diante da tua face, nos é estreito."
2 Reis 6:2
"Vamos, pois, até ao Jordão e tomemos de lá, cada um de nós, uma viga, e façamo-nos ali um lugar para habitar. E disse ele: Ide."
2 Reis 6:3
"E disse um: Serve-te de ires com os teus servos. E disse: Eu irei."
2 Reis 6:4
"E foi com eles; e, chegando eles ao Jordão, cortaram madeira."
2 Reis 6:5
"E sucedeu que, derrubando um deles uma viga, o ferro caiu na água; e clamou, e disse: Ai, meu senhor! ele era emprestado."
2 Reis 6:6
"E disse o homem de Deus: Onde caiu? E mostrando-lhe ele o lugar, cortou um pau, e o lançou ali, e fez flutuar o ferro."
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